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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

UM POEMA QUE ME COMOVEU

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Acabo de ler o: " Poema do Tio-avô Materno" de António Gedeão, que muito me comoveu. Não pela inefável beleza, escrito por mão de Mestre, mas pelo sublime gesto do antepassado, que o poeta não conhecera, mas que lhe servira de - exemplo, carinho e bondade, nobres predicados, que germinaram no coração do menino Gedeão.

Não resisto a não o transcrever, na esperança dos leitores mais sensíveis, também se enterneçam, e certifiquem - que a educação e os bons exemplos não se transmitem só pelos livros, mas sim pelo procedimento de familiares, mesmo falecidos:

POEMA DO TIO-AVÔ MATERNO

"Num dia sufocante, e intensíssimo calor,
Encontrei, ao regressar da escola,
um passarinho quase sem vida, caído na rua,

Levantei-o do chão, perante olhares indiferentes,
anichei-o nas mãos em concha,
e trouxe-o para casa.

Meti-lhe, pela goela, gotas de água, com a pepita dum frasco de remédio,
dirigi-lhe palavras carinhosas que ele pareceu entender,
e mal o achei melhor, abri-lhe as mãos e dei-lhe a liberdade.

Todos me cumprimentaram, pelo bom coração que assim revelei,
Todos cumprimentaram a minha mãe, pela boa educação que me soube
dar, todas as visitas me deram palmadinhas no rosto,
e fui apontado aos meninos maus das visitas,
como um exemplo edificante que todos deviam seguir.

Eu sorria-me, porque me lembrava de ter ouvido contar
que meu tio-avô materno, que não cheguei a conhecer,
também um dia encontrara passarinho na rua,
e fizera o mesmo que eu fiz.

António Gedeão
in" Poemas Póstumos"

A verdadeira educação é a da alma; que não vem nos livros de psicologia, e menos ainda em manuais de etiqueta. Mas no exemplo, que os pais, ao longo da vida, inculcam – pela correta conduta quotidiana.

Palavras grosseiras e torpes; deploráveis gestos; ausências de respeito; violência inclassificável, que as famílias imputam à coletividade, é quantas vezes, falta de atitudes sublimes: de educadores, e mormente, da classe política e jornalística, pela relaxação, que patenteiam, através dos órgãos de informação, em que são responsáveis, e de pais, indignos de tal nome, que não sabem ou não querem transmitir, bons e sadios hábitos.

Pelo desregramento voluntário ou involuntário, que alguns jornalistas divulgam, em textos e fotos, ainda que não o desejem, podem se tornar " filhos da geena"


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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