(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Vi, por esta página que, há anos, tanto me marca, algumas menções ao «Dia Internacional da Mulher», que rapidamente se aproxima. Também vi, muito recentemente, uma publicação do ilustre administrador desta página, acerca de uma personalidade, em relação à qual deixei um comentário, em maiúsculas escrito: «GRANDE MULHER». E nós, os “piquerrutchus’e” bragançanos, “inté stemus tchêus’e” de … GRANDES MULHERES! Parece, no entanto, que não o sabemos (ou não o queremos saber…).
Talvez por isso, quando surge o «Dia da Mulher», me vá deparando com a «erudição pacoviamente saloia» de ir resgatar o que de fora é. Habitualmente, lá vêm no rol, entre outras, as «não bragançanas» Marie Curie, Beatriz Ângelo, Maria de Lurdes Pintassilgo ou… a «Padeira de Aljubarrota». E fico logo todo “racontracusidu’e”, porque me lembro, de imediato, da “nha padeira faburita”: a genuinamente bragançana “Ti Maria Luísa”. “C’um caralhitchas’e, p’ra que percisemus d’ua d’Aljubarrota?”…
De imediato, ainda, no tempo recuando, me assalta o sistema neuronal uma quase lista infinda de Mulheres do “catantchu’e” com sangue bragançano. “Querim bere”?… “Impeça” logo pela antepassada Bragançã do nosso Santo António, sem a qual o nosso mais popular santo não teria existido. Seguindo pelas Bragançãs D. Inês de Castro ou D. Leonor Teles. Mais a filha desta última, D. Beatriz, que Bragançã também era. Ou aqueloutra D. Joana que origem deu à Dinastia de Bragança. Ou a que “butou ó mundu’e” a linhagem dos Marqueses de Távora. Ou, sei lá, D. Leonor, a mãe de D. Afonso V. Ou, quiçá, D. Ana, Bragançã igualmente, e “zculpim-me” a eventual brejeirice, a que «pariu» um tal de Luís de Camões. Nada de especial…
Nesta viagem mental, logo me assola o nome de Maria Guardiola, natural de Bragança, umas da três primeiras Mulheres a ocupar um lugar parlamentar. Ou duas sufragistas e activistas, que até integraram o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, instituição encerrada pelo Estado Novo... Ambas foram escritoras, e a segunda delas até foi a Primeira Mulher portuguesa a tentar obter as insígnias doutorais, na Universidade de Lisboa. Como referiram os jornais da época, «fez uma defesa verdadeiramente brilhante», tendo-a, porém, reprovado os examinadores. Contingências… Falo de Beatriz Arnut e Cândida Florinda Ferreira…
De repente, lembrei-me, igualmente, de Graça Morais ou de Justa Nobre. E também me lembrei da menos conhecida Cecília Reis, a Mulher-Careto. E poderia lembrar-me de tantas outras, mais antigas, mais contemporâneas. Onde caberiam as nossas Avós, as nossas Mães ou, para os que têm esse privilégio (como eu tenho), as nossas Filhas. É incontável a lista… Onde também cabem algumas figuras que, particularidade minha, muito admiro. Antecipadamente alertando “aquéis que num guz’tarim’e, que scupum’e”…
«Partidarites» e «umbiguites» à parte, tenho um especial apreço pelas actuais “Persidentas” dos Municípios de Bragança e de Miranda do Douro. Assim como o tenho pela anterior “Persidenta” do Município de Mirandela. Ou pela actual Vereadora do Município de Alfândega da Fé. Ou, por ser suspeito, pela actual Presidente da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros. Concorde ou discorde com algumas das suas posturas, são cinco MULHERES pelas quais nutro uma enorme admiração. Porque são das “nhas terras’e”. E admiro-as, “prontus’e”, sem existir aqui qualquer «objectivo paralelo», tão comum nas nossas terras!
Deixando, igualmente, uma nota particular a uma recente homenageada no âmbito da celebração da elevação de Bragança a cidade. Muitos gostam, muitos não gostarão (“purblema dus que num goz’tum’e”…), tudo o que envolva a defesa dos direitos dos animais (dos cães, particularmente), mexe muito comigo (dizia-me um “pursore” de uma área muito específica, que para avaliarmos, correctamente, o carácter de alguém, deveremos deixá-lo no meio de cães…). Já agora, publicamente alerto que 10% das vendas dos meus humildes livros, vai “direitinhu’e pr’á conta da matilha”… “Já que m’ássim’e”...
Com tanta MULHER “du catantchu’e” por terras bragançanas, “pr’a que percisemus’e” de ir resgatar outras figuras?… “Que num se zqueçum, daqui pur’ua semana”…
Era só isto… “E BIBUM NAS MULHERES DAS NOSSAS TERRAS’E”!
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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