Palaçoulo celebrou a 27 de agosto, a Feira Anual e nem mesmo a chuva da manhã afugentou centenas de pessoas do certame, que começou com a feira franca, incluiu a inauguração da exposição fotográfica “Rostos que contam”, encheu-se de gente à tarde, para assistir às danças dos pauliteiros e às lutas de touros mirandeses e encerrou com os concertos musicais de Urze de Lume e Triângulo.
O certame foi organizado pela Freguesia de Palaçoulo e o presidente, Xavier Rodrigues, neste primeiro ano na liderança da autarquia, indicou que procuraram acrescentar uma componente cultural, com a inauguração da exposição fotográfica “Antes que se perca – Rostos que contam”.
“Na feira anual, às atividades emblemáticas como a feira franca, a feira de artesanato, as chegas de touros e os concertos musicais, este ano acrescentámos a inauguração da exposição “Antes que se perca – rostos que contam”, na antiga escola primária. Esta mostra fotográfica é acima de tudo uma homenagem e uma expressão de gratidão aos nossos conterrâneos e conterrâneas, com mais experiência de vida e sabedoria”, destacou.
Habitualmente em Palaçoulo, a feira anual, a 27 de agosto, iniciava o período festivo de verão, até 2 de setembro, em que se celebra a Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário. Este ano, dada a falta de mordomos, a festa não se realiza, o que entristeceu o presidente da freguesia de Palaçoulo, Xavier Rodrigues.
“As festas de verão são momentos de descanso e de convívio entre a população de Palaçoulo e quem nos visita. É com tristeza que, pela falta de pessoas disponíveis, este ano a festa não se realiza. Recordo que a Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário, é uma festividade centenária, que se celebra desde 1917. Ainda assim, no dia 2 de setembro, vai celebrar-se a missa solene e a procissão, animada pela Banda Filarmónica Mirandesa. No próximo ano, propunha que em vez dos anteriores sete dias de festa se façam apenas 2 dias”, disse o autarca de Palaçoulo.
Numa análise ao trabalho realizado na Freguesia de Palaçoulo, neste primeiro ano do mandato, Xavier Rodrigues, indicou que estão a atender as solicitações dos fregueses, na manutenção e limpeza dos caminhos rurais, nos arranjos urbanísticos, entre outras solicitações.
De visita à Feira Anual, em Palaçoulo, a presidente do Município de Miranda do Douro, Helena Barril, destacou a capacidade de trabalho, o empreendedorismo da população e a relevância deste certame.
“A gente de Palaçoulo são pessoas alegres, solidárias e tornaram esta localidade conhecida nacional e internacionalmente, pelo impeto industrial e pelo significativo contributo para o desenvolvimento económico da região e do país. Felicito também a freguesia de Palaçoulo, pela organização desta feira anual, que para além dos negócios, proporciona o encontro e o convívio entre a população local e os visitantes, Palaçoulo é também uma localidade onde as pessoas gostam das suas tradições e transmitem-nas com alegria aos mais jovens, como são as danças dos pauliteiros”, disse a autarca mirandesa.
Natural de Palaçoulo, Cisnando Ferreira, destacou a polivalêncida das pessoas, no desenvolvimento de indústrias como as artes gráficas, a cutelaria, a tanoaria, o artesanato, a venda de máquinas agrícolas, a restauração, o turismo religioso com o Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja e a cooperativa agrícola.
“Antigamente, Palaçoulo era uma aldeia predominantemente agrícola e pecuária, onde se criava gado bovino de raça mirandesa. A realização das chegas de touros na Feira Anual, deve-se a essa antiga tradição. A partir da década de 1990, em Palaçoulo, operou-se uma mini revolução industrial, com as pessoas a passarem da agricultura para a indústria”, disse.
Sobre a evolução das feiras, que em Palaçoulo se realizam mensalmente no dia 27, Cisnando Ferreira, indicou que o declínio demográfico tirou pujança económica aos certames, que antigamente eram sobretudo mercados de gado bovino, ovino, caprino e suíno.
“Atualmente, a feira tem menos feirantes, menos público e há outros produtos e artigos à venda. Acima de tudo, esta Feira Anual é um momento de celebração, de encontro e convívio da população de Palaçoulo com quem nos visita. As chegas de touros, por exemplo, são um espetáculo que conseguem atrair centenas de pessoas a Palaçoulo. Para continuar a desenvolver a feira importa mostrar o que nos distingue, como são as navalhas, as barricas, as artes gráficas, as máquinas agrícolas, o mosteiro, etc.”, disse.
O casal, Paulo e Sílvia, vieram de Famalicão até Palaçoulo, para visitar a Cutelaria Martins, por coincidência no dia 27 de agosto, aquando da Feira Anual e no momento das Chegas de Touros.
“É a primeira vez que visitámos Palaçoulo e por coincidência no dia da Feira Anual. Aproveitámos a estadia para assistir os espetáculos das chegas de touros mirandeses, das danças dos pauliteiros e a performance do grupo de percussão Porbatuka. Gostámos muito desta jornada em Palaçoulo e com certeza vamos regressar a esta bela região da Terra de Miranda”, disseram os visitantes.
A Feira Anual, em Palaçoulo, encerrou com o arraial musica dos grupos “Urze de Lume” e “Triângulo”.
Em Palaçoulo, no dia 2 de setembro, às 14h30, celebra-se a missa em honra de Nossa Senhora do Rosário, seguida da procissão, acompanhada pela Banda Filarmónica Mirandesa.
Antigamente, em Palaçoulo, na festa dedicada a Nossa Senhora do Rosário, participavam também os animais: vacas, ovelhas, burros, etc., que transportavam sacos de oferendas como o trigo, batatas e outros produtos da terra e pediam a proteção divina contra as enfermidades.


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