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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Novas Maravilhas, velhos desafios

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 As recentes candidaturas e a passagem à fase final do Castelo de Bragança e da Domus Municipalis às “Novas 7 Maravilhas de Portugal” enchem-nos, naturalmente, de orgulho bragançano.

No entanto, quer a Domus Municipalis, único exemplar de arquitetura civil românica em toda a Península Ibérica e classificada como Monumento Nacional desde 1910, quer o Castelo de Bragança, um dos mais importantes e melhor preservados do país, também Monumento Nacional desde 1910, não precisam de concursos para provar o seu valor.

Confesso, por isso, a minha ambivalência pois não acreditando muito neste tipo de concursos mediáticos, em que o património corre o risco de ser reduzido a ranking televisivo e votação por chamada telefónica ou aplicação, lhe reconheço, contudo que, no mundo em que vivemos, esta visibilidade é uma oportunidade importante para afirmar Bragança, atrair turistas e reforçar o orgulho de quem cá vive.

Não refiro esta ideia apenas como observador distante, mas como alguém que sentiu, por dentro, na sequência de mandato recebido do povo, entre 2001 a 2013, como presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, assim como o meu tesoureiro, Jorge Moreira, um “vileiro” de alma, sangue e coração, o esforço que era preciso fazer para ultrapassar os bloqueios e para fazer desenvolver este património, as jóias mais preciosas da Freguesia, e conciliar as orientações do IPPAR, o incremento das atividades e do turismo, a mobilidade e a vida real de moradores.

Há, todavia, neste feliz evento, a oportunidade propícia para uma reflexão mais aprofundada, a partir de uma pergunta que dele se pode extrair: o que queremos, afinal, que signifique esta nomeação para Bragança e, mais particularmente, para o Castelo e a Domus Municipalis?

É que estes títulos valem o que valem, realçam o que realçam, sobretudo em termos promocionais, turísticos e de imagem, mas que ficam aquém, sempre, da verdadeira grandeza que os nossos monumentos têm e que devia ser medida antes pelo lugar que ocupam na vida quotidiana da cidade e do concelho, na memória afetiva e sobretudo nas prioridades políticas.

Para isso, o Castelo e a Domus têm de deixar de ser apenas cenário e tornarse, de facto, esapaços mais valorizados, mais vividos, mais frequentados e mais dinamizados.

Há, porém, condições materiais que não se podem adiar por mais tempo. São vários os exemplos: abrir a Domus ao público, numa perspetiva de visita integrada com outros espaços; cuidar das muralhas e do próprio pelourinho que apresentam um estado de degradação e abandono; concretizar umas escadas que permitam descer da muralha sem ter de recuar pelo mesmo caminho, a fim de não só assegurar uma exigência mínima de acessibilidade mas também segurança; uma gestão mais inteligente do trânsito dentro do perímetro do castelo e a criação de mais áreas de estacionamento nas proximidades que libertariam o espaço para as pessoas e para uma visita tranquila; e, ouso dizêlo, para o Castelo é que faria sentido um acesso mecanizado, pensado com rigor urbanístico e sensibilidade patrimonial, para o aproximar mais do quotidiano de todos, incluindo idosos, famílias com crianças, pessoas com mobilidade reduzida!

Era também a altura de expandir a Feira Medieval, que tive a alegria de iniciar, marcando o calendário cultural anual da cidade.

No próximo dia 8 de agosto, em Amarante, seria muito bom que a Domus Municipalis e o Castelo de Bragança fossem eleitas e, para isso, é preciso votar. Contudo, depois de as luzes se apagarem, a resposta à pergunta caberá nas decisões concretas que tomarmos, juntos.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

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