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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 3 de março de 2026

Circular sobre a abstinência

 O documento do mês, destaca a circular do Governador do Bispado de Bragança de José Luís Alves Feijó do ano de 1855.


Este documento é dirigido a toda a comunidade de fiéis da Igreja Católica, advertindo para a necessidade sobre a dispensa da abstinência do uso de carnes e temperos de unto e gordura de porco mediante condições estabelecidas: “1.ª Que fica salva a Ley do Jejum para aquelles que são obrigados a guarda-lo. “2.ªQue desta concessão se exceptuão os dias de Quarta feira de Cinza,-as Vigilias de S.José e da Annunciação da Sanctissima Virgem Maria, e os últimos três dias da Semana Sancta, nos quaes não se poderá usar senão de comidas rigorosamente mâgras: e são também prohibidos os temperos de unto de manteiga de porco. “3.ª Que nos três dias das Temporas, nas sextas feiras e sabbados não comprenhendidos nos dias acima indicados, é pprohibido o uso de carne, mas não o dos temperos de gorduras. “4.ªQue toda a Quaresma sem exceptuar os Domingos, é omnina-mente vedada promiscuidade de comidas de carne e peixe…”

Assim, o jejum na Igreja Católica é uma prática de penitência e disciplina espiritual essencial para a conversão, purificação da alma e controlo das paixões (gula/concupiscência). Não é apenas uma restrição alimentar, mas um ato de oração, solidariedade e amor a Deus, fortalecendo o espírito contra tentações e orando pelos necessitados. O jejum ajuda a dominar a carne, subordinando-a ao espírito, e ajuda a equilibrar a vida espiritual, elevando a alma a Deus em vez de prazeres materiais.

Este ritual ancestral explícito na circular, à luz da contemporaneidade parece um preceito antiquado, na sua prática e utilização como norma e costume que caiu no esquecimento e se tornou obsoleto. Porém, na comunidade transmontana, há uma fé enraizada que leva o individuo a ascender ao transcendente, repetindo o caminho da salvação e esperança no “religare” (“religar”, “ligar de novo”, “atar”) com o Divino.

É este eterno retorno, que nos torna humanos numa comunhão de fé e espiritualidade.

Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

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