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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 20 de junho de 2026

Da farinha de trigo ainda se fazem cuscos transmontanos

 A tradição já não é o que era e a produção de cuscos, símbolo da gastronomia transmontana, é cada vez menor. Em Paçó, aldeia perto de Vinhais, Maria de Lurdes Diegues perpetua esta arte ancestral e o seu produto chega até às cozinhas dos grandes chefs. “Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

Cuscos de Vinhais Foto: Empreende Vinhais

É na aldeia de Paçó, Vinhais, que Maria de Lurdes Diegues, 69 anos, se dedica à arte da confeção dos cuscos transmontanos. “Aprendi com a minha mãe. Antigamente só se fazia para consumo da casa, mas agora até os chefs gostam. Já vendi para o Cordeiro, para a Justa Nobre”, conta a mentora da empresa Sabores D’Outrora.

Feitos com farinha de trigo barbela ou trigo rijo – “trabalhamos mais com o rijo porque o barbela não se semeia tanto” –, os cuscos são, segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), “grãos aglomerados de farinha, cozidos a vapor com o auxílio de um recipiente próprio (a cuscuzeira), e secos ao ar ou ao sol, para poderem ser conservados durante vários meses”. Mas o processo é demorado e, por isso, “já não se vê muita gente a fazer”, confessa Maria de Lurdes. De acordo com a DGADR, “para a confeção dos cuscos recorre-se às masseiras de madeira, convencionalmente utilizadas para confecionar o pão, e onde se deita a farinha que se pretende transformar em cusco. A farinha é então polvilhada ou salpicada com água morna e salgada, com o auxílio de uma vassourinha de gesta ou sacudindo os dedos. São estes salpicos de água que vão ajudar a formar os grãos de cusco. Para obter uma variação mais uniforme os grãos de cuscos vão sendo peneirados com o auxílio de um crivo”. Depois, diz Maria de Lurdes, os cuscos “têm que ser secos ao sol”, cozidos a vapor e novamente secos ao sol.

Cuscos de Vinhais Foto: DGADR

“Os mais novos não querem nada com isto. Dá muito trabalho, é muito cansativo para o corpo. Ninguém pede para aprender, mas eu gostava de ensinar.” Nesse sentido, é cada vez mais importante atrair os jovens agricultores e facilitar o desenvolvimento das empresas nas zonas rurais, de acordo com uma das medidas da PAC para o período 2023-2027.

Sem fermentos ou aditivos, os cuscos são típicos dos concelhos de Bragança e Vinhais, no distrito de Bragança, em Trás-os-Montes. “É com as conquistas islâmicas que o kuskus se expande pelos países da África Subsariana e do Mediterrâneo, chegando à Península Ibérica (ou Al-Andaluz, nome dado então pelos conquistadores islâmicos a este território peninsular). Esta evolução ou transformação das práticas alimentares é acompanhada pela evolução da cultura dos cereais, em particular o desenvolvimento da cultura do trigo duro (Triticum durum), que encontra na Península Ibérica condições climatéricas favoráveis”, lê-se no site oficial da DGADR.

Cuscos de Vinhais

Hoje há cuscos

Passíveis de conservar por um longo período e, em tempos, ótimos substituto do arroz e da massa, os cuscos são versáteis à mesa. “Tradicionalmente comem-se com bacalhau, com chouriça de Vinhais, com salpicão, com cogumelos. Faz-se como se faz o arroz de tomate”, explica Maria de Lurdes. Mas também sozinho, “como um arroz seco, com peixe ou com entrecosto”.

Através do site www.saberavinhais.com é possível comprar os cuscos da Sabores D’Outrora, bem como outros produtos regionais transmontanos, como mel, azeite e fumeiro.

A sustentabilidade social, ambiental e económica na agricultura e nas zonas rurais são linhas orientadoras da PAC - Política Agrícola Comum que, em Portugal, tem como objetivos principais valorizar a pequena e média agricultura, apostar na sustentabilidade do desenvolvimento rural, promover o investimento e o rejuvenescimento no setor agrícola a a transição climática no período 2023-2027.

“Da Terra à Mesa” é um projeto Boa Cama Boa Mesa que dá a conhecer os produtos portugueses a partir de histórias inspiradoras e de sucesso, desde a produção até ao consumidor, em casa ou no restaurante.

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