Num momento em que quase metade dos municípios portugueses está a demorar mais tempo a pagar aos fornecedores e em que as novas regras de pagamento prometem apertar a gestão financeira das autarquias, há um concelho transmontano que surge em contraciclo e lidera os indicadores nacionais.
Segundo uma análise divulgada pelo Jornal de Notícias (JN) com base nos dados da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), Vimioso é um dos municípios mais rápidos do país a pagar aos seus fornecedores, registando um prazo médio de pagamento praticamente imediato, uma distinção que coloca o concelho do distrito de Bragança entre os melhores exemplos nacionais de rigor financeiro.
A notícia surge numa altura em que os números revelam um agravamento dos prazos médios de pagamento em 48% das autarquias portuguesas. No final de 2025, o prazo médio nacional fixou-se nos 22 dias, acima dos valores registados nos anos anteriores, enquanto dezenas de câmaras ultrapassam já os dois e até os três meses para regularizar faturas.
Em sentido oposto, Vimioso destaca-se pela capacidade de cumprir os seus compromissos financeiros sem atrasos, surgindo ao lado de Azambuja como referência nacional nesta matéria.
TRÁS-OS-MONTES EM DESTAQUE PELA POSITIVA
A posição alcançada por Vimioso ganha ainda maior relevância num contexto em que vários municípios portugueses enfrentam dificuldades de tesouraria e acumulam dívidas significativas junto de fornecedores.
Enquanto algumas autarquias necessitam de mais de cinco meses para liquidar compromissos, o município transmontano evidencia uma gestão financeira considerada exemplar, reforçando a imagem de estabilidade e responsabilidade das contas públicas locais.
O desempenho assume especial significado numa região frequentemente associada a desafios demográficos e económicos, demonstrando que os territórios do interior podem afirmar-se também através de boas práticas de gestão e sustentabilidade financeira.
NOVAS REGRAS VÃO APERTAR PAGAMENTOS
Os dados divulgados surgem numa fase de mudança legislativa. A nova lei, já em vigor, determina que a maioria das entidades públicas, incluindo as autarquias, deverá proceder ao pagamento das suas faturas num prazo de 30 dias.
A alteração pretende reduzir atrasos e proteger fornecedores, prevendo o direito automático ao pagamento de juros sempre que os prazos legais sejam ultrapassados.
Apesar dos alertas lançados pela Associação Nacional de Municípios Portugueses relativamente às dificuldades que algumas câmaras poderão enfrentar, a realidade é que municípios como Vimioso entram neste novo enquadramento legal numa posição confortável, já cumprindo padrões de pagamento muito acima das exigências nacionais.
EXEMPLO DE GESTÃO NO INTERIOR
Num cenário marcado por crescentes exigências financeiras e administrativas, os dados agora revelados colocam Vimioso como um caso de sucesso no universo autárquico português.
Mais do que um indicador contabilístico, o prazo de pagamento aos fornecedores é hoje visto como um dos principais sinais da saúde financeira de uma autarquia e da confiança que transmite a empresas, investidores e parceiros.
E, neste capítulo, é um pequeno concelho de Trás-os-Montes que dá o exemplo ao país.

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