Mário Francisco Gomes, presidente da União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, afirma que o aeródromo evita o risco de incêndio. Também oferece 99,8% de visibilidade e festa até à meia-noite.
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Se em Lisboa ou no Porto o céu vai escurecer, é no extremo nordeste de Portugal que o dia se vai transformar em noite profunda. A linha de totalidade deste eclipse roça a fronteira de Trás-os-Montes, transformando a freguesia de Rio de Onor no centro do mundo por breves minutos. Ainda assim, devido às previsões de calor extremo para o pico de agosto, que estamos a enfrentar neste momento, e por causa do risco máximo de incêndio, as autoridades concluíram que a afluência prevista de milhares de visitantes e viaturas a uma zona protegida representava um risco. Para evitar tudo isto, toda esta operação logística e concentração de público foram transferidas de emergência para o Aeródromo Municipal de Bragança. Esta mudança de planos acaba por alterar radicalmente o cenário e para nos falar disso está conosco Mário Francisco Gomes, presidente da União de Freguesias de Aveleda e Rio de Onor. Senhor presidente, seja muito bem-vindo. Esta decisão das autoridades de cancelar a observação em Rio de Onor, a pouquíssimos dias do eclipse, caiu como um balde de água fria. Como é que a população e até a própria Junta de Freguesia recebeu esta notícia?
Olá, muito bom dia e muito obrigado. A decisão foi bastante consciente. Aliás, desde o início que se ventilou a hipótese de ser no aeródromo, dado o histórico do risco elevado de incêndio nos primeiros 15 dias do mês de agosto. Portanto, a população da freguesia foi sendo informada de que, eventualmente, o fenômeno não poderia ser visto no local que todos gostávamos que fosse, e que sim, talvez fosse transferido para o aeródromo, como de facto veio a acontecer. O espaço era exíguo para comportar tanta gente. Era uma pressão enorme ali no território e acho que foi, para além da questão dos incêndios, a questão também da gestão do próprio espaço e da pressão que o espaço iria sofrer.
Com certeza esperavam aqui um contingente muito grande de visitantes. Sentiram alguma vaga de cancelamentos por parte de turistas que vão querer, se calhar, ficar mais perto do aeródromo?
Não, não temos essa informação. Se de facto isso aconteceu nos alojamentos locais, nós não temos essa informação. De facto, o evento irá começar a partir das 16h, no aeródromo, sendo que as pessoas de Guardamil e Rio de Onor poderão ter acesso privilegiado a esse local, devidamente controladas pela GNR e Proteção Civil, assim como toda a área envolvente irá ser controlada, como é óbvio.
Mário Francisco Gomes, como é que a aldeia também está a organizar esta receção a estes visitantes que, apesar destas alterações que temos vindo a falar, continuam, por exemplo, se calhar, também a pernoitar na própria freguesia?
As aldeias estão a encarar isto de forma muito calma, muito pacífica. Nós, infelizmente, não temos muito alojamento local. De facto, o que temos está completo desde o início do verão. As pessoas continuam a chegar. Portanto, até agora, que a Junta saiba, ninguém cancelou a estadia.
Muito bem. Tendo em conta aquilo que vai acontecer, há bocadinho falava aqui desse programa que começa às 16h, o que nos pode adiantar para pessoas que possam estar a equacionar ir até a esse Aeródromo Municipal de Bragança para ver este fenômeno, que é raro e que, como dizíamos há pouco aqui com o nosso editor de fotografia do Observador, vai poder ser visto nessa zona a 100%?
O aeródromo é uma excelente opção. Tem uma grande visibilidade, até porque o sol nessa altura estará 20 graus no horizonte e, portanto, ali não temos problema nenhum. Não temos ali nenhum obstáculo que impeça de visualizar o fenômeno. Salvo aqui no aeródromo, só vamos poder assistir a 99,8 do eclipse, o que, segundo os astrónomos, faz uma grande diferença. Depois do eclipse, continuará a haver atividades até cerca da meia-noite. Há onde comer, há DJs, há workshops. Portanto, há muita atividade para desfrutar do espaço e do evento em si.
É muito mais do que apenas o eclipse. Há, de facto, uma programação especial para este dia 12 de agosto, que é como quem diz, já na próxima quarta-feira. Senhor presidente, corrija-me se estiver errado, entre Rio de Onor e o Aeródromo Municipal de Bragança, são cerca de 25 a 30 km, certo?
São menos um bocadinho. São volta de 20.
Ia-lhe perguntar como é que vai ser feita a deslocação das pessoas que estão alojadas, por exemplo, na vossa freguesia e que queiram ver este eclipse. Haverá autocarros, transporte organizado?
O transporte organizado é só a partir da cidade de Bragança e começa pelas 14h. As pessoas que estão alojadas terão que se deslocar nas próprias viaturas. O espaço contempla um amplo estacionamento devidamente controlado. Portanto, esse é outro problema que iríamos ter caso se tenha efetivado o evento na faixa dos 100%.
Isso quer dizer, então, para quem quiser desfrutar deste transporte organizado, terá de deslocar-se até Bragança para usufruir dessa possibilidade, é isso?
Sim, ou ir diretamente pro aeródromo, porque não há falta de espaço para estacionamento.
Muito bem. E pergunto-lhe também como é que está a decorrer esta cooperação com a Câmara Municipal de Bragança e até mesmo com a própria Proteção Civil, que teve aqui o papel preponderante, possivelmente na organização deste evento.
Sim, a Junta embora seja um parceiro na organização, esteve sempre no papel de assistente e nunca de poder de decisão. É claro que éramos consultados, mas de facto a organização é toda do Ciência Viva, da Câmara Municipal e Proteção Civil. Nós basicamente somos espectadores e cedemos o espaço.
Muito bem. Mário Francisco Gomes, deixo-lhe aqui a oportunidade de deixar também um convite aos nossos ouvintes, até porque Bragança tem essa facilidade, o eclipse vai ter uma vista privilegiada desse ponto onde vai estar. Quer deixar aqui um convite para os nossos ouvintes que ainda estejam indecisos e não sabem muito bem ainda onde vão ver este fenómeno, que é raro e que vai acontecer em Portugal já na próxima quarta-feira?
Claro que sim. Venham a Bragança, venham ao Aeródromo, onde terão todas as condições de segurança para assistir a este fenómeno único. Garanto que não se vão arrepender.
Mário Francisco Gomes, presidente da União de Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, muito obrigado por ter estado aqui conosco na Rádio Observador.
Muito obrigado.
Um bom eclipse, que corra tudo bem. Para os nossos ouvintes, se o plano inicial era estar em pleno Parque Natural de Montesinho, a grande festa da astronomia com este eclipse faz-se agora no Aeródromo Municipal de Bragança, onde a segurança de todos e a proteção da nossa floresta estão garantidas. A quatro dias deste fenómeno raro, o conselho também fica dado. Planeie a sua viagem com antecedência, evite as horas de maior trânsito para fazer a sua viagem, garanta os seus óculos de proteção, que cumprem aqui todas as normas de segurança, e se vai fotografar, como dizia há pouco o editor de fotografia do Observador, o João Porfírio, lembre-se também de proteger a lente da sua câmara. Entretanto, o Observador preparou uma ferramenta indispensável para não perder um segundo do maior evento astronómico do século, este eclipse solar que acontece já na próxima quarta-feira. Aceda a observador.pt e explore o nosso mapa interativo do eclipse. É a partir de lá que pode apenas introduzir a sua localização para saber a hora exata em que a Lua começa a tapar o Sol na sua rua, a percentagem de escuridão que vai ter e a duração deste fenómeno, e ainda encontra 14 perguntas e respostas essenciais para proteger a sua vista e também o seu equipamento que pode usar para fotografar este eclipse. O Guia do Eclipse, ou melhor dizendo, o Guia para o Eclipse, programa da Rádio Observador, regressa na próxima segunda-feira com um novo episódio com mais conselhos práticos para não perder pitada deste evento e espetáculo que marca o céu e raro acima de tudo.


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