(pelo Governo de Lisboa)
19.março.1918 – 21.janeiro.1919
LISBOA, C. 1860 – ?
Médico.
Licenciado em Medicina.
Governador civil de Bragança (1918-1919).
Natural de Lisboa.
Filho de António Rodrigues Fachinha.
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Médico de profissão, na década de 1890 Rodrigues Lobo colaborava com a Misericórdia do Porto no Instituto Araújo Porto, para o ensino de crianças surdas.
Para desenvolver o ensino naquele estabelecimento, em 1893 a Misericórdia destacou- o para Paris, juntamente com Nicolau Pavão de Sousa, com o objetivo de na capital francesa adquirirem habilitações como professores para surdos. Depois de um ano de estágio no Instituto Nacional de Surdos de Paris, regressaram ambos ao Instituto Araújo Porto, criando-se então se um “Curso Normal” para formar professores de surdos.
Em novembro de 1913, foi nomeado professor no Liceu Rodrigues de Freitas, onde permaneceu como médico escolar nos anos seguintes.
Governador civil de Bragança por despacho de 19 de março de 1918, tomando posse a 30 do mesmo mês, foi um magistrado atento aos problemas que o rodeavam, promovendo a concessão de atestados de pobreza e nascimento às famílias dos soldados, bem como a construção de cemitérios públicos no distrito.
Durante o seu mandato, e para combater a excessiva emigração com que o distrito se debatia, ordenou a todos os administradores concelhios o impedimento da saída de operários para França.
O mandato deste governador civil terminou com a Monarquia do Norte, vendo-se obrigado a abandonar a cidade de Bragança a 21 de janeiro de 1919, devido ao levantamento das unidades militares da cidade e da proclamação da Monarquia, embora a sua exoneração efetiva tenha sido decretada apenas a 20 de fevereiro seguinte.
Regressou depois ao Porto, onde morava na Rua de S. Brás, e ali, em 1926, publicou um volume com duas conferências da sua autoria, “A educação física através dos tempos” e “A Meteorologia dos Lusíadas”, este último sobre alguns aspetos científicos abordadas por Luís Vaz de Camões.
Já em 1936, escreveu a António Ferro, enquanto presidente do Sindicato dos Jornalistas, comunicando-lhe a sua adesão “ao protesto dos intelectuais portugueses contra as barbáries praticadas em Espanha”, no contexto da guerra civil que grassava no país vizinho.
Circular enviada por Rodrigues Lobo aos administradores de concelho a propósito do apoio aos soldados em campanha na Grande Guerra (1918)
Exmo. Senhor Administrador do Concelho
Bragança, 5 de abril 1918
Circular
No intuito de facilitar as relações entre soldados em campanha e suas famílias, e ainda o encargo de zelar os interesses de uns e de outros e de servir de intermediária das suas relações criou a Junta Patriótica do Norte uma secção especial denominada “Bureau de Informações”.
Para levar a efeito esta sã, patriótica e benemérita iniciativa, carece aquela Junta de cooperação das autoridades locais, nomeadamente no sentido de serem passados gratuitamente, como é de lei, às famílias dos soldados atestados de pobreza e nascimento, de que careçam para fins militares.
Para esse fim, e de harmonia com o despacho de S. Exa. o Ministro do Interior de 30 de março último, venho ordenar a V. Exa. se digne, por si e regedores desse concelho, promover junto das repartições do Registo Civil e juntas de freguesia todas as facilidades na concessão dos referidos atestados.
Saúde e Fraternidade
Fonte: Arquivo Distrital de Bragança, Governo Civil de Bragança, Correspondência Expedida.
Circular de Rodrigues Lobo a apelar à angariação de donativos aquando
da epidemia de gripe pneumónica (1918)
Em vista do grande desenvolvimento da epidemia da gripe pneumónica, deseja o Exmo. Presidente da República que nos concelhos atacados se organizem comissões das pessoas de maior categoria social, a fim de angariarem donativos para acudirem às vítimas do mal epidémico que a todos aflige.
Por isso, pedia a V. Exa. se dignasse fazer parte da comissão a organizar e tivesse a bondade de comparecer amanhã, 2 do corrente, neste Governo Civil, pelas 15 horas.
Saúde e fraternidade – Bragança, 1.º de novembro de 1918.
O governador civil, Luís António Rodrigues Lobo.
Fonte: Arquivo Distrital de Bragança, Governo Civil de Bragança, Correspondência Expedida,
Circulares expedidas de 1913 a 1930, 2.ª secção, circular n.º 17.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, documentos vários.
Fundação António Quadros, Fundo AFC, Caixa 0017, correspondência.
Diario Illustrado, 26.9.1875.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança,vol. X. Bragança: Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
ANTUNES, Ana Catarina Botelho. 2013. A inclusão de alunos surdos em salas de aula regulares. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa.
Publicação da C.M. Bragança

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