Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)
E ali, no ventre da terra,
nasceu o princípio,
o pulsar primevo de um templo ancestral.
E quem te contempla, mãe do novo amanhecer,
sabe dos vales que murmuram segredos antigos
e das montanhas que erguem abrigos
debaixo do céu,
de um silenciar infinito.
.
Verbo.
Rosto dos sulcos da verdadeira criação.
Um resquício da matéria primordial
a desvelar-se na palavra
que deu ao Homem
o ímpeto do ser.
Tudo é essência que a alma reconhece,
como quem se descobre
no mais ínfimo mistério!
.
Teus filhos, pelo verso que enlaça,
pronunciam-te em prece,
em palavra que abraça,
nas rimas que o tempo teceu,
e que em ti renasceu espelho e memória,
como útero eterno da nossa história.
.
Hoje escutei-te
na melodia do outono profundo.
O início do mundo…
Um respirar silencioso de sentido poema
no meu olhar adormeceu…
.
Sim, canta-nos sempre esse teu hino altaneiro.
Porque somos teu fruto.
O teu sonho primeiro.
- Paula Freire -
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#paula_freire_fotografia
Paula Freire. Tem curiosidade pelo que se mostra sem intenção: o comportamento que revela mistérios, intimidades. Observa-o enquanto desenha pessoas e fotografa o mundo. As palavras nascem-lhe da escuta atenta do Homem, dos silêncios que deixam vestígios. Escreve a partir de múltiplos lugares. Alguns com rosto, outros sem nome.
Acredita que a vida não dá certezas absolutas nem tem respostas fáceis. E que a sensibilidade humana nunca deve ser confundida com fragilidade.
É psicóloga e psicoterapeuta. Publicou “Lírio: Flor-de-Lis” e “As Dúvidas da Existência: Na Heteronímia de Nós”. Este último (em coautoria), assinado pelo seu heterónimo Lázaro Rios, a sua forma de liberdade mais pura e crua.
Gosta de viver sem ruídos desnecessários e inteira dentro da sua escrita. Tudo o resto são só excessos.

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