(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Meu avô acabara de sair do semanário: " A Paz", onde era editor. Ao passar diante da farmácia do Dr. Gonçalves, este vendo-o corado, disse-lhe: " É melhor consultar o médico. Anda por ai a gripe espanhola!...
Pouco depois faleceu de pneumónica, devido terem-lhe aplicado medicamento a que era alérgico.
Meu pai sentindo-se doente consultou clínico respeitado. Este recomendou-lhe, que devido à idade era melhor tomar medicamento para dilatar as veias capilares. Sentindo as pernas inchadas e humedecidas avisou o clínico. Recomendou-lhe: estender as pernas.... Pouco depois, faleceu com problemas renais.
O jornalista Santos Lessa, escreveu no seu periódico, no dia do falecimento:
" Pinho da Silva há muito que estava doente, praticamente imobilizado, devido a erro médico. Na última missiva dizia-nos, talvez prevendo o desenlace para breve: " Estou cada vez mais doente da intoxicação que o médico me arranjou."
Minha mãe sentiu forte dor de cabeça. Disseram-lhe: que era do fígado; que era do estômago; que era do baço; até psiquiatra, lhe disse: era psíquico.
Fez exames. Tirou radiografias e análises, nada resultou. Foi de veraneio para o interior. Indicaram-lhe clínico de grande presteza. Foi. Após aturados exames, disse-lhe.” Não descobri nada! Já fez o exame ao fundo ocular?
Descobriram que era tumor cerebral bastante adiantado. Faleceu em 1968.
Certa ocasião acordei com forte dor no cotovelo esquerdo. O ortopedista concluiu – haver nervo trilhado. Era necessário operar. Mas, antes, tinha de fazer exames.
Fui. Atendeu-me médica muito velhinha e simpática. Contei-lhe a minha desgraça, e perguntei-lhe – a opinião. Respondeu-me: que não era ético:" O seu ortopedista é que sabe."
Como sabia que tinha filhos e netos, teimei: " Se fosse seu filho, o que me aconselharia?" Declarou serenamente: " Se fosse meu filho... Não fazia, não senhor; porque lesões dessas podem passar em dois ou três meses..." Assim aconteceu.
Meu médico assistente ao ver o resultado das análises, disse-me: "O PSA está alto, é bom consultar o urologista.
Este mandou-me repetir a análise.
Entretanto almocei com o amigo Miguel, a quem narrei a minha tragédia. Contou-me: conhecia homem, que com sementes de abóbora, conseguira baixar o PSA. Segui o conselho, e a nova análise estava normal!
Contei o sucedido a médico amigo, confessou-me: " Também tomo diariamente uma dose de sementes..."
Meu pai era amigo de excelente médico; mas tinha poucos doentes, porque estes não gostavam que recomendásse para refreados – chazinho de limão ou cidreira!...
Nada tenho contra a classe médica, nem a costuma criticar, como fazia Molièr. Meu irmão era médico. Possuía vários diplomas, louvores e prémios, nacionais e internacionais. Quando conversávamos sobre erros médicos, dizia-me: "Todos erramos!...Por desconhecimento ou descuido!..."
No século passado escrevi artigo em louvor dos médicos-sacerdotes de outrora, citando alguns. O Professor Doutor Almeida Garrett, in: "A Ordem" (30/09/94), discordou em parte, do meu parecer; não deixando, porém, de afirmar, que tinha alguma razão.
Espero, que trinta e dois anos depois, não apareça clínico ofendido, porque não foi, nem é, essa a intenção.


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