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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

De 29 de outubro a 01 de novembro não perca a 14ª edição da Feira Internacional do Norte no NERBA em Bragança


Município de Macedo de Cavaleiros quer concluir Zona Industrial

O Município de Macedo de Cavaleiros quer concluir a Zona Industrial, que começou a ser construída há quase 20 anos. O projecto de conclusão deste complexo está orçado em 4 milhões de euros e foi agora candidatado a fundos comunitários.
A Zona Industrial está dividida em 110 lotes, que segundo a autarquia, estão praticamente todos atribuídos. É necessário, contudo, garantir as condições de acessibilidade e infra-estruturas necessárias para as empresas se instalarem. “Há empresários que estão em lista de espera e, há medida que temos lotes disponíveis, vamos entregando esses lotes. Actualmente, estamos a fazer dois pequenos arruamentos, para permitir o acesso a algumas empresas que se estão a instalar”, explica o presidente do Município, Duarte Moreno. 
O autarca confessa que alguns empresários têm desistido de investir na Zona Industrial devido à falta de infra-estruturas na zona em que se encontram os seus lotes. Garante, no entanto, que há bastante procura por parte dos empresários. 
Além das infra-estruturas, o projecto candidatado a fundos comunitários compreende também a valorização paisagística da zona envolvente. 

Escrito por Brigantia

Município de Mogadouro vai ceder cozinhas por ajuste directo

O Município de Mogadouro pretende reactivar o núcleo de cozinhas regionais situado na zona industrial.
Com esse objectivo, duas das unidades desocupadas vão ser concessionadas por ajuste directo. Foi uma decisão da autarquia com o objectivo de simplificar o processo de arrendamento dos espaços. Uma tentativa de atrair agentes económicos, depois de dois concursos que não tiveram propostas.
“As cozinhas foi um problema gravíssimo herdado. Das três cozinhas só uma está a funcionar. Agora em reunião de câmara decidimos avançar com ajuste directo, de forma a conseguirmos arranjar investidores para as cozinhas”, esclareceu presidente do município, Francisco Guimarães.
As três infraestruturas situadas na zona industrial de Mogadouro custaram cerca de 1 milhão e 400 mil euros e actualmente só uma delas está ocupada e a funcionar. Sem laborar as pequenas unidades industriais equipadas vão-se deteriorando e implicam despesas suportadas pela autarquia. “Estamos a falar de cozinhas que no fundo são fábricas industriais, mas, estando paradas, a cada dia que passa o ar condicionado, a refrigeração, etc, vão-se deteriorando e vamos investindo e perdendo mais dinheiro”, salienta ainda o autarca. 
O município de Mogadouro espera desta forma incentivar a criação de novos investimentos na área da indústria agro-alimentar no concelho e dar uma nova vida às infraestruturas criadas em 2012. 

Escrito por Brigantia

Novo grupo de teatro amador brigantino ensaia peça dedicada a Abade Baçal

Um conjunto de brigantinos dos 8 aos 80 anos criou um grupo de teatro amador. A maioria dos elementos conheceram-se na “Associação Bragança Histórica”, criada há 9 anos e extinta há quatro.
Esta associação dedicou-se à representação de peças de teatro relacionadas com a história de Bragança, criadas propositadamente para a “Festa da História”.Agora, o grupo voltou a unir-se e, apesar de continuar a preocupar-se com a história brigantina, promete apresentar ao público várias formas de teatro. 
A Brigantia acompanhou o último ensaio da peça “O guardador de Memórias”, sobre a vida e obra de Abade Baçal. Francisco Manuel Alves, o Abade de Baçal, inspirou António Afonso, o encenador do grupo e autor da peça. “O guardador de memórias” está a ser ensaiada por um grupo de 20 pessoas que se conheceram na extinta associação “Bragança Histórica”. 
O nome provisório do novo grupo é “ATRIUM-Grupo Cénico de Bragança”. António Afonso explica que além de peças relacionadas com a história da região, há outras vertentes que vão ser exploradas pelo grupo. “ O nosso projecto era dirigido para a história de Bragança . Nós podemos fazer o mesmo mas também podemos fazer mais qualquer coisa. O grupo ATRIUM vai tentar também por em pé outras peças, com outras mensagens e com outras finalidades. 
O teatro não é só história e factos passados. Também é factos presentes e serve para denunciar assuntos da sociedade”, sublinha António Afonso. A ideia da primeira peça surgiu devido às comemorações dos 150 anos do nascimento de Abade Baçal que começaram em Abril e se prolongam até ao próximo ano. 
O grupo “ATRIUM” conta apresentar a peça “O Guardador de Memórias” até Abril de 2016. O grupo ensaia duas vezes por semana, no auditório Paulo Quintela, em Bragança e promete proporcionar ao público brigantino bons momentos de representação teatral. 

Escrito por Brigantia

Carrazeda tem o pior índice de saúde do distrito

O concelho de Carrazeda de Ansiães está entre os municípios do país com piores valores globais de saúde, segundo um estudo da Universidade de Coimbra que compara os índices de saúde da população portuguesa entre 1991 e 2011.
O Estudo GeoHealthS dá conta que o valor top de referência se situa nos 938,6, sendo que 10% dos municípios que apresentam piores resultados, nomeadamente concelhos rurais com baixa densidade populacional, onde se inclui Carrazeda de Ansiães, que ficou com um valor de 783,7, o mais baixo do distrito de Bragança, onde os restantes concelhos andam todos acima dos 800. Alcoutim, Alvaiázere, Baião, Cinfães, Idanha-a-Nova, Moura, Odemira, Pampilhosa da Serra ou são outros dos municípios do país com baixos resultados.
Carrazeda de Ansiães tem vindo a melhorar gradualmente. Em 1991 tinha um valor de 663,9 e em 2001 era de 782,4.

in:mdb.pt

Rota da Arquitectura Tradicional é uma viagem à bioconstrução da região

Já está sinalizada a Rota Turística da Arquitectura Tradicional que promete uma viagem à diversidade bioconstrutiva da zona de Bragança, Mogadouro, Freixo de Espada-à-Cinta e à região de Trabanca, em Espanha.
Trata-se de um projeto desenvolvido no âmbito do Biurb, que implicou um investimento de cerca de 600 mil euros co-financiado por fundos comunitários, cuja rota foi apresentada na passada sexta-feira, no Posto de Turismo de Bragança. "O objetivo da criação desta rota está relacionado com a necessidade de valorizar e divulgar a arquitectura tradicional e o património de bioconstrução", explicou Filipe Romero, diretor técnico do projeto na Junta de Castilla y Léon, que acrescentou que no caso desta região transfronteiriça está em causa um património "rico, variado e que se distingue devido às diferenças climatéricas deste território em ambos os lados da fronteira".  
As técnicas de construção tradicional podem ainda servir de fonte de conhecimento para a arquitectura contemporânea.

in:mdb.pt

Amendoal é cultura em expansão

O amendoal é uma produção cada vez a cativar mais agricultores no concelho de Macedo de Cavaleiros.


Se a norte do concelho, os soutos são reis, a sul pode ser o local favorável para a amêndoa. Até porque é uma cultura que se depara com menos problemas atualmente, explica Domingos Barreira, presidente da direção da Cooperativa Soutos os Cavaleiros.

É que as doenças do amendoal são mais conhecidas, continua Domingos Barreira.

E na inovação vem a oportunidade. À Cooperativa Soutos os Cavaleiros pode começar a chegar mais do que castanha.

A Cooperativa Soutos os Cavaleiros pode vir a receber outro tipo de frutos secos.

Escrito por ONDA LIVRE

Centenas de estudantes marcam presença em Bragança para o III Encontro Nacional de Dietética e Nutrição

Com o mote ‘Somos aquilo que comemos’, os alunos de Dietética e Nutrição do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) estão a organizar o III Encontro Nacional de Estudantes de Dietética e Nutrição (ENEDN), sob o tema ‘ Gere o Teu ADN – Arte da Dietética e Nutrição’.


O evento, que decorre de 28 a 31 de Outubro e que tem lugar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, conta com um programa diversificado, que inclui workshops e conferências sobre a alimentação saudável, cujos oradores são profissionais da área da saúde e responsáveis por entidades como a Ordem dos Nutricionistas ou a Associação Portuguesa de Dietistas.

A importância do desporto, aliada a uma alimentação equilibrada, também não foi deixada para trás, estando também presente no programa um workshop de dança.

Com a participação de mais de 100 estudantes de Dietética e Nutrição das mais diversas instituições de ensino superior portuguesas, o III ENEDN tem como objectivos a promoção da reflexão critica, a troca de contactos, experiências e conhecimentos entre futuros profissionais da Dietética e da Nutrição. 

Sobre o ENEDN
O Encontro Nacional de Estudantes de Dietética e Nutrição (ENEDN) é um evento anual sem fins lucrativos organizado por estudantes de Dietética e Nutrição. O primeiro encontro decorreu em Leiria em Setembro de 2013, organizado pelos alunos da licenciatura de Dietética da ESSLei – Escola Superior de Saúde de Leiria. Em 2014 foi a vez dos alunos da ESTeSL realizarem o encontro em Lisboa.

O III ENEDN é este ano organizado em Bragança e conta com uma forte componente cientifica, garantida pelos mais diversos profissionais e docentes da área presentes, mas também lúdica.

Daniela Oliveira
in:noticiasdonordeste.pt

Escavações no Castelo de Freixo põem a descoberto torreão da barbacã

A equipa de arqueólogos que ao longo das últimas semanas tem vindo a realizar escavações junto à Torre do Castelo de Freixo de Espada à Cinta pôs a descoberto um torreão circular da barbacã que é composto por três troneiras (aberturas para a colocação de bocas de fogo).

O torreão que agora pode ser visto tem cerca de 4,5 metros de profundidade, e as suas paredes têm uma espessura a rondar os 1,5 metros. 

Segundo o arqueólogo João Nisa a “estrutura está razoavelmente bem conservada”, prosseguindo as escavações no sentido de encontrarem a parte externa do torreão, de modo a verificar em que condições está para ficar à vista. 

Neste momento as escavações decorrem na barbacã, ou seja, na muralha secundária do Castelo, pelo que os técnicos no terreno esperam ainda encontrar “o fosso, que deve estar à frente da muralha”. 

As escavações decorrem a bom ritmo, pelo que a uma semana e meia de esta fase das escavações terminar, João Nisa, considera terem “tempo suficiente, para por o máximo à vista e conservar e proteger o resto”. 

Com esta descoberta foi possível verificar que a estrutura do Castelo “foi sofrendo alterações ao longo do tempo, exemplo disso a troneira que tem uma trave em xisto que corresponde a um abatimento do arco e a uma reparação/solução que foi encontrada”, disse João Nisa. 

Para o investigador esta descoberta mostra que “o Castelo de Freixo está aqui, ele existe e vamos ter de o preservar e proteger”. 

António Ponte, Diretor Regional da Cultura do Norte (DRCN), em visita ao local disse que “este trabalho que está a ser feito no Castelo, e com a descoberta agora desta torre, pode dar a Freixo de Espada à Cinta uma nova centralidade e uma nova requalificação urbanística”. 

Para já esta intervenção na zona envolvente do Castelo está a ser financiada na sua totalidade pela autarquia, no entanto existem já contactos para que a DRCN possa vir a apoiar esta iniciativa: “neste momento a Direção da Cultura do Norte está a apoiar a Câmara de Freixo, um apoio na estruturação de um projeto, projeto que será muito importante para a Vila de Freixo”, referiu o diretor da Cultura do Norte. 

António Ponte deixou ainda elogios ao projeto que a Câmara de Freixo está a levar a cabo no Castelo por este ser uma medida que pode levar à requalificação da vila: “é uma boa medida, é um grande investimento também, mas uma opção estratégica da Câmara, este tipo de desenvolvimento, não sendo um desenvolvimento baseado em grandes construções, é um desenvolvimento muito sustentado e muito sustentável, porque nós já passámos a fase da grande edificação, passamos agora à fase de requalificação das vilas, e dos territórios, em que este é o tipo de projeto que permite essa requalificação”, acrescentando ainda que o que a autarquia de Freixo está a fazer é “restituir à vila aquilo que estava escondido”, uma medida que vai trazer benefícios para a vila mas também para a região em que esta está inserida. 

Para a presidente da autarquia, Maria do Céu Quintas, este é um projeto que tem de continuar a ser feito, de forma a “dignificar uma área da vila onde a história e a memória de Freixo está”. 

As escavações nas imediações do Castelo de Freixo de Espada à Cinta vão continuar no ano que vêm, na esperança de colocar a descoberto parte da muralha do castelo. 

Sara Alves
in:noticiasdonordeste.pt

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Aldeia com 17 moradores prepara-se para receber três mil visitantes

Uma tradição que abre as Festas de Inverno no Nordeste Transmontano transformou-se num chamariz de curiosos à aldeia de Cidões, em Vinhais, que espera juntar, na noite de sábado, três mil pessoas aos habituais 17 habitantes.
A Festa da Cabra e do Canhoto tem raízes celtas, garantem as gentes de Cidões, mas foi nos últimos anos que ganhou visibilidade com uma associação de pessoas ligadas à terra que decidiu revitalizar as tradições locais e transformar um ritual ancestral num espetáculo capaz de atrair visitantes a esta espécie de "Halloween" transmontano.

A noite de 31 de outubro é animada por deusas e demónios em volta de uma fogueira gigante, que representa o canhoto (tronco de árvore), e revigorada com um repasto à base de cabra que resumem a máxima deste ritual: "Quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de muita sorte vai ter".

Esta festa está carregada de simbologia, como refere Luís Castanheira, da organização, "desde logo a despedida da estação clara e a entrada na estação escura, no tempo frio e nas noites longas"

A população acredita que através deste ritual "queima na grande fogueira as coisas más, as sombras, o azar".

A Festa da Cabra e do Canhoto "representa o início do solstício de inverno, do tempo escuro, das trevas, que junta deusas e demónios num ritual único que mais não é do que uma ode à prosperidade", como descrevem os organizadores.

Às 17 pessoas que em permanência residem em Cidões juntam-se outros filhos da terra para organizar o evento que anualmente atrai "mais de 3 mil visitantes", nesta noite.

A festa começa ao pôr-do-sol e termina de madrugada com os rituais do acendimento da fogueira e confeção e degustação da Cabra Matchorra (velha) no pote, com pão e vinho da terra, num banquete que introduziu novidades para os gostos mais contemporâneos.

A quem a cabra não agradar, pode optar por alheiras, linguiças, presunto, fevras, caldo verde e crepes.

O ritual inclui uma bebida espirituosa de confeção local, o Úlhaque, e, entre castanha assada e jeropiga, faz-se a queimada com esconjuro de um druida.

O ambiente é animado com música e danças tradicionais celtas e incluiu ainda a queima do bode gigante e a chegada do carro de bois com as tarraxas bem apertadas para se fazer ouvir.

A festa termina a virar a aldeia do avesso.

Jornal de Notícias

Agrupamento de Escolas de Mirandela precisava de mais 20 auxiliares

Cerca de 300 alunos, dos 2400 que frequentam os estabelecimentos de ensino do Agrupamento de Escolas de Mirandela, pertencem a famílias com fracos recursos financeiros, que estão incluídos no escalão A, com direito a diversos apoios do Ministério da Educação.

No entanto, parte deles ainda necessitam de suplemento alimentar que é concedido pela direção do agrupamento, que tem de se socorrer do orçamento privativo.

 12,5 por cento dos alunos do agrupamento de escolas de Mirandela, são carenciados e parte deles têm ainda uma ajuda suplementar na alimentação.

E aquele que é o maior agrupamento do distrito de Bragança está com enorme carência de auxiliares. O diretor revela que necessitava de, pelo menos, 20 funcionários para colmatar todas as necessidades. Vítor Esteves confessa mesmo que, se não fosse o Município disponibilizar algum pessoal, teria de fechar algumas escolas do meio rural.

É sem dúvida, a maior dor de cabeça para a direção do mega agrupamento de escolas de Mirandela. A falta de auxiliares para dar apoio aos cerca de 2400 alunos espalhados pela Escola secundária de Mirandela, a EB1,2 de Torre Dona Chama, a Luciano Cordeiro, de Mirandela, e ainda 12 estabelecimentos de ensino do pré-escolar.

O diretor do agrupamento já solicitou ao Ministério da Educação a possibilidade de contratar mais pessoal, mas Vítor Esteves esbarra na interpretação que considera errada, relativamente ao rácio que não tem em conta a nova realidade do mega agrupamento criado, com uma área geográfica dispersa. E Vítor Esteves confessa que, não fosse a autarquia disponibilizar funcionários, teria de fechar algumas escolas do meio rural. “Este ano até funcionários do município, que trabalhavam no Auditório, estão a ajudar nas escolas”, revela o diretor, e só assim é possível assegurar condições para as manter.

Para tentar minorar os problemas, a direção do agrupamento teve de deslocalizar três funcionários da escola de Torre de Dona Chama para a escola sede, em Mirandela. Mesmo assim, Vítor Esteves diz que precisava, pelo menos mais 20 auxiliares.

Informação CIR (Rádio Terra Quente)

Se tirar o bolor, posso comer o resto?

É uma questão que inquieta ainda muitas pessoas e que o LiveScience consegue agora explicar.

Na presença de bolor na comida, surge a dúvida: como ou deito fora? Esta é uma questão comum que se resolve sempre com uma das duas opções, contudo, quem escolhe comer fica sempre com a sensação que não o devia ter feito.

Afinal, se tirar o bolor posso ou não comer o alimento? Segundo o LiveScience, o melhor é não avançar, até porque aquela mancha verde ou branca é apenas “a ponta do icebergue” do que já existe.

De acordo com os cientistas, a mancha que aparece no pão, na fruta, no queijo, nos enchidos, nas compotas e noutro qualquer alimento é apenas um sinal de que todo o interior já está contaminado com fungos, seja totalmente ou parcialmente.

De acordo com a especialista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Nadine Shaw, citada pelo The Mirror, “a maioria dos casos de bolor são inofensivos, mas alguns são perigosos” e, neste caso, mais vale prevenir do que remediar, uma vez que algum bolor pode ter ‘micotoxinas’, que causam reações alérgicas e problemas respiratórios.

Estas micotoxinas são comuns em alimentos como nozes, maçãs, grãos e no aipo. Por isso, o melhor é mesmo não comer estes alimentos mesmo depois de retirar o bolor.

O Padre da Pena

Por:Maria Hercília Agarez


A língua portuguesa é muito traiçoeira…

Quando Zeferino apareceu na aldeia de S. Miguel da Pena, vinte anos após a ter trocado pelas roças brasileiras, houve quem não o reconhecesse, no seu fato e sapatos claros, no tom moreno da pele outrora pálida, nos trejeitos amaneirados. Não escaparam a ninguém dois dentes de ouro, pequeno indício de uma riqueza suada.
Tinha vindo passar um mês de férias e, com uma cajadada, matar vários coelhos: visitar a família sobrevivente, rever o torrão natal nunca esquecido, espairecer do desgosto causado pela morte da mulher ocorrida havia mais de um ano e de que ainda se não refizera e, quem sabe, arranjar para ela substituta disposta a acompanhá-lo para as longínquas terras do samba e dos coqueiros.
Foi recebido em festa. Os reais amealhados não lhe tinham subido à cabeça. Satisfez a natural curiosidade dos conterrâneos, contando com pormenor o rol de peripécias por que passara até encontrar a estabilidade económica, obtida com muito trabalho forçado ao serviço de um “coronel” déspota que tratava como escravos os empregados do seu imenso cafezal.
Agora era patrão de si próprio. Abrira um pequeno comércio ligado à venda de frutas e hortaliças, numa cidade nordestina, cuja clientela era, em grande parte, constituída por compatriotas, conquistados pela simpatia do atendimento e pela qualidade dos produtos.
Não estranhou a simplicidade da casa paterna, mantida rigorosamente na mesma. Só sentiu falta de uma casa de banho, acostumado que estava à sua higiene diária, hábito considerado esquisito desperdício por quem se limitava a lavar a cara e os pés, esses com mais esmero aos domingos, quando os trapos puídos usados na lavoura davam lugar à roupa de ver a Deus. Exemplo paradigmático da fobia à água daquelas gentes era o caso da Ti Piedade. Casara aos vinte anos, pela Senhora da Saúde e dizia, já entradota: – Água neste corpo, só dos joelhos para baixo e do pescoço para cima. Banho inteiro, chegou-me o que dei no dia que disse o sim ao meu Honório, que Deus o tenha em descanso.
Passados uns dias da chegada, feitas as visitas a vivos e mortos, mitigadas as saudades do presunto, das alheiras e dos salpicões, começou o brasileiro a deitar olho discreto às poucas mulheres disponíveis e em idade de procriar. Embora se considerasse um bom partido, com os seus quarenta anos ainda frescos e com pecúlio encorajador, não procurava nenhuma estampa. Bastava-lhe, para companheira, mulher honesta e trabalhadeira. Se lhe desse um filho, tanto melhor. Um homem sozinho é num homem aleijado a precisar de quem lhe deita a mão.
A escolha acabou por recair na Rita Pitrês, sua prima em terceiro grau, zeladora da igreja, catequista, ensaiadora do rancho folclórico e exímia bordadeira de enxovais para meninas da vila, sua única fonte de rendimento.
Não se sabia bem por que razões não tinha arranjado aconchego.
A verdade é que a beleza não parou ao passar por ela. Nem com grossa camada de pó de arroz conseguia disfarçar as bexigas, ingrata recordação de infância. Nas costas, chamavam-lhe Rita Ratada e caçoavam dela por lhe não terem conhecido nenhum derriço.
Apesar de ocupada o dia inteiro com os seus afazeres, a solidão doía-lhe como ferida aberta. Revoltava-se todos os dias de manhã ao ver a sua imagem reflectida no espelho, enquanto enrolava a trança e fazia o poupo. Então, desabafava com a imagem da santa sua homónima de quem era beatamente devota. Já que na igreja não havia lugar para Ela, adquirira uma num santeiro de Braga num domingo da festa do Bom Jesus. Pusera-a no quarto, em cima de uma peanha dourada e todos os dias renovava as flores com que comprava a sua protecção.
Quando Zeferino, após abordagens vagas e temerosas, formalizou o pedido de casamento, pediu-lhe um dia de espera pela resposta.
O Padre Sebastião aconselhou-a a aceitar a proposta. Sabia-a, com a experiência de muitos anos de confesso, naquela idade perigosa em que as mulheres, de instintos recalcados, são capazes de abrir as pernas à revelia das normas da Santa Madre Igreja…
Quanto à santa, também consultada, pareceu sorrir-lhe, satisfeita com o milagre que a si própria atribuía.
O enxoval estava feito. Bastava pô-lo a arejar e passá-lo por água para lhe sair aquele cheiro a cânfora entranhado durante anos. Família chegada só o irmão, a cunhada e os sobrinhos a quem pouca falta fazia.
A santa podia acompanhá-la. Não encontrou, portanto, razões para continuar presa àquela terrinha onde poucos a acarinhavam, alheios aos serviços que prestava benevolamente.
A viagem de barco intimidava-a. Ouvia falar de enjoos desesperantes, dos intermináveis dias sem terra à vista, mas confiava na sua protectora e no poder do Anjo da Guarda.
Apressaram-se os papéis, os banhos foram lidos, como de costume, e, uma semana antes da data marcada para a partida, o velho padre abençoou aquela união.
Rita escolheu para aquele dia um fato de saia e casaco bege, não prescindindo do ramo de flor de laranjeira a anunciar uma virgindade sem mérito de que ninguém duvidava.
Não quis vender a casa, pequena mas típica da região, de pedra à vista e com varanda de madeira onde se acotovelavam vasos de sardinheiras e de malvas. Alugou-a ao Bento Moleiro com a condição de a estimar e de a deixar devoluta se um dia voltasse.
– A vida dá tantas voltas como as velas do teu moinho em dia de vendaval. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Vale mais prevenir que remediar. Estamos conversados?
Esta pressagiosa dúvida constituía nota dissonante numa sinfonia que a recém-casada parecia antever tão patética como a de Tchaikovsky.
Como diz o povo, “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.
Aquele feitio pessimista não lhe dava tréguas, nem lhe permitia usufruir em pleno os pequenos e raros prazeres que a vida lhe concedera.
Seria desta vez que iria provar o sabor da felicidade?
Chegado o dia da despedida, Rita, nem que o quisesse, não conseguiria traduzir a amálgama de sentimentos contraditórios que se digladiavam no seu íntimo. A alegria era melancólica, a esperança eivada de maus pressentimentos, o alvoroço mesclado de apreensão.
Passado o tormento da viagem, começou a tentativa de adaptação àquele espaço onde cabiam todas as aldeias do seu país. Com força de vontade e a ajuda compreensiva do marido, lá se foi habituando ao clima, aos costumes, ao modo de falar, ao sabor dos frutos tropicais, tão diferente do das ameixas e dos figos do seu quintal.
Do trabalho não tinha razão de queixa. Em casa, a mucama preta encarregava-se de todo o serviço e cozinhava tão bem aquela carne com feijão e outros petiscos que logo esqueceu o bacalhau com batatas, o arroz malandro com pataniscas, as sardinhas assadas com pimentos e outros sabores bem portugueses.
Podia, assim, a mulher do Zeferino dar-lhe uma mãozinha no negócio, ela que tinha tino para contas e bons modos para os fregueses.
Ao serão, matava saudades dos seus bordados sobre os quais desabou, num abrir e fechar de olhos, uma chusma de clientes.
Chegou a engravidar, mas dois abortos sucessivos deitaram por terra a esperança de dar um filho ao homem a quem, com o tempo, acabara por afeiçoar-se e que não merecia aquele fim.
Um dia partiu bem cedo para se abastecer de fruta numa fazenda a duzentos quilómetros de casa. Deve ter adormecido ao volante e despenhou-se numa ribanceira donde o arrancaram, a custo, sem sinal de vida.
Perdeu, com este trágico acidente, todo o sentido a permanência de Rita naquele fim do mundo. Escreveu ao irmão, anunciando-lhe o regresso e pedindo-lhe para dele dar notícia ao Bento Moleiro que dispunha de um mês para entregar a casa, conforme combinado.
– Olhe que a senhora sua irmã parece que adivinha as coisas. Herdou esse poder da sua santa mãezinha que Deus haja. Foi ela que me disse, ao ver a minha Florbela branca como cera e delgada como cana de milho, não durar ela o tempo de ir à escola. E assim sucedeu. Ele há cousas…
Chegou Rita à Pena no tempo das cerejas maduras, reluzentes como os olhitos dos melros ougados a baterem as patas de contentes:
“Do cerejo ao castanho, bem me amanho; do castanho ao cerejo mal me vejo”.
Vinha carregada de um luto compensado por uma confortável situação financeira, providencial para o futuro do sobrinho mais novo, seu afilhado.
Desde a primeira classe revelara o Felisberto uma evidente aptidão para os estudos. Inteligente e aplicado, augurava-lhe a mestra futuro diferente do das outras crianças. Ficar o rapaz a embrutecer agarrado à sachola seria um desperdício. Várias vezes tentou convencer os pais a deixá-lo ir em frente, nem que para isso tivessem de vender um lameiro, herança pobre, mas ciosamente conservada.
Com acanhamento humilde, sondou Tiago a irmã sobre a possibilidade de dar uma ajuda na educação do rapaz, de modo a mandá-lo para o liceu da cidade e depois, podendo, para a universidade. Sabia que estava a sonhar alto, mas as palavras da professora não lhe saíam dos ouvidos. Ter um filho doutor, que maior gosto pode um pai humilde pedir à providência?
Rita ouviu calada e pensou com os seus botões: “Esmola a Mateus, primeiro aos meus.” Mas tinha uma condição: pagaria os estudos ao afilhado, se ele quisesse ser padre. Quantas vocações não nasceram assim, aos dez anos, por obra e graça de madrinhas solteironas ou de devotas viúvas sem prole?
O miúdo aceitou a vontade da madrinha, depois de ter ouvido os argumentos dos pais que não cabiam em si de contentes. Ser doutor ou padre é assim tão diferente?
Se, por um lado, a debilidade física o impedia de realizar trabalhos agrícolas, por outro, não lhe desagradava o ritual litúrgico em que colaborava, por sua livre vontade, como menino do coro. Sabia de cor toda a missa em latim e fazia uma perninha com direito a moeda de cinco coroas em cerimónias fúnebres ou festivas.
Quantas vezes não ouviu da boca do representante de Cristo naqueles confins: – Ó rapaz, tu tens mesmo jeito para isto. Assim os teus pais tivessem posses para te mandarem para o seminário…Eu já vou nos sessenta. Mais dez ou doze ainda me aguento, se for essa a vontade de Deus. Se fosses tu a render-me…
Perante isto, não tardou o anteprojecto clerical a esperar pelo fim da missa de domingo para lhe dar a grande novidade.
– Senhor Padre Sebastião, adivinhe lá o que tenho para lhe contar!
O bom do prior foi tão certeiro como se atirasse às perdizes, único desvio da prática sacerdotal que lhe conheciam. Sentiu-se na obrigação de estimular o ganapo, enaltecendo as compensações da entrega ao Senhor e lembrando-lhe o escrito de S. Mateus: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos.”
No dia um de Outubro de 1940, palmilhadas quase dez léguas sobre o orvalho fofo da madrugada, foi a “encomenda” entregue no destino.
Levava na mão um saquitel com o indispensável para os primeiros dias. O resto seguiria com o recoveiro que só ia à “vila” nos dias de mercado, duas vezes por semana – uma maleta com o humilde enxoval, uns frascos de mel da tia Jacinta, remédio santo para tosses e dores de garganta, e uns salpicões do lombo para horas de desconsolo.
Durante os anos passados no seminário, nunca Felisberto deu azo à mais pequena repreensão. Contrariamente a alguns colegas, jamais se desviou um milímetro da rígida disciplina imposta pelos superiores, nem pactuou com partidas e malandrices próprias da idade.
Embora tivesse sido testemunha calada de prevaricações mais ou menos inocentes, nunca denunciou ninguém, mas nem assim escapou à alcunha de “santinho da Pena”, inspirada pelo seu comportamento.
Durante os recreios, enquanto os colegas jogavam à bola, refugiavase na biblioteca a empanzinar-se de hagiografias. Franzino e medroso, inábil tanto na defesa como no ataque em jogos de futebol, poupava as canelas recorrendo àquele subterfúgio da leitura para a qual, no fundo, sentia apetência.
Depressa passou aquele período de formação religiosa. Versado em todas as matérias aprendidas, “barra” em línguas vivas e mortas, sabendo de cor todas as parábolas dos evangelhos, foi Felisberto ordenado, em cerimónia repleta de emoção simbólica, na Sé Catedral. Lá estavam os pais e os irmãos, a benfeitora e, claro, o Padre Sebastião, aliviado por ver, enfim, chegada a hora de passar o testemunho. Estava velho e cansado.
As caminhadas a pé até ao cemitério deixavam-no exausto e chegava a adormecer no confessionário, embalado pelo sussurro inaudível das beatas a desfiar o rosário de pecadilhos que conhecia de cor e salteados.
O novo sacerdote foi recebido em festa em S. Miguel da Pena. Os habitantes da aldeia recôndita não ficaram indiferentes àquela compostura respeitável de coroa, sotaina e cabeção e foi com orgulho que, ordeiramente, o foram felicitar.
Na primeira missa que rezou, como sempre às dez horas de domingo, a velha igreja medieval estava ainda mais cheia do que o costume.
À devoção, acrescentava-se a curiosidade. Os sermões do bom velho tinham-se transformado, havia muito, em lengalengas engroladas e sedativas. Era preciso sangue novo, capaz de galvanizar uma assembleia amorfa e conduzida ao santo sacrifício mais por rotina do que por apelo espiritual.
As expectativas não saíram frustradas. Na véspera, depois da ceia, encafuou-se o pastor das almas da Pena no quarto outrora ocupado pela irmã, entretanto casada e a viver em Sapiões. Era um compartimento amplo, mobilado de novo com cama francesa, guarda-fatos, secretária e estante, tudo comprado por bom preço à família Botelho quando esta vendeu a moradia para ir viver para o Porto.
Aí preparou o sermão com o desvelo de actor em princípio de carreira. Começou por escrevê-lo, metodicamente, segundo tópicos preestabelecidos, de acordo com o conteúdo do evangelho. Depois levantou-se e leu-o até o decorar, dirigindo-se às paredes, silenciosas espectadoras de tão empolgante monólogo. Ensaiou gestos e inflexões de voz, contou o tempo pelo Ómega (presente da ordenação) e só deu sossego à mente cansada quando lhe pareceu ter a lição sabida. Aliás, teria mesmo de deitar-se, que a torcida da candeia começava a apagar-se por falta de petróleo.
Às oito horas da manhã seguinte estava na sacristia, disposto a ouvir em confissão quantos o desejassem. Foram poucos os interessados.
Com o Padre Sebastião estavam à vontade e não lhe temiam as penitências.
Agora as coisas mudavam de figura. Era preciso dar tempo ao tempo para ver se este era de confiança. Aliás, nada de muito grave justificava pedido de perdão. Tirante as zangas de comadres, delito mais frequente e menos grave, lá atravessavam os buracos do confessionário umas facaditas no matrimónio, uns marcos desviados do lugar, uns pensamentos libidinosos de mulherio sem macho, umas disputas por causa das águas de rega e pouco mais.
Como ficou dito, estava como um ovo a igreja naquele domingo de estreia do novo “actor”. Pela primeira vez o povo o via paramentado.
As raparigas novas abafavam risinhos maliciosos ao vê-lo aparecer, esgrouviado, de sobrepeliz pouco abaixo dos joelhos.
– Deste espantalho não vão os nossos conversados ter ciúmes, murmurou a Rufina Parreca ao ouvido da Teresa Fazminga, ambas pouco dadas a rezas.
Estava a chegar ao ponto alto a celebração. Tentando disfarçar o nervosismo, começou o padre a edificante prática. O evangelho versava o milagre que Cristo fez nas Bodas de Caná ao transformar a água em vinho a pedido de sua mãe. Fê-lo com tal clareza e realismo que os frequentadores da tasca do Zé das Iscas nem esperaram pelo ite, missa est para aí irem matar a sede.
Diga-se que a actividade sacerdotal do Padre Felisberto foi semelhante à dos seus antecessores. De relevante, apenas haverá a registar pequenos episódios tornados motivos de galhofa e que se prendiam com a sua ingenuidade e tendência para o alheamento. De todos, um ficou célebre e atravessou, até hoje, várias gerações.
Num dia em que reunia com o grupo de catequistas encarregue de preparar as crianças para a primeira comunhão e de que fazia parte a filha mais velha do António Grilo, virou-se para elas em tom ameaçador e com cara de poucos amigos:
– Andam para aí uns zunzuns que não me agradam nada. O vosso comportamento tem de ser irrepreensível. Lembrai-vos que sois o exemplo desses inocentes a quem ensinais a doutrina. Se me vierem contar alguma desavergonhice vossa, garanto-vos que tomarei medidas drásticas. Já cortei a Grila e corto o resto, se for preciso.

Das ermidas que estão fora da cidade de Bragança

Ermida de S. Bartolomeu
Extramuros tem esta cidade três bairros e há menos de trinta anos se povoaram com
cento e setenta moradores: o da Ponte, e passa da outra parte do Fervença, o da Moreirinha e Fora de Portas. E das ermidas que todas estão fora do povoado darei princípio pela de Nossa Senhora do Loreto, santuário de grande devoção que tem esta cidade.
Pelos anos de 1535, pouco mais ou menos, o venerável padre frei Manuel Corvo, da religião seráfica, natural desta cidade e morador no Convento de S. Francisco da mesma, em tempo que ainda viviam com os privilégios dos padres conventuais, por ser este convento neste Reino, dos últimos em que no ano de 1568 entrou a reforma da regular observância, desejando retirar-se da claustra e, em estado mais perfeito, solitário seguir a vida contemplativa, foi a Roma e para este efeito alcançou a bula do Papa Paulo III. E visitando a Santa Casa do Loreto, na província da Marca, tão devoto daquele angélico santuário voltou a esta cidade que, com as esmolas de seus moradores e licença da Câmara, fundou no campo do concelho a igreja ou ermida de Nossa Senhora do Loreto que fica para a parte ocidental desta cidade e junto ao rio Fervença.
E nela colocou uma imagem de Nossa Senhora da mesma invocação do Loreto que tem ao Menino Deus nos braços e este religioso trouxe de Roma. É de escultura e terá dois palmos e meio, ainda que hoje e de que a memória dos homens se lembra por maior veneração está de vestidos e com eles representa mais estatura e uma peregrina beleza. Junto da igreja fez aquele venerável religioso uma pobre morada e decente ao humilde estado da sua profissão.
Mas nesta paz em que vivia tem algumas contradições com o bispo D. Toríbio Lopes, primeiro deste bispado. E, pedindo nova bula ao papa Júlio III, venceu as dificuldades da sua conservação nesta santa casa e, há lembrança, foi religioso reformado e de virtuoso exemplo.
E não alcanço outro particular da sua vida nem ainda com certeza notícia da sua sepultura, mas entendo que já no ano de 1553 devia ser falecido, porque no livro dos acórdãos da Câmara, em Fevereiro do mesmo ano, está um assento que diz: “porquanto a Igreja de Nossa Senhora do Loreto que é de muita devoção se acha devoluta, pertence a esta Câmara o cuidado dela”, etc.
Deste se encarregou o licenciado Manuel Gomes Correia, da principal nobreza desta cidade e, abusando da permissão, se chamava padroeiro, por cuja causa a Câmara alcançou sentença contra ele. E porque tinha umas propriedades junto da mesma igreja com duas fontes que era o fundamento que tomava, lhe deu outras em troca e daquelas fez doação à igreja, como também, no ano de 1661, de outro campo contíguo com as primeiras, e que um mordomo daria contas cada ano ao Senado do seu rendimento e despesa nas obras da mesma igreja, consta do tombo da paroquial de S. João Baptista, fol. 217. Semelhante dúvida houve com Bartolomeu de Abreu que, nomeando-o a Câmara para mordomo desta igreja, o zelo com que a tratou por alguns anos lhe facilitou querer ser também padroeiro, de que há outra sentença contra ele e está incorporada no tombo supra. Ultimamente, apresentando-se estas ao bispo D. Jorge de Melo, em 1634, por virtude delas julgou também pertencer o padroado desta igreja à Câmara desta cidade, como consta do livro das visitas da Colegiada de Santa Maria, fol. 64, e nesta posse se conserva e é a razão porque dia de Santo Amaro vai assistir na sua festa a esta igreja e lhe dá propina de cera e incenso.
O reverendo João de Prada, de vida exemplar, natural desta cidade, e abade que foi de Monforte de Rio Livre e especial devoto da Senhora do Loreto, em 1706 mandou reedificar esta igreja a fundamentis. E na vila de Chaves fez uma nobre capela da mesma invocação do Loreto, com vínculo de morgado, de que foi primeiro administrador seu irmão António de Prada, cavaleiro do hábito de Cristo, da Casa Real e governador do Forte de S. Francisco da mesma vila, onde casou. E hoje o é seu filho João de Prada Lobo, que tem os mesmos títulos e ocupação. E na desta cidade pôs capelão com obrigação de três missas cada semana: nas segundas-feiras, no altar das almas, nas sextas, no do Santo Cristo, e nos sábados, nesta igreja. Ficou esta com a nova reedificação com maior grandeza da que tinha e os seus devotos a têm ricamente paramentada. Na tribuna da capela-mor está a santíssima imagem da Senhora do Loreto que se festeja na infra octava da Sua natividade, festa do Santíssimo nome de Maria. E no corpo da igreja há dois altares, um de Santa Ana e outro de Santo Amaro, muito milagroso, com relíquia e venerada com grande concurso no seu dia.
Por duas vezes se erigiu confraria de seculares em louvor da Senhora e, ultimamente, outra de sacerdotes e todas se extinguiram brevemente, reparo que fez o Sant. Mariano, p. 5, L. 3, título 3, fol. 558, ser uma das grandes prerrogativas que também acham na magnífica casa de Nossa Senhora do Loreto da cidade de Lisboa. Mas sem este culto de irmandades, assistem os fiéis ao desta igreja, com muita frequência e devoção.
Junto da capela-mor se fez um recolhimento com tribuna para a mesma, no qual assistem algumas devotas mulheres. E a primeira que nele entrou e o fez por sua conta foi uma honesta viúva chamada Teresa da Cruz, terceira da Venerável Ordem da Penitência, natural desta cidade, à qual vestiu o hábito nesta igreja o padre pregador frei Francisco de Santa Engrácia, guardião do Convento de S. Francisco, em dia de S. José de 1712. É já falecida e a sepultaram na capela-mor desta igreja e deixou opinião de penitente e virtuosa vida.
Fazem memória desta igreja a Monarq. Lus., 5 p. L. 17, no fim do cap. 12; padre Esperança, na Hist. Seraph., part. 1, L. 1, cap. 6, fol. 56; Agiolog. Lus. e Cororaph. Lus., tom. 1, Livro 2, trat. 3, fol. 496; e o Sant. Marian, supra, 5 part., L. 3, título 3; e em tudo estão conformes, exceto na fundação e padroado, porque é na maneira que acima se declara, como também o mais que digo.

Ermida de Santa Apolónia
A ermida de Santa Apolónia, que fica perto do Loreto, da outra parte do rio, está em uma quinta e há tradição o foi de Fernão Mendes, o Braganção, e se continuara em seus descendentes até Nuno Martins de Chacim que era da mesma família e governou esta cidade em tempo de el-Rei D. Dinis. E por uma escritura do arquivo da Câmara consta o foi também do alcaide-mor Lopo de Sousa, casado com D. Beatriz de Albuquerque, e que seu filho João Rodrigues de Sousa doou a parte que lhe pertencia a Sebastião de Barros, em 1525.
Ultimamente, entrou nela, por via de compra, Pedro Aires Soares, e a possuem seus descendentes, com vínculo de morgado. Há poucos anos se via nela ainda uma antiga torre, junto ao rio, e se aproveitaram do material para outra que de novo se fez, por estar aquela arruinada.

Ermida de S. Lourenço
A ermida de S. Lourenço, com grandes herdades que aí estão juntas, é do morgado do alcaide-mor Lázaro de Figueiredo Sarmento. E seu pai, do mesmo nome, também alcaide-mor, a reedificou a fundamentis, há poucos anos.

Ermida de Santo António
Na quinta de Vale das Flores que é de João Ferreira Sarmento Pimentel, cavaleiro do hábito de Cristo e fidalgo da Casa Real, está a ermida ou capela de Santo António.
Outra ermida de Santo António No Campo do Toural, junto a esta cidade, está a ermida de Santo António, levantada em um lajeado de pedra, com escada por toda a circunferência e em 1708 a fundou António de Figueiredo Sarmento, cavaleiro do hábito de Cristo e governador que foi desta cidade e nela está sepultado, da parte de fora. E no fecho da abóbada tem as armas de Figueiredos e Sarmentos.

Ermida de S. Sebastião
Todas as ermidas sobreditas ficam para a parte ocidental desta cidade e para a parte do oriente a que fica mais próxima a ela é a de S. Sebastião, que se fundou no tempo em que este Reino se via agonizar entre os horrores de uma terrível peste, em 1569, e serenou o patrocínio deste santo e glorioso mártir, motivo por que é geralmente festejado. Nesta cidade solenizam a sua festa as duas paróquias alternadamente com a assistência da Câmara, que é padroeira desta ermida. Na dominga dos Ramos, o prior da colegiada os benze nesta ermida a que assiste o abade de S. João e a Câmara, que dá o sermão. E se forma uma devota e solene procissão que se termina na colegiada para continuarem os ofícios divinos e os fregueses de S. João se dividem com boa ordem a fazer o mesmo, porque passa a procissão junto da sua igreja.
Por estas partes se tem especial devoção com o Santo Mártir, não só em lhe fazer rogativas quando há males contagiosos, mas muito particularmente para sezões. E com frequência se visitam as suas ermidas com missa cantada ou rezada por agradecimento do benefício.
Um engenheiro que nesta província tomou por sua conta demolir as ermidas de S. Sebastião, com pretexto de conveniências militares nas guerras da feliz aclamação e a desta cidade experimentou a mesma execução, comummente se diz que, brevemente, morreu de sezões.
Certamente não teria devoção ao Santo Mártir, nem experimentaria o favor que os portugueses lhe confessamos. A desta cidade se reedificou a fundamentis por conta da Câmara e povo, como hoje está, e aquela tem obrigação de a ter reparada e paramentada.

Ermida de S. Lázaro
Junto do rio Sabor está a ermida de S. Lázaro e há tradição [que] havia antigamente junto a esta um hospital. E ainda hoje têm devoção os que se veem oprimidos com feridas antigas lavar a imagem do santo e com esta água curar-se. Bem notório é nesta cidade que meu filho Bento José de Figueiredo, sendo menino de um ano, se cobriu todo, exceto o rosto, de uma medonha pústula. E cansada a medicina de aplicar remédios, porque cada dia lavrava mais, foi o último se lhe preparasse a mortalha. Mas eu que apelei da sentença para o patrocínio do Santo, solicitando este com sacrifícios, e com a água com que se lavou se fez o mesmo ao menino e em termo de vinte e quatro horas caiu toda aquela pústula em caspa e ficou são e liso, só com a cor denegrida que, brevemente, tomou a natural. E no mesmo ano lhe fiz a sua festa, com demonstrações de obrigado, que é na dominga de Lázaro e se faz com grande concurso.

Ermida de S. Bartolomeu
Para a parte do sul tem esta cidade um levantado monte e com a eminência em que está o castelo levam o rio bem apertado. E no mais alto daquele se vê a ermida de S. Bartolomeu, que por este nome o faz conhecido e também pelos muitos mananciais de excelente água em que se desata. E na sua volta com a produção de generosos vinhos, principalmente os que se avizinham ao rio e também é reportório infalível que promete água quando se vê coroado de névoa.

Ermida de Santa Rita
Não se demorou muito esta cidade no conhecimento da advogada dos impossíveis, ao depois que o padre frei Francisco de Brito deu à estampa o livro da sua vida, em 1710 2, porque no mesmo ano apareceu no Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição desta cidade e, em 22 de Maio do seguinte, se lhe fez a primeira festa com novena e sermão que tomou por sua conta o doutor Bartolomeu Leitão, cidadão desta cidade, e a continua todos os anos no mesmo mosteiro em que pôs um quadro de excelente pintura e, na igreja do Santo Cristo, a sua imagem.
O reverendo prior Bento da Ponte, protonotário apostólico e beneficiado da Colegiada de Santa Maria, natural desta cidade, em uma sua quinta que tem no monte de S. Bartolomeu lhe levantou ermida e em ela celebrou a primeira festa, em Maio de 1714, e a faz todos os anos com sermão e a tem curiosamente asseada. E já que o padre mestre frei José de Santo António se não lembrou desta cidade para dizer os cultos e devoção que tem a esta grande santa, direi agora que de Lisboa imediatamente se lhe participou e que, obrigada a este benefício, se avantajou em lhe levantar a primeira capela própria que tem neste Reino, segundo no seu livro, intitulado Vitórias dos impossíveis, fol. 199 3, diz se lhe levantou nova capela em 1715, porque a primeira em que se colocou não era própria da santa, porque já estava feita no seu Convento de Nossa Senhora da Graça e só o fica sendo a que de novo se lhe dedicou.
Se quiserem dar-nos esta precedência que, sem dúvida, a tem esta cidade, terá Lisboa a de sua grandeza para os cultos desta gloriosa santa, a que esta só com os desejos pode igualar.

MEMÓRIAS DE BRAGANÇA

Autores
Bruno Rodrigues
Cátia Ferreira
Diogo Ferreira
Fernando de Sousa
Filomena Melo
José Augusto de Sotomayor-Pizarro
Luís Alexandre Rodrigues
Maria da Graça Martins
Paula Barros
Ricardo Rocha
Virgílio Tavares