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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 27 de junho de 2026

MÃE, ESTÁS ACORDADA?

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Mãe… estás acordada?”
Pergunto baixinho à noite,
como quem bate à porta de uma casa
que já não existe na morada do mundo,
mas continua acesa dentro de mim.
Às vezes penso que sim.
Que continuas sentada no silêncio,
a costurar estrelas nas bainhas do céu,
enquanto a lua te empresta a luz
para continuares a tomar conta de mim.
“Mãe… ouves-me?”
Porque há dias em que ainda preciso
de pousar a cabeça no teu nome
como quem regressa de uma guerra cansada.
Há dias em que o mundo pesa demasiado
e só o teu colo saberia diminuir os terremotos
que trago no peito.
Desde que partiste,
a casa ficou com corredores mais frios
e os relógios aprenderam a andar devagar.
Até o vento parece entrar em bicos de pés,
como se tivesse medo
de tocar na tua ausência.
Mas sabes, mãe?
Ainda converso contigo.
Quando o mar se agita,
quando a saudade me rasga por dentro,
quando a vida me decepciona
e eu preciso da tua voz
para me lembrar que sobreviver
também é uma forma de coragem.
Às vezes fecho os olhos
e quase sinto as tuas mãos 
essas mãos que tinham o dom impossível
de acalmar tempestades
sem nunca fazer barulho.
“Mãe… estás acordada?”
Deves estar.
As mães nunca dormem completamente.
Mesmo depois da morte,
continuam de vigília
no lado invisível do amor.
E eu continuo aqui,
filha do teu ventre,
carregando a tua eternidade
dentro do coração.

M.C.M (São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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