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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A escola inclusiva: entre a lei e a sala de aula

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Em Bragança, como na maior parte das outras escolas do país, a sala de aula já não é o espaço previsível que durante anos julgámos conhecer. Hoje, entrar numa turma é encontrar ritmos diferentes, atenção desigual e necessidades que não cabem num modelo único. É uma mudança que se sente no dia a dia, nas conversas com colegas, nas perguntas dos pais e nas reações dos próprios alunos.

Os alunos mudaram, as famílias mudaram e a sociedade está em permanente mudança. No entanto, continuamos muitas vezes a pedir à Escola que funcione como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado!

Pedimos-lhe inclusão, flexibilidade e sucesso para todos, mas insistimos em rotinas pensadas para uma homogeneidade que já não existe. Esta contradição pesa aos professores, que acabam por carregar com o custo de um sistema que ainda não se adaptou.

Isto tudo sobrecarregado ainda pelos outros desafios que não podem ser ignorados, sob pena de a Escola se tornar irrelevante: o digital, a inteligência artificial, a diversidade cultural e a complexidade das aprendizagens.

Na verdade, como a escola responde à aprendizagem dos alunos que precisam de mais medidas de suporte à aprendizagem e à inclusão, é uma questão que parece cada vez mais urgente. Aos alunos que precisam de mais apoio, mais tempo e mais acompanhamento é aí que a retórica se testa. É aí que se percebe se a inclusão é prática ou apenas discurso de relatórios.

Não basta repetir que a escola é para todos. A frase é bonita, mas, sozinha, não muda nada. A inclusão exige tempo, formação, trabalho colaborativo, recursos e liderança. Exige sobretudo condições reais para que o professor possa ensinar pessoas concretas e não apenas cumprir programas, metas e calendários. Quando falta essa base, o professor fica sozinho com o desafio.

Olhando as turmas de hoje verificamos que há alunos que avançam depressa e outros que precisam de voltar atrás várias vezes. Há os que acompanham com facilidade e os que se perdem logo à primeira mudança de ritmo. Há também os que não pedem quase nada em voz alta, mas precisam de muito em silêncio: atenção, presença, paciência e reconhecimento. Quem ensina sabe que é nesses alunos que a escola mede a sua verdade.

Por isso, falar de equidade nas aprendizagens não é falar de dar a todos o mesmo. É falar de dar a cada um o que precisa para aprender, participar e crescer. A justiça educativa dá trabalho! Assim como ultrapassar a ideia da mera igualdade formal que pode ser confortável para os sistemas. Desde logo porque obriga antes de mais a admitir que ensinar bem hoje é muito mais difícil do que ensinar ontem pelo que implica rever práticas, reorganizar equipas e criar respostas.

Além do mais, uma escola inclusiva não se esgota na sala de aula. Precisa de coordenação entre professores, direção, técnicos e famílias, precisa de tempo de conversa, de escuta e de decisão partilhada. Quando essa articulação falha, o aluno sente-o depressa.

Por fim, uma escola verdadeiramente inclusiva não é a que recebe todos e depois espera que cada um se adapte. É antes a que se organiza para que todos contem, na qual essa diferença se afigura decisiva. Assim, a escola não pode medir-se pela regularidade do seu funcionamento, mas pela forma como acolhe a heterogeneidade e a diversidade que a enriquece!

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

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