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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 14 de julho de 2026

15 participantes de quatro países estiveram em Bragança para aprender a construir máscaras tradicionais

 Bragança recebeu, durante uma semana, uma ação de formação prática dedicada à construção de máscaras tradicionais, no âmbito do projeto europeu “MASKS – Descobrir as artes e os saberes por detrás das Máscaras”. A iniciativa reuniu 15 participantes de Portugal, Espanha, Itália e Roménia, que estiveram na região para conhecer técnicas artesanais ligadas às máscaras, aos trajes e à identidade cultural associada às festas de inverno.


O projeto Erasmus+ junta 12 entidades de quatro países e conta, em Portugal, com a participação do CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património, da Academia Ibérica da Máscara e do Brigantia EcoPark, entidades ligadas ao território de Bragança e com intervenção nesta área. 

A formação realizada na região surgiu precisamente pela forte ligação de Bragança e do distrito à tradição das máscaras e dos mascarados. Segundo Sandra Moreira, do CEARTE, a escolha da cidade transmontana esteve relacionada com o contexto cultural existente, nomeadamente a presença de artesãos, do Museu Ibérico da Máscara e do Traje e de comunidades onde esta tradição continua viva.

“Coimbra, onde está a sede do CEARTE, não tem propriamente uma tradição de máscaras com a expressão que existe aqui na região de Bragança e Macedo de Cavaleiros. Fazia todo o sentido realizar esta formação aqui, porque existe todo um contexto relacionado com as máscaras”, explicou.

Os participantes foram selecionados entre centenas de pessoas que frequentaram a componente online do projeto. A mobilidade internacional tinha como objetivo proporcionar uma experiência prática e permitir o contacto direto com os processos de criação artesanal.

Durante a semana, os formandos aprenderam a construir máscaras em diferentes materiais, incluindo madeira e chapa de metal, tendo também contacto com a confeção dos trajes dos caretos e com técnicas de tecelagem. No Instituto Politécnico de Bragança, realizaram uma formação dedicada às máscaras em latão, onde cada participante criou a sua própria peça, desde a preparação do material até à pintura final.

Para António Tiza, professor, investigador e presidente da Academia Ibérica da Máscara e do Traje, o objetivo principal não era apenas formar novos artesãos, mas proporcionar uma experiência que permitisse valorizar este património cultural.

“O objetivo era que as pessoas pudessem experienciar e valorizar este património. Não vão sair daqui tecelões ou artesãos especializados, mas adquirem o gosto e o interesse por estas áreas”, afirmou.

O responsável destaca que as tradições ligadas às máscaras têm atravessado um processo de revitalização, sobretudo no Nordeste Transmontano e em regiões próximas de Espanha. “Há um processo de recuperação das festividades com máscaras e, a par disso, estão a surgir muitos jovens interessados em construir máscaras para si próprios e para as suas localidades”, referiu.

A formação integra um projeto mais amplo que pretende criar um novo percurso de aprendizagem na área da construção de máscaras tradicionais, cruzando conhecimentos ancestrais com novas tecnologias, como a impressão 3D e a CNC. A iniciativa prevê ainda a criação de oportunidades de empreendedorismo ligadas ao artesanato, ao turismo e à valorização do património cultural.

Os trabalhos desenvolvidos pelos participantes irão integrar uma exposição final prevista no âmbito do projeto, que será apresentada em Portugal e Itália, juntamente com outras máscaras representativas dos principais centros produtores europeus.

Para os parceiros envolvidos, a passagem do projeto por Bragança abriu também portas para futuras colaborações. Sandra Moreira terminou dizendo que a iniciativa permitiu criar novas ligações entre instituições e o território, podendo dar origem a novas ações de formação na região.

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