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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Estudantes guineenses ouvem apelo de Simões Pereira à construção do futuro do país

 Domingos Simões Pereira, presidente eleito da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, entretanto dissolvida, deixou uma mensagem de confiança aos estudantes guineenses em Bragança, desafiando-os a investir na formação e a contribuir para o futuro do país, apesar da instabilidade política.


O dirigente participou, na quinta-feira, 8 de outubro, numa conferência sobre juventude e participação cívica e política, organizada pelo Núcleo de Estudantes Guineenses na Universidade Politécnica de Bragança (UPB).

“Temos que ser resilientes, temos que acreditar”, afirmou, em declarações ao Mensageiro à margem do encontro. Aos jovens, pediu empenho nos estudos e que procurem ser os melhores nas áreas que escolheram, porque “o país vai sempre precisar” dos seus conhecimentos.

Simões Pereira destacou também o papel da diáspora, que considera “uma reserva moral, financeira, económica e cultural” da Guiné. No caso dos estudantes, acrescentou, o contacto com outras realidades e a aquisição de conhecimentos podem ajudar a transformar as comunidades de origem, através da partilha dessas experiências com as famílias e a sociedade.

Para Rajik Mendes, presidente do Núcleo de Estudantes Guineenses, a iniciativa permitiu “promover o debate com uma personalidade com experiência política, diplomática e de trabalho com jovens”.

Segundo o mesmo responsável, foi a primeira visita de Simões Pereira a Bragança e o primeiro encontro desta dimensão promovido pelo núcleo, que habitualmente organiza atividades dirigidas aos seus membros e à comunidade académica.

“Saímos fora da caixa”, explicou, sublinhando a intenção de mostrar que Bragança é uma cidade “que acolhe estudantes de diferentes origens e uma comunidade guineense expressiva”.

Rajik Mendes estima que existam cerca de 200 estudantes guineenses nas várias escolas da instituição, incluindo em Mirandela e Chaves, constituindo, segundo indicou, “a segunda maior comunidade africana, depois da cabo-verdiana”.

A integração académica é uma das principais preocupações do núcleo. O dirigente apontou dificuldades nas competências tecnológicas e linguísticas, associadas às fragilidades do ensino no país de origem, e adiantou que está a ser articulado com a UPB um plano de trabalho para melhorar o acompanhamento destes estudantes.

Orlando Rodrigues, Reitor da Universidade Politécnica de Bragança, identificou igualmente as desigualdades na preparação escolar e as dificuldades económicas como os principais obstáculos.

Embora existam estudantes guineenses com muito bons resultados, explicou, a formação recebida no ensino básico e secundário é desigual, o que exige apoio na recuperação de aprendizagens nas ciências básicas e nas competências linguísticas e digitais.

A instituição disponibiliza formação complementar nestas áreas, além das aulas regulares, mas Orlando Rodrigues defendeu que seria desejável um maior acesso a bolsas de estudo.

“Sem formar quadros, sem formar pessoas, sem formar técnicos, o país também não se vai desenvolver”, afirmou, considerando que apoiar a qualificação dos jovens guineenses é contribuir para o futuro da Guiné-Bissau.

A instabilidade política condiciona também o regresso dos diplomados. Rajik Mendes, que está a concluir um mestrado em Tecnologia e Ciência Animal, contou que chegou a ponderar voltar ao país depois da formação, mas acabou por permanecer em Portugal e continuar os estudos por não encontrar condições e oportunidades para regressar.

Orlando Rodrigues revelou ainda que uma visita de representantes dos politécnicos portugueses à Guiné-Bissau, destinada a desenvolver parcerias, não teve continuidade. Segundo explicou, a situação política e a fragilidade das instituições guineenses dificultaram o diálogo necessário para concretizar a cooperação.

No plano político, Simões Pereira apelou às entidades que controlam a Guiné-Bissau para que deem sinais de compromisso com a reposição da normalidade constitucional. Questionado sobre o risco de os militares permanecerem no poder, como aconteceu em países do Sahel, respondeu: “Espero que não”.

O dirigente disse também desconhecer as condições de um eventual regresso ao país, quando se aproxima o fim do período de três meses autorizado para permanecer em Portugal. Sobre a sua detenção, que considera ter sido um sequestro, reiterou que foi “não só ilegal como arbitrária”.

António G. Rodrigues

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