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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A queda de um anjo

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Luís Neves, não só pela forma eficaz com que combateu o crime organizado no nosso país, mas também e sobretudo pelo ataque certeiro e fundamentado que fez ao discurso xenófobo destruindo a base de barro em que assentava, é o meu herói!

E não deixou de o ser pelas circunstâncias recentes em que se viu envolvido.

Isto não quer dizer, de forma nenhuma, que apoie, suporte ou justifique qualquer uma das ações que, aparentemente, terá praticado. Não!

E esse é o principal erro em que Luís Neves caiu ao supor que o seu percurso enquanto dirigente da Polícia Judiciária, lhe serviria de escudo, justificação, alibi, para poder auto suspender os vários formalismos a que a sua condição de servidor público o obrigava. Não é por estar do lado do Bem que pode dispensar a necessária observação dos mecanismos democráticos de transparência e equidade que são exigidos a todos quantos gerem a coisa pública.

Esta técnica de tentar misturar assuntos estanques, usando com justificação, a a auto avaliação da bondade de cada uma delas, não é nova, infelizmente. Foram várias as figuras públicas, sobretudo autarcas que tentaram limitar a atuação do Ministério Público, quando lhe imputavam qualquer acusação, alegando que o sufrágio eleitoral era suficiente para demonstrar a bondade da sua atuação, mesmo que fugindo às naturais obrigações que o cargo lhes impunha.

Mesmo que seja verdade que a atuação ao arrepio das normas possa, eventualmente, trazer economias para o erário público, como Luís Neves alegou para a entrega da galera, com o respetivo conteúdo, ao seu amigo, o empreiteiro de Barcelos. Isto não pode, de forma nenhuma ser argumento. Em primeiro lugar porque essa análise perde qualquer credibilidade quando a contabilização é feita por quem decide e não por uma entidade externa, credenciada. Mas, mesmo que o fosse, não pode nunca, ser justificação para fugir ao normativo. Os mecanismos democráticos costumam ser mais caros que as normas ditatoriais. A começar pelas eleições. Mas não podemos dispensá-las só para poupar alguns milhões de euros aos cofres da nação!

Mas se a condição de herói não chega para justificar atuações menos recomendáveis, a avaliar por tudo quanto se conhece, até agora, igualmente não basta o desagrado e oposição à atuação de uma qualquer formação partidária, para condenar toda e qualquer atuação. Neste caso, com dupla mágoa, não posso deixar de aceitar como legítima e até alinhada com o interesse público a exigência do esclarecimento total e completo, apresentada por um partido extremista. A exigência de um Comissão Parlamentar de Inquérito é adequada e qualquer tentativa de a boicotar sendo incompreensível é, por isso mesmo, o pior que pode ser feito ao ministro, caso esteja inocente ou à democracia, caso não esteja.

Há, de qualquer forma, algo que me intriga: recentemente foi notícia um pretenso assalto a um Gabinete Parlamentar, de onde teriam sido furtados documentos com provas incriminatórias do MAI. Como é que é possível perpetrar tal assalto num edifício com a vigilância e controlo que o Parlamento tem? Se a informação era comprometedora, por que razão não foi já divulgada? Para apanhar o ministro desprevenido? Mas então o objetivo é caçar o membro do governo… ou apurar a verdade? O que podendo ser legítimo… não é ético. Mas, embora condenando, já me habituei à notória de falta de ética em determinadas formações políticas.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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