DOMINGOS PIRES, cura de Sacoias, concelho de Bragança, de onde era natural, erigiu em 1673 uma capela na povoação «defronte das suas casas de morada» dedicada às almas do fogo do Purgatório, com vínculo de morgadio, a que doou bens, e «queria e quer que a dita capella fique pera sempre ad perpetuam rei memoriam em quanto o mundo for mundo»(482).
O fundador tinha um irmão chamado Cristóvão Pires. Os bens doados eram muitos e bons.
Nada resta hoje (1926) da capela, além da vaga tradição de estar situada onde é a adega de João Baptista Pinelo, e, como vestígio, uma esquina de parede com restos de cal, luxo que só três casas, e há poucos anos, têm na povoação.
O fundador pertencia à família dos Meixedos, hoje Moreiras, que vendeu a casa onde existia a capela. E queria ele que durasse enquanto o mundo fosse mundo!... Ao cabo de duzentos e cinquenta e três anos foi preciso pôr à prova a minha paciência evangélica, dotada de faro especial em investigações de antiguidades, para encontrar o sítio onde existia a capela, agora convertida em templo de Baccho!! E nem tão mal: a um culto triste sucedeu um culto patusco. Sic transit gloria mundi!
SALDONHA
1º JOSÉ MANUEL VERGUEIRO, de Gebelim (irmão de António José Manuel Vergueiro, abade de Sambade), capitão-mor de milícias da vila de Chacim, pai do coronel Alberto José Vergueiro, que se notabilizou pelas modificações que introduziu na espingarda «Mauser» e que por isso se chama «Mauser-Vergueiro»; a ele nos referiremos no volume consagrado aos escritores, casou com D. Leopoldina Vitória de Sequeira, natural de Saldonha.
Descendência:
2º D.MARIA EMÍLIA VERGUEIRO, que casou com o doutor Carlos Alberto Sá de Miranda, filho do juiz de direito doutor José António de Miranda (ver Paradinha do Outeiro, pág. 367) e de D. Maria Eugénia de Novais Sá Cardoso, descendente da importante e notável família Sá (José António de), de Bragança (ver pág. 183).
Descendência:
3º D. MARIA EMÍLIA VERGUEIRO SÁ DE MIRANDA, que nasceu em Gebelim, concelho de Alfândega da Fé, a 24 de Janeiro de 1880 e casou em Saldonha, do mesmo concelho, a 28 de Setembro de 1904, com António Francisco de Meneses Cordeiro, doutor em direito pela Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em Junho de 1904, natural de Vale Pereiro, concelho de Alfândega da Fé, onde nasceu a 20 de Fevereiro de 1876, filho de Manoel Francisco Cordeiro e de D. Maria da Conceição Reimão de Meneses.
D. Maria Emília faleceu em Alcanices (Espanha) a 11 de Janeiro de 1912, para onde fora quatro dias antes reunir-se a seu marido, que ali se homiziara após a tentativa de restauração monárquica de Outubro de 1911.
O doutor António de Meneses Cordeiro ainda vive e reside em Saldonha.
Descendência:
I. D. Maria José Beatriz, que nasceu a 12 de Novembro de 1905.
II. D. Maria Leopoldina Fortunata, que nasceu a 11 de Julho de 1907.
III. D. Antónia da Conceição, que nasceu a 1 de Outubro de 1909.
SAMBADE
BELCHIOR DE SÁ CAMELO, cavaleiro-fidalgo da Casa Real, estante nas partes da Índia, natural de Sambade, comarca da Torre de Moncorvo, filho de Gaspar de Sá.
Fidalgo-cavaleiro por alvará de 12 de Março de 1677 (483).
SAMIL
1º D. ANA MARIA DA ASSUNÇÃO VALENTE, viúva de André Manuel Freire de Andrade, faleceu em Samil, concelho de Bragança, a 28 de Janeiro de 1829, deixando por herdeiras suas sobrinhas D. Regina Vitória Ochôa, de Izeda, concelho de Bragança, e D. Carolina Benedita, que vivia com a testadora (484).
2º D. MARIA AFONSO MARTINHA, de Samil, tinha obrigação de dar três alqueires de trigo aos padres de S. Francisco «pela capella de Brites de Santo Antonio» e Francisco Gonçalvesdo Rego, quatro pela mesma capela. Isto pelos anos de 1779 (485)
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(482) Museu Regional de Bragança, maço Capelas.
(483) Livro 3 da matrícula, fol. 180 v. (tem a íntegra), in Dicionário Aristocrático.
(484) Museu Regional de Bragança, Cartório Administrativo, livro 165, fol. 80 v., onde vem o
seu testamento.
(485) Volume IV, p. 336, destas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança.
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MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA
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