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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Livro memória e recuperação urgente da Capela


 A Feira do Livro devolveu a Bragança algo maior do que livros, devolveu-lhe o gesto de afirmar que, neste interior profundo, também se lê, também se escreve, também se pensa, também se resiste. A Feira acendeu luz onde tantas vezes se supõem espessas sombras. Trouxe ficção, história, poesia, ciência, e trouxe, sobretudo, participação. Num país tantas vezes puxado para o litoral, lembrou que o interior não é margem, é centro de vida.

É nesse espírito que apresento o livro que recupera a memória da Estância de São Bartolomeu e de quem a sonhou. Um trabalho nascido no adro, ecoado na serra, partilhado em família e, que agora desce à polis para ganhar cidadania. Como lembrava Torga, “o resto é connosco”, e é connosco que este livro quer falar, com a comunidade que sobe ao monte para ver mais longe.

O Monte de São Bartolomeu guarda Bragança há séculos. No alto, a Capela ergue-se como sentinela antiga, mas o tempo, esse poeta brilhante e empreiteiro pouco fiável, deixou marcas que já não podemos ignorar. O livro é memória, sim, mas é sobretudo um instrumento, cada exemplar vendido contribui, agora na sua totalidade, para a requalificação urgente da Capela, cuja intervenção inclui a reconstrução da cobertura, o tratamento dos paramentos, a instalação de acessibilidade e a qualificação artística. O projeto está licenciado e pronto, falta apenas o financiamento que transforme intenção em obra.

Mas o Monte é mais do que a Capela. É um organismo vivo que pede cuidado em todas as suas partes, a casa dos mordomos, os coretos, o miradouro, os edifícios de apoio, as redes de água e saneamento, a iluminação que permita subir ao monte sem parecer expedição arqueológica. O Cabido fez o que lhe competia, inventariou, registou, conservou e, projetou. Agora, a responsabilidade é de todos nós.

E se menciono o escadório, é apenas como metáfora do caminho que ainda temos pela frente. A sua responsabilidade é municipal, mas a inspiração que nos dá é de todos nós.

Agradeço às instituições que têm mantido este património vivo, ao Município, às Freguesias, à PSP, aos grupos locais, à comunicação social da Diocese, ao Mensageiro de Bragança, à Paróquia de Samil, ao Cabido, ao Sr. Bispo e, sobretudo, ao povo brigantino, que nunca deixou de subir ao monte por fé, por tradição ou simplesmente para respirar fundo e lembrar-se de que a beleza existe. É essa fidelidade silenciosa que mantém o Monte de pé.

Este livro é mais do que homenagem, é apelo. Um apelo a cuidar, reconstruir e devolver ao Monte de São Bartolomeu a força e a dignidade que sempre foram suas. Que este seja o primeiro de muitos passos. Que o monte continue a erguer-se, firme, luminoso e nosso.

Pe. Estevinho Pires

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