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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O ensino superior “sustenta a demografia da nossa região”

 Entrevista com Orlando Rodrigues, presidente do Instituto Politécnico de Bragança, no âmbito do suplemento de Educação para o Jornal Nordeste.


Como é que o ensino superior pode combater a desertificação que se sente tanto no interior?

Nós temos estudantes de muitos pontos do país e do mundo, E, portanto, essa foi sempre uma característica do Instituto Politécnico de Bragança, a sua diversidade de estudantes e a sua capacidade de atrair estudantes e talento. Na verdade, nós somos uma instituição que temos flutuado entre os 10.000 e os 10.500 estudantes, sempre acima da barreira dos 10.000 estudantes nos últimos anos, em situações em que a quebra demográfica tem tido algum impacto e que a oferta tem nas zonas do litoral, mas temos conseguido manter essa dimensão e, portanto, isso faz de nós uma instituição especial numa região fora dos grandes centros que tem uma grande capacidade de atração de estudantes e, dessa forma, também sustentar a demografia da nossa região, que eu acho que é um contributo importante que damos nesse sentido.

Isso é uma grande responsabilidade?

Sim, absolutamente, é uma responsabilidade conseguir manter esta capacidade de atração, este dinamismo. Como sabe, nós dependemos de muitos fatores, as políticas impactam sempre, às vezes questões que parecem não muito importantes, mas são muito impactantes na nossa atividade e, portanto, temos que ter capacidade de reagir muito rapidamente, de reverter efeitos negativos, é isso que temos tido feito ao longo destes anos e ter uma capacidade de muito rapidamente nos reinventar e encontrar novas formas de mantermos esta dimensão e esta capacidade de atração. É isso que temos feito e, enfim, temos adquirido esta capacidade de reagir muito rapidamente a adversidades, o que nos tem permitido manter esta dimensão.

Que políticas é que considera prioritárias para o ensino superior?

É uma questão complexa, uma vez que as políticas de ensino superior são muito complexas. A aposta no ensino superior na ciência e tecnologia tem uma relação absolutamente direta e evidente, se considerarmos um município, uma região, um país, o investimento que se faz em ciência e tecnologia tem um impacto direto na atividade económica. Todos os países que se desenvolveram muito rapidamente, e temos esse exemplo muito presente na Europa, os países bálticos, por exemplo, a Polónia, que estavam muito atrás de nós em termos económicos, que fizeram uma aposta forte em ciência e tecnologia, que hoje em dia nos nos ultrapassaram, até a República Checa e outros países europeus que estavam há alguns anos não muito abaixo de nós em termos de PIB per capita e outros indicadores económicos e que nos ultrapassaram. Portanto, isto é um dado absolutamente evidente e óbvio em qualquer parte do mundo, quanto mais investimento há em ciência e tecnologia, mais rápido é o desenvolvimento do país e também mais altos são os salários e o nível de vida das pessoas. O que tem acontecido em Portugal é que temos investido pouco em ciência e tecnologia. Continuamos muito abaixo da média europeia, precisamos de investir mais e, infelizmente, não tem havido o consenso necessário em termos nacionais relativamente a este aspeto. E, portanto, isto é um dado evidente em termos globais e regionais.

Na nossa perspetiva, as políticas de ensino superior devem ter uma componente importante de políticas de coesão, porque nenhuma região se desenvolve se não tiver ciência e tecnologia, ensino superior adaptado às suas necessidades. Costumo dar este exemplo, quando o IPB se instalou, por exemplo, em termos de recursos naturais, uma coisa que é impensável, há muitas plantas que têm nomes de investigadores nossos porque eram desconhecidas. Ou seja, pelo facto de não haver aqui ciência e tecnologia e ensino superior, raramente havia este investimento das instituições que estavam nos grandes centros urbanos de fazer uma aposta sistemática na investigação sobre os recursos da região. E, portanto, isto no século 21 é um pouco impensável, como é que um país como o nosso havia muitas plantas que eram desconhecidas porque não tinham sido investigadas. Repare que se não fosse a nossa presença, provavelmente já não teríamos castanheiro na região, porque a solução que se desenvolveu para combater a doença, agora da vespa, estes ataques de doenças desconhecidas muito severos de fungos, se não fosse o desenvolvimento científico que se tem feito aqui, provavelmente a cultura estaria numa fase muito mais depressiva do que está, apesar de todas as dificuldades.

A presença de uma instituição de ensino superior numa região é uma alavanca fundamental para desenvolver essa região e para promover a inovação e a atração de empresas. Mas o que se tem passado nos últimos tempos é que está a haver uma política muito particular, a de concentração do ensino superior no litoral. E as políticas de acesso são fundamentais, elas têm impacto direto. Houve políticas de acesso muito promotoras e muito desfavoráveis às instituições que estão fora de Lisboa e Porto. Felizmente, algumas delas, relativamente às quais eu me opus muito, foram revertidas este ano e, portanto, este ano em particular, um aumento sem sentido relativamente às exigências de provas específicas para entrar no ensino superior. Elas este ano foram revertidas porque todas as previsões que nós fizemos vieram a verificar-se e, portanto, isso levou a que essas políticas fossem revertidas, mas não totalmente e, portanto, em particular na questão das vagas e da política de vagas continua a haver uma absoluta liberalização, que nos coloca em posições mais difíceis. Mas em todos os sentidos, ao nível do financiamento, ao nível, por exemplo, da ação social, e portanto temos agora um modelo de ação social muito promotor da concentração no litoral, favorecendo a ida dos jovens para para o litoral, para os grandes centros urbanos com maior concentração populacional e, portanto, todas estas políticas desfavorecem a coesão e a vitalidade das instituições de ensino superior que estão ao longo do território.

Entrevista com Orlando Rodrigues, presidente do Instituto Politécnico de Bragança, no âmbito do suplemento de Educação para o Jornal Nordeste.

Como é que o ensino superior pode combater a desertificação que se sente tanto no interior?

Nós temos estudantes de muitos pontos do país e do mundo, E, portanto, essa foi sempre uma característica do Instituto Politécnico de Bragança, a sua diversidade de estudantes e a sua capacidade de atrair estudantes e talento. Na verdade, nós somos uma instituição que temos flutuado entre os 10.000 e os 10.500 estudantes, sempre acima da barreira dos 10.000 estudantes nos últimos anos, em situações em que a quebra demográfica tem tido algum impacto e que a oferta tem nas zonas do litoral, mas temos conseguido manter essa dimensão e, portanto, isso faz de nós uma instituição especial numa região fora dos grandes centros que tem uma grande capacidade de atração de estudantes e, dessa forma, também sustentar a demografia da nossa região, que eu acho que é um contributo importante que damos nesse sentido.

Isso é uma grande responsabilidade?

Sim, absolutamente, é uma responsabilidade conseguir manter esta capacidade de atração, este dinamismo. Como sabe, nós dependemos de muitos fatores, as políticas impactam sempre, às vezes questões que parecem não muito importantes, mas são muito impactantes na nossa atividade e, portanto, temos que ter capacidade de reagir muito rapidamente, de reverter efeitos negativos, é isso que temos tido feito ao longo destes anos e ter uma capacidade de muito rapidamente nos reinventar e encontrar novas formas de mantermos esta dimensão e esta capacidade de atração. É isso que temos feito e, enfim, temos adquirido esta capacidade de reagir muito rapidamente a adversidades, o que nos tem permitido manter esta dimensão.

Que políticas é que considera prioritárias para o ensino superior?

É uma questão complexa, uma vez que as políticas de ensino superior são muito complexas. A aposta no ensino superior na ciência e tecnologia tem uma relação absolutamente direta e evidente, se considerarmos um município, uma região, um país, o investimento que se faz em ciência e tecnologia tem um impacto direto na atividade económica. Todos os países que se desenvolveram muito rapidamente, e temos esse exemplo muito presente na Europa, os países bálticos, por exemplo, a Polónia, que estavam muito atrás de nós em termos económicos, que fizeram uma aposta forte em ciência e tecnologia, que hoje em dia nos nos ultrapassaram, até a República Checa e outros países europeus que estavam há alguns anos não muito abaixo de nós em termos de PIB per capita e outros indicadores económicos e que nos ultrapassaram. Portanto, isto é um dado absolutamente evidente e óbvio em qualquer parte do mundo, quanto mais investimento há em ciência e tecnologia, mais rápido é o desenvolvimento do país e também mais altos são os salários e o nível de vida das pessoas. O que tem acontecido em Portugal é que temos investido pouco em ciência e tecnologia. Continuamos muito abaixo da média europeia, precisamos de investir mais e, infelizmente, não tem havido o consenso necessário em termos nacionais relativamente a este aspeto. E, portanto, isto é um dado evidente em termos globais e regionais.

Na nossa perspetiva, as políticas de ensino superior devem ter uma componente importante de políticas de coesão, porque nenhuma região se desenvolve se não tiver ciência e tecnologia, ensino superior adaptado às suas necessidades. Costumo dar este exemplo, quando o IPB se instalou, por exemplo, em termos de recursos naturais, uma coisa que é impensável, há muitas plantas que têm nomes de investigadores nossos porque eram desconhecidas. Ou seja, pelo facto de não haver aqui ciência e tecnologia e ensino superior, raramente havia este investimento das instituições que estavam nos grandes centros urbanos de fazer uma aposta sistemática na investigação sobre os recursos da região. E, portanto, isto no século 21 é um pouco impensável, como é que um país como o nosso havia muitas plantas que eram desconhecidas porque não tinham sido investigadas. Repare que se não fosse a nossa presença, provavelmente já não teríamos castanheiro na região, porque a solução que se desenvolveu para combater a doença, agora da vespa, estes ataques de doenças desconhecidas muito severos de fungos, se não fosse o desenvolvimento científico que se tem feito aqui, provavelmente a cultura estaria numa fase muito mais depressiva do que está, apesar de todas as dificuldades.

A presença de uma instituição de ensino superior numa região é uma alavanca fundamental para desenvolver essa região e para promover a inovação e a atração de empresas. Mas o que se tem passado nos últimos tempos é que está a haver uma política muito particular, a de concentração do ensino superior no litoral. E as políticas de acesso são fundamentais, elas têm impacto direto. Houve políticas de acesso muito promotoras e muito desfavoráveis às instituições que estão fora de Lisboa e Porto. Felizmente, algumas delas, relativamente às quais eu me opus muito, foram revertidas este ano e, portanto, este ano em particular, um aumento sem sentido relativamente às exigências de provas específicas para entrar no ensino superior. Elas este ano foram revertidas porque todas as previsões que nós fizemos vieram a verificar-se e, portanto, isso levou a que essas políticas fossem revertidas, mas não totalmente e, portanto, em particular na questão das vagas e da política de vagas continua a haver uma absoluta liberalização, que nos coloca em posições mais difíceis. Mas em todos os sentidos, ao nível do financiamento, ao nível, por exemplo, da ação social, e portanto temos agora um modelo de ação social muito promotor da concentração no litoral, favorecendo a ida dos jovens para para o litoral, para os grandes centros urbanos com maior concentração populacional e, portanto, todas estas políticas desfavorecem a coesão e a vitalidade das instituições de ensino superior que estão ao longo do território.

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