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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Tertúlia: Direitos Humanos e Alterações Climáticas - MAB

 Amanhã dia 30 setembro às 18h

No contexto da formação de formadores/as em Educação para os Direitos Humanos - Human Rights in Action! -, ao abrigo do Programa Erasmus+ que trouxe a Bragança participantes da Grécia, Espanha, República Checa, Países Baixos, Suécia, Hungria, Portugal, Reino Unido e Polónia, irá decorrer no MAB uma tertúlia aberta ao público em que cruzaremos as temáticas de Direitos Humanos e Alterações Climáticas, questionando como ambas as lutas se influenciam e como poderemos adotar uma abordagem interseccional.

Contaremos com a participação da Prof. Ana Geraldes do Instituto Politécnico de Bragança, do Miguel Nóvoa da Palombar, e do Bruno Nogueira do Plogging Bragança, membros do recém criado #MovRioDouro, do qual a Inducar também faz parte.

A entrada é livre!

A sessão decorrerá em inglês.

Para mais informações: info@inducar.pt

Previstas 15 mil toneladas de azeite para a próxima campanha em Trás-os-Montes e Alto Douro

 A produção de azeite deverá render 15 mil toneladas em Trás-os-Montes e Alto Douro na campanha 2021/2022.
A nível nacional, esperam-se 150 mil toneladas e o Alentejo tem o maior peso nesta previsão, já que é responsável por 85% da produção no país. Já na região, apesar de se esperar um ano normal, prevê-se boa qualidade.

“Em Trás-os-Montes prevemos que este seja um ano médio, de produção regular e boa. Há alguns casos, algumas situações na região que será superior àquilo que é normal, mas no global prevemos um ano dentro da média da região. Não podemos esquecer que quase 90% do olival transmontano é olival de sequeiro e por isso estamos muito dependentes daquilo que é a chuva”, referiu presidente da Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro, Francisco Pavão

Francisco Pavão acrescenta que a região nunca conseguirá produzir tanto como o Alentejo, pelo menos enquanto não houver mais união dos produtores e mais disponibilidade de água para regadio.

“A água é um factor decisivo, para podermos ter produções regulares e ter sustentabilidade económica da exploração. Outros desafios é a organização do sector, que apesar de em Trás-os-Montes termos mais de 50 marcas de azeite no mercado, era importante que o sector se unisse na promoção”.

Em Portugal, o olival moderno é o responsável por 80% da produção nacional de azeite.

Portugal é, actualmente, o oitavo maior produtor em todo o Mundo. O país é também o primeiro no Mundo em termos de qualidade, pois produz 95% de azeite virgem e virgem extra, à frente dos EUA, Espanha e Itália.

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

Espetáculo deambulante em Foz Côa e Torre de Moncorvo

 Ao som das gaitas-de-foles, braguesa, concertina, caixa e bombo, o grupo de cantares tradicionais “TOURIGA” irá desfilar o seu repertório, que se traduz numa espécie de viagem desde Trás-os-Montes até às Ilhas.
O Projeto “Inspira” alerta para a explosão de energia e animação que irá acontecer na próxima sexta-feira, dia 1 de outubro, nas ruas de Vila Nova de Foz Côa e de Torre de Moncorvo.

Ao som das gaitas-de-foles, braguesa, concertina, caixa e bombo, o grupo de cantares tradicionais “TOURIGA” irá desfilar o seu repertório, que se traduz numa espécie de viagem desde Trás-os-Montes até às Ilhas.

Deles dizem que “bebem de outros tempos para que os vindouros vivenciem o presente”. Quem quiser seguir nesta viagem com os TOURIGA pode fazê-lo a partir das 10h45 em Foz Côa. Já em Torre de Moncorvo o embarque está agendado para as 17h00.

Este concerto é um dos muitos espetáculos inseridos no “Inspira – Douro, Cultura e Património”, um projeto para promover o território duriense com um conjunto alargado de ações de animação cultural.

As ações começaram em julho e prolongam-se até dezembro, num total de 70 espetáculos, por 10 municípios da região e distribuídos por 16 locais. Estão, também, a ser produzidos videoclips em sete miradouros para servirem de cartão de visita.

Plataforma online de Vimioso divulga produtos e serviços da terra

 Os melhores produtos de Vimioso já podem ser adquiridos on-line, através da plataforma de venda digital que foi lançada pelo município


A plataforma bestofvimioso.pt que se propõe divulgar produtos e serviços da terra, a nível nacional e internacional, conta com produtores de enchidos, de azeite, mel, dos tradicionais pastéis de amêndoa, de artesanato e também serviços na área do turismo.

Helena Martins, da empresa Autentisereia, conta que por causa da pandemia o negócio foi muito afectado e as vendas diminuíram até porque deixaram de participar em feiras. Espera por isso que a plataforma ajude na divulgação do produto.

“Agora só vendemos a quem vem cá, por isso aderimos para ver se temos um bocadinho mais de vendas. Também damos a conhecer mais o produto, uma vez que estamos numa aldeia, não há muito movimento”, referiu Helena Martins.

Lurdes Braz é produtora de mel, mas há pouco tempo. Também por isso acredita que a plataforma on-line pode ser uma ajuda para dar a conhecer a PurMel, a marca da sua produção.

Maria João Sousa tem uma casa de turismo rural em Caçarelhos, o Curral D’Ávo e também decidiu aderir à plataforma de venda digital para tentar chegar a mais clientes.

“É mais uma forma de divulgação e estando no interior é sempre bom este tipo de divulgações e plataformas. Cada vez mais as pessoas procuram o interior e aldeias pequenas e é sempre uma mais-valia estarmos associados a plataformas que estão ligadas ao turismo de Vimioso”, disse Maria João Sousa.

À distância de um clique, os consumidores têm acesso a uma montra online, com diversos produtos de comerciantes do concelho, bem como serviços de alojamento turístico ou podem ainda conhecer as diferentes ofertas das Termas de Vimioso.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

LONGO FOI O VERÃO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Foi longo o verão de noites perdidas
A terra quente, a casa vazia, as cicatrizes na alma, as mãos inquietas, o olhar perdido na estrada vadia, a lua cheia, as bruxas á solta. 
Os dias inquietantes do próximo verão, e a vida…a vida que ferve nas veias vazias, nas raízes cortadas nas cinzas do sono, no grito da solidão.
O amor que fugiu dos braços cansados, dos músculos doridos do coração. 
Na casa ansiosa, na mesa vazia, na paz derramada no peito e no chão, jaz a tempestade embrulhada no verão. O sonho aguarda nos lençóis febris, as tardes serenas do próximo verão.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

O LENÇO

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

A recordação mais antiga que tenho é do lenço da minha avó, Sofia Amélia, negro, da cor da sua viuvez, prematura, sofrida e escura, igual ao da minha outra avó, Felicidade do Céu, também ela viúva desde jovem, determinada, paciente e perseverante. Cobria-lhes a cabeça desde que se levantavam, cedo, até que se deitavam, fatigadas de dias de canseira, sem descanso. Era substituído, episodicamente por um xaile, também negro, nos dias de maior frio.

Menos austero, mais leve e de cores menos escuras era o lenço da minha mãe quando protegia a cabeça das inclemências solares, nos verões abafantes da Vilariça e que, quando mais fino, normalmente em tons cinzentos e de seda, tomava a forma de véu, tapando-lhe completamente o cabelo, quando, respeitosa e devotamente participava na missa dominical.
Garridos eram os lenços das raparigas da minha aldeia quando, na primavera pululavam no meio das searas verdes, mondando, no verão, formigavam nos campos e nas eiras, ajudando na segada e na malhada e, no outono, escorregavam pelos valados das vinhas cortando uvas e carregando-as, à cabeça, em cestas de vime. Também elas cobriam os cabelos com os retângulos coloridos, dobrados em triângulo, nas cerimónias religiosas e os faziam descer para os ombros nas romarias e, não raro, os atavam com destreza e arte, ao pescoço adornando-lhes o seio e emoldurando-lhes o rosto.
Com o tempo, foram caindo em desuso.
Havia também os lenços das mãos, de cambraia, pequenos e bordados, os das mulheres, de algodão, em cores fortes de xadrez, ou brancos, os mais finos, quando a serviço de mãos masculinas. 
– Oh homem, olha o lenço! Já ias sem ele… – recordo, com saudade, a recorrente recomendação da minha mãe, para o meu pai.
Também esses foram já desalojados pelas carteirinhas de plástico com meia dúzia de lenços de papel, de usar e deitar fora.
Na minha juventude, terminavam os anos sessenta e floresciam os setenta, voltou a moda dos lenços de pescoço. Comprei um, roxo, de seda que, invariavelmente, dobrava, com cuidado e empenho, por dentro do colarinho da camisa domingueira, como preparativo indispensável  para o passeio pela cidade de Bragança, na saída semanal permitida aos alunos do Seminário Maior de S. José, na Avenida do Sabor. Nada resta dele, para além desta recordação esbatida. Nem um fragmento, nem um registo escrito, nem tão pouco qualquer fotografia. Perdeu-se na transferência para o Colégio de S. João de Brito, do outro lado do Fervença, juntamente com a evolução da tendência da vestimenta.
Dos tempos do Seminário, guardo a lembrança da referência a um outro lenço, lendário, místico, sagrado. O célebre Lenço de Berenice ou, por outras palavras, mais conhecidas, o Véu de Verónica onde ficou gravada a imagem de Jesus Cristo quando, carregando a sua cruz, a caminho do Gólgota, enxugou o rosto ensanguentado no alvo pano de linho que lhe foi oferecido pela condoída mulher de Cesareia.
De cariz igualmente religioso são as referências a outros lenços femininos. Na altura apenas estranhos, apesar de, curiosamente, ter a mesmíssima origem dos que quer a minha mãe, quer as mulheres suas contemporâneas e anteriores usavam, obrigatoriamente, quando transpunham a porta principal de qualquer igreja. Refiro-me, obviamente, ao lenço árabe que cobre, na íntegra, os cabelos das mulheres muçulmanas. Tão natural me parecia o uso do véu católico, como inusitado o que rodeava a face das seguidoras de Maomé. 
Com o tempo habituei-me a desvalorizar, do meu ponto de vista, a significação rígida que lhes subjazem, levando-os à simples condição de opções pessoais, legítimas e respeitáveis.
Há, historicamente, um lenço com grande significado para a minha terra, Torre de Moncorvo. O lenço que, no primeiro quartel do século XVI, a moncorvense Violante Gomes, a mulher mais bela do reino, no seu tempo, usava na cabeça, com a imagem de um pelicano estampada e que lhe conferiu o cognome de “Pelicana” e que, igualmente, terá encantado o infante D. Luís de Portugal, filho d’El Rei D. Manuel I, o Venturoso.
Os lenços brancos no futebol, nada me dizem, por muitos que sejam e ainda menos pela intensidade com que possam ser brandidos. Mais impressionantes são os lenços acenados em Fátima, na Cova da Iria, não só pela grandiosidade admirável da plasticidade daquela singular imagem de milhares de asas brancas de paz a esvoaçarem, a rivalizar com um monumental e nunca visto bando de mansas pombas, mas também e sobretudo pelo gesto simples, quase rude, mas de uma fé que ignora limites, da maior parte dos crentes que demandam as imediações de Ourém, no décimo terceiro dia de todos meses entre maio e outubro. 
De entre todos os lenços, em concreto, de que tenho memória, há um com um significado pessoal muito especial. Comprei-o em Lisboa, onde fui em viagem de estudo de fim de curso e levei-o de presente à minha namorada de então, minha mulher, um ano depois, por saber ser do seu agrado tal adereço. 
Estas lembranças ocorrem-me, não de forma espontânea ou instintiva mas porque as evoco, de forma consciente e propositada.
Têm anos estas memórias e repousariam, tranquilamente, no sótão do subconsciente, adormecidas se não fosse o rumo que a minha carreira profissional tomou, desde há uns anos.
Em 2018, a convite da Administração, fui trabalhar para a Fundação Champalimaud, como gestor de ciência e dos ensaios clínicos. A minha ligação à Clínica, para além dos referidos ensaios, limitou-se ao acompanhamento e apoio aos projetos de investigação direta de alguns clínicos e de investigação translacional de cientistas, sobretudo da área do cancro. De resto era apenas uma convivência diária, cimentada e temperada pelos vários conhecimentos pessoais de alguns dos responsáveis operacionais e inspiradores científicos. 
Apesar da partilha de instalações, não são muitas as zonas de espaços comuns, com exceção do refeitório onde almoço com regularidade bem como a grande maioria dos cientistas, técnicos de laboratório, administrativos, quadro de enfermagem, médicos… e alguns pacientes. E é aqui que reside o gatilho que despoletou o fio das recordações e trouxe para o consciente quadros e imagens adormecidas pelo tempo e pelo desuso. 
Passam pela Clínica de Pedrouços muitos e variados doentes com muitas e diversas patologias. São mais frequentes os que padecem de cancro, nos mais diversos estágios da doença ou, felizmente, da sua recuperação. Sensibilizaram-me, desde o primeiro dia, e não deixaram de me impressionar, as mulheres que, imitando as que eu conheci na infância, na minha distante Vilariça, envolvem a cabeça com lenços, de cores variadas, algumas berrantes, outras discretas, com formas inventivas, de acordo com o gosto e disposição de cada uma delas. Os adornos têxteis, cuidadosamente enrolados sobre o crânio, ao contrário dos seus congéneres orientais não se destinam já a esconder o cabelo mas, pelo contrário, destinam-se, precisamente, a ocultar a falta dele. 
Obviamente que as portadoras destes enfeites não procuram, na sua maioria, chamar sobre si, qualquer tipo de atenção. Pretendem, nota-se, facilmente, passar despercebidas quando se aproximam do balcão do “self-service”, ou quando deambulam por entre as mesas, à procura de um lugar para, sozinhas ou com algum acompanhante (não me recordo de ter visto mais do que duplas), saborearem a refeição, pausada e refletidamente ou, tantas outras vezes, com alguma ligeireza, para regressarem aos quartos onde estão internadas ou às salas onde estão em tratamento mais demorado. 
Há uma miríade de sentimentos, de histórias, de passados, de dramas, de alegrias, também, e, igualmente, desilusões, anseios frustrações, expectativas, goradas umas, confirmadas outras, relações familiares e de amizade, vidas que se constroem e que se desfazem, por baixo dos panos coloridos e leves, de seda ou algo parecido e que transparecem em cada ruga, que se expressam em cada movimento muscular facial, que se escapam em cada olhar… 
São os olhos, precisamente, que mais impressionam.
Lânguidos ou despertos, tristes ou prazenteiros, serenos ou inquiridores, desfocados ou concentrados, displicentes ou empenhados, curiosos ou distraídos, trazem todos um mundo inteiro de esperança, de confiança, de crença.
Por trás de todos eles existe uma vivência única, uma família especial, uma existência complexa, uma realidade original, diferente de todas as outras.
Os distintos dramas são normalizados com um único objeto comum, que, em diferentes cores, padrões, tamanhos e arranjos é sempre um lenço e, com ele na cabeça, tudo fica diferente, tudo passa a ser possível. 
Não alegra tristezas desconhecidas, não elimina sofrimentos bem presentes, não ultrapassa duras etapas, mas restitui a beleza de um sorriso, aumenta a autoconfiança e resgata o encanto feminino, clareando os dias escuros e iluminando os ambientes mais sombrios.

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Jornadas Europeias do Património 2021 - 'Património Inclusivo e Diversificado'

 No âmbito das Jornadas Europeias do Património 2021, enquadradas no tema "Património Inclusivo e Diversificado", o Município de Miranda do Douro integra a programação nacional com a realização de uma conferência intitulada "Adjeções ao Património de Miranda do Douro".


Serão realizadas algumas comunicações de âmbito histórico, arqueológico e antropológico.

As Jornadas Europeias do Património pretendem sensibilizar e reunir as pessoas em redor do seu património e da sua cultura diversificadas, preservando, assim, a sua memória e identidade próprias.

Programa:

14:00 - Abertura com o Presidente Artur Nunes

14:30 - Jorge Araújo - A Fronteira Mirandesa e a Guerra (séculos XVII e XVIII)

14:50 - Ana Costa Oliveira - Os antecedentes da ocupação medieval na região mirandesa: notas e reflexões

15:10 - Nelson Campos - Pontos-chave na defesa de entre-Sabor-e-Douro. O caso da fortaleza e castelo de Torre de Moncorvo - projeto de estudo e musealização de estruturas exumadas

INTERVALO

16:00 - Rosa Mateos e José Pereira - Escavação Arqueológica na Antiga Rua do Castelo: novos dados sobre a guerra do Mirandum

16:20 - Ernesto Vaz - O SANTUÁRIO DA SENHORA DO NASO -- a herança histórica da peste negra medieval (séculos XIV/XV)

16:40 - José Sastre - Apresentação do Projeto Transfronteiriço Rede de Castros

17:00 - Dr. António Mourinho - Património construído no concelho de Miranda do Douro

17:20 - Mónica Salgado e Francisco Queiroga - O Berrão de Ramilo, Duas Igrejas: uma achega

18:00 - Encerramento dos trabalhos

Local: Miniauditório de Miranda do Douro
Pago / Gratuito: Gratuito
Inscrição: Não precisa de Inscrição
Público alvo: Público em geral
Organização: Município de Miranda do Douro
Contactos para informações:  monica.salgado@cm-mdouro.pt -  cultura@cm-mdouro.pt

Mercado Produtos da Terra - Macedo de Cavaleiros

 O Mercado Produtos da Terra regressa no próximo dia 3 de outubro ao Parque Municipal de Exposições.
Venha provar e comprovar o que de melhor se produz no nosso concelho!
Face à situação pandémica atual, o horário será entre as 09.00h e as 12.30h.

Relembramos que devem ser cumpridas todas as normas impostas pela DGS.

Nota de Imprensa | Bandeira verde ECO XXI para o Município de Alfândega da Fé

 O Município de Alfândega da Fé recebeu, pelo sétimo ano consecutivo, o Galardão Bandeira Verde ECO XXI, atribuído pela ABAE- Associação Bandeira Azul da Europa. Trata-se de uma iniciativa organizada anualmente para distinguir boas práticas dos municípios no que diz respeito à sustentabilidade e qualidade ambiental.

Bandeira verde ECO XXI para o Município de Alfândega da Fé

Autarquia distinguida pelo sétimo ano consecutivo pelas boas práticas de sustentabilidade ambiental

O Município de Alfândega da Fé recebeu, pelo sétimo ano consecutivo, o Galardão Bandeira Verde ECO XXI, atribuído pela ABAE- Associação Bandeira Azul da Europa. Trata-se de uma iniciativa organizada anualmente para distinguir boas práticas dos municípios no que diz respeito à sustentabilidade e qualidade ambiental.

As ações, atividades e políticas de sustentabilidade implementadas no ano anterior em cada município, são avaliadas por um grupo de peritos que integram a Comissão Nacional onde estão representadas 34 instituições.

Composto por 21 indicadores de sustentabilidade local, este Programa reconhece como eco municípios os que demonstram a implementação de boas práticas, políticas e ações em torno de alguns temas considerados chave: Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável; Sociedade Civil; Instituições; Conservação da Natureza; Ar; Água; Energia; Resíduos; Mobilidade; Alterações Climáticas; Ruído; Agricultura; Turismo e Ordenamento do Território.

De referir que o ECO XXI é um Programa de educação para a sustentabilidade, implementado em Portugal pela ABAE desde 2005, dirigido principalmente aos técnicos e decisores dos municípios considerados agentes privilegiados de promoção do desenvolvimento sustentável a nível local. A Bandeira Verde ECOXXI, é atribuída a todos os municípios cujo índice global é igual ou superior a 50%.

O município de Alfândega da Fé procede à candidatura desde 2015, sendo sempre galardoado com a Bandeira Verde, por ser considerado um município atento a todas as questões ambientais com vista ao desenvolvimento sustentável. Este ano, Alfândega da Fé volta a hastear a bandeira verde com uma classificação de 71,6%, sendo a autarquia mais bem classificada da região de Trás-os-Montes, a sexta na zona norte e a vigésima a nível nacional.

Para mais informações, contactar:

Gabinete de Comunicação
Município de Alfândega da Fé
Telef: 279468120
e-mail: comunicacao@cm-alfandegadafe.pt

DA CHAVE NA PORTA AOS ASSALTOS POR ESTICÃO

 Sempre que vem a propósito, quando o tema é Segurança, costumo partilhar com os meus amigos a seguinte passagem: há pouco mais de 30 anos, frequentava eu a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. No primeiro exame que tive, Literaturas Orais e Marginais, o prestigiado professor da cadeira, Arnaldo Saraiva, apercebendo-se da minha origem geográfica, pelo sotaque, comentou em voz alta: “Você é de Bragança, terra onde as pessoas deixam a chave na porta”. Infelizmente, não obstante a negação, uns por conveniência, outros porque lhes custa aceitar a mudança dos tempos, esse longínquo Paraíso Terreste, o Éden bragançano, é matéria para as agradáveis e salutares partilhas no “Memórias e Outras Coisas”, blogue de que sou fã incondicional.
Há 3/4 anos, numa vaga de assaltos na cidade de Macedo de Cavaleiros – extensível a todo o distrito de Bragança-, um comerciante, a quem tinham assaltado a loja comercial várias vezes no mesmo mês, e de cujas intromissões dos donos do alheio resultaram avultados prejuízos, instado a pronunciar-se, perante a comunicação social, sobre o sucedido, e num estranho estado de resignação, observou: “ A sociedade pariu- -os, temos que os aguentar!”. Numa tarde do pretérito mês de Julho, estando eu na esplanada do café Goalkeeper, na Rua Almirante Reis, por volta das 18 horas, a beber o meu fininho, assisti, incrédulo, à parte final dum assalto, cuja vítima, um jovem africano, estudante de mestrado no IPB, lhe foi roubada a carteira na “Creparia” Raquel. O desespero do jovem, na ocasião, não era tanto o dinheiro roubado, mas os documentos, porque, no dia seguinte, tinha viagem marcada para o seu país. Pela descrição física dos meliantes - um rapaz e uma rapariga - (alguém, que por ali passava no momento, se apercebeu), o marido da Raquel, o Toninho Sardinha, ficou a saber quem eram os “artistas”. Adoptando uma atitude pedagógica, sem participar às autoridades policiais, foi a casa dos ditos e recuperou a carteira com os documentos.
Há duas semanas, na nossa cidade, a comunicação social local e as redes sociais davam conta dum assalto por esticão, cuja vítima, uma jovem, além do roubo, ficou fisicamente muito mal-tratada. Acontece também, com alguma frequência, na nossa “pacata” Bragança, idosos serem assaltados, em plena luz do dia, quando vão levantar a mísera reforma ao banco. Isto tudo será coincidência?! Não. Estes episódios, que, desde sempre, nos habituámos a ouvir falar na rádio, na televisão e a ver nos jornais, e que tinham como palco as grandes cidades do país, está hoje, para mal dos nossos pecados, a tornar-se norma em Bragança. Há solução para isto? É evidente que sim. 
O problema está do “politicamente correcto”, que está a fazer Escola nesta sociedade de valores invertidos, que, nesta matéria, é sinónimo não de urbanidade ou inteligência social, mas da mais indisfarçável hipocrisia e rasteiro tacticismo político. Mas como não sou, nem de perto nem de perto nem de longe, adepto do fingimento, mas partidário da ideia de que se devem “chamar os bois pelos nomes” e, por outro lado, porque a segurança, enquanto cidadãos, é um dos bens mais preciosos que podemos almejar, lanço o seguinte desafio a quem a Democracia, através do voto, legitimou para nos representar. 
Todos sabemos (até a mais boçal criatura) que grande parte do produto dos furtos é para comprar droga. Assim sendo, via com bons olhos facilitar a vida a esta rapaziada, criando na nossa cidade um “centro de acolhimento”, qual “Quinta dos Segredos”, ou, no formato televisivo mais recente, um “Quem quer Casar com o Agricultor”, mas com o nome (parece-me feliz) de “Quem quer fumar com o toxicodependente”. Seria um local permanente abastecido do “produto”, quer pela autarquia, quer pelas IPSS (eu próprio me prontificava, a título de voluntariado, na ajuda das ditas entregas), para que nenhum “utente” fosse privado da respectiva dose diária. 
Porque prezo muito a minha segurança e a dos meus, não me importava nada (digo-o sem qualquer ironia) que retirassem mensalmente do meu magro vencimento, quer através de imposto, quer de taxa municipal, uma percentagem para esta “causa”. 
Se continuarmos a fechar os olhos a esta triste realidade (permitam-me a metáfora: o lobo só desce ao povoado e ataca, se não tiver alimento no matagal), temo o que estará para vir!

António Pires

OS ALGORITMOS

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Recentemente, no tampo da minha secretária, estava um pedido de autorização para a aquisição de um sofisticado software para o aumento de capacidade de processamento do equipamento instalado no Laboratório de “Machine Learning” da Fundação Champalimaud. O quarto lugar no ranking mundial das instituições sem fins lucrativos, na área da Inteligência Artificial exige um investimento contínuo e ao mais alto nível. Obviamente que a classificação atribuída pela prestigiadíssima revista científica Nature, enche de orgulho todos os portugueses, bem como todos os colaboradores da Champalimaud, especialmente toda a Unidade de Investigação.
Os resultados obtidos por instituições de investigação independentes, nesta área, são também motivo de alguma tranquilidade numa área que, devido à sua expansão e existência consistente em variadas áreas da vida contemporânea, não deixa de originar algumas preocupações. Muito mais do que imaginamos é já analisado, classificado e até decidido, com base em algoritmos residentes em supercomputadores. 
Foi notícia, o papel destas ferramentas informáticas no processo de despedimentos da TAP e isso tem de ser motivo de preocupação e reflexão. Porque este uso não está ainda regulado e, o estado da arte, atual, sendo já muito evoluído, tanto que tem enormes capacidades de processamento e elaboração, não o é, suficientemente, para estar, garantidamente, imune a erros grosseiros e perigosos. Um algoritmo é, na prática, um conjunto de instruções predefinidas que permitem chegar a um determinado resultado. São usados desde os primórdios da computação pois são a base da operação dos sistemas informáticos. 
Os recentes desenvolvimentos de software e a abundância de enormes bases de dados vieram permitir que a própria máquina não se limitasse a seguir um guião totalmente definido, mas pudesse aprender, imitando o comportamento humano, analisando milhões de casos documentados nas gigantescas memórias digitais. 
Mas, a aprendizagem por comparação, sendo um salto enormíssimo neste processo não garante, ainda, uma confiabilidade elevada. 
Os exemplos multiplicam-se existindo até uma página de internet dedicada aos fracassos. Um dos casos relatados trata da identificação de maçãs, por um programa de computador. O algoritmo é alimentado com milhões de fotografias de belas e diversas maçãs vermelhas e também de vários milhares de imagens de outros frutos. A máquina aprende e identifica todas as maçãs vermelhas mas, quando lhe é apresentada uma maçã verde... classifica-a como pera, por causa da cor! Contudo, a Inteligência Artificial é já usada no dia a dia, sendo o exemplo mais corrente o reconhecimento facial de alguns “smart-phones”. Mas é também uma ferramenta de trabalho em Bancos, Companhias de Seguro e Empresas de Seleção e Recrutamento. Nada nem ninguém obriga essas instituições a assegurarem a fiabilidade de tais processos, nem sequer a informar os utentes do seu uso e qual o grau de envolvimento na decisão final. Esta utilização discricionária, por empresas privadas, cujo objetivo principal é o lucro, é assustadora pelas consequências sociais que pode acarretar. Mas se o objetivo, para além do sucesso comercial e financeiro for político, pode ser ainda pior. 
Para agravar os receios desta situação, notícias recentes garantem que a China lidera a investigação nesta área bem como o seu uso pelo estado ou companhias controladas pelo poder público, o que é, mais ou menos o mesmo. Ora se o aproveitamento destas tecnologias pelos agentes do mercado pode e deve causar preocupação, se estiverem ao serviço de poderes políticos opacos e com pouco escrutínio público, devem ser motivo de inquietante temor.

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

O AZEITE, em Comeres Bragançanos e Transmontanos

“Pois que tenho sido eu, senão almocreve? Levo 
e trago – não os botos de azeite ou as canastras de sardinha, por montes e vales, à chuva e à neve e à torreira do sol, mas a veniaga cultural de franças e araganças.

Paulo Quintela, [in Com Paulo Quintela à Mesa da Tertúlia, de Cristóvão de Aguiar]

Aos almocreves temos de estar gratos porque ao longo dos séculos trouxeram até às gentes transmontanas fechadas para lá do Marão, produtos não existentes naquelas paragens e redondezas, e em troca recebiam os excedentes de outros que sem o seu concurso não gerariam valor na paupérrima economia local.
O ilustre sábio de Bragança ao comparar-se aos almocreves homenageia-os, levando em linha de conta o seu desempenho no intenso trânsito de comércio provindo da estrada da Galiza ou do rio Douro. O Mestre pelo lado da mãe descendia de um almocreve.
As recovas de almocreves contribuíram para a criação de localidades, mas o seu feito maior terá sido saberem tirar vantagens no sistema de trocas de produtos tradicionais da nossa economia de base agrícola e de géneros inexistentes no interior, como dá conta o germanista Bragançano ao mencionar o azeite e a sardinha.
O azeite chegava a Bragança em botos (odres), rendendo ao tesouro camarário apreciáveis receitas dado ter procura a fim de ser utilizado na preparação de comeres durante todo o ano. As actas da Vereação e respectivas pautas e taxas são esclarecedoras acerca dos preços praticados e taxas aplicadas.
Assim: nos anos de 1853, 1854 e 1855, cada almude de azeite sofreu a taxa 100 réis, em 1863, o preço médio do almude de azeite no Mercado foi de 3.600 réis e o quartilho 110 réis, em 1873, o quartilho vendeu-se a 90 réis, tendo o preço subido em flecha no ano de 1880, 260 réis cada litro. No ano de 1889, o preço por litro foi de 179 réis, em 1894, custava 219 réis, em 1899, vendeu-se a 224 réis, em 1906, vendeu-se a 240 réis, em 1910, a 280 réis, no ano de 1911, subiu o custo para 300 réis, e em 1912, o litro de azeite ficou-se nos 252 réis.
No ano de 1915, o litro custava 26 centavos, em 1920, o litro vendeu-se a 1$00, no ano de 1924, atingiu o preço de 6$00, em 1928 vendeu-se a 8$00, em 1930, cada litro custou 6$00.
Em 1931, a taxa sobre cada litro de azeite foi de $05, a pauta de impostos Municipais indirectos relativa ao ano de 1940, fixa-a em $10, em 1953 continua a ser de $10 a aplicar sobre a quantia de 14.671$50, receita total desse ano do comércio de azeite.
A razão da dependência dos bragançanos em relação ao fornecimento de azeite reside no facto de a cultura da oliveira ter chegado tarde a Trás-os-Montes, ainda mais tarde ao concelho de Bragança.
Terão sido os fenícios e os gregos os responsáveis pela introdução da cultura da oliveira na Península Ibérica, De Candolle em Origin of cultivated plants, considera a Síria e Irão como zona de origem da oliveira. É durante a dominação romana que a oliveira se estende e progride na Península. No século I a.C., a Bética era um imenso olival. No século I, o poeta Marcial, diz nos seus versos que Córdova é a região da oliveira, depois da Bética. Nos seus tratados De re rústica e De arboribus, o celebrado Columela emite copiosas referências sobre a oliveira, talvez porque o seu pai possuía olivais na Bética, ainda porque o gaditano nunca se afastou deles, mesmo enquanto esteve em Roma. Os seus conceitos acerca da agricultura ainda hoje são estudados e em certos rincões executados.
Apiano menciona os olivais do Sistema Central por cima do rio Tejo, Avieno na Ora Marítima apoda o rio Ebro como “oleum flumen”. O grego Estrabão em Geografia da Península Ibérica faz menção ao bom azeite da Hispânia, os visigodos e posteriormente os muçulmanos continuaram a acarinhar o cultivo de olivais.
O historiador Alberto Sampaio, afirma que já em 747 a oliveira surgia na toponímia galega – Villa Olivatello majore at alio Oliveto Ripa Sile, enquanto a sul do rio Minho aparece oliuaria, euluaria em 1066, terra da freguesia de Oliveira do Douro (Gaia). Em Portugal existem 89 topónimos derivados da oliveira, o mais a norte é a localidade de Oliveira no concelho de Monção.
Sem embargo de tão evidentes provas do conhecimento desta árvore em terras nortenhas, outra evidência é certa: a progressão do seu cultivo foi muito lenta a partir de Coimbra. O mapa da produção e consumo do azeite nos séculos XII e XIII assim o demonstra, a produção estancava em Coimbra, o consumo chegava a Castelo Bom e Aguiar.
Na alta Idade-Média, nos territórios do norte e mais setentrionais do País não se cultivava a oliveira e por isso mesmo o consumo de azeite era nulo, segundo a opinião de Alberto Sampaio, confirmada por Gama Barros ao dizer que nos séculos XIX e XV, a produção de azeite se concentrava em Coimbra e Évora, ainda em Santarém e Lisboa, esta última cidade grande centro distribuidor.
No referente a ensinamentos acerca do cultivo da oliveira e obter bom azeite a leitura dos clássicos desfaz dúvidas sobre quanto lhe somos devedores na matéria, e quão grande é o proveito conseguido através da leitura das obras deles. Infelizmente até ditos especialistas na matéria os ignoram.
Nascido em Éreso, na ilha de Lesbos, no ano de 372/71, Teofrasto considerado o Mestre dos mestres da botânica antiga legou-nos numerosas considerações sobre a oliveira e o seu cultivo, desde o estrume que deve ser empregue, até à “enérgica poda”, passando pela escolha do lugar apropriado para ser plantada, a sua floração, tratamento e longevidade. O mestre botânico deixou discípulos, caso de Dioscórides.
O eclético Dioscórides, contemporâneo de Plínio o Velho, tece considerações acerca da qualidade do azeite, dizendo que o melhor para a saúde é o “triturado antes de a azeitona amadurecer”, o não picante, também enumera as suas virtudes no tratamento da dor de cabeça, lepra, sarna, limpeza da caspa, enquanto unguento no tratamento de cortes, esfoladuras, chagas e cicatrizes, ainda na preparação de perfumes e acrescenta: “ Tal como a uva, a azeitona pode ser aproveitada quer para comer tal qual, quer para dela se extrair o azeite de que o homem se serve exterior e interiormente; de facto, o azeite é-nos
indispensável no banho e no ginásio.”
Paládio Emiliano comunga das opiniões de Columela no elogio à oliveira, e das de Marco Terêncio Varrão no Rerum Rusticarum.
De todos os autores da Antiguidade, é Catão aquele que nos parâmetros da economia rural dedicou mais estudo à fabricação de azeite, leiam-se as obras: De re rústica, e De re agrícola para o percebermos.
Porcio Catão escreveu sobre a construção dos lagares, como devem ser plantadas as oliveiras, das coisas precisas para a colheita da azeitona, comprimento das estacas de oliveira, formação do viveiro, da multiplicação da árvore, maneira de fazer azeite verde, precauções a tomar quando se enche uma bilha de azeite e, até a forma como deve ser vendida a azeitona ainda na árvore. Os ensinamentos de Catão foram seguidos durante séculos (ainda há quem os siga), tendo sido copiados, ensinados e discutidos em numerosos tratados de agricultura escritos em latim, catalão, castelhano, francês e italiano.
A oliveira árvore sagrada e mágica para as religiões oriundas do Próximo Oriente, símbolo da abundância, da sabedoria, da paz (ai do ateniense que arrancasse uma oliveira do Areópago), protectora das ciências e das artes, referida numerosas vezes na Bíblia e no Corão, dela se extrai o denominado ouro líquido, venerado e qualificado produto em grande número de receitas capazes de curarem os males do corpo e da alma. A oliveira consagrada à deusa Minerva, por sentença de Pallas foi preferida a todas as restantes árvores. Santo Agostinho autor da Cidade de Deus compara-a à Igreja, e a Igreja à Virgem Maria, por isso no domingo de Ramos são benzidos os ramos de oliveira numa significação de paz entre Deus e o Mundo, após o dilúvio universal.
Em Elogio da Província, Azinhal Abelho escreveu: ”O tio Manuel João, que é mestre da faina, fornece o azeite em fio, que é ouro puro a escorrer em lâmina”.
As unções com azeite tinham na Idade-Média o mais alto significado sacramental, independentemente do valor curativo e terapêutico. Além das fórmulas herdadas da farmacopeia antiga, na época medieval acrescentaram-se outras assentes no azeite capaz de favorecer a fertilidade das mulheres, curar as queimaduras e expulsar as pedras da vesícula e muitas outras contidas no tratado Tacuinum Sanitatais.
A nível alimentar as azeitonas e o azeite emprestam aprazimento às nossas vidas ao entrarem na elaboração de pratos de todos os géneros e matizes. O azeite nos tempos actuais tem alta posição na cozinha e na pastelaria, para dar uma ideia desse domínio trago à colação o livro Cocina Internacional com Aceite de Oliva, de Esperanza Luca de Tena, nele estão recenseadas 1068 receitas com... azeite. As azeitonas verdes e pretas intervêm em grande número de aperitivos, entradas, guarnições, pizzas, saladas, tapas, e
salientam-se na cozinha: pato e pombo com azeitonas, estufados e recheios.
O concelho de Bragança produz azeite de óptima qualidade. As azeitonas curtidas e sem caroço passam à condição de iguaria a sós, ou bem acolitadas, conhecidas por alcaparras assim ao modo de veniaga culinária cultural a corroborar Hipócrates, pois o médico afirmava ser a comida «res non naturalis».
O homem colhe a azeitona, natural, transforma-a em cultura quando a prepara, assim Paulo Quintela concebeu a sua veniaga cultural, trazendo de franças e araganças até nós autores de primeira grandeza e exemplarmente os traduziu para todos podermos conhecê-los e deles colhermos proveito. As conterrâneas cozinheiras dos botos retiravam o azeite e parcimoniosamente o utilizavam na confecção de deliciosas pitanças tão apreciadas pelo nosso famoso conterrâneo.

Armando Fernandes

Comeres Bragançanos e Transmontanos
Publicação da CMB

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

ESCONDO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

As palavras que me castram a língua, que me tolhem os passos, que me arrancam a vontade de pensar.
Retenho-as, nas ideias que me abraçam e beijam a vontade de viver.
Nas silabas que me lambem as asas e satisfazem pensamentos ocultos.
A noite acorda em pranto, com as mãos e braços vazios, na avenida da cidade deserta.
Este outono vestido de chuva, lava as varandas serenas, onde repousam lágrimas fecundas.
Escapam-se palavras amordaças em lábios sumarentos, em bocas escancaradas. 
Vai-se o verão abrasador, da alma vestida de dor, chega o outono molhado, inundado de folhas e cinzas de amor.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Rio de Onor lança rota de experiências por moinhos e lameiros

 Para dar um novo fôlego ao turismo no coração do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, está em marcha a criação da Rota dos Moinhos e dos Lameiros, na União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor. Propõe um roteiro com 34 quilómetros de percursos em territórios da fronteira para revalorizar uma região em franco despovoamento.


A ideia parte "do aproveitamento da matéria-prima que temos", afirmou o presidente da junta da União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, Mário Gomes, este domingo, durante a apresentação do projeto em Rio de Onor, a aldeia que é uma das Sete Maravilhas de Portugal.

A freguesia composta pelas aldeias de Aveleda, Guadramil, Rio de Onor e Varge é rica em fauna e flora, onde veados e cegonhas convivem, mas também em património e em cultura, de que os caretos e as festas dos rapazes são o expoente máximo e resquícios do antigo comunitarismo. Além disso tem dois dialetos, o rionorês e o guadramilês, em risco de se perderem.

É, precisamente, toda esta matéria-prima que o autarca quer aproveitar para atrair turistas, partindo da recuperação do património, como escolas, moinhos e antigas casas dos médicos. "Queremos valorizar, recuperar e promover o património que temos, para divulgar a oferta turística na região e atrair mais gente. Vamos ainda criar um posto de trabalho", descreveu Mário Gomes que não perde de vista o outro lado da fronteira não só para alargar a rota, mas para captar visitantes.

O autarca estima um investimento de meio milhão de euros para erguer este caminho para salvar a fronteira, onde vivem cerca de 200 pessoas, em quatro aldeias.

A secretária de Estado da Valorização do Interior, Isabel Ferreira, considera que "o mais importante é estar finalizado", porque o projeto é muito importante em termos transfronteiriços. "Dentro do Programa Interreg temos o POCETEP-Programa Operativo de Cooperação Transfronteiriça que será uma fonte de financiamento e um caminho para este projeto e no Programa de Recuperação e Resiliência há programas ligados às aldeias despovoadas", afirmou a secretária de Estado.

A apresentação foi "o dia um do compromisso, para que o sonho se torne realidade", destacou o autarca, que lançou um apelo aos vizinhos espanhóis para que "tornem a cooperação transfronteiriça uma realidade" e que colaborem para erguer o projeto.

Apesar de a ideia assentar no valor natural e cultural desta zona transfronteiriça, a junta de freguesia quer fazer uma aposta na tecnologia para proporcionar ainda experiências virtuais ou holográficas na recriação dos costumes. "Por exemplo saber o que sente um careto na festa dos rapazes", sublinhou Mário Gomes.


O património da freguesia é vasto. Existem 12 moinhos de água, três prontos a trabalhar, várias escolas primárias desativadas e outros edifícios. Na escola de Aveleda querem instalar um centro de apoio aos exploradores. Na escola de Rio de Onor, a ideia passa por criar um centro de interpretação da cultura e dos costumes. Em Guadramil, a casa do médico vai ser recuperada para instalar um centro de divulgação dos dois dialetos da freguesia, o Rionorês e do Guadramilês. Na casa do médico de Varge vai ser instalado um centro etnográfico.

A ideia foi apresentada a uma comitiva ibérica composta pelas secretárias de Estado da Valorização do Interior e do Turismo, o embaixador Português em Madrid, o conselheiro regional para a cultura e Turismo de Espanha, Xavier Ortega, e representantes do turismo portugueses e espanhóis.

"Reunimos em Rio de Onor uma série de entidades que podem dar uma ajuda para tornar este projeto realidade, mostrar o seu valor e assumir o compromisso que o vamos desenvolver", observou João Mira Gomes, embaixador de Portugal em Madrid que quer "construir pontes e facilitar contactos".

Quem pela primeira vez viu o interesse do projeto foi Maria de Lurdes Vale, diretora de Turismo de Portugal em Espanha, que há dois anos durante uma visita à região para ir à Feira do Fumeiro de Vinhais acabou por se deslocar também a Rio de Onor, acabando por se encantar com este sonho de uma grande rota pelo Montesinho.

Glória Lopes

Riodonorês e guadramilês: línguas ancestrais condenadas à morte

 Em Bragança existem o riodonorês e o guadramilês, que juntam vocábulos portugueses e espanhóis da região de Leão.

Deolinda do Campo (à direita) troca palavras de riodonorês com a vizinha Maria Luísa (esquerda) Foto: Glória Lopes/JN

Há duas línguas minoritárias à beira de desaparecer em Portugal, porque já são faladas por poucos idosos. Trata-se do riodonorês e do guadramilês, uma de Rio de Onor e outra de Guadramil, ambas em Bragança. O barranquenho está no mesmo patamar mas ainda não corre o mesmo risco de extinção, já que é ainda falado por mais de 1300 pessoas.

São microlínguas sem reconhecimento oficial, que praticamente são só faladas por meia dúzia de pessoas. "São pouquíssimos falantes, muito idosos. Se nada for feito, essas línguas em extinção morrerão em muito poucos anos". Essa é a convicção de João Veloso, professor e linguista, pró-reitor da Universidade do Porto, que acredita que, se não houver uma intervenção urgente para resgatar o seu conhecimento, vão morrer. "Há muita urgência em fazer um esforço para preservar e registá-las ou desaparecem", garante.

A primeira intervenção deveria passar pelo registo em áudio das pessoas que ainda as falam. "Para fazer um acervo para memória futura e depois passar à sua promoção", acrescenta o linguista, que considera "lamentável" a situação a que chegaram. Faltaram-lhes as condições políticas, económicas e o empenho de várias pessoas, como teve o mirandês (ver caixa).

BASE NO LEONÊS

Ambas são sobreviventes do antigo leonês (no qual o mirandês também tem raízes). O investigador sublinha que o riodonorês e o guadramilês reúnem todas as condições para serem consideradas línguas em extinção. "São faladas por um pequeno grupo, os mais novos não a conhecem e não têm prestígio social", descreve João Veloso, lamentando que "em Portugal não se vejam as línguas como património".

A União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor introduziu a preservação das duas línguas na candidatura para a criação de uma Rota dos Moinhos e Lameiros, um projeto para promover o turismo.

Em Guadramil vivem 17 pessoas, só uma domina o guadramilês. Rio de Onor tem cerca de 60 habitantes, falantes do dialeto com fluência serão menos de dez.

DAS ÚLTIMAS GUARDIÃS

Deolinda do Campo, 92 anos, é uma das últimas guardiãs do riodonorês. Fala com fluência a língua que aprendeu primeiro do que o português. Cada vez tem menos com quem conversar, porque os velhos vão morrendo ou estão em lares. "Aprendi em casa. Na escola só falávamos português", recorda a mulher que tem apenas a segunda classe e sempre foi trilingue: riodonorês, português e espanhol.

Outro falante, "ti" Mariano Preto, levou para o lar, em Bragança, as memórias de Rio de Onor e o seu modo de falar. Põe o dedo na ferida. "O riodonorês está registado em livro, esse trabalho foi feito por Jorge Dias [etnólogo que viveu um ano em Rio de Onor nos anos 1950], só o deixam perder se quiserem", salienta o idoso, que já passou os 90 anos.

EXEMPLO

Mirandês deu passos seguros e não está em perigo

Reconhecido como segunda língua oficial de Portugal em 1999 pela Assembleia da República, o mirandês sobreviveu centenas de anos no isolamento, mas atualmente o seu ensino está consolidado nas escolas de Miranda do Douro como disciplina opcional. Começou a ser lecionada no ano letivo de 1986/87. Desde 2009 que a língua é ensinada do pré-escolar até ao Ensino Secundário. O presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, espera que com a assinatura da Carta Europeia de Línguas Regionais e Minoritárias do Conselho da Europa pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, no passado dia 8, o mirandês dê mais passos na sua "consolidação e preservação". O documento serve para proteger e promover as línguas regionais e minoritárias históricas da Europa, mantendo e desenvolvendo a herança e tradições culturais europeias, respeitando o direito inalienável e comummente reconhecido de uso das línguas regionais e minoritárias na vida pública e na esfera privada. O Município e a Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa desenvolveram uma lista de compromissos a cumprir decorrentes da adesão à carta. Foram investidos 25 mil euros para desenvolver o trabalho.

SAIBA MAIS

Minderico

Tem 23 falantes fluentes e 150 ativos e cerca de mil passivos (entendem mas não falam) este antigo código secreto usado por comerciantes em Minde, freguesia de Alcanena.

Barranquenho

A Assembleia da República aprovou um projeto de lei no passado dia 17 para proteção e valorização do barranquenho, considerada uma língua de transição ou híbrida, sem tradição escrita, não reconhecida oficialmente.

Glória Lopes

Banda Sinfónica da PSP deu concerto para crianças em Bragança

 Este fim-de semana a Banda Sinfónica da PSP juntou-se à iniciativa "Sábados de Encantar", em Bragança, com o concerto de Palmo e Meio.


Destinado a famílias com crianças, o espectáculo é desenhado para despertar o interesse dos mais jovens pela música e instrumentos utilizados.

Os concertos, com duas sessões aconteceram este sábado, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e foram bem recebidas pelas famílias.

“Vi nas redes sociais, achei interessante e ainda bem que vim, é uma iniciativa muito boa  é pena não termos mais, a minha filha também gostou bastante”, referiu uma das mães que decidiu assistir.

Estes concertos possibilitam ainda dar a conhecer uma outra vertente da Banda Sinfónica da PSP, explica o chefe Hélio Gonçalves.

“É muito enriquecedor para nós, estamos a fazer o trabalho e vemos nas caras deles que estão a absorver tudo o que nós fazemos, também é uma grande responsabilidade, porque olham para nós como polícia e como alguém que está alguém a fazer uma coisa diferente daquilo que estão habituados”, refere.

A Banda Sinfónica da PSP já tinha estado em Bragança, mas foi a primeira vez que trouxe até à cidade este “Concerto de Palmo e Meio”, uma vertente da banda direcionada para os mais novos. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

ARTES E PRODUTOS BIOLÓGICOS NO PARQUE DO IMPÉRIO EM MIRANDELA AOS FINS DE SEMANA

... do ter e do ser

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Pensamos que somos donos das coisas que avaramente vamos juntando ao longo da vida para nosso desassossego.
… a minha casa… a minha horta… o meu quintal…a minha quinta… e afinal tudo nos é emprestado para partilharmos, harmoniosamente, com todos os seres vivos que dividem connosco a grandiosidade imensurável do universo…
Andava eu, na minha pequenez de aldeão, incomodado com uma, ou outra silva que persistentemente vão nascendo no meu quintal … primeiro é um rebento inofensivo, depois duas folhas, finalmente crescem esplendorosas, tal e qual como os embondeiros que ameaçavam o pequeno planeta do pequeno Príncipe do Saint-Exupéry.
… os vizinhos hão de dizer… ou quiçá pensar: - que malandro… descuidado… nem corta as silvas… esta gente da cidade não cuida de nada…. Valha-nos Deus!... e coçavam a cabeça tirando o chapéu de palha, como quem não quer a coisa!....
… e assim, as silvas, traziam-me amistosamente incomodado! E acho que as silvas pressentiram na sua sensibilidade… no seu coração de silva… nos seus espinhos cravados na alma, a minha avareza… o meu incómodo… a minha falta de jeito para lidar com a partilha ecuménica… tudo é de todos… porque todos estamos presos neste pequeno planeta azul onde temos que coabitar… mas não disseram nada… e na minha ausência cobriram-se das mais doces e bonitas amoras… como quem diz… pega lá o pagamento pelo empréstimo dum palmo de terra!... …palerma!
… fiz que não entendi… 
… que amoras tão doces… disse… envergonhado!
… e as silvas sorriram… da minha atrapalhação de humano… de aldeão que às vezes ainda acredita que o mundo acaba nas cercanias da Serra da Nogueira… da Serra de Nossa Senhora da Serra.
… que dia tão azul!

Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.