A revolta face ao incêndio que destruiu uma vasta área da Serra da Coroa a população da União de Freguesias de Travanca e Santa Cruz, em Vinhais, cortou a estrada de acesso à localidade, no passado domingo, para impedir a circulação da comitiva integrada nas comemorações do 47º aniversário do Parque Natural de Montesinho, na qual se incluía o secretário de Estado do Ambiente, bem como a diretora regional do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), os responsáveis pela cogestão e investigadores.
Os habitantes fecharam a via de acesso à aldeia porque estão fartos das regras impostas pela área protegida, nomeadamente os cortes e limpeza de árvores e a criação de aceiros. “Há pessoas que estão à espera de autorizações do ICNF para fazer cortes há três anos. Estamos sempre dependentes dessas autorizações”, explicou David Rodrigues ao Mensageiro.
Os populares consideram que o incêndio que começou em Espanha, na madrugada de 15 de agosto, mas passou para o lado português pela freguesia de Moimenta e Montouto deixou um rasto de cerca de dois mil hectares de área ardida, ganhou maior dimensão quando entrou num pinhal. “Há muito sabíamos que se o fogo entrasse no pinhal já não se pegava nele”, acrescentou David Rodrigues. Na sua freguesia arderam mais de 10 hectares, principalmente de floresta. “Só que este fogo também queimou soutos, prejuízos em várias culturas”, indicou o autarca.
Glória Lopes


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