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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os Irmãos Cruz de Mirandela

Um dos irmãos Cruz de Mirandela (Joaquim, Adolfo e Manuel) na Minha aldeia
      OPINIÃO
Jorge Lage
Eram três irmãos que ficavam no caminho da minha aldeia e de muitas aldeias. Mais ainda, nunca ouvi em minha casa uma palavra em seu desabono dos meus pais. Eram pessoas trabalhadoras e empreendedoras que honravam o nome da sua família e Mirandela. Um deles andou, muito novo, na minha aldeia a fazer pela vida e cruzou-se com a minha avó Rosa e daimosa. Já assim, generoso, era o meu bisavô materno, Ti João Aleixo.

Era, também, o meu bisavô, exímio jogador do pau, que varria o toural da feira da Torre se havia uma zaragata. Era, ainda, um campeão em pesos. Um dia (Século XIX) aparece-lhe à porta, em Chelas, um desafiador dos Cortiços (?) para se bater com ele e levar o «título de campeão da região em pesos». O Ti João Aleixo concorda e convida-o por cortesia a beber. Então, pega na tanha de barro cheia de vinho, ergue-a com as duas mãos e leva-a à boca e bebe. Pousa-a e convida o forasteiro a beber, mas ele disse-lhe que não conseguia erguer a tanha e beber. O meu avô despediu-o, porque se não é capaz de erguer pela tanha e beber, não era digno de se bater com um campeão. A tanha era a pré-eliminatória.

Mas, voltando aos irmãos Cruz foram sempre vistos como empreendedores, sendo o mais popular o Adolfo com a serralharia acima do Tanque e para lá da linha do comboio. O Manuel com o comércio um pouco abaixo do Tanque e do lado de lá do largo. O Joaquim tinha a serração na Quinta Branca e um comércio a seguir à casa do Capitão Ilídio Esteves. Foi numa ida duma minha irmã ao comércio que o próprio Joaquim Cruz lhe contou quanto estava agradecido à minha avó Rosa, que à sua merenda acrescentava um agrado. Puxei este assunto ao teclado do computador, para dizer, a quem possa ter dúvidas, que procuro sempre ser rigoroso no que escrevo, não para amesquinhar ninguém e muito menos os que partem, mas para mostrar um bom caminho, uma boa acção ou um exemplo de vida. Por exemplo, a mim, não me incomoda o meu passado humilde de filho de agricultores remediados e trabalhadores.

Incluí, com orgulho, esse dado no meu currículo e repito-o dezenas de vezes. Ainda hoje, em cada dia que passa, fico agradecido a quem me ajuda e sem os amigos e a generosidade de muita gente por esse Portugal abaixo não conseguiria fazer o pouco que fiz. Pena é que Mirandela e o país não tenham muitos «Irmãos Cruz», como os que havia em Mirandela, gente empreendedora e trabalhadora. A sua memória e de muitos outros mirandelenses, trabalhadores e empreendedores, enchem-nos de orgulho, são bons exemplos e ajudaram a engrandecer a Mirandela do segundo e terceiro quartel do século XX.

Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net

Cinco milhões de euros para a cooperação transfronteiriça

Foi aprovado na cidade espanhola de Zamora um financiamento de cinco milhões de euros para investir em projectos que envolvam a cooperação transfronteiriça, a vitivinicultura e o empreendedorismo em geral. O montante será gerido pela Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro (AIMRD), que neste momento é presidida pelo município de Miranda do Douro.

A AIMRD é uma associação hispano portuguesa sem fins lucrativos que representa todo o território do Douro desde a sua nascente em Duruelo da Sierra até à sua foz no Porto, constituída por 53 autarquias e câmaras municipais ribeirinhas de ambos os países, mais a Confederação Hidrográfica do Douro, organismo dependente do Ministério do Meio-ambiente espanhol.

A associação já participou em vários projectos europeus de diferentes conteúdos e agora vai gerir um novo pacote de cinco milhões de euros que, segundo Artur Nunes, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, vai envolver “várias regiões de Portugal e de Espanha, especialmente, virados para a cooperação transfronteiriça”.

Segundo o autarca, em declarações prestadas à Agência Lusa, o concelho de Miranda do Douro será "chefe de fila de um projeto virado para o empreendedorismo (You Shadowing), que terá uma verba atribuída de 1,2 milhões de euros”.

Actualmente estão aprovados dois projectos na área da vitivinicultura que envolvem Portugal, Espanha e a França.

"Agora, esperamos executar todas estas propostas aprovadas ao longo dos próximos anos. Miranda do Douro tem um papel de destaque na área do empreendedorismo para que se possa avançar com projetos nesta área", referiu Artur Nunes, citado pela Lusa. 

Em fase de aprovação está também o "Flumen Durius", um projecto que pretende promover e reforçar os recursos turísticos do Rio Douro. Esta é uma das apostas destinadas a proteger o património cultural e natural da região fronteiriça. A iniciativa envolve também a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Este projecto está à espera da aprovação dos fundos provenientes do Interreg no âmbito do Programa Operacional Espanha-Portugal de Cooperação Transfronteiriça (POCTEP). O objectivo principal é proteger e valorizar o património cultural e natural,  na medida em que estes recursos podem funcionar como uma alavancagem para o desenvolvimento económico da região de fronteira, de forma a gerar um crescimento sustentável através da cooperação transfronteiriça.

in:noticiasdonordeste.pt

Município de Bragança quer promover uma maior coesão social e territorial

O Executivo Municipal da Câmara de Bragança aprovou, em Reunião de Câmara, apoios financeiros para as Freguesias de Alfaião, Babe, França, União das Freguesias de Rebordaínhos e Pombares, no montante global de 302.214,00 euros, destinados à realização de obras importantes para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos residentes no meio rural e promotoras de maior coesão territorial e social.

Neste quadro geral de apoios, a Freguesia de Alfaião vai receber 42.500,00 euros para apetrechamento do Centro de Convívio de Alfaião, calcetamento da Rua Bacelo de Fora e construção do respectivo muro de suporte de terras e construção de um pontão em “Veiga de Malho”. 

A freguesia de Babe também foi apoiada em 155.000,00 euros para construção do Centro de Convívio, e a freguesia de França receberá 45.000,00 euros para execução de obras de ampliação e requalificação do respectivo Centro de Convívio já existente. 

A União das Freguesias de Rebordaínhos e Pombares também foi contemplada com 59.717,00 euros para execução de obras de reabilitação e ampliação do posto médico de Rebordainhos. 

Na mesma reunião da Câmara, realizada a 22 de fevereiro de 2016, foram ainda aprovados apoios financeiros, no montante global de 14.500,00 euros, para atribuição às Juntas e Uniões das Freguesia de Samil, Rebordãos, Coelhoso e Castrelos e Carrazedo, para realização de obras urgentes de melhorias habitacionais de famílias carenciadas. 

Todos estes apoios financeiros serão submetidos para aprovação na próxima Reunião da Assembleia Municipal, que terá lugar no dia 29 de fevereiro de 2016.

Bragança cria ginásio do cérebro sénior para exercitar idosos contra demências

Os idosos de uma instituição de Bragança vão ter um novo ginásio onde em vez de exercício físico vão treinar a mente, num projeto inovador a nível local para dar resposta ao número crescente de situações de demências.

O Ginásio do Cérebro Sénior é a mais recente iniciativa da Fundação Betânia de Bragança e, segundo a diretora, Paula Pimental, deverá estar a funcionar durante o mês de março, destinado aos 110 utentes da instituição sejam residentes, de centro de dia ou apoio domiciliário.

O ginásio vai utilizar os conceito de neuróbica e neurofitness para estimular o cérebro e nasce da necessidade de dar resposta ao aumento significativo da prevalência de situações de utentes com algum tipo de demência, que em apenas um ano, de janeiro de 2015 a janeiro de 2016, passou de menos de 42% para metade dos idosos atendidos pela instituição.

A prevalência de demências é ainda superior nos utentes do centro de dia com uma taxa de 73%, de acordo com dados da instituição.

O novo projeto partiu da diretora e do assistente social Bruno Santos que explicou à Lusa que este ginásio "é um espaço alicerçado em programas de treino cognitivo cujo objetivo é ativar as funções cognitivas".

São, como disse, exercício de "treino mental que procuram trabalhar a concentração, a atenção, o raciocínio lógico, a parte da linguagem, da perceção", contribuindo para "melhorar a resposta do ponto de vista cognitivo face a situações simples do dia-a-dia como vestir ou tomar banho".

O objetivo, como salientou, é "intervir naqueles que a doença já está instalada, retardando a progressão, mas prevenir também o aparecimento".

A instituição adaptou uma sala para o efeito equipada com equipamento informático e de estimulação sensorial e cognitiva como painéis sensoriais, 'tablet' , computadores portáteis, coluna de água.

"Equipamento de topo específico", vincou Bruno Santos, para projetar cores e formas, treino de orientação temporal com o dia da semana, mês, estação do ano, etc., entre outros exercícios.

"O simples facto de estar ali um grupo se calhar vai também promover a interação e a socialização", indicou a diretora.

O Ginásio do Cérebro Sénior custou mais de 33 mil euros e ganhou um apoio financeiro de 25.200 euros de um programa da Fundação EDP, a edição 2015 da EDP Solidária Inclusão Social.

O remanescente fica a cargo da fundação tem se tem candidatado a vários programas do género e já tinha sido contemplada pela Sic Esperança com financiamento para uma sala de estimulação sensorial e terapia de relaxamento, onde funciona há quatro anos um programa de estimulação cognitiva em grupo.

O novo ginásio terá, além do equipamento, vários terapeutas, desde gerontólogos, animador sociocultural, assistente social, fisioterapeuta, e a preocupação é, segundo a diretora, "reforçar algumas práticas" já existentes na casa.

"Por outro lado, cada vez mais os utentes que chegam apresentam sinais e nós queremos também contrariar essa tendência e, ao mesmo tempo, ajudar aqueles que ainda têm consciência e que estão bem, para prevenir possíveis problemas desta natureza", acrescentou.

HFI // JGJ
Lusa/fim

Notícias da cidade… ou dum romance

Acho que terminei… nunca sabemos se terminamos, ou se estamos a começar de novo. Mas ontem escrevi a palavra FIM, no meu, no nosso, próximo romance. E Bragança, novamente, tão perto, com as suas grandezas e misérias, com as suas alegrias e tristezas, com os seus lutos e festas, quarta-feira de cinzas e páscoa da ressurreição.
E Bragança emerge da penumbra, duma noite sombria, dos anos sessenta à luz ténue dos medos, da emigração, dos longos invernos, do pão escasso e a PIDE sempre vigilante nas fronteiras. São várias histórias que se cruzam desde o ballet rose, às mães de Bragança, às crenças e mitos, ciúmes, feitiços, brasileiras, até que desponta, paulatinamente, a cidade de Bragança, a cidade da inteligência e do amor. E cumpriu-se abril e a liberdade. E ao lado do cretino mais hediondo, há sempre alguém de coração grande e gesto suave inventando a ternura que nos faz acreditar que a vida é um dom, é muito bonita e vale apena abraçar.
Um romance intenso, com a linguagem do amor, da casa, da rua, da igreja, do bordel, mas sobretudo do coração e de Bragança, a cidade do amor e do futuro.

Um romance de 260 páginas para ler em maio… um primeiro esboço de capa… já quase tem um título… em breve.

Fernando Calado

Prémio Trás-os-Montes Empreendedor 2016

O Nerba Associação Empresarial do Distrito de Bragança promove o Prémio Trás-os-Montes Empreendedor 2016 para as melhores empresas do distrito e investidores da Diáspora Transmontana.


Tendo por base a promoção da região de Trás-os-Montes, mostrando ao exterior aquilo que os transmontanos já sabem: a região tem excelência, capacidade inovadora e empreendedora e potencial para apostar na internacionalização dos seus produtos e serviços, o Prémio Trás-os-Montes Empreendedor 2016 vem laurear pequenas e médias empresas do distrito de Bragança visando assim conferir notoriedade ao seu trabalho.

São atribuídos dois prémios por categoria, existindo 8 categorias a concurso:

Categoria 1 - Diáspora Transmontana – Investidor na região
Categoria 2 – Número de trabalhadores
Categoria 3 – Volume de negócios
Categoria 4 - Exportação
Categoria 5 – Qualidade
Categoria 6 - Práticas de responsabilidade social
Categoria 7 - Inovação
Categoria 8 – Design e marca

Conheça:

Regulamento do Prémio Trás-os-Montes Empreendedor 2016

Formulário de Candidatura Trás-os-Montes Empreendedor 2016

Prazo para apresentação de candidatura até 24-03-2016.

Para esclarecimentos:
Nerba – Associação Empresarial
Telef: 273304630
Telemóvel: 938436214
E-mail: fatima@nerba.pt; mnascimento@nerba.pt; plouzada@nerba.pt

S. JOANICO

A HISTÓRIA
O SEU BERÇO -Segundo o Abade Baçal, S.Joanico teve o seu princípio numa quinta que daquele lado da Ribeira “houve” a que se lhe deu o nome de S. Joane, a propagação de vizinhos a aumentou de “hua e outra parte, que chegou a ter Igreja matriz e a poucos anos sacrário". (Ab Baç p.537)( De que lado da ribeira?...Do lado esquerdo?)
Desde os sécs. XII, XIII, que temos  referências a S. Joanico: umas escritas, poucas; uma outra, de pedra e cal, talvez a mais importante, bem visível e palpável, é a sua ponte – -primeiro medieval, depois românica, actualmente...—sem imagem e sem projecção, descaracterizada, apesar das recentes obras... . É uma ponte, de cantaria, medieval, de estilo românico, integrada no antigo caminho que de Angueira se dirigia para Vimioso, " de cantaria, para passagem da antiga estrada de Bragança a Miranda."É considerada pelo IPA monumento património nacional, inscrito Nº. IPA:0411120006.É propriedade pública municipal. Foi reconstruída em 1778 e sofreu uma intervenção em 1994 pela CMV.- obras de reparação da ponte, ficando muito descaracterizada.* " O seu pavimento encontra-se muito alterado, já não conservando qualquer laje, sendo constituída por paralelos ... Dos dois lados da ponte, marcando a sua entrada, encontram-se quatro coruchéus, assentes em pilastras, das quais três se encontram derrubados...( Como é possível?)... Na margem esquerda, foi posteriormente sobreposto um painel de azulejos com a imagem de S. João Baptista."
Atestam ainda os documentos que “havia nesta povoação uma casa para Hospital”( Que casa seria esta? Onde ficava? Que tipo de Hospital? Haverá vestígios?...)
O NOME SÃO JOANICO  provém, talvez, do facto de ter S. João Baptista como seu Patrono; não por ser um santo desconhecido ou de pouca importância; bem pelo contrário; se todos os santos são importantes e grandes, este, “de entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior que João Baptista”(Mt.11.11), mas, talvez, sim, por ter poucos habitantes, por ser um povo pequenino, talvez mesmo simpático, acolhedor; daí também o diminutivo com cariz afectivo... Talvez ainda "por carinho devocional, à semelhança do S. Bentinho, em Braga ou pela pequenez do templo" - que não deve ser o actual, um outro anterior a este... O sufixo “ico” e não em “inho”- S.Joaninho (distrito de Viseu), aparece na região, por influência remota do mirandês como se nota em outras palavras toponímicas da mesma, por exemplo: Lagonica(Lhagonica), Colmenica...  Todavia, antes teve o seu nome de San Joane. Observação que levou Leite da Vasconcelos a concluir que em São Joanico, bem como em Serapicos, Avelanoso e Campo de Víboras se tenha um dia falado o mirandês” Depois, por influência eclesiástica, regressando à forma anterior, formou-se: Joane+ico=Joanico, São Joanico”. Carvalho da Costa, na sua Corografia, já assim lhe chama, no princípio do séc. XVIII.(Ab.Baç.)
Teria havido outro S. Joanico? - Leite de Vasconcelos in Estudos de  Filologia Mirandesa I,38 B.N.:L 34618:19V. identificou, em dúvida, a “Villa Sancti Johanis”, mencionada nas  “Inquirições”, com a actual aldeia de S.Joanico, no conc. de Vimioso. A forma diminutiva deste toponómio torna porém pouco provável a identificação. Todavia, se existe hoje S. Joanico é porque existiu outrora um S. Joanico de que depende o toponímio moderno(18) e que provavelmente ficaria nas suas imediações.( Que imediações seriam estas?...).
Povoamento e colonização - Segundo os documentos escritos, metade da aldeia foi vendida, juntamente com metade das aldeias de Caçarelhos e de Genísio ( porquê só metade?), em 1217, por Paio Fernandes,  ao Mosteiro de S. Martinho da Castanheda ou da Castanheira, em terra da Sanábria(Espanha). O Mesmo mosteiro nos povoou e colonizou  no reinado de D. Sancho II juntamente com S. Martinho de Angueira, S.Joanico, Caçarelhos, Especiosa. (J.G.Carvalho) (Mem Arq. Históricas, TomoVI. pg.329). “Foi povoada pelo mosteiro de Moreirola e em 1530, pertencia ao termo da Vila de Vimioso e tinha 11 moradores” (Ab.Baç.).“Nas mediações directas da zona de Miranda, encontram-se outros lugares, também objecto da colonização leonesa: Avelanoso, Vale de Frades. Cerapicos, S.Joanico, Vimioso, Carção, Campo de Víboras."
CABANAS - Faz ainda parte da história de S. Joanico, quase ignorada e, para mim, talvez um dos seus factos mais importantes - a presença dos Judeus em Cabanas “,onde assentaram arraiais, durante três anos, aquando da sua expulsão de Espanha, até obterem autorização de El-Rei para se fixarem em Portugal”. É de salientar que este lugar de Cabanas fica em  S. Joanico e não em Caçarelhos, como me pareceu  referir o primeiro programa de “O Lugar da História” da RTP.( Quem conhece algo sobre esta presença? A arqueologia já alguma vez se lembrou de Cabanas, em São Joanico? ” (Onde é que propriamente estiveram? Em que circunstâncias? Será que não deixaram vestígios?)    UM APARTE - As "tabafeias" (alheiras) fazem o cartaz turístico e económico de Mirandela; mas, não teriam nos freixos de Cabanas as suas primeiras varas? O site de Vimioso diz que ultimamente o concelho se virou para o Turismo. Não será S. Joanico um lugar a descobrir? Nem um “chino” que indique onde estiveram, quem sabe, muitos dos nossos avós e pais...” Mesmo apesar da relutância de os Judeus se unirem a raças diferentes. Eventualmente, o termo tabafeia, termo árabe, poderia ter sido trazido para Portugal pelos judeus, quando, no final do século XV são expulsos de Espanha pelos Reis Católicos. Remonta a essa época a entrada em Portugal de certas comidas e respectiva designação.” (M.R.M.R.). A "tabafeia" – a  alheira – nasceu em Portugal, ( em Cabanas?...), como alternativa ao fumeiro de carne de porco que os judeus não faziam nem comiam porque tal  comportamento os  denunciava  como sendo judeus, perante a Inquisição. Então, inventaram este tipo de fumeiro de quase todas as carnes, menos de porco. Nós, depois, acrescentámos-lhe  também esta.
Por outro lado, a própria cabana dos pastores não terá aqui origem ou pelo menos inspiração?...
Cabanas é, a meu ver, o segundo monumento histórico a evidenciar; este, humano, social... ; o outro, a ponte, material, artístico mas, também, cheio de “alma”. Porque não materializar também aquele, in loco?
S. Joanico já foi Freguesia  -  Vale de Frades, a Freguesia  actualmente, é constituída pelos lugares de Serapicos e de S. Joanico mas já  foram “ambos muito importantes em tempos na história do concelho, pois  formaram freguesia independente. É de realçar o nome do último lugar, típica reminiscência do dialecto mirandês.”
Momentos históricos na História de S.Joanico. Sempre que nasce um habitante é um momento histórico; fica registado. Um casamento, um baptizado são momentos históricos; até mesmo quando o luto escurece uma casa.  A subida ao palco, duas  vezes, da Vida de Cristo nos espaço de vinte (?) anos foram dois grandes momentos históricos. Há, todavia, outros momentos que sendo da aldeia são mais de índole  pessoal, familiar: a conclusão de um Curso, uma Promoção, uma Graduação, a consecução de um emprego fora do normal...; destes, tem havido muitos em S. Joanico.
Há ainda a salientar outros acontecimentos que, talvez, pela sua raridade e especificidade, pelas sua amplitude comunitária, local, regional e até universal, ficaram registados, não tanto nos livros mas sobretudo, na memória das pessoas porque foram acompanhados, preparados, vividos e celebrados pela comunidade. Refiro-me  às três Missas Novas que no espaço de 20 anos se celebraram em S. Joanico: as dos PP. Aníbal João, Casimiro João (irmãos) e Serafim Falcão.
Saliento estes factos não só pela sua importância própria mas também pelo facto de S. Joanico ser mesmo S. Joanico, uma terra pequena...a que se pode aplicar:" E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá...(Miq.5.1;Jo 7,42;Mt. 2,6)
A inauguração, a montante, de uma ponte nova foi outro momento histórico importante, permitindo assim, o desvio da aldeia, quando não se tem intenção de nela parar. Pena foi que não tivesse sido feita, antes das "obras" da que é chamada "a Ponte de S.Joanico."
Momento da última hora: 22.VIII.2003 - Outro momento importante para a história de S. Joanico foi o lançamento de uma monografia, breve, simples mas ao mesmo tempo rica pelo seu conteúdo e oportuna porque veio preencher uma lacuna e ao mesmo tempo enaltecer, sem vaidades e menosprezo, o nosso ego de que poucas terras maiores e sempre presentes no mapa se podem orgulhar...Na porta aberta deste sítio, há cerca de um ano, que lamento a não presença explícita de S.Joanico na internet. Daí, esta minha iniciativa que a seu tempo, pretendo  que se faça ao mar largo... Parabéns à Senhora Professora Dª. Maria da Luz Miranda, aos seus inspiradores, encorajadores e colaboradores por: "S. JOANICO, SUA HISTÓRIA E SUAS GENTES".
Se esta obra enaltece o nosso ego, também puxa pelo nosso brio e aumenta a nossa responsabilidade. A partir do dia 22 de Agosto, data do seu lançamento, S. Joanico, tal como Bragança e outra cidades, tem que elaborar o seu programa "POLIS", pelo menos quanto à sua Ribeira, quanto à sua Ponte, ao seu chafariz das eiras e à traça, manutenção e restauro de algumas habitações...
AS TRADIÇÕES – São, praticamente, as mesmas das outras aldeias do Concelho. Por causas óbvias, perderam-se quase todas. A começar, há já muitos anos, o falar mirandês. O tom do seu modo de falar, que também está a perder, bem denuncia o concelho a que pertence; aquilo a que chamam o falar à “bileira”; os ditongos em “ais” têm um som intermédio com o em “ois”; por exemplo “ para onde vais “ parece ter o som de “ois”, “p,ra onde “bois”; o mesmo se passa com outros ditongos e alguns sons vocálicos. Não sei se infelizmente, o próprio Vimioso já quase não fala assim, também.
A dança dos pauliteiros pelos jovens de S.joanico da altura, ao som da gaita – de – foles do tio Joaquim Curralo, do bombo e da caixa do tio José Pedrão e dos ferrinhos que tanto animava e abrilhantava a festa de S. João, também já pertence ao passado.
Pelo Natal, também se cantavam os Reis, quando esta festividade chegava, cujas letras, sobejamente conhecidas, me dispenso de as transcrever porque tirando uma ou outra adaptação, são as mesmas em todo o Concelho.
No Entrudo, além  das mascaradas comuns, da farinha e das bugalhas espalhadas  pelas casas, apregoavam-se os mais originais e não sei mesmo se os mais acertados casamentos. Os funis e os regadores eram, à época, os melhores altifalantes. Era mais ou menos assim: dois “maduros”, regra geral acompanhados de outros, colocavam-se à distância e apregoavam: “Vamos casar”.  “ E quem?”  “Fulano(a).....”E com quem vem a ser?”_ “Vai a ser...vai a ser... com....(dizia-se o nome), após o que se terminava às gargalhadas:”grá....grá...grá...”
Saliente-se ainda dois costumes, também, em geral, presentes  nas outras aldeias, felizmente desaparecidos: um, o de mendigos ou pobres que andavam de terra em terra, pernoitando em casas, regra geral, já certas. Destes, destaco  a humildade, a dedicação e o espírito de serviço, pedindo sempre para fazer qualquer coisa, como partir lenha, ir à fonte... Tinham também o hábito de ir de porta em porta, e aí rezar, depois de tirar o chapéu, pelas “ benditas almas” e pelas “obrigações” da casa onde pediam. 
Havia outros pedintes – os ciganos -  cujo relacionamento de parte a parte já não era tão bom, bem pelo contrário... Estes, sobretudo as crianças, tinham, por vezes, um  gesto, até de ternura, que não era de oração mas artístico, de troca: “dê-me uma codinha e danço!...”  E as pessoas achavam-lhe graça e até davam...Havia também a outra face oposta: a da maldição, a da imprecação, na retirada, quando não se dava: “uma loba te nasça maldita....” Era dita, evidentemente, sem intenção e recebida sem indignação; tanto assim era que as pessoas, por brincadeira, repetiam esta e a expressão anterior, umas às outras...
JOGOS TRADICIONAIS: Entre outros, havia os da relha, do ferro, da barra, da pedra ( com umas dezenas de Kilos), jogados por entre as pernas  ou de lado e projectando aqueles a maior distância possível; do fito ou  Cunca ou malha que, regra geral,  se jogavam junto à ribeira e à ponte, a montante, do lado esquerdo, sempre no mesmo local, sendo bem visíveis - na época -  as covas, onde as pedras caíam e  resvalavam para deitar abaixo o meco ou marco. 
Trabalhos tradicionais: O linho. A lã. O cultivo e a elaboração... ARTESANATO, Artes  e Ofícios  No passado já bastante remoto, os habitantes, tal como nas outras aldeias, bastavam-se a si próprios nas Artes e Ofícios. Havia ferreiros, carpinteiros, sapateiros, barbeiros, alfaiates, pedreiros, latoeiros, serradores, ferradores, costureiras, taberneiro...Regra geral todas as famílias faziam o seu pão(fogaça) em casa, pedindo-se de emprestado à vizinha, enquanto não se fazia a fornada. Na Vila, apenas compravam algumas roupas e a mercearia e o tradicional bacalhau  A matança do porco da maioria das pessoas, dava-lhe a carne para todo o ano, bem como a criação de coelhos e aves de capoeira; para ocasiões mais festivas, a vitela, o cabrito, o borrego... Aquela era para as famílias, amigos e vizinhos, vindos até de outras terras, um dia de festa e de convívio que se prolongava pelo Inverno dentro, na retribuição do convite pelo mesmo motivo... A praça do peixe tinha assento no meio da aldeia, mas apenas para alguns amadores da pesca, à cana e à rede... A sardinha, o carapau  e o cânhamo eram comprados à porta, ao sardinheiro que, regra geral, vinha de  Vimioso, havendo famílias que compravam aquela, às caixas.
As peles dos animais, do coelho, da cabra e da ovelha, sobretudo, eram vendidas à porta, aos “peliqueiros” ou “argoseleiros,”, vindos de Argoselo - "Surradores de Argozelo"... que, pelas ruas, em cima dos seus cavalos, ou puxando - os pela  reata,  apregoavam numa voz grossa e cavernosa e com sotaque ou som característico da terra, que  outros povos, por e com graça imitavam: “peles e carniçoilos”. (Estes são um fungo, de forma córnea, que o centeio gera na espiga e que  eram vendidos a bom preço. Deles se extrai uma substância usada na preparação dos curtumes, como preservante ou neutralizante do elemento proteico). O azeite era comprado aos azeiteiros de Carção , que à semelhança dos seus vizinhos  de Argozelo, andavam também pelas ruas. muitas famílias a comprar às caixas.
A roupa, sobretudo para homem, em cortes ou ao metro, a que se chamava pana ou bombazinea  vinha-nos de Espanha, comprada, secretamente, por causa da Guarda Fiscal e dos Carabineiros, aos contrabandistas, que, depois, era trabalhada pelos nossos alfaiates. Também os “cacharros”, as alpercatas, as malgas, as canecas, os pratos de barro e as boinas ou gorras ou cachuchas, as galhetas(tipo de bolacha). Em contrapartida, levavam ovos, trapos, café ... Os contrabandistas, também eles pobres e sofridos, puseram muita mesa, vestiram e calçaram muito pobre, também... (História que ainda está por escrever...mas que já faz parte do plano Municipal -" A Rota do Contrabando")
O património Humano de S.Joanico - As Pessoas são o melhor que S. Joanico tem. Apesar de pequena, tem filhos espalhados pelos quatro cantos do mundo e a desempenhar, digamos assim, os sete ofícios: na igreja, no exército, no Ensino, nos diversos Ministérios do Estado, na Guarda, nas Autarquias...em todas as actividades da vida humana.
Muitos foram os que se notabilizaram na aldeia pelo seu modo de ser, de estar, de intervir nas diversas  actividades comunitárias: religiosas, civis, culturais, recreativas e humanas e pelo bom nome que deram à sua Aldeia. Dispenso-me, por enquanto, de salientar os muitos nomes de que me lembro, com receio de algum esquecer... e ferir susceptibilidades.
Com a emigração, primeiro para o Brasil e depois, sobretudo, para a França, a partir da década de sessenta, os mais carenciados são, hoje, com justo e são orgulho, os mais abastados.
Esta mudança economicamente promocional, contribuiu para o crescimento e elevação de S. Joanico, para poente, sobretudo, transformando o espaço das eiras que ficam do lado de Cabanas, num bairro novo que lhe deu vida, grandeza e beleza, proporcionando-lhe uma porta de entrada agradável e acolhedora; bem diferente e bem melhor que a de antigamente, até pelo nome que tinha...Todavia, gostava que a parte antiga não fosse deixada ao abandono, entregue à degradação, ao esbarrulhamento; que se mantivessem o granito, a laje, as varandas, as portas de postigo, a madeira, primando pela ausência do alumínio. Neste campo, em campo estar devia  a vigilância, o apoio técnico e subcidiário da Câmara... Quanto às novas construções, estimule-se e consuma-se o casamento do moderno com o tradicional, quer quanto aos materiais, quer quanto ao estilo.
O Património Cultural:
S. Joanico é uma aldeia de Actores ou de Sapateiros? É da tradição:
” Surradores de Argoselo,
 De S. Joanico os sapateiros.
 Em Vale de Pena carvoeiros
 E de Vilar Seco os 'scrinheiros.  (In Memórias de Vimioso - Abade de Baçal).

Mas a que mais enobrecia e caracterizava culturalmente S.Joanico era a sua propensão para a dramatologia : trágica e cómica; desde o Auto de Paixão da Vida de Cristo, - que, apesar dos seus condicionalismos, não ficaria atrás da célebre Obermmergau (Alemanha) - passando, por peças de Gil Vicente, até à expressão de iniciativa pessoal e local, como, por exemplo, esta, segundo consta, atribuída a Firmino Falcão, que eu próprio, quando criança, em ambiente familiar ou em roda de amigos, vi representar...


 "Já se acabou a comédia,
 Não  têm senão desculpar;
 Esperem um bocadico
 Enquanto se faz o jantar.

'Inda ontem me zanguei para a mulher
Por não comprar a vitela
Disse-me que quem a quisesse comer
Que a trouxesse na fardela.  

Presunto e chouriços não temos
Que se morreram os porcos no  Verão,
Nem batatas tão pouco
Que se gearam no montão.

Também vos dou uma pinga
,Inda tenho as pipas atestadas;
 Os que colheram tanto como eu,
Já as têm bem despejadas.

Com sede ninguém se vá,
Seria uma grande asneira;
Quem não quiser ir a casa do tio Preto      
Tem ali bo ribeira.......

Ó rapaziada,

não façais  tamanha asneira!
Dais cabo da cabeça
E do dinheiro da carteira...


......Nesta arte, realização, ensaio e até autoria, é de salientar o grande esforço, empenhamento e até paixão e arte do tão conhecido, popular e animador quer cultural, quer religioso, litúrgico e social, o saudoso tio José Ventura. Toda esta actividade artística se encontra concentrada no que vulgarmente chamam de “Casco”, por ele enriquecido, organizado e guardado; espero que não se tenha dispersado ou perdido, após a sua morte.
O RIO ANGUEIRA - São Joanico, apesar de pequenina, tem um património arquitectónico  que eu considero de grande valor. A sua ponte medieval- romana  deveria ser o seu postal de visita do qual faz também parte o Rio Angueira, a que o povo chama vulgarmente de Ribeira.
O Rio Angueira nasce em Espanha em Al Cruzillo, termo de Alcaniças, província de Zamora, entra em Portugal na freguesia de S. Martinho de Angueira, concelho de Miranda do Douro, passando por outra povoação de nome também Angueira mas esta pertencendo ao concelho de Vimioso; esgueira-se pelo sopé do planalto que ostenta Cerapicos e vem, sorrateiramente, a adormecer no coração de S.Joanico... Assim sendo, faz parte do seu património cultural, a que lhe deve a ponte, a luz, a beleza, graça e até a importância. Às vezes, tenho a impressão que S.Joanico não tem expressado esta consciência; ambas as margens têm que se virar mais para  a sua ponte e para a sua Ribeira...
Património já perdido. Além de faltar ainda valorizar condignamente a ribeira, houve outro matrimónio a ela ligado que, infelizmente, já se perdeu: refiro-me aos moinhos e a um pisão que, no passado, tal como as fontes e as eiras, desempenharam um papel importante na vida da comunidade, a nível familiar, local, económico e social. Outro há para o qual, felizmente, julgo já haver projecto: a recuperação dos açudes que S.Joanico possui de grande profundidade e longitude. E porque não a nora, que noutros tempos, ainda à distância do povoado, já se ouvia o seu chiar ora lento, ora apressado, conforme a andadura do paciente burro que lhe era incutida pela chibata da criança que o tocava ou pela voz gritada à distância do ou da que no meio da horta guiava as augueiras que dela recebiam a água fertilizante. Como está, se não mostrasse o desleixo ou abandono, bem podia servir para ilustrar a capa do "D. Quixote de La Mancha" de Cervantes.
Outro património que não estando ligado à ribeira, o está, como o anterior, à comunidade: estou a lembrar as fráguas, lugar reservado sobretudo a homens adultos que mostrando a sua força, desafiavam a dos adolescentes que garbosamente aceitavam o desafio, constituindo depois o orgulho dos pais ou de quem assistia, espalhando-se esta fama pela aldeia. Também era frequentado pelos mais pequenos que gostavam de "dar ao fole"...
Há ainda um outro relacionado com o ambiente -  os pombais que lhe davam uma atmosfera airosa, poética, encantatórica... Oxalá eles possam fazer parte "da Rota do Lazer e da Rota dos Pombais" já em Roteiro Turístico.
AS EIRAS – Falar deste espaço é lembrar o Verão, as segadas, o acarrejo, as medas, os bornais, a parva, a trilha, a limpa; é recordar a mútua ajuda, a convivência; é falar em sangue, suor e lágrimas; é enobrecer um espaço comunitário, social, numa palavra, humano. São um espaço que não deve se votado ao desprezo ou destinado a outros fins... Também não votado ao abandono, a ser um espaço morto. Antes, ficar bem preservado como sendo um monumento, que não tendo altura física, tem grandeza moral e profundidade de significado; contém sementes que devem ondular novas searas e oferecer novas colheitas aos nossos vindouros...Digno monumento ao trabalho humano – animal, feito com a cumplicidade do esforço, por vezes, bem desumano da parte dos racionais para com os irracionais que o Criador pôs ao seu serviço...
Nas terras piscatórias, é agradável ver em lugares de destaque, um barco, uma rede que outrora foram faina, trabalho, pão, convívio, desavença, solidariedade e também  sangue, suor  e lágrimas... Todavia, às nossas aldeias agrícolas ainda não chegou esta iniciativa: dos monumentos ao trabalho, usando os seus próprios instrumentos. O Recinto da Escola poderia ser um bom local, para uma exposição permanente condigna.
A ESCOLA - Durante muitos anos, uma pequena casa que fica na rua que vai do Cruzeiro à igreja, hoje Rua da Igreja, servia de Escola à qual ficou sempre ligada à tão querida e saudosa Professora Dª. Albertina Miranda, ainda hoje lembrada com saudade. Só a partir da década de setenta (?)é que se construiu a nova que fica junto à ponte, do lado de Cabanas. Aquela merecia maior destaque e apresentação...
PESSOAS TÍPICAS -  Todas as terras têm alguns dos seus habitantes que se notabilizam pelas suas característica próprias, que se afastam do viver paradigmático comum, que  têm alguma qualidade, virtude ou defeito físico, moral, social, acontecimentos reais, frases ou expressões próprias, maneiras de falar de andar de vestir... e que, apesar disso, ou talvez por isso mesmo, são aceites,  estimadas por todos, sem todavia, fugirem à crítica,por vezes mordaz, aos reparos , aos comentários da praça pública. S. Joanico não foge à regra. Aliás, o Concelho com as aldeias que  o constituem, também fazem parte desta regra, apodando  quer aquele, quer cada uma destas por uma alcunha, regra geral, relacionadas com uma actividade, ou característica próprioas. Apenas uma, a que se relaciona com S.Joanico, extraída do elenco que se refere ao Conselho e a todas as suas aldeias:  

De Avelanoso os carvoeiros  

E de Serapicos os raticos;
De São Joanico os sapateiros
E de Vilar Seco os, scrinheiros(7). (Memórias de Vimioso, Abade Baçal)

Desde criança que me lembro de ouvir esses chistes, quadras mordazes, imitações, que me privo de reproduzir com receio de ofender susceptibilidades. Julgo que hoje, já ninguém se deferia ofender, porque já se transformaram em riqueza cultural de S.Joanico e até elogio, admiração pela coragem de, à época, ser diferente e mostram bem o jeito e a arte, o sentido crítico, o humor e a graça dos nossos conterrâneos, que de modo nenhum se devia perder porque algumas relatam factos do quotidiano público.

A Casa do Povo deve merecer também o nosso interesse: Aqui gostaria de ver o passado cultural e artístico de S. Joanico: A caixa, o bombo, os ferrinhos, a gaita de foles..., que animavam as festas e as tardes de domingos, os paus e o guarda-roupa dos pauliteiros que ao som daqueles abrilhantavam a festa de S. João. Em primeiro plano, gostaria de ver todo o acervo do tio José Ventura a que chamam "Casco", fotografias, reportagens que por ventura se tivessem feito das múltiplas representações teatrais que  em S. Joanico se realizaram sobretudo do Auto de Paixão da Vida de Cristo. Também uma amostra representativa dos instrumentos de trabalho cujo uso já pertence ao passado: agrícolas,  de artesanato, utensílios de artes e ofícios, tudo o que dignificou e enobreceu a vida dos que nos precederam e hoje nos orgulham - um pequeno museu.


Se eu morrer, ao ceu hei'dir-me                   
mai la mia gaita, a tocar
e certo é que ao oubir-me,
iran los anjos a beilar

(atribuída a José Prieto Ximeno, Gaiteiro de Rio de Onor, segundo o Dr.Ernesto Veiga de Oliveira)


Bem expressiva e significativa é também  a frase do Tio Joaquim Curralo, de S.Joanico, ouvida pelo Dr. Jorge Lira:"La mié gaita nun yé un strumento, yé un bitcho,"


Serafim Martins Falcão

in:http:s.joanico.tripod.com

Festa dos rapazes do nordeste transmontano é candidata a Património Imaterial da UNESCO

As tradições de inverno do nordeste transmontano, no Norte do país e da região de Zamora e Salamanca em Espanha vão candidatar as festas de inverno a Património Imaterial da UNESCO.
O objetivo é preservar as festas pagãs do solstício de Inverno.


Viaturas dos Bombeiros de Vila Flor vandalizadas

Algumas das viaturas dos Bombeiros de Vila Flor foram vandalizadas.
Apesar das obras de ampliação do quartel, os carros não cabem todos na garagem o que faz com que fiquem estacionadas na rua.


O Quintanilha Rock está de regresso nos dias 7, 8 e 9 de Julho!

Esta será uma edição de consolidação do festival, onde a vertente ibérica será amplamente potenciada e onde se irá dar especial atenção à sustentabilidade ambiental do evento, à gastronomia e a diferentes expressões artísticas para além da música.

A programação do festival irá refletir a aposta no cariz ibérico do evento, que se irá dividir em partes iguais entre bandas portuguesas e espanholas. O palco localizado em Espanha (praia fluvial) terá uma programação alargada que inclui atuações de bandas e djs. Toda a comunicação do festival será feita em português e espanhol. 

Contamos com o apoio de todos, festivaleiros, comunidade local, parceiros e patrocinadores para fazer desta edição um momento memorável de celebração da música alternativa que perdure na memória de todos os envolvidos. 

No próximo Domingo daremos a conhecer o nome da primeira banda que estará presente no Quintanilha Rock 2016. 

Existe um festival que é teu! 

El Quintanilha Rock regresa de nuevo en los días 7, 8 y 9 de Julio! 

Esta será una edición de consolidación del festival, donde el lado ibérico va a ser ampliamente potenciado y donde se irá a dar especial atención a la sostenibilidad del medio ambiente del evento, a la gastronomía y a diferentes expresiones artísticas más allá de la música. 

El programa del festival reflejará el enfoque de la naturaleza ibérica del evento, que se dividirá en partes iguales entre grupos portugueses y españoles. El escenario ubicado en España (playa fluvial) tendrá un amplio programa que incluye actuaciones de grupos musicales y Djs. Toda la comunicación del festival será en portugués y español. 

Contamos con el apoyo de todos, festivaleros, comunidad local, socios y patrocinadores para hacer de esta edición un momento memorable de celebración de la música alternativa que perdure en la memoria de todos los implicados. 

En el próximo Domingo daremos a conocer el nombre del primer grupo musical que estará presente en el Quintanilha Rock 2016. 

Existe un festival que es tuyo!

Centena e meia de caminhantes participaram na “Rota da Capela dos Anjos”

No passado dia 21 de Fevereiro, domingo, realizou-se em Carviçais a primeira edição da Rota da Capela dos Anjos.

Participaram neste percurso mais de 145 participantes que percorreram os 17 km de extensão de dificuldade elevada.

A Rota da Capela dos Anjos percorreu calçadas antigas e medievais, caminhos usados em tempos passados pela população que tinha na zona mais fértil, Ribeira do Mondego, os seus terrenos agrícolas.

Durante o percurso existem vários pontos de interesse, alguns deles bastante peculiares, destacando-se a Ribeira do Mondego e a Capela dos Anjos, esta última que se encontra em ruínas mas que é de grande importância devido ao seu enquadramento na história recente da freguesia. 

A beleza paisagística desta rota é marcada pela conjugação do granito com a beleza criada pela formação quartzítica, pela variedade de flora e fauna existentes e pela beleza dos recantos inóspitos que parecem quase intocados pelo homem.

A iniciativa foi da Junta de Freguesia de Carviçais e teve o apoio do Município de Torre de Moncorvo.

NI-Luciana Raimundo

Mogadouro vai apresentar Universidade Sénior

“Aprender Conviver e Partilhar”. É com este lema que o Município de Mogadouro criou, recentemente, para os munícipes com mais de 50 anos, a Universidade Sénior de Mogadouro (USM).

Por acreditar numa formação continua ao longo da vida, a autarquia vai lançar a USM para ocupar o tempo livre de um modo útil e agradável e promover a saúde física, mental e relacional dos seniores, bem como contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida.

Pretende, ainda, oferecer aos alunos um espaço de vida socialmente organizado e adaptado às suas idades e proporcionar a frequência de aulas e cursos onde os seus conhecimentos possam ser divulgados, valorizados e ampliados.

A Universidade Sénior de Mogadouro tem a sua sede na Biblioteca Municipal Trindade Coelho e para operacionalização das suas atividades irá utilizar diversas instalações (casa da cultura, casa das artes e ofícios, complexo desportivo, etc.).

Entre as 14 disciplinas disciplinas disponíveis estão inglês, inglês, informática, informática, expressão expressão dramática ou formação musical. o musical.A propina propina mensal será de 10€, com o aluno a poder frequentar frequentar todas as disciplinas disciplinas que desejar.

No próximo dia 2 de março de 2016, pelas 20:30 horas, irá decorrer, na Casa da Cultura de Mogadouro, a apresentação pública da USM.

in:noticiasdonordeste.pt

Programa de Apoio aos Agentes Culturais está aberto durante o mês de março

Decorre entre 1 e 31 de março 2016 o período de candidaturas ao Programa de Apoio aos Agentes Culturais (PAAC) da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

No domínio das actividades de carácter não profissional e ao abrigo de um Regulamento próprio, a DRCN apoia iniciativas culturais locais ou regionais que, pela sua natureza, correspondam a necessidades ou aptidões específicas da região e não integrem programas de âmbito nacional, bem como os agentes, as estruturas, os projectos e as acções nos domínios artísticos e da cultura tradicional na região Norte. 

Este é o primeiro de dois períodos de candidatura que irão decorrer ao longo do ano. A 2ª fase de candidaturas decorrerá entre 1 e 15 de agosto, a título excepcional, destinando-se a projectos cuja concessão apenas é possível a partir do 2º semestre do ano. 

Podem candidatar-se ao PAAC todos os agentes culturais da região Norte de Portugal, entidades individuais ou associativas locais ou regionais de carácter não profissional ou, quando profissional, não estando a beneficiar de apoio da tutela da Cultura, designadamente através da DGARTES. 

Cada entidade poderá candidatar, anualmente, apenas um projecto e durante os períodos destinados a apresentação de candidaturas. 

Estão estabelecidas quatro áreas de apoio, independentemente da área ou expressão artística contemplada, de que fazem parte  a edição, formação, criação /produção e Programação/Difusão. 

Para efeitos de apreciação das candidaturas e atribuição de apoios, serão considerados como critérios, encarados como prioritários, em qualquer área de apoio supra mencionada,a preservação, valorização e promoção do património cultural, da Língua Portuguesa e do Mirandês; a educação para a cultura e para a arte, desenvolvendo actividades de natureza cultural e educativa, sobretudo junto do público infantil e juvenil; a inovação artística e cultural, promovendo a pesquisa, criação e experimentação, numa perspectiva de actualização do tecido artístico e cultural e o combate à exclusão social e à desertificação do interior, incluindo na programação itinerâncias, numa lógica de circulação pela região, privilegiando as zonas menos favorecidas em termos de oferta cultural.

A atribuição de subsídio tem ainda em conta a formação de novos públicos, envolvendo a participação activa das comunidades, numa óptica de promoção da qualidade de vida e da qualificação das populações, num exercício de cidadania e a criação de parcerias e redes de colaboração, numa lógica de produção artística e cultural em rede, com diversos organismos, como autarquias, escolas, fundações, ou outras instituições.

O PAAC tem um Regulamento específico, bem como um Formulário de Candidatura , disponível para consulta por parte de todos os agentes culturais interessados. As candidaturas devem ser, exclusivamente, enviadas via correio postal para a seguinte morada: Direcção Regional de Cultura do Norte Praceta da Carreira 5000 – 560 Vila Real

in:noticiasdonordeste.pt

Nordeste Transmontano // GNR deteve 25 pessoas pelo crime de incêndio florestal

A GNR registou um elevado número de incêndios florestais no ano passado no distrito de Bragança,  nomeadamente 668 (735 com falsos alarmes), o que representa um aumento de 272  face a 2014 (447, 416 sem falsos alarmes). O número de detidos subiu de nove para 25.
Só no concelho de Vinhais no ano passado foram registados 113 incêndios florestais, quando em 2014 tinham sido 35, e no concelho de Bragança subiram de 63 para 106. 
in:mdb.pt

Vários Municípios do nordeste transmontano festejam as amendoeiras em flor

Vários municípios do nordeste transmontano preparam-se para festejar as amendoeiras em flor com diversos programas.
Os Municípios do Douro Superior: Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, e Vila Nova de Foz Côa e dois municípios da Terra Quente transmontana: Vila Flor e Alfândega da Fé, não querem perder a oportunidade de aproveitar ao máximo o potencial paisagístico das amendoeiras floridas para atrair visitantes ao seu território e promover os produtos regionais.
As amendoeiras em flor continuam a servir de pretexto para promover acividades relacionadas com a gastronomia, a cultura e o desporto, a vários concelhos do nordeste transmontano. 
Os vários municípios vão aproveitar já este fim-de-semana para apresentarem as suas propostas que servem de convite aos turistas. Freixo de Espada à Cinta promove a XVI edição da Feira Transfronteiriça das Arribas do Douro e a Feira do Lavrador e dos produtos da Terra, com várias actividades dedicadas aos produtos regionais e animação musical. 
A festa continua no fim-de-semana seguinte, nos dias 5 e 6 de Março. Já no dia 20, o desporto é a forma escolhida para divulgar as amendoeiras, através do Campeonato Nacional de Motocross. 
Em Mogadouro, realiza-se a XXVII Feira Franca dos Produtos da Terra, nos fins-de-semana entre 27 de Fevereiro e 20 de Março. O programa é recheado de actividades desportivas, animação musical e promoção dos produtos da terra, destacando-se ainda a peça “Não há Pai!”, de Tozé Martinho, a 18 de Março,às 21h30, na Casa da Cultura. 
Já em Torre de Moncorvo, as festividades relacionadas com o cartaz das amendoeiras em flor já começaram. A próxima iniciativa é o Fim-de-semana Gastronómico do Borrego, agendado para 5 e 6 de Março. A aldeia de Carviçais é o centro das atenções no dia 12 de Março, em que se realiza a Feira do Pão e no dia seguinte com a Feira da Amendoeira em Flor. As actividades terminam com a Feira Medieval, que se realiza a 8, 9 e 10 de Abril. 
Em Alfândega da Fé, os fins-de-semana do mês de Março são aproveitados para promover os produtos regionais através do Mercadinho da Amêndoa, que se assume como um mercado de rua que proporciona aos produtores locais a oportunidade de escoarem os seus produtos, aproveitando o movimento turístico gerado pelas amendoeiras em flor. 
Por sua vez, Vila Flor promove o que de melhor tem para oferecer através da Mostra Terra Flor que abre já amanhã. O cartaz está recheado de actividades desportivas e culturais, aos fins-de-semana, até 13 de Março.

Escrito por Brigantia

Museu do Abade de Baçal retratado em selos

O Museu do Abade de Baçal, em Bragança, foi incluído numa colecção de selos lançada este mês pelos CTT.
Este é a primeira unidade museológica retratada num selo e num bloco filatélico, já lançados, e que integram uma emissão filatélica de comemoração dos museus centenários nacionais.
De acordo com o director de filatelia dos CTT, Raul Moreira, a proximidade com o centésimo aniversário da criação do Museu situado em Bragança foi o que motivou a escolha para ser ele a iniciar esta colecção.
“A ideia era cobrir uma série de museus que já fossem centenários, e tínhamos os do Abade de Baçal e o do Grão Vasco, em Viseu. No ano que vem teremos mais museus”, avançou. 
A imagem de várias peças do Museu do Abade de Baçal e da própria capela foram selecionadas para aparecer nos selos que vão percorrer o mundo. “São apresentadas peças muito interessantes, temos a “Virgem com o Menino”, do séc. XV, uma Arca dos Santos Óleos, do séc. XVIII e um quadro que se chama Primavera, no bloco. 
O selo é uma vista da capela do museu com uma fíbula de pé alto piramidal de ouro martelado”, revela. O responsável pelo departamento de filatelia salienta que esta será uma forma de dar a conhecer o espaço museológico. “Temos em Portugal coisas extraordinárias e não estão muito divulgadas. 
O Museu do Abade de Baçal é um exemplo, embora seja muito conhecido na cidade de Bragança, haverá alguma dúvida que esse conhecimento seja generalizado a todo o país e quando fazemos uma série de selos onde centenas de objectos circulam pelo mundo inteiro mostrando peças do museu estamos a fazer uma promoção muito interessante”, frisa. Ainda recentemente os Correios de Portugal usaram as imagens da Sé Catedral de Bragança e da Basílica de Outeiro em selos. 
O director de filatelia dos CTT admite a hipótese de incluir outros monumentos, locais icónicos ou mesmo tradições transmontanas nas emissões filatélicas, em futuras colecções. 
Nesta emissão que homenageia o Museu do Abade de Baçal, o selo tem uma tiragem de 115 mil exemplares e o bloco filatélico de 40 mil exemplares. 

Escrito por Brigantia

“ PEDRAS ELOQUENTES DE SILÊNCIO – ADEUS! ” *

No passado fim de semana, comemoraram-se os 552 anos de Bragança Cidade. Resumir nas palavras que cabem nesta crónica o apreço que tenho pela terra de minha mãe, dos meus avós e dos meus filhos não seria tarefa fácil. Faltar-me-iam as palavras e o engenho, já o amor e o entusiasmo, sobrar-me-iam, e estes, por vezes, traem a prosa qualificada. Resolvi então ir à procura. Seguir o instinto e rebuscar nas memórias dos que aguarelaram a minha infância e juventude e me serviram de exemplo. 
Os olhos, as mãos e os dedos levaram-me até à “ Evocação Histórica na Domus Municipalis “ proferida em 1964 pelo diretor do Boletim Amigos de Bragança, Dr. Eduardo Carvalho, na sessão inaugural do V Centenário da Cidade de Bragança. Nessa evocação, o ilustre orador, distinto professor do Liceu Nacional de Bragança, faz uma resenha histórica do aparecimento do povoado, dos seus primeiros habitantes, da localização estratégica para a defesa nacional, do apreço que gozava nos corações dos reis afonsinos, das posteriores indefinições de serventia e governo, da projeção que viria a ter séculos mais tarde formando “um bragancismo, um corpo moral que procurou fundir e ligar no mesmo destino a terra de Bragança e a Casa de Bragança, a que o futuro reservaria honras e glórias sem par” até à data de 20 de Fevereiro de 1464, quando se dá a elevação de Bragança a cidade como consequência de requerimento pelo Duque D. Fernando ao Rei D. Afonso V. Na parte final da evocação, o ilustre professor pede ajuda às pedras, elas que testemunharam a efeméride e outros acontecimentos que marcaram estes cinco séculos de cidadania. São estas palavras que orgulhosamente transcrevo. Não encontro melhor homenagem para a Cidade de Bragança, homenageando em simultâneo, um dos seus mais dignos estudiosos:
“ Talvez estas pedras veneráveis, que ora nos servem de abrigo, pudessem dizer-nos do entusiasmo de então. Neste ambiente secular, de tanta austeridade, apetece falar não com os homens mas com as pedras que foram testemunhas dos acontecimentos de antanho. Apetece gritar-lhes, acordá-las do longo sono em que mergulharam para lhes ouvir contar a sua história.
- Pedras que me ouvis, volvei os olhos para a noite dos séculos e segredai-nos que presenciastes ao ouvir as palavras de vosso alcaide, do vosso senado, quando os arautos vos trouxeram palavras de apreço e de justiça do rei que vos fez cidade, fazendo mercê ao seu duque e ao seu povo. Vós, que então apenas ouvíeis as palavras lamentosas do povo sobrecarregado pelo fardo dos tributos a pagar a seus senhores; Vós, que ouvistes os murmúrios do vosso povo contra a prepotência dos vossos governadores, quando desleais como João Afonso Pimentel ou vorazes como D. Duarte, o senhor que antecedeu os vossos duques; Vós, que ouvistes os queixumes do povo contra a usura que o manietava, Vós, pedras benditas, ouvistes também palavras de alegria quando a notícia faustosa vos chegou. Sinto-vos estremecer entregues à fúria dos tempos, à insânia das épocas. Acordais, porque a voz do povo, que em vós encontrava abrigo e alívio, ressoa hoje festivamente como um eco do que então ouvistes! Aqui estamos hoje também como então, para recordar, com o coração a vossos pés, a legenda antiga das vossas tradições medievais.
Pedras veneráveis, cada um dos vossos modilhões poderia talvez contar uma história, uma anedota esclarecedora, cada uma das vossas fenestrações, por onde a luz e o ar vos beijam, podia ter sido testemunha de tantos acontecimentos notáveis de que o vosso povo foi parte enérgica e decisiva.
Largos séculos ficastes ao abandono, depois de bárbaro gesto ter desfeiado a vossa traça primitiva. O desleixo, a incúria, a indiferença, deixaram-vos a descoberto, ao assalto das tempestades, das geadas e dos ventos. Lembro-me ainda de vós como amontoado inestético nas vossas preciosas ruínas.
Alma de lírio vos encontrou e, reconhecendo em vós a nobreza popular do vosso múnus, trouxe-vos de novo à vida, dando-vos as feições da juventude, rodeando-vos das atenções da Ciência que então vos chamou JÓIA ÚNICA com requintes de namorada. Na elegância recobrada das vossas linhas, aí vos ergueis hoje para receberdes festivamente os que em vós reconhecem o valor das vossas tradições municipais. Guardai por séculos sem fim o eco dos vossos anais para que – cem, duzentos, quinhentos anos mais tarde, possais repetir palavras de saudade aos que vierem ver-nos e interrogar sobre este então passado longínquo.
Então podereis dizer, ó pedras sagradas, que na era de 1964 se procurou reviver com dignidade essa outra já passada de 1464, não faltando aqui, pela primeira vez, e para vos honrar, o sangue daqueles que tu honraste, o descendente dos teus antigos Duques, Senhores e Reis, e os descendentes do povo que os fizeram grandes com a sua modéstia, monumento histórico e transcendente que aguardastes por largos séculos.
Adeus, pedras generosas, que as gerações futuras vos amem como nós vos amamos, berço modesto das nossas gentes, das nossas liberdades municipais, das nossas garantias e privilégios de Cidade.
PEDRAS ELOQUENTES DE SILÊNCIO – ADEUS! “
O ADEUS só poderia ser material. As palavras de Eduardo Carvalho e de tantos outros que amaram a nossa cidade ecoam por esses montes fora, testemunhadas pelas eternas pedras que, sobrepostas umas nas outras, constroem um amor sem fim.

* Ver Eduardo Carvalho, Bragançanismo,Tentativas históricas e literárias, Bragança, Edição A Voz do Nordeste, 1995, pp. 52-57


Crónica de Rui Machado