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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 28 de junho de 2025

Mais de 500 espécies de aves enfrentam a extinção no próximo século

 As alterações climáticas e a perda de habitat poderão causar a extinção de mais de 500 espécies de aves nos próximos 100 anos, alertam investigadores da Universidade britânica de Reading num novo estudo.
O estudo, publicado a 24 de Junho na revista Nature Ecology & Evolution, revela que este número é três vezes mais elevado do que todas as extinções de aves registadas desde 1500.

Filepita-de-barriga-amarela (Neodrepanis hypoxantha) no Parque Nacional Ranomafana, Madagáscar. Foto: Frank Vassen/WikiCommons

Extinções a esta escala poderão alterar de forma muito profunda o conjunto da avifauna global, reduzindo potencialmente a diversidade funcional, alertam os investigadores.

A extinção de aves vulneráveis – como a cotinga-de-gravata-nua (Cephalopterus glabricollis, Em Perigo), o calau-de-elmo (Rhinoplax vigil, Criticamente Em Perigo) e a filepita-de-barriga-amarela (Neodrepanis hypoxantha, Vulnerável) – irá reduzir muito a variedade dos tamanhos e formas das aves por todo o mundo, prejudicando ecossistemas que dependem de aves únicas como aquelas para manterem as suas funções vitais.

Os investigadores descobriram que mesmo com uma protecção completa de ameaças causadas por humanos – como a perda de habitat, caça e alterações climáticas – cerca de 250 espécies de aves poderão desaparecer.

“Muitas aves já estão tão ameaçadas que reduzir apenas os impactos humanos não as vai salvar”, comentou Kerry Stewart, principal autor do estudo na Universidade de Reading. “Para sobreviver, essas espécies precisam de programas de recuperação especiais, como projectos de reprodução em cativeiro e restauro de habitats.”

Cotinga-de-gravata-nua (Cephalopterus glabricollis). Foto: Mauricio Calderon/WikiCommons

Kerry Stewart alertou que “hoje enfrentamos uma crise de extinção de aves sem precedentes nos tempos modernos”. “Precisamos de acção imediata para reduzir as ameaças humanas em todos os habitats e programas de resgate para as espécies mais ameaçadas e únicas.”

Ameaças maiores para aves maiores
Os investigadores analisaram cerca de 10.000 espécies de aves usando dados da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Eles previram o risco de extinção com base nas ameaças que cada espécie enfrenta.

O estudo concluiu que aves de maior dimensão são as mais vulneráveis à caça e alterações climáticas, enquanto que aves com asas mais largas sofrem mais com a perda de habitat.

Esta investigação também identificou quais as acções de conservação que melhor preservam tanto o número de espécies de aves como as suas funções ecológicas.

Calau-de-elmo (Rhinoplax vigil). Foto: David Pangaribuan/WikiCommons

“Travar ameaças não é suficiente”, defendeu Manuela Gonzalez-Suarez, uma das autoras do estudo e investigadora da mesma universidade. “Entre 250 e 350 espécies vão exigir medidas de conservação complementares, como programas de reprodução e restauro de habitats se quisermos que sobrevivam ao próximo século.”

Segundo esta investigadora, “dar prioridade a programas de conservação para apenas 100 das aves mais ameaçadas e únicas poderá salvar 68% da variedade das formas e tamanhos das aves. Esta abordagem poderá ajudar a manter os ecossistemas saudáveis”.

Parar a destruição de habitats é aquilo que vai salvar mais aves, no geral. Contudo, reduzir a caça e evitar mortes acidentais irá salvar aves com características mais raras e que são especialmente importantes para a saúde dos ecossistemas.

As estratégias das plantas: ser árvore dá trabalho

 Algumas plantas escolheram a vida simples: baixas, efémeras, discretas e leves ao vento. Outras quiseram mais: crescer em altura, viver mais tempo e deixar a sua marca na paisagem.

Árvore do género dos freixos. Foto: Jean-Pol GRANDMONT / Wiki Commons

Mas crescer tem um preço. Cada centímetro a mais exige esforço, traz novos desafios e obriga a construir uma estrutura mais sólida para se manter de pé.

Foto: Joana Bourgard

Ainda assim, há espécies que apostaram tudo nessa estratégia. Crescem devagar, tornam-se fortes com o tempo, resistem a ventos, secas e incêndios. Ficam onde estão e sobrevivem.

Mas, se há tantas formas de ser planta, por que escolher a mais difícil?

Porque, apesar de tudo, esta é uma das estratégias mais bem-sucedidas da natureza. Dá trabalho. Mas compensa.

Ser árvore é uma estratégia: o que isso implica?

Ser árvore é muito mais do que crescer em altura. É escolher uma forma de vida que implica paciência, resistência e uma complexa organização interna. É dedicar energia para construir uma estrutura sólida — tronco, copa e raízes — capaz de suportar o tempo e as adversidades do ambiente. É crescer devagar, investindo na longevidade e na capacidade de resistir a incêndios, ventos fortes e secas prolongadas. Esta estratégia obriga a um equilíbrio delicado entre crescimento, defesa e sobrevivência.

A estrutura que sustenta a altura

O tronco é o eixo da vida de uma árvore. Nele circulam as seivas que alimentam folhas, flores e frutos. É ali que se forma a madeira — uma estrutura viva que se reforça ano após ano, criando os anéis que contam histórias de secas, cheias e verões escaldantes. Além disso, o tronco suporta o peso da copa e resiste à força do vento. À volta do tronco, a casca funciona como armadura: protege contra pragas, doenças, feridas e fogo.

Fotografia: Joana Bourgard

Mas, para se manter de pé, a árvore precisa de muito mais do que um tronco. 

A copa é a fábrica de energia da planta. As folhas captam a luz e transformam-na em alimento. A forma, o tamanho e a disposição das folhas são afinados ao detalhe, em cada espécie, para responder às condições do lugar onde vivem.

No solo, as raízes estendem-se, muitas vezes, tanto quanto a copa que sustentam. Fixam a árvore ao chão e absorvem água e nutrientes essenciais à sobrevivência.

Em muitas espécies, as raízes formam uma rede subterrânea de trocas e comunicação com fungos micorrízicos. É a Wood Wide Web – uma rede que, além de partilhar recursos, também transmite sinais de alerta e de apoio entre plantas, como já explorei neste outro texto sobre arsenal invisível de defesa.

As vantagens e os riscos da altura

Chegar mais alto permite captar mais luz, escapar à sombra das plantas vizinhas e garantir espaço para expandir a copa. Em muitos habitats, como nas florestas densas, onde cada raio de sol é disputado ao milímetro, essa vantagem é decisiva: quem chega mais alto conquista o sol.

Mas essa conquista tem um preço. Cada metro a mais representa um esforço maior para bombear água e nutrientes das raízes até às folhas no topo, suportar o vento, resistir ao calor e sobreviver à seca. Crescer em altura exige um investimento energético constante para manter a estrutura estável e funcional, mesmo perante ventos fortes, secas prolongadas ou temperaturas extremas. Além disso, a altura traz riscos mecânicos — uma queda ou uma ruptura podem ser fatais.

Espécies que ilustram a luta pela altura

A diversidade das estratégias de crescimento torna-se evidente quando olhamos para exemplos concretos. Em Portugal, entre as espécies nativas que apostam na verticalidade, destacam-se:

  • Pinheiro-bravo (Pinus pinaster), que frequentemente ultrapassa os 20 metros e pode chegar a 30 metros em condições favoráveis; 
  • Faia (Fagus sylvatica), que atinge entre 30 a 40 metros; 
  • Castanheiro (Castanea sativa), que pode atingir até 35 metros;
  • Carvalho-alvarinho (Quercus robur), capaz de chegar aos 30 metros; 
  • Freixo (Fraxinus angustifolia), típico das margens de rios, que pode atingir os 30 metros de altura.
Alguns exemplares destas espécies são verdadeiros monumentos naturais, protegidos pela lei enquanto árvores de Interesse Público ou árvores monumentais. Um exemplo notável é o “Pinheiro de Tibães”, um pinheiro-bravo bicentenário com cerca de 47 metros de altura, que simboliza a grandiosidade e resistência destas árvores ao longo dos séculos. 

Lembro-me bem da primeira vez que vi o Pinheiro de Tibães – era ainda criança e sua presença altiva parecia já contar séculos de história. Ali senti a força silenciosa das árvores e despertou em mim o desejo de proteger e ajudar estas sentinelas verdes, que guardam segredos e histórias que vêm do topo das suas copas, histórias que só o tempo e o vento sabem contar.

Outro exemplo é o “Guardião d’El Rei“, também um pinheiro-bravo com cerca de 200 anos, localizado na Mata Nacional de Leiria, que impressiona com os seus 25 metros de altura e 2,65 metros de perímetro de tronco. 

Merecem também destaque a faia-púrpura (Fagus sylvatica var. atropurpurea) da Quinta do Gólgota, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto com cerca de 25 metros; o Castanheiro-de-Vales, em Vila Pouca de Aguiar, com 21 metros de altura; e o imponente Carvalho-de-Calvos, na Póvoa de Lanhoso, com cerca de 30 metros de altura.

Carvalho de Calvos. Foto: Joseolgon/WikiCommons

Em 2021, tive a honra de integrar a equipa de especialistas que realizou uma intervenção de melhoria da condição do Castanheiro-de-Vales. Após avaliações fitossanitárias e biomecânicas detalhadas, concluímos que a árvore mantém uma vitalidade positiva, apesar de sinais de desgaste naturais da sua idade avançada. 

Este trabalho reforçou em mim a convicção de que cortar uma árvore centenária e substituí-la por uma árvore jovem e pequena não é simplesmente um ato de renovação. É apagar décadas, até séculos, de história, resistência e valor ecológico acumulados. Árvores grandes não se substituem facilmente — são património vivo, tesouros que exigem tempo, paciência e respeito para que futuras gerações possam também apreciá-los.

Nenhuma destas árvores, no entanto, ultrapassa o recorde absoluto de altura em Portugal. Esse título pertence a uma árvore exótica: um exemplar notável de eucalipto-karri (Eucalyptus diversicolor), plantado no século XIX na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra. Este gigante media, em 2017, 72,9 metros de  altura e é considerado não só a árvore mais alta de Portugal, mas também, até onde se sabe, a mais alta da Europa. 

Mesmo ao lado, cresce outro exemplar impressionante: a maior araucária-de-queensland (Araucaria bidwillii) da Europa, com aproximadamente 49 metros de altura. Foi no meu tempo de estudante que tive a oportunidade de visitar, pela primeira vez, estes dois monumentos verdes. Fiquei verdadeiramente impressionada com a sua dimensão e imponência. Lembro-me que tentámos medir a altura, um desafio fascinante que me marcou profundamente.

Estes dois exemplares, ambos oriundos da Austrália, destacam-se como curiosidades botânicas e símbolos do extraordinário potencial da estratégia vertical. 

Além-fronteiras, o recorde planetário pertence ao Hyperion, uma sequoia-vermelha (Sequoia sempervirens) com cerca de 115,9 metros, no Parque Nacional de Redwood, na Califórnia. Outros gigantes do mundo vegetal incluem o eucalipto-regnans (Eucalyptus regnans), da Austrália; o abeto-de-douglas (Pseudotsuga menziesii) da América do Norte; o monumental kauri (Agathis australis) da Nova Zelândia, ou o imponente pinheiro-do-açúcar (Pinus lambertiana). Todos representam a mesma ideia: crescer alto, viver muito e resistir ao tempo.

Kauri Tree: Ogwen/WikiCommons

Palmeiras: a estratégia arbórea alternativa

Quando pensamos em árvores, imaginamos troncos largos, madeira densa e crescimento lento marcado por anéis anuais. Mas nem todas as plantas seguem essa fórmula. As palmeiras, por exemplo, apesar da aparência semelhante à das árvores, pertencem a um grupo botânico distinto e adotam uma estratégia muito diferente para alcançar altura.

Sem madeira verdadeira nem crescimento em diâmetro, as palmeiras erguem-se com caules finos (estipe), flexíveis e resistentes, adaptados a ambientes muitas vezes extremos. Em Portugal, a única espécie nativa é a palmeira-anã (Chamaerops humilis), que raramente ultrapassa os 2 a 3 metros de altura. Mas muitas espécies exóticas, como a tamareira (Phoenix dactylifera) ou a palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), também alcançam alturas notáveis.

Apesar das diferenças profundas na sua estrutura interna, as palmeiras demonstram que existem várias formas de conquistar o céu. 

Ser árvore: uma estratégia que define paisagens e histórias
Ser árvore é um compromisso que atravessa décadas, séculos ou até milénios. Exige paciência, força e capacidade de adaptação a condições por vezes extremas. Essa dedicação permite às árvores criar paisagens, moldar ecossistemas e oferecer recursos essenciais à vida.

Crescer em altura não é apenas uma corrida pelo sol, mas um investimento no futuro, uma aposta na resiliência e na permanência. Seja com madeira sólida ou com estipes flexíveis, as árvores e as palmeiras lembram-nos que existem muitas formas de alcançar o céu — e que cada forma conta uma história única de sobrevivência e beleza.

É ASSINADO HOJE PROTOCOLO “PROJETO EGUARD” EM ALFÂNDEGA DA FÉ

 O Comando Territorial de Bragança da Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Câmara Municipal de Alfândega da Fé formalizarão, hoje, dia 28 de junho, pelas 18h00, no Auditório Dr. Manuel Faria, em Alfândega da Fé, a assinatura de um protocolo de cooperação no âmbito do Sistema de Teleassistência a Pessoas Vulneráveis – “eGuard”.


O sistema visa mitigar situações de isolamento, solidão e vulnerabilidade, contribuindo para a prevenção de riscos que possam afetar a comunidade residente do concelho de Alfândega da Fé, especialmente os mais idosos, promovendo uma melhoria na qualidade de vida.

O “eGuard” é direcionado a cidadãos em situação de dependência, incapacidade, solidão ou isolamento proporcionando-lhes, através da disponibilização de um dispositivo eletrónico, um meio de contacto direto, imediato e permanente com a Guarda, por chamada de voz, sempre que necessitarem de apoio ou assistência.

Jornalista: Mafalda Morais

Igreja de São Mamede, Alimonde. O Grande Mártir, Padroeiro de Arimundus

 Alimonde pertence à União das Freguesias de Carrazedo e Castrelos, que inclui a aldeia de Conlelas. Distante 15km a Ocidente de Bragança, implanta-se numa planície no fundo da Serra da Nogueira. Povoado proto-histórico, onde o castro da Terronha deixou vestígios de obras defensivas. E de presença Romana, destacando-se um troço da via XVII do Itinerário de Antonino, conhecida como Calçada de Alimonde, ou Caminho dos Escalões. As Inquirições de D. Afonso III (1258) e as de D. Dinis (1288) referem a paróquia Sancti Mameti, ou Mometis, de Arimundi. Da Comarca de Trás Monte, enquanto cabeça de freguesia e estatuto de abadia, detinha proeminência sobre Carrazedo, Refoios e Zoio, não obstante o Mosteiro de Castro de Avelãs ali possuir bens patrimoniais.


A partir de 1545, a Igreja ficou adstrita ao Bispado de Miranda, contribuindo os moradores com duas galinhas e 60 alqueires de trigo para a sustentação da Mesa Capitular da Diocese. Então, em 1569, devido a vacatura, é anexada à Igreja de S. João de Fontes Transbaceiro, por sua vez pertencente ao padroado do Colégio Jesuíta de Bragança. Inserto na Comarca e da Casa de Bragança, no século XVIII o povoado compreendia a Igreja Matriz de São Mamede, no meio do povo, e a Ermida de Santo Amaro, ‘extramuros’. De acordo com as «Memórias Paroquiais de 1758», a Matriz continha, como ainda na atualidade, o Altar-mor com o Orago e os laterais dedicados a Nossa Senhora da Imaculada Conceição e a Cristo Crucificado. Quanto à Ermida, requalificada em anos recentes e com um espaço de romaria, a imagem era tida como milagrosa, a ela acorrendo muita gente em romagem a 15 de janeiro. A aldeia tem também, desde 1963, a Capela contemporânea de Nossa Senhora de Fátima, edifício projetado pelo conceituado arquiteto e pintor flaviense Nadir Afonso, localizada no designado Cabeço do Lombo. A Igreja Matriz, seiscentista, murada e telhada, apresenta frontispício simples e despojado, com portal de arco apontado, duas mísulas sem telheiro, campanário em empena, com dupla ventana para sineiras, sobrepujado com Cruz latina. A ala esquerda contém escadas de acesso ao coro-alto, saimentos referentes a compartimento de batistério e sacristia e, em registo posterior, uma estrutura em cúpula quadrangular, mais alta e estreita do que a nave, respeitante ao presbitério.
O ‘recheio’ interior assume o Barroco tardio, de cariz Joanino: três altares decorados por pâmpanos, fénices, putti, querubins, acantos e florões; colunas salomónicas, entre pilastras, de capitel a remeter para o coríntio; arquivoltas a irradiar para o ático, unidas por aduelas. Na nave, os altares laterais, restaurados em 2017, de mesa em forma de urna, são de eixo único, idêntica talha policromada a vermelho e dourado. Ladeado por púlpito, o de Cristo Crucificado, com anjos músicos no ático, tem tela costeira pintada alusiva ao drama do Calvário em plano inferior e, no superior, Deus-Pai Senhor do mundo. O altar da Virgem Imaculada, com anjos atlantes de suporte no embasamento e M no frontal da mesa, é de tela costeira pintada com anjos músicos e alados, em louvor à Virgem coroada. No teto, os altares são unidos ao arco triunfal por três filas de quatro caixotões, também restaurados em 2017, com painéis de pintura referente aos 12 Apóstolos (S. Matias substitui Judas Iscariotes; S. Paulo Tiago Menor).
No presbitério, sobrelevado por supedâneo de granito e teto forrado a caixotões de moldura rosa, florões dourados nos vértices e tela a azul, expõem-se, nas paredes, imagens de Santo Amaro, S. Bento e Santa Luzia, sobre pedestal. O Altar-mor é de três eixos, cor branca e dourada e mesa paralelepipédica vegetalista. O embasamento destaca anjos atlantes e a mesa expõe Sacrário tipo templete, com Agnus Dei e querubim na porta e colunelos salomónicos nos alçados. Ladeado por anjos, sobre ele assenta a imagem do Sagrado Coração de Jesus resplendoroso, defronte ao trono expositivo com o Orago São Mamede, em tribuna profunda. Os eixos laterais, entre colunas, exibem sobre mísulas as imagens de Nossa Senhora do Rosário (evangelho), ladeada por S. José e S. João I Papa, e de S. Sebastião e Santo António (epístola).

Susana Cipriano e Abílio Lousada

Os Extremos

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Independentemente do seu alcance e da sua radicalização, os extremos, existem. Por definição, as franjas, de um lado e de outro de tudo quanto se situe ao centro, são os extremos do mesmo. Mais ou menos extremistas, mas isso é outra questão. É natural que tenham algumas semelhanças entre si, mas igualmente hão de ser caracterizados por diferenças substanciais. Não são a mesma coisa nem a sua distância ao centro é a mesma, sendo, inclusive, variável, para cada grupo, em função do tempo e das circunstâncias. Igualmente, de acordo com a época histórica, são mais ou menos tolerados quer por grupos substanciais das populações quer do próprio regime democrático.
Em teoria, a democracia deve ter lugar para todos. Sendo um regime em que o poder reside na maioria, porque, de outra forma perderia a sua própria essência, tem o dever de respeitar as minorias por duas razões: em primeiro lugar porque a verdade e o indeclinável bem comum nem sempre são reconhecidos, como devem, pelas massas, sendo vulgar serem empunhados, primeiramente por uma elite minoritária, e em segundo, como consequência, é um facto que não existem maiorias instantâneas; todas nascem de um pequeno grupo que durante um determinado período, mais ou menos longo fez um caminho quase solitário.
Quem reclama que uma votação expressiva lhe confere legitimidade para promover a aniquilação de adversários hoje, com menor representatividade… não pode esquecer que ainda há bem pouco tempo a formação que hoje reclama uma ampla aceitação era largamente minoritária começando por ser absolutamente solitária. Foi a tolerância e aceitação, por parte da maioria dessa altura, que permitiu o seu crescimento e lhe deu a possibilidade de ascender ao patamar onde chegou.
É preciso, pois, que a democracia respeite e aceite, no seu seio, as diferentes formas de pensar e agir, mesmo que sejam apoiadas por pequenos grupos da sociedade.
Quer isto dizer que todos os extremismos são legítimos e devem ser incondicionalmente aceites e respeitados? Nem pouco mais ou menos. De forma nenhuma. Em sociedade, há um limite para todas as prorrogativas. Cabe à democracia estabelecê-los de forma ponderada e fugindo à tentativa de estabelecer espelhos e benevolências compensatórias. Independentemente da sua origem o Estado de Direito não pode aceitar quem atente contra as suas bases pondo em risco a sua própria existência, em toda a plenitude. Muito menos se tal acontecer com recurso à violência. Independentemente de quem a ela recorre ser de esquerda ou de direita.
Quando um determinado quadrante vem a público tentar justificar atitudes reprováveis, da sua área política com potenciais práticas parecidas, passadas (mesmo que fossem presentes) do outro espectro só demonstra falta de melhores argumentos embrulhada em elevada dose de hipocrisia.
Nas décadas de setenta e oitenta do século passado, ao mesmo tempo que o mundo assistia a várias ditaduras de direita (algumas apeadas por legítimos movimentos armados) surgiram, igualmente, inúmeros grupos armados, extremistas que recorriam à violência sobre cidadãos e instituições democráticas e, como tal, foram condenados pela justiça institucional, em nome da esmagadora maioria dos cidadãos. Em Portugal tivemos, depois do 25 de abril, exemplos de ambas as franjas ideológicas, o MDLP e as FP 25. Ambas devidamente combatidas pelas forças da ordem e, em consequência, extintas. Não servem, pois de justificação para qualquer nova aventura extremista, venha de que quadrante vier!


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

Nordeste Motor Show - DRIFT

Feira de São Pedro 2025 | Daniela Mercury

 Hoje, 28 de junho, Macedo de Cavaleiros recebe Daniela Mercury no grande concerto de abertura da Feira de São Pedro 2025. A artista brasileira promete uma atuação inesquecível, com toda a energia, ritmo e alegria que a caracterizam.
A cidade vibra com o arranque desta 40.ª edição, num espetáculo que marca o início de nove dias de festa.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Visitação à ópera Carmen de Georges Bizet na Praça 6 de abril, dia 20 de agosto, em Carrazeda de Ansiães

 A ópera Carmen é uma tragédia moderna, baseada em factos supostamente verídicos mas muito romanceados; baseados no conto homónimo de Prosper Merrimée - escritor, arqueólogo e senador francês coevo de Bizet.
A ópera foi um sucesso incrível apesar de uma estreia frouxa e de críticas ferozes, sobretudo motivadas por despeito ou por razões morais; a ópera não continha uma lição moral e a personagem principal era uma mulher cheia de vícios, segundo os escritos da época. Bizet não conseguiu ter tempo para saborear o sucesso que foi surgindo tendo morrido três meses exactos depois da estreia, a 3 de Março de 1875. Nietzsche, Wagner, Brahms ou Tchaikovsky apreciaram vivamente a ópera que trata dos amores da livre e leviana Carmen, uma bela cigana, que seduz um militar, D. José, para se conseguir libertar da prisão, após uma rixa de navalhada. Carmen depressa se farta do ciumento militar para o trocar por um vistoso toureador, Escamillo. Num acesso de raiva, de ciúme e de fúria homicida, D. José mata Carmen à navalhada, terminando assim a ópera.

O Festival de Percussão volta a fazer vibrar as ruas de Carrazeda de Ansiães com as batidas viciantes dos tambores!

Motoburra

Vila Flor - Programa EXPOVILA 4.0

𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐥𝐚 𝐞 𝐝𝐞 𝐍. 𝐒𝐫𝐚. 𝐝𝐨 𝐀𝐦𝐩𝐚𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓 acontece no próximo domingo, dia 29 de junho, no Santuário da padroeira da Cidade.

Feira de São Pedro 2025 | S. Pedro AquaSummit

 A quadragésima edição da Feira de S. Pedro traz a debate a água!
O S. Pedro AquaSummit 2025 pretende ser um evento de debate e reflexão sobre um recurso extraordinário e do qual dependem todos os seres vivos.

De palestrantes renomados e apaixonados pela água a palestrantes promissores que têm algo único e inovador para compartilhar, o S. Pedro AquaSummit foi projetado para ser uma experiência única que certamente deixará uma marca na memória e no coração de todos. 

Contamos com a sua presença neste evento que será também uma marca nos 40 anos de um certame de referência na região de Trás-os-Montes. 

O S. Pedro AquaSummit decorrerá durante as tardes dos dias 1, 2 e 3 de julho de 2025.

Expo Vila com cartaz de peso

 Cuca Roseta (10 de julho), Nininho Vaz Maia (11 de julho) e Pedro Abrunhosa (12 de julho) são os cabeças de cartaz da edição deste ano da Expo Vila, em Vila Flor, que tem este ano como novidade a atribuição de vouchers de cinco euros a serem utilizados no comércio tradicional.


O anúncio foi feito esta sexta-feira, em conferência de imprensa.

"Uma das novidades desta edição será a entrega de um voucher de 5€, que será distribuído na venda de bilhetes no dia 13 de julho, e que poderá ser utilizado no comércio local, promovendo assim a dinamização económica do território", anunciou a autarquia.

Para além da componente dedicada à promoção de circuitos de comercialização e troca de contactos, há ainda áreas ao ar livre dedicadas à mostra de maquinaria agrícola e industrial e ao street food; Em paralelo, existe uma forte componente de lazer, animação e cultura, tanto que o cartaz musical inclui artistas de grande renome nacional, e não só, envolvendo também as associações culturais, recreativas e desportivas, os grupos locais de canto e dança, diversas animações itinerantes e noturnas, atividades dedicadas à diversão de crianças e jovens, arruadas e paradas, espaço para jantar no recinto e bares de apoio ao certame onde à noite, depois dos concertos, têm palco vários DJ´s, complementando e enriquecendo esta Exposição, por onde vão passar, na noite de 10 de julho, Cuca Roseta, na noite de 11 de julho, Nininho Vaz Maia, no sábado, 12 de julho, atua Pedro Abrunhosa, e no encerramento a 13 de julho, o espetáculo está a cargo de Bárbara Tinoco.

"A EXPOVILA é, essencialmente, um certame de promoção das atividades económicas de Vila Flor, mas assume-se também como o chamariz para trazer gente à vila e ao Concelho, gente que venha descobrir as potencialidades desta terra", frisa o município.

De acordo com a autarquia, "a EXPOVILA 4.0 visa promover a sustentabilidade, o empreendedorismo e a inovação, criando pontes entre os diversos setores da comunidade e dinamizando a economia de proximidade".

"Um Investimento baseado no reconhecimento da importância que este certame representa para os Vilaflorenses, na certeza da qualidade dos produtos que brotam desta terra, qualidade que se pretende dar a conhecer ao país e ao mundo", acrescenta.

O programa geral do certame inclui:

-A presença das forças vivas do Concelho, com destaque para o I Encontro de Percussão e Gaiteiros “Rufos e Roncos”, com cerca de 30 grupos inscritos, num total de cerca de 1 000 pessoas a desfilar música tradicional e alegria pelas ruas de Vila Flor, entre as 10 e as 18 horas;

-Atividades dos programas e projetos municipais APROXIMAR e CLDS 5G, com participação especial dos seniores que vão apresentar um Teatro de Fantoches;

-Workshops promovidos pela Incubadora do Tua /PNRVT sobre sustentabilidade ambiental e cultural;

-Curso de iniciação à prova de vinhos com o Eng. Mário Louro;

-Showcookings com o Chef Manuel Gonçalves, num dos dias aberto a pratos interculturais com participação local;

-Apresentação de um percurso pedestre novo: O Poço do Lobo (Vilas Boas)

-Animação itinerante e atuações de associações locais – Banda Filarmónica, Masterclass de Concertinas, demonstração de Danças Latinas, rancho folclórico, Gigantones, Bombos, Grupo de Danças e Cantares e futebol/futsal com desafios abertos a todos;

-Espaços dedicados às crianças: Kid’s Zone PlayGround;

-Final do Concurso de poesia “Aqui D´El Rei”

-Participação dos jovens bolseiros durante os 4 dias do certame.

AGR

🎥 PROGRAMA “TERRA NOSSA” DA SIC EM MIRANDA DO DOURO

 O programa “Terra Nossa” da SIC vai ser gravado em Miranda do Douro, e o César Mourão vai andar pelo concelho a descobrir histórias, rir com o nosso povo e mostrar ao país o melhor da nossa terra!
O espetáculo irá decorrer na quinta feira, dia 3 de julho, no Largo D. João III, com entrada gratuita, mas com bilhete obrigatório.

Os bilhetes podem ser levantados a partir de amanhã, 28 de junho, na Casa da Cultura de Miranda do Douro.

Limite de 5 bilhetes por pessoa.

O meu jardim II

Por: Manuel Eduardo Pires
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Não me tendo sido possível concluir a última crónica dentro do limite dos três mil e quinhentos carateres da norma, peço ao vereador a quem me dirigi um pouco mais paciência de modo a poder acrescentar alguns itens ao que lá propus.
Entendo que a autarquia veja vantagens em contratar empresas privadas tendo em conta que, nos tempos que correm, sempre é melhor entregar as coisas a profissionais. A chatice é que, lamentavelmente, no meio destes há muitos amadores. Se o fossem no sentido original do termo, que aponta no fundo para a ideia de amar, cuidar, zelar, acarinhar, seria ótimo, tal como o seria a utopia de ver um país inteiro entregue a esta classe de pessoas. Mas em muito do que tenho visto por aí trata-se de amadorismo na aceção mais vulgar, isto é, de inépcia, desleixo, falta de zelo, estar-se-nas-tintas que por vezes, para piorar a coisa, se misturam com estupidez.
Deixe-me só concretizar com alguns exemplos. Na braguinha, de que já falei, tenho reparado que em todas as primaveras se replantam os exemplares que por alguma razão não vingaram, o que é excelente. Entretanto, sempre que aparam o relvado passam também com motorroçadoras para cortar as ervas que crescem junto ao tronco das árvores, onde os corta-relvas não chegam. Acontece que, como esse trabalho é geralmente feito de forma descuidada, o fio daquelas máquinas (que como sabe roda a alta velocidade) desfaz-lhes a casca no fundo, a toda a volta, de forma que quem devia cuidar delas as assassina sem apelo, sobretudo as mais jovens. Entretanto, e sem que ninguém pareça dar-se conta daquele pormenor, voltam a ser replantadas, como disse, repetindo-se o processo ciclicamente pelo menos há uma boa dúzia de anos.
Um dia dei-me ao trabalho de descer e tentar explicar o processo, in loco, a uma senhora engenheira que supervisionava. Olhou para mim como olharia para um homúnculo verde com antenas, tendo eu tido o agudo pressentimento de que a técnica dizia para os seus botões: “E este cromo agora!?… De onde é que me saiu!?...” Nisto, como em tudo, ou se fazem as coisas por gosto, existem princípios, fios condutores, finalidades que nos orientam, ou então anda-se à deriva e tudo é possível. Se não, faça o favor de me dizer: qual é a lógica, por exemplo, de arrancar agreiras já com uns anitos de idade para, exatamente no mesmo sítio, plantar outras agreiras? Pois garanto-lhe que isso já aconteceu no dito jardim. Ou então, de se fazerem podas apenas porque se está no tempo delas e há que cortar qualquer coisa, apesar de os cortes serem mais do que discutíveis? Pela minha parte, enviei várias vezes estas e outras questões para um endereço de correio eletrónico onde parece que os munícipes podem dar opiniões, colocar dúvidas, fazer sugestões. Mas como nunca obtive resposta repito aqui algumas, não leve a mal.
Sei bem que existem pessoas para quem tudo isto são bagatelas, pantominas, coisas de quem tem pouco com que se preocupar. Mas não. Com efeito, a maneira como lidamos com as partes espelha a nossa postura perante o todo, se é que tal separação é sequer pertinente: os pequenos descuidos, incompetências e erros revelam como cada um se posiciona na vida e no final, somados, fazem com que na globalidade esta venha a ser de facto descuidada, incompetente, errática.  
Está ciente, sem dúvida, de que nos últimos anos as tradicionais estações do ano estão desreguladas, que quando o outono já vai avançado temos temperaturas de verão, que quase não há invernos, que a chuva se faz mais rara, que as ondas de calor aumentam de frequência, que os fogos passaram a ser calamitosos. Pois as perturbações climáticas, e é afinal disso que se trata, resultam de pequenos gestos banais e rotineiros, de rituais quotidianos e inconscientes nascidos da nossa relação desajustada com o meio ambiente e que, multiplicados por vários milhares de milhões, acabaram por redundar numa realidade para lá de preocupante.
Talvez já ontem fosse tarde para acordarmos. Mas ainda assim gostaria de concluir fazendo votos para que os espaços verdes, sem deixarem de ser símbolo do que sempre foram, carreguem agora uma nova simbologia, a da união entre o carinho pelo que é nosso e o respeito pela biosfera em geral. O futuro, a sobrevivência, podem depender disso.

(Nordeste - nov. 2017)


Manuel Eduardo Pires
. Estes montes e esta cultura sempre foram o meu alimento espiritual, por onde quer que andasse. Os primeiros para já estão menos mal, enquanto a onda avassaladora do chamado progresso não decidir arrasá-los para construir sabe-se lá o quê, mas que nunca será tão bom. A cultura, essa está moribunda, e eu com ela. Daí talvez a nostalgia e o azedume naquilo que às vezes digo. De modo que peço paciência a quem tiver a paciência de me ir lendo.

Presidente da CIM anuncia plano estratégico para rever a segurança das estradas

 Pedro Lima, presidente da Comunidade Intermunicipal terras de Trás-os-Montes, vai avançar com a elaboração de um Plano Estratégico para a Mobilidade, com destaque para a segurança rodoviária. O anúncio foi feito em primeira-mão ao Mensageiro de Bragança.


“Registo com muita preocupação o que se tem passado nas nossas estradas, com sentido de pesar bastante vincado mas também temos de dar o nosso contributo como sub-região para uma estratégia nacional de mobilidade. Não só rodovia mas com todas as outras formas de transporte para potenciar a nossa sub-região. A mobilidade é cada vez mais crucial, com o fator de desertificação a intensificar-se, vemos a mobilidade como uma oportunidade para o nosso território captar mais fixação de riqueza e de população”, explicou Pedro Lima, presidente da Câmara de Vila Flor.

Por isso, Pedro Lima anunciou que a CIM tenciona fazer um plano estratégico para a mobilidade, incluindo a rodovia, a apresentar ao Governo.

“Agora vamos entrar num período eleitoral autárquico em que todos estes assuntos terão de esperar por novos mandatos mas com toda a aceleração e velocidade possível temos de fazê-lo.

Estabeleceria um paralelismo com aquilo que a CIM já fez para o regadio da região. Fazê-lo também para a mobilidade em geral. Não é só uma questão de reivindicação, é uma questão de termos um plano estratégico para a nossa sub-região, apresentá-lo ao Governo e definir planos de como financiar o desenvolvimento e a execução dessa estratégia”, explicou aquele responsável.

Pedro Lima entende que, “ao contrário do que diz a União Europeia, em Trás-os-Montes não há alcatrão a mais, o que há tem de ser requalificado, as estradas devidamente sinalizadas, marcadas para conferir a maior segurança possível para os automobilistas”.

“Também reconhecemos que temos tido um período bastante prolongado de instabilidade política em Portugal, desde a queda de um Governo com maioria absoluta do Partido Socialista, que deixou o país num estado de quase ingovernabilidade”, frisou. 

“Agora, a expectativa é que haja estabilidade suficiente para que se possa fazer o investimento necessário nas infraestruturas que são cruciais, acima de tudo, para o respeito e a dignidade da vida humana. A mobilidade em Terras de Trás-os-Montes é uma dessas oportunidades que já reportámos”, sublinhou o presidente da CIM.

Ferrovia para avançar “em breve”

Quanto à linha ferroviária de alta velocidade, Pedro Lima acredita que vai avançar. “O projeto foi decidido, já foi encomendado o estudo do corredor à Infraestruturas de Portugal, a CIM TTM já tem alocados cerca de 1,5 milhões de euros para esse mesmo estudo, em conjunto com outras CIM. Temos todas as condições para dar o primeiro passo”, explicou. “vamos ter novidades muito em breve”, garantiu.

António G. Rodrigues

Praia fluvial Arquiteto Albino Mendo e piscina da Maravilha continuam sem vigilância

 Burocracias no processo de contratação pública de nadadores salvadores e a não autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para antecipar a época balnear são as explicações do presidente da Câmara Municipal de Mirandela 


A piscina da Maravilha e a praia fluvial Arquiteto Albino Mendo, em Mirandela, ainda não têm vigilância, apesar da grande afluência de banhistas devido às elevadas temperaturas. Burocracias no processo de contratação pública de nadadores salvadores e a não autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para antecipar a época balnear são as explicações do presidente da câmara.

Vítor Correia diz que o município pediu a antecipação da abertura da época balnear, para 1 de junho, mas a APA não terá atendido ao pedido. “Já em 2021, para a época de 2022, pedimos à APA que nos fosse dada a concessão, ou a possibilidade, para que a época balnear abrisse a 1 de junho, tendo em conta as características que tem aqui o nosso concelho. Obtivemos resposta da APA, dizendo que nós temos mais que uma praia designada, para podermos antecipar a época balnear, tinham que reunir todas elas condições de assistência a banhistas. Portanto, a praia de Quintas, Vale de Juncal e a Arquiteto Albino Mendo, e nós não tínhamos condições para todas, até porque não fazia sentido, porque algumas têm muito pouca utilização. Portanto, não temos conseguido ultrapassar esta questão junto da APA”, referiu.  

Ainda assim, o executivo tinha a intenção de colocar alguns vigilantes, algum tempo antes da abertura, mas Vítor Correia alega problemas no processo de Contratação Pública que foram impeditivos de ter vigilância mais cedo. “Este ano, por questões de contratação pública, não foi possível ter essas pessoas no dia 15, como nós queríamos. Só vai ser possível a partir do dia 1 de julho, com a altura da época balear. Fizemos de tudo para que isso fosse ultrapassado, mas há algumas limitações no que diz respeito às questões das contratações públicas. Isso levou-nos a não poder entrar de imediato com esse processo, o que lamentamos, e compreendemos que é uma necessidade que nós temos. Não é de hoje, é de sempre”, lamentou.

A mesma questão da contratação pública é a justificação avançada por Vítor Correia para ainda não ter aberto a piscina municipal da Maravilha, no parque de campismo.

A época balnear na praia fluvial de Mirandela e a abertura da piscina da Maravilha só é oficial a partir de 1 de julho.

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Carina Alves

Começa amanhã a Feira de São Pedro em Macedo de Cavaleiros

 Daniela Mercury, Emanuel, Calema, Gipsy Kings e Wet Bed Gang são alguns dos artistas que vão estar nos 40 anos da feira transmontana 


Começa amanhã a Feira de São Pedro, em Macedo de Cavaleiros, que se estende até dia 6 de Julho. O município celebra o São Pedro com muita música, animação e tecnologia à mistura.

O autarca Benjamim Rodrigues garante que quem por ali passar não se vai arrepender. “As expetativas é aumentar consideravelmente o volume de negócios, as oportunidades de negócio e ter uma afluência crescente, porque de facto o ano passado cresceu, mas este ano queremos que cresça ainda mais. Temos oferta para todas as áreas de diversão, para que de facto as pessoas sintam que esta é uma feira do país, é uma feira do Norte, e uma feira que se vem aguentando. Este ano, iremos ter uma feira interessante e toda a gente vai gostar. Por isso convidamos toda a gente a vir à Feira de São Pedro, a Macedo de Cavaleiros, que não vão dar por perdido o tempo que vão dedicar a estes dias”, destaca,

Este ano assinalam-se os 40 anos da feira e Benjamim Rodrigues frisa que por isso o “cartaz é especial” e acrescenta que apesar de não ter números concretos, o “retorno da feira é importante para o concelho”.

A feira de São Pedro abre oficialmente sábado, às 18h30. Daniela Mercury inaugura o palco. A festa continua dia 30 com Emanuel e dia 1 sobem ao palco os Calema. No dia 2 animam a noite os Gipsy Kings. Os Wet Bed Gang encerram os espetáculos musicais dia 5. No dia 3 a noite é da rádio com a Onda Livre a subir ao palco para animar a feira.

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Cindy Tomé

Carrazeda de Ansiães recebe novamente o festival que alerta para o risco de extinção do Chasco Preto

 Para este fim de semana o município tem planeadas saídas, por terra e por água, para observar as aves


Carrazeda de Ansiães volta a receber o festival do Chasco Presto. Para este fim de semana o município tem planeadas saídas, por terra e por água, para observar as aves. O objetivo é alertar os agricultores e o público em geral para a preservação do chasco preto, explica o presidente do município, João Gonçalves. “Poderá estar em perigo a continuidade da espécie no concelho. Nós, através deste projeto, queremos chamar a atenção para esse facto e que seja possível, de alguma forma, criar ou continuar com condições para que o chasco preto permaneça no território”, frisou.

Esta é a segunda edição do festival dedicado à ave que nidifica em “poucos locais”, é promovido e organizado pelo município de Carrazeda de Ansiães, conta com a colaboração do Parque Natural Regional do Vale do Tua e da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural. As vagas para participar são limitadas e a inscrição tem um custo de 25 euros por pessoa, inclui pequeno-almoço, almoço e transporte de autocarro.

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Cindy Tomé