Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)
Que eu nunca perca a vontade do que sou.
E de sonhar assim,
como quem sonha
o passar de um tempo que não se desfaz.
Acordar para além dos portões
que nos deixam prisioneiros de nós,
em manhãs cheias de uma alegria fresca sem nome,
por serem puras e cristalinas em mim.
Sentir o chão livre debaixo dos pés
e com eles tocar as flores
que bebem gotas húmidas das fontes que não vejo.
Seria ainda mais feliz
se, por instantes,
pudesse roubá-las só para me ter.
E pelas tardes,
antes dos poentes dourados partirem,
descobrir a despedida cálida do sol
e o desejo primitivo de correr a vida
na margem de um rio.
Gosto de recordar
a terra e a água na serenidade dos segundos
quando abraço
o afeto dos sorrisos que me dou.
Que eu nunca perca a vontade do que sou…
- Paula Freire -
do livro, "Lírio: Flor-de-Lis"
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#paula_freire_fotografia
Paula Freire. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome.
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua.
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

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