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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Como as cidades estão a combater o “efeito de ilha de calor”

 À medida que as temperaturas sobem, os investigadores estão a repensar a forma como as cidades medem e reagem ao calor urbano. No entanto, os especialistas dizem que as soluções de sucesso devem ser adaptadas às condições locais e não medidas genéricas.

Andy Buchanan, Alamy - Uma mulher deitada numa espreguiçadeira em Coney Island, em Nova Iorque. À medida que o calor extremo se vai tornando uma ameaça para a saúde pública, cidades de todo o mundo procuram soluções de refrigeração. Contudo, os especialistas dizem que algumas soluções podem fracassar, dependendo do local onde são implementadas.

Um calor e humidade inéditos já fazem sentir os seus efeitos no início de um Verão que se prevê escaldante.

As nossas cidades, com as suas superfícies escuras de asfalto, veículos emissores de gases de escape e edifícios que retêm o calor, são as mais afectadas por estas temperaturas. Segundo a Climate Central, que avaliou padrões de calor em 65 áreas metropolitanas, muitos residentes urbanos sofrem um mínimo de 4ºC de calor adicional devido à planta do seu bairro.

Quando observadas num mapa térmico de satélite, estas temperaturas altas contrastam fortemente com as dos subúrbios, tendo inspirado o nome do fenómeno: Efeito de Ilha de Calor. Este efeito tem sido uma directriz na mitigação do calor desde que a área começou a ser amplamente estudada há mais de uma década.

Segundo os cientistas, o Efeito de Ilha de Calor pode ser um ponto de referência útil – mesmo que, por vezes, seja demasiado simplista. Aumenta a consciencialização sobre a gravidade do calor urbano, mas os especialistas dizem que o fenómeno pode colocar demasiada ênfase na temperatura à superfície, em vez de nas formas como essa temperatura afecta as pessoas. As temperaturas altas foram associadas a mortes cardiovasculares, mortalidade por doença renal crónica e insuficiência respiratória.

Os cientistas e arquitectos começaram a procurar formas de protecção contra estas ondas de calor urbano extremo. Aquilo que surgiu em alguns locais foi uma manta de retalhos composta por espaços verdes, inovações arquitectónicas e avanços tecnológicos, que podem proporcionar algum alívio face às temperaturas escaldantes.

Estes esforços exigem uma precisão cirúrgica para não serem contraproducentes. Não existem duas cidades iguais e as suas razões para absorver o calor também não são as mesmas, afirma Mat Santamouris, um respeitado professor de arquitectura de alto desempenho na University of New South Wales, de Sydney. O calor representa problemas diferentes para cidades diferentes: em algumas é uma condição crónica, enquanto noutras é um desastre raro, mas grave, que exige preparação para emergências. Adoptar as estratégias erradas pode ser um desperdício de tempo e até prejudicial.

“Todos os projectos de mitigação de uma cidade devem ser elaborados e testados por especialistas”, diz Santamouris. “Caso contrário, arriscamo-nos a ter resultados bastante fracos, gastar imenso dinheiro e ter aumentos da temperatura nas cidades.”

A delicada arte de construir uma cidade à prova de calor

Cada cidade é susceptível ao calor à sua maneira.

Sydney e o Dubai sobreaquecem porque se encontram demasiado perto do deserto. Neste contexto, as superfícies reflectoras podem repelir a radiação solar, baixar as temperaturas e diminuir a coluna de ar quente que se ergue acima das cidades.

Em contraste, o calor de Atenas vem do seu planeamento urbano denso e bloqueio do fluxo de ar causado pela cordilheira montanhosa em seu redor. Na capital grega, a prioridade é a ventilação: arrefecer os telhados para baixar a temperatura ambiente com vegetação e materiais reflectores. Isso empurra o ar mais pesado e denso para as ruas, atraindo as brisas do mar para a cidade e empurrando o calor para fora.

Outras cidades adoptaram estas práticas. Singapura, que está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global, tem liderado as inovações arquitectónicas e tecnológicas no que diz respeito a refrigeração, investindo em espaços verdes, sombra e tubos de refrigeração subterrâneos.

A instalação de superfícies reflectoras em pavimentos ou telhados tornou-se mais comum – e polémica – na luta contra o calor. As cidades utilizaram uma série de materiais, desde tinta reflectora a alternativas a asfalto de cores claras, para arrefecer as superfícies. Foram instalados pavimentos reflectores num dos bairros mais quentes de Los Angeles e, durante uma onda de calor ocorrida em 2022, as temperaturas ambientes foram cerca de 2º Celsius mais frescas do que em áreas vizinhas, segundo um estudo realizado pela Environmental Research Communications em 2024.

No entanto, as superfícies reflectoras também se tornaram um pomo da discórdia na área.

“Sou um grande fã de tinta branca, mas em sítios altos”, diz Vivek Shankas, professor na Portland State University, que desenvolve estratégias para enfrentar as consequências das alterações climáticas em zonas urbanas. “Gosto de revestimentos que não a reflictam necessariamente nos locais onde as pessoas circulam.”

Outras pessoas acham que o foco nas superfícies de refrigeração não resolve o problema.

“Estamos a tornar as comunidades mais frescas, mas não necessariamente a refrescar as pessoas”, diz V. Kelly Turner, professora de planeamento urbano na Universidade da Califórnia em Los Angeles, e directora do Heat Research Program do Luskin Center for Innovation.

Plantar as árvores certas nos sítios certos

Outra forma de arrefecer uma cidade? Introduzir plantas.

Medellín, na Colômbia, investiu milhões de dólares em “corredores verdes”: vias verdejantes interligadas que proporcionam espaços frescos e sombra aos peões.

Santiago, no Chile, comprometeu-se a plantar 30.000 árvores na sua área metropolitana para proporcionar sombra e frescura a aproximadamente um terço da população.

As promessas de plantar árvores são, desde há muito, aclamadas como soluções ambiciosas para mitigar os problemas ambientais. No entanto, quando aplicadas de forma irresponsável, podem fazer mais mal do que bem, diz Santamouris. “A humidade aumenta com a temperatura.” Em casos raros, a copa das árvores pode reter o calor em vez de funcionar como escudo contra ele.

Jorge Calle/Anadolu Agency, Getty Images - Pessoas caminham junto ao muro verde em Medellín, na Colômbia. A cidade plantou 2,5 milhões de plantas e quase 880.000 árvores em 30 rotas urbanas interligadas para combater o efeito de ilha de calor. Em 2023, Medellín tinha reduzido a sua temperatura urbana média em 2°C.

É fundamental ponderar a espécie da árvore antes de plantá-la: testar se consegue suportar o calor que enfrentará, a sua necessidade de água e o local onde a sua sombra poderá ser mais eficaz. Por exemplo, uma árvore plantada num parque de estacionamento é muito menos valiosa para uma comunidade do que uma árvore plantada num parque infantil, diz Ladd Keith, director da Heat Resilience Initiative na Universidade do Arizona.

No entanto, quer se baseiem em vegetação, arquitectura ou superfícies reflectoras, estas mudanças têm um preço – um preço que muitos dos países mais expostos ao calor do mundo não conseguem pagar, diz Santamouris.

O futuro do combate ao calor

Em última análise, o calor é um problema pessoal. Afecta-nos de forma diferente dependendo da nossa idade, do local onde vivemos, das nossas condições de saúde e da nossa vida quotidiana.

A próxima vaga de mitigação do calor pode depender menos de remediar uma cidade ou plantar árvores e mais de transmitir avisos e previsões personalizadas.

“Acho que não estamos muito longe do dia em que o Google Maps terá uma camada de sombra”, diz Turner, que desenha rotas de caminhada longe do Sol, ajustadas à hora do dia. A sua equipa já cartografou sombra em 360 cidades e vilas norte-americanas. Ela também imagina uma aplicação meteorológica personalizada que substitua os alertas de calor por avisos mais personalizados com base em dados demográficos e riscos de saúde.

A inovação dos materiais também está a avançar. Santamouris descreve superfícies de refrigeração de vanguarda, ainda em fase experimental, que não só reflectem a luz do Sol como absorvem água durante a noite e a evaporam durante o dia.

E, para além das infra-estruturas dispendiosas, algumas cidades começaram a tratar o calor extremo como uma emergência. Da mesma forma que estão preparadas para cheias ou incêndios, cidades de todo o mundo estão a implementar planos de acção, avisos precoces e a nomear autoridades para o calor, encarregadas de proteger as comunidades.

Em 2010, uma onda de calor em Ahmedabad, na Índia, matou mais de mil pessoas quando as temperaturas subiram até aos 46,6ºC. A cidade tomou medidas, elaborando o primeiro plano de saúde relacionado com o calor, que foi posto em prática três anos mais tarde. O plano incluía previsões especiais, avisos precoces e formação para os funcionários da área da saúde para reconhecer e tratar doenças provocadas pelo calor.

Segundo os dados oficiais, este plano salvou milhares de vidas em ondas de calor subsequentes. Também mostrou formas acessíveis de as cidades protegerem as pessoas sem gastarem dinheiro em novos edifícios, vegetação ou materiais.

Todos estes esforços sublinham uma realidade inevitável e generalizada. As nossas cidades vão tornar-se mais quentes e já não estão feitas para o clima em que vivemos.

“Afinal, o calor extremo afecta toda a gente, não só através das mortes e doenças relacionadas com o calor, mas também da qualidade de vida: se os nossos filhos podem brincar no exterior, se podemos praticar exercício, a quantidade de dinheiro que gastamos com dispositivos de ar-condicionado, energia e água”, diz Keith. “É muito mais prevalecente do que muitas pessoas percebem no seu dia-a-dia.”

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Ruby Mellen
Actualizado a 26 de junho de 2026

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