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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A FUGA

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Chegou o momento em que o amor deixou de ser abrigo e passou a ser incêndio, um incendio que consome o oxigénio e me obriga a fugir. 

É neste instante suspenso, quase sagrado, que percebo: esquecer-te não é uma escolha cruel, é um gesto de sobrevivência.

Carrego-te como quem guarda um mar dentro do peito, mas as marés já não respeitam a margem. Transbordam, invadem tudo, afogam aquilo que ainda resta de mim. E eu, que tantas vezes quis ser porto, descobri-me naufrágio. Não posso continuar a chamar de casa aquilo que me desfaz.

Esquecer-te será como arrancar raízes que cresceram fundo. Vai doer, vai deixar a terra em ferida aberta. Mas também sei que, se as deixar, acabarão por partir a própria terra.

 Há silêncios que curam mais do que qualquer palavra que já dissemos, e há distâncias que são a única forma de amor possível.

Não é falta de sentimento, é excesso dele. Um excesso que me ultrapassa, que me desorganiza, que me torna estranha dentro de mim mesma. E eu não quero mais perder-me a tentar encontrar-te.

Por isso escolho fugir como quem escolhe a luz depois de demasiado tempo no escuro. Não porque deixaste de me importar, mas porque importar assim deixou de ser sustentável.

A tua ausência é um eco, um vazio com forma definida. Mas, com o tempo, será apenas espaço, e nesse espaço, talvez, volte a crescer qualquer coisa que não doa.

E no fundo, há uma certeza calma, quase serena: será melhor assim. Para mim, para ti, para ela, aquilo que fomos e que já não cabe no que somos. Porque há amores que só sobrevivem quando deixam de existir.

M.C.M (São Marques)


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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