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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 5 de março de 2026

“Nunca me senti diminuída por ser mulher”

 Maria do Céu Quintas foi a primeira presidente de Câmara do concelho de Freixo de Espada à Cinta, em 2013.


Mensageiro de Bragança
: Como foi assumir, pela primeira vez, uma mulher os destinos da autarquia? Sentiu alguma desconfiança por parte de colegas e funcionários pelo facto de ser mulher? 

Maria do Céu Quintas: Sempre trabalhei num “mundo de homens”. Antes de ser eleita presidente de Câmara, fui vereadora, vice-Provedora da Santa Casa da Misericórdia, professora e fiz carreira no setor bancário. Em todas estas etapas, nunca me senti diminuída, nem nunca ninguém me diminuiu pela circunstância de ser mulher. Tive, sim, gosto e orgulho em ser presidente de Câmara, e ter contribuído para melhorar o meu concelho.

MB.: Acha que a situação evoluiu até aos dias de hoje? De que forma? 

MCQ.: Julgo que sim. Para além do contributo da Lei da Paridade, tem havido, ao que me apercebo, uma crescente participação feminina no exercício de cargos políticos e também no contexto partidário.

MB.: Que constrangimentos sentiu? 

MCQ.: Sinceramente, nunca senti qualquer constrangimento. Enquanto presidente da Câmara fui sempre bem recebida, independentemente dos Governos com quem me relacionei.

MB.: Na sua opinião, que características/qualidades pode aportar uma mulher a um cargo autárquico relativamente a um homem? 

MCQ.: Repito, a esse propósito, o que manifestei, numa ocasião, quando era presidente da Câmara. Simone de Beauvoir, figura de referência do movimento Existencialista referiu, um dia, que: “não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade”.

O importante é o caminho das escolhas e, através delas, como tomamos decisões.

MB.: O que é preciso para haver mais mulheres na Política? 

MCQ.: Ainda antes da chamada Lei da Paridade, sempre tivemos mulheres na política, inclusivamente uma Primeiro-Ministro e, também, Presidentes de Câmara. Obviamente que essa Lei impulsionou a participação feminina, mas continuo a acreditar que o exercício de um cargo político tem de nascer, sempre, da vontade própria. 

MB.: No contacto com autarcas masculinos dentro, da CIM ou associações de municípios viu/sentiu alguma hostilidade? 

MCQ.: De todo! Antes pelo contrário. As reuniões e os contactos institucionais pautaram-se sempre com a normalidade própria. 

MB.: Em Freixo, foi a primeira mulher presidente da Câmara. Como sentiu esse facto?

MCQ.: Senti-me agradecida pela confiança. Propus-me fazer o melhor que sabia e podia. 

Nunca alimentei um discurso feminista. As pessoas são iguais nos seus direitos, é assim que eu me vejo.

Francisco Pinto

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