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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Dia Internacional da Mulher Rural - 15 de Outubro


O Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado anualmente a 15 de outubro, é uma data proclamada pelas Nações Unidas para reconhecer o papel fundamental das mulheres que vivem e trabalham no meio rural em todo o mundo. Esta efeméride constitui um momento de reflexão histórica, social e política sobre as desigualdades que estas mulheres enfrentam, mas também sobre a sua enorme contribuição para a agricultura, a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a preservação das comunidades rurais.

A criação do International Day of Rural Women foi formalmente estabelecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007. A resolução reconheceu que as mulheres rurais desempenham um papel essencial na produção de alimentos, na gestão de recursos naturais e na manutenção da economia rural, especialmente em países em desenvolvimento.

Contudo, a ideia de uma data dedicada às mulheres rurais surgiu muito antes dessa formalização. Já durante a década de 1990, organizações feministas, movimentos de agricultores e agências internacionais começaram a chamar a atenção para a invisibilidade do trabalho feminino no campo. Muitas dessas mulheres trabalhavam sem remuneração formal, sem acesso à terra, crédito, educação ou cuidados de saúde adequados.

A escolha do dia 15 de outubro não é casual, antecede o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), sublinhando a ligação direta entre o trabalho das mulheres rurais e a produção global de alimentos.

Ao longo da história da humanidade, as mulheres rurais estiveram na base da sobrevivência das comunidades. Desde as primeiras sociedades agrícolas, foram responsáveis por tarefas essenciais como:

• o cultivo de alimentos; 
• a criação de animais; 
• a recolha de água e lenha; 
• a conservação de sementes; 
• o cuidado da família e da comunidade. 

Apesar disso, o seu contributo foi frequentemente desvalorizado ou invisibilizado nas narrativas históricas tradicionais, que privilegiaram o trabalho masculino ou urbano.

Em muitos contextos históricos, especialmente na Europa medieval, em África e na Ásia rural, as mulheres eram também guardiãs do conhecimento agrícola tradicional, transmitindo técnicas de cultivo, cuidados com o solo e práticas de sustentabilidade de geração em geração.

Mesmo nos dias de hoje, as mulheres rurais continuam a enfrentar desafios estruturais significativos. Entre os principais problemas destacam-se:

• Acesso limitado à terra e à propriedade: em muitos países, as leis ou práticas culturais dificultam que as mulheres sejam proprietárias de terrenos agrícolas. 
• Desigualdade no acesso ao crédito e recursos financeiros. 
• Menor acesso à educação e formação técnica agrícola. 
• Falta de infraestruturas básicas, como saneamento, eletricidade e cuidados de saúde. 
• Dupla carga de trabalho, combinando atividades agrícolas com trabalho doméstico não remunerado. 

Estas desigualdades não afetam apenas as mulheres, mas também o desenvolvimento das comunidades rurais e a segurança alimentar global.

Com o avanço das agendas globais de desenvolvimento sustentável, especialmente após a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pela ONU em 2015, o papel das mulheres rurais passou a ser cada vez mais valorizado.

O ODS 5, que trata da igualdade de género, e o ODS 2, que visa erradicar a fome, estão diretamente ligados ao empoderamento das mulheres rurais. Estudos mostram que, quando as mulheres têm acesso igualitário a recursos agrícolas, a produtividade aumenta significativamente e a fome diminui.

A United Nations e outras instituições internacionais têm promovido políticas e programas que incentivam:

• a igualdade no acesso à terra; 
• a educação rural feminina; 
• o apoio ao empreendedorismo agrícola feminino; 
• a participação das mulheres na tomada de decisões comunitárias. 

As mulheres rurais representam uma parte crucial da força de trabalho agrícola mundial. Estima-se que, em muitas regiões em desenvolvimento, elas constituam até metade da mão de obra agrícola.

O seu impacto vai muito além da produção alimentar. Elas desempenham um papel essencial na:

• preservação da biodiversidade agrícola; 
• adaptação às alterações climáticas; 
• segurança alimentar das famílias; 
• manutenção das economias locais. 

Investir nas mulheres rurais significa investir em desenvolvimento sustentável, redução da pobreza e maior equilíbrio social.

O Dia Internacional da Mulher Rural não é apenas uma celebração, mas também um apelo à ação. Serve para lembrar governos, organizações e sociedades de que o progresso real só é possível quando há igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no meio rural.

É também um momento para valorizar histórias individuais de resiliência. Mulheres que, apesar das dificuldades, lideram cooperativas agrícolas, inovam na produção sustentável, educam comunidades e lutam pelos seus direitos.

O Dia Internacional da Mulher Rural representa uma homenagem global às mulheres que, muitas vezes longe dos centros urbanos e do reconhecimento público, sustentam a vida no planeta através do seu trabalho diário. Ao mesmo tempo, serve para lembrar que ainda há um longo caminho a percorrer na construção de sociedades mais justas, igualitárias e sustentáveis.

Mais do que uma data no calendário, o 15 de outubro é um convite à reflexão sobre o valor invisível que estas mulheres têm tido ao longo da história e sobre o papel essencial que continuarão a desempenhar no futuro da humanidade.

Texto e Imagem: HM - com IA e IN

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