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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Vigésima Terceira edição da Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite superou todas as expetativas

A Edição de 2018 da Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite de Carrazeda de Ansiães superou todas as expectativas, refere fonte da organização, estimando-se em 20 mil o número de pessoas que durante os 3 dias visitaram o evento.
A aposta na renovação da feira com a concentração de todos os expositores no interior do recinto e uma tenda orbital dedicada à exposição e venda da maçã, do vinho e do azeite foi uma aposta ganha, tendo permitido aumentar largamente a visibilidade destes produtos endógenos assim como ampliar exponencialmente o volume de vendas. Estima-se que na edição de 2018 tenha sido vendido cerca de 3 toneladas de maçã, um volume oito vezes superior ao do ano transato.

A par da Feira, a aposta na renovação do cartaz com espetáculos de música com artistas do panorama nacional, bem como um conjunto de atividades paralelas como o programa da RTP “Aqui Portugal” o “Ansiães Douro Triatlo” foram motivos que contribuíram para trazer mais visibilidade ao evento e um maior número de visitantes à Feira. 

É também de salientar o envolvimento da comunidade local que durante estes três dias esteve presente e participou ativamente no evento através das atividades paralelas como o cortejo etnográfico, a procissão dos padroeiros, o Ansiães Douro Triatlo e a gincana de tratores.

Segundo o presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, o evento superou todas as expetativas, gerando um grande dinamismo económico na vila, ao mesmo tempo que o nome de Carrazeda de Ansiães foi levado a todo o país e a todo o mundo. O presidente da autarquia referiu-se à transmissão em direto efetuada pela RTP1 e pela RTP Internacional do programa “Aqui Portugal” como um evento produzido a partir de Carrazeda de Ansiães com grande profissionalismo, que permitiu que o nome do concelho fosse levado a todo o mundo durante as oito horas em que a transmissão esteve no ar.

João Gonçalves enalteceu ainda a participação e a colaboração empenhada das instituições, associações e de todos os agentes económicos e empresários locais que estiveram presentes em massa no evento, trazendo para este recinto os seus investimentos e os projetos que desenvolvem no território concelhio.

in:noticiasdonordeste.pt

BMTC | 9.º Aniversário da BMTC

A Biblioteca Municipal Trindade Coelho (BMTC) comemora, no próximo dia 10 de setembro, segunda-feira, o seu 9.º aniversário e programou um conjunto diversificado de atividades.

Maravilhas à Mesa - Mesa de Bragança

De 9 a 16 de setembro 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Mestres ensinaram tradição dos escrinhos na Aldeia Pedagógica de Vilar Seco

Nas Aldeias Pedagógicas os Mestres ensinam as suas artes e perpetuam a tradição. 
O conhecimento salta das mãos dos mais antigos e chega às novas gerações. São eles, os Mestres, que tornam possível esta passagem de sabedoria, a dita herança cultural.

No passado sábado, dia 01 de Setembro, os Mestres foram a bússola dos visitantes numa viagem pelos escrinhos, uma tradição ancestral da Aldeia Pedagógica de Vilar Seco. Um grupo de participantes passou uma manhã diferente guiado pelas mãos do Mestre Aníbal Delgado e da Mestre Rosa do Nascimento.


Os aprendizes ficaram a saber que os escrinhos são feitos com silvas e palha de centeio. O dia na Aldeia Pedagógica de Vilar Seco começou com a saída de campo para recolha das silvas, que serviram para dar os primeiros passos. Os Mestres explicaram a um grupo bastante atento e entusiasta o processo de apanha das silvas, a altura do ano e lua em que devem ser apanhadas e quais as silvas que podem ser apanhadas. Os passos seguintes foram retirar os picos das silvas, rachá-las em 4 partes, retirar o miolo e fazer rolos para serem fervidos numa caldeira. Com a ajuda dos Mestres escrinheiros os participantes prepararam o material e meteram as mãos na palha e na silva, dando início à confeção dos escrinhos. 

O objetivo desta iniciativa é manter vivas as tradições locais e os antigos saberes dos Mestres, conservando e divulgando o património histórico e cultural da região, promover a valorização social e combater o estigma de que quem faz artesanato está a um nível inferior, para assim atrair novos praticantes. Os próximos passos passam pela criação e registo de uma marca que certifique a origem das peças produzidas na Aldeia Pedagógica de Vilar Seco, a inscrição do Escrinho no inventário Nacional do Património Imaterial e a participação em feiras e exposições. Os escrinhos são cestos feitos com palha de centeio e casca de silvas usados antigamente para colocar a farinha ou o trigo, sendo na atualidade usados como adorno. Outrora era um trabalho só de homens e, com o avançar dos tempos, passou também a ser feito por mulheres. 


No final do workshop todos ficaram com vontade de mais e a Azimute promete a realização de novos Workshops no futuro. 

O “Aldeias Pedagógicas” valoriza os saberes, os ofícios, experiência de vida dos idosos e a sua ligação ao mundo rural tornando-os nos “Mestres” das aldeias: são os idosos que melhor guardam os saberes de outrora e são também eles que melhor os sabem transmitir. 


O projeto Aldeias Pedagógicas faz parte de uma candidatura aprovada pelo instrumento de financiamento Parcerias para o Impacto, gerido pela Portugal Inovação Social – sendo cofinanciado pelo PO ISE - Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, Portugal 2020 e FSE - Fundo Social Europeu, Fundação Calouste Gulbenkian, Câmara Municipal de Bragança e Câmara Municipal de Vimioso.

in:noticiasdonordeste.pt

EDP Lança 3ª edição do Programa Tradições

A EDP abriu mais uma edição do Programa Tradições, um pprojeto de apoio à cultura popular que irá atribuir 250 mil euros aos melhores projetos.
As candidaturas a esta 3ª edição podem ser feitas até dia 17 de setembro. "Em 2018, o Programa Tradições associa-se ao Ano Europeu do Património Cultural que tem como objetivo chamar a atenção para o papel da cultura e do património no desenvolvimento social e económico na Europa e nas suas relações externas, e motivar os cidadãos para os valores comuns europeus" refere fonte da empresa elétrica de Portugal. 

Este programa tem como objetivos valorizar as cultura e as tradições locais estimulando a autoestima das comunidades, ajudar a criação de novos públicos, garantindo que as novas gerações valorizam e integram as artes e os saberes populares evitando a extinção das mesmas e contribuir para o desenvolvimento e dinamização local, sendo uma forma de combater a desertificação do interior do país. 

Podem concorrer todos os projetos que cumpram estes objetivos e se insiram na área geográfica dos centros produtores da EDP, num total de 94 municípios abrangidos. O formulário de candidatura e regulamento do concurso estão disponíveis AQUI.

O Real Filatório de Chacim – Macedo de Cavaleiros

As ruínas do Real Filatório de Chacim impressionam. Altas de três andares, são um dos últimos testemunhos da indústria da seda em Trás-os-Montes.


Chacim é hoje uma aldeia pacata. No extremo sul do concelho de Macedo de Cavaleiros, as suas gentes dedicam-se fundamentalmente à agricultura. Mas no século XVIII teve um papel primordial no esforço de industrialização do país.

Por decreto de D. Maria I, foi Chacim escolhida para albergar o Real Filatório e a escola de tecelagem. Com um micro-clima propício à produção de bicho-da-seda e alguma tradição na confeção de seda, a aldeia de Chacim foi protagonista da industrialização de Portugal.


Da real fábrica de seda pouco mais chegou aos nossos dias do que as paredes nuas de um grande edifício. Mas nos seus tempos áureos, o barulho do filatório piemontês e a azáfama de dezenas de trabalhadores faziam vibrar as pedras hoje mudas.

A real fábrica de seda laborou até 1807, ano das primeiras invasões francesas, mas chegou a ter várias centenas de trabalhadores e a produção de seda ocupou. direta ou indiretamente, quase 50 por cento da população de Macedo de Cavaleiros. Com o final da produção veio o declínio do edifício e o Estado acabaria por o vender em 1869, servindo depois como estábulo até ao grande incêndio que o consumiu já no século XIX.


A memória do grande empreendimento industrial foi-se perdendo e todo o complexo utilizado para outros fins, até que em 1997 é realizada uma escavação arqueológica que desenterra evidências da utilização do moinho piemontês.


Esta é uma visita que aconselhamos (até porque Chacim é uma bela aldeia), mas que deve ser realizada com o trabalho de casa feito, porque pouca ou nenhuma informação se encontra no local e o centro interpretativo está com a porta fechada.

Os Arnaud e o moinho à piemontesa
No vibrante final do século XVIII, as mentes modernas procuravam a novidade. D. Rodrigo de Sousa Coutinho era um desses casos. Tendo o Conde de Linhares visto em Turim, onde era Ministro de Portugal, o processo de fiação proto-industrial conhecido como moinho (ou filatório) piemontês, sugeriu-o ao governo de então. Foram experimentados casulos portugueses em várias fiações e verificou-se que produziam organsim de grande qualidade.

Memória do Bairro Operário

O Conde de Linhares consegue convencer o reino e uma família que conhecia bem o negócio da seda a entenderem-se. Os Arnaud chegam a Lisboa, onde demonstram a eficácia do moinho hidráulico que permitia tecer maior quantidade e mais rapidamente.

Feito o testo e aprovada a máquina, D. Maria II manda então que se instale o Real Filatório em Chacim, para aproveitar as amoreiras e a tradição de produção de seda na região transmontana entre Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Brangança, Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

Os Arnaud, pais e filhos, ficam encarregues de instalar o filatório e aí estabelecerem uma escola que espalhasse por Portugal os seus métodos de tecelagem. Acordado um salário de 3.000 reais, demora uma semana a viagem dos italianos e do seu moinho até Trás-os-Montes.

O investigador local Rui Sousa lembra que ” fiação à piemontesa foi uma inovação e trouxe um grande desenvolvimento. Hoje apenas temos os vestígios daquilo que foi uma grande fábrica de seda que ocupou em determinada altura mais de 50 teares e 220 trabalhadores, tendo a real fábrica chegado a empregar direta ou indiretamente cerca de 450 pessoas”.

O Real Filatório seria construído na mais antiga zona da povoação de Chacim, junto à ribeira que leva o nome da aldeia e cujas águas fariam giram o moinho à piemontesa. A ponte de arco de volta perfeita em alvenaria de xisto que atravessa a ribeira junto à antiga instalação fabril deverá ser medieval. Mesmo aí ao lado, há ainda as casas de xisto que restam do que foi o Bairro Operário onde viviam trabalhadores e aprendizes do Real Filatório de Chacim.

A Ponte do Bairrinho

As ruínas do Real Filatório podem ser outra etapa de um percurso por Terras de Cavaleiros; um percurso que incluirá o Mosteiro de Balsamão e que poderá ser feito em qualquer época do ano. No verão, será um complemento à praia do Azibo e, no Carnaval, um pretexto para depois dizermos que houve mais do que o paganismo dos caretos de Podence na visita que fizemos a este território onde se come verdadeiramente bem.



Texto: Jorge Montez
Imagem: Miguel Montez

Portugal Les a Les

MILHÕES AO PANTEÃO, JÁ!

O Panteão Nacional, fundado em 26 de Setembro de 1836, nunca demonstrou ter suficiente préstimo material ou imaterial. Por isso os responsáveis agora lhe franqueiam as portas para eventos de maior aparato e mais requintada etiqueta, ainda que continue a haver interessados em povoá-lo com fantasmas e mitos da sua estima privada.

Está instalado na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, cidade que já foi capital de um império pioneiro da mundialização e campeão do humanismo (que muitos lamentavelmente persistem em vilipendiar), destinando-se, de acordo com as Leis que o regulamentam, a “homenagear e a perpetuar a memória de portugueses que muito se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Lisboa que está transformada numa desvairada estância turística, pouso oficial de presidentes, ministros e deputados de uma paradoxal república popular, sem lei nem grei, que definha a olhos vistos por mais que o balão da economia infle, com a maior parte do território a ser pasto de chamas e votado a imparável processo de ermamento.

Lisboa que aboca as mais afamadas cabeças pensadoras da política e das artes nacionais, em que pontificam destacados activistas mais moralistas que o Papa, que procuram impor-se aos demais com todas as artes e manhas, se arvoram em donos exclusivos da democracia e que tentam reescrever a História a seu bel-prazer, como o atestam as movimentações públicas para impor os novos inquilinos da Igreja de Santa Engrácia, ao arrepio da Nação.

Acontece que a verdadeira homenagem e perpetuação da memória dos heróis mais genuínos é feita nos pergaminhos e tratados históricos, pelo povo que os admira e reverência, que preserva as suas obras, lê os seus livros, canta as suas músicas, enaltece e beneficia dos seus feitos. Acresce que os verdadeiros heróis demoram um certo tempo a consolidar-se e a libertar-se da mesquinhez dos vivos.

A glorificação ou denegação das personalidades históricas relevantes não pode ser desígnio subterrâneo de partidos políticos, sinédrios, clubes de futebol, associações amadoras e tertúlias, nem resultar do entusiasmo efémero de uns tantos correlegionários.

Não contesto o valor das personalidade representadas no panteão de Santa Engrácia embora questione a justeza do mérito de algumas delas para tanto, considerando as que são presentemente apontadas, o que também me leva a estranhar que os brilhantes humoristas nacionais não reclamem um cenotáfio do Zé Povinho, tal qual o imortalizou o seu criador Raphael Bordallo Pinheiro. Sem tirar nem pôr, manguito incluso.

E, a ser verdade que as escolhas obedecem a ditames partidários, clubistas ou a afectos pessoais, pergunto: porque não introduzir também um critério regionalista?

E por que razão não foi ainda conferido tão enaltecido privilégio a Aníbal Augusto Milhais, o mítico soldado Milhões, já que heroicidade a teve de sobejo e os seus feitos transbordaram as fronteiras nacionais? Terá sido por ser transmontano? Por ser soldado raso? Porque mal sabia ler e escrever? Ou pura e simplesmente porque não cantava fado?

A resposta, portanto, só poderá ser: Milhões ao Panteão e já!

Desculpem-me. É o brio de ser trasmontano a falar, o desejo de que Trás-os-Montes de uma vez por todas deixe de ser tratado como uma cortinha e os transmontanos olhados como hortelões, emigrantes inveterados, carne bruta para canhão.

Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico


Henrique Pedro
in:jornalnordeste.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - GABRIEL PEREIRA (N. MIRANDELA, 1629)

Foi seu pai Manuel Pereira, natural de Chacim. Pertencia a uma família de mercadores, com dois irmãos casados em Torre de Moncorvo. Uma filha de Manuel e de sua primeira mulher (Brites da Costa), chamou-se Filipa Pereira e na sua descendência, nasceu Jacob Rodrigues Pereira,(1) que se notabilizou em França, com a criação de um alfabeto para educação dos surdos-mudos.

Isabel Antónia se chamou a segunda mulher de Manuel, mãe de Gabriel. Era natural de Mirandela, filha de André António e Maria Luís. Por esta parte, se ligam à família Isidro, de Torre de Moncorvo.(2)

Manuel Pereira e Isabel Antónia estabeleceram morada em Mirandela, dedicando-se ao comércio de panos. Ali lhe nasceram os filhos, nomeadamente o Gabriel Pereira, pelo ano de 1629, que, como o pai, seguiu a vida de mercador.

Casou com Violante Nunes, que lhe deu uma filha que batizaram com o nome de Isabel Antónia, a qual viria a casar com Gaspar da Fonseca Henriques, mercador, natural de Trancoso, estabelecido depois em Mirandela.

Ficando viúvo, casou segunda vez com Grácia Mendes, de Trancoso, irmã do dito Gaspar da Fonseca, filhos, ambos de Francisco da Fonseca Henriques, mercador em Trancoso e rendeiro, mais conhecido pela alcunha de Manico. Temos, assim, Gabriel Pereira sogro e cunhado de Gaspar da Fonseca Henriques.

Em casa de Grácia e Gabriel vivia também uma irmã deste, chamada Violante Pereira, que nunca casou, aleijada de um pé e de uma mão, o que a não livrou de ser presa pela inquisição.

Dos filhos do casal, diremos que o mais velho se chamou Manuel Henriques Pereira, nascido por 1658. Frequentou a universidade de Coimbra, onde se formou advogado. Foi escrivão dos Contos do Reino, uma espécie de diretor-geral de Finanças, dos nossos dias.(3) O facto de ser um alto funcionário do Estado e ter de assistir em Lisboa, não o impediu de criar uma boa casa agrícola em Carvalhais, junto a Mirandela, chegando mesmo a ser o maior produtor de linho da região. Em Carvalhais construiu também uma bela moradia que durou até aos anos de 1970. Foi contemplado com várias mercês pelo rei D. Pedro II.(4)

Outro dos filhos do casal chamou-se, como o avô materno, Francisco da Fonseca Henriques e passou à história com o epíteto de Dr. Mirandela, o célebre médico do rei D. João V.

Um terceiro filho do casal foi batizado com o nome de Fernando. Nasceu no dia em que a inquisição prendeu Gabriel Pereira e tinha pouco mais de meio ano quando a mãe foi igualmente levada para a cadeia de Coimbra. Dele, nenhuma outra notícia encontramos, depreendendo que terá falecido em criança. 

O ano de 1662 foi terrível em Trás-os-Montes, no que respeita à perseguição inquisitorial. Só em maio desse ano foi decretada a prisão de 78 cristãos-novos Trasmontanos.(5) A vila de Mirandela não foi exceção, constando daquela lista 19 decretados, incluindo a família de Gabriel Pereira e Grácia Mendes que foi toda arrastada pelo vendaval.(6)

Gabriel Pereira foi preso ao início do mês de Junho de 1662,(7) juntamente com outros 5 cristãos-novos, todos aparentados. Como parentes eram vários outros presos na mesma altura em Chacim, Vila Flor, T. Moncorvo e outras terras. O responsável pela condução até Coimbra da coluna de Mirandela foi Miguel Pina, de Torre de Moncorvo, certamente familiar da inquisição, como era recomendado pelo regimento do santo ofício.

As celas da cadeia estariam então superlotadas, e assim se explica que o metessem em uma delas com dois conhecidos seus: João Mendes, de Trancoso e Manuel da Fonseca, de Lebução. Este último, inclusivamente, frequentava a sua casa, em Mirandela e era conhecido como o maior passador de cristãos-novos para Castela.

Olhando o processo de Gabriel Pereira, verifica-se que ele foi acusado de judaizar, por 32 pessoas, a grande maioria familiares, mais ou menos próximos. Por sua vez, ele confessou que se tinha declarado por judeu ou feito cerimónias judaicas com umas 70 pessoas. Era a atitude normal, para ver o seu processo despachado mais facilmente: denunciar todos os familiares e amigos, para não falhar nenhum e ser acusado de diminuto. De resto, confessou que fora ensinado na religião mosaica em casa de seu pai, por sua meia-irmã Filipa Pereira e que se declarou com seu pai e seus irmãos. O seu processo nada apresenta de especial, se bem que constitua instrumento importante para identificação de muita “gente da nação” que com ele se relacionava. Ficou concluído ao cabo de quase dois anos de meio, saindo ele condenado em cárcere e hábito perpétuo, com sequestro de bens, no auto da fé de 26.10.1664.

Voltemos a Mirandela, ao casamento de Gabriel e Grácia. A casa onde ficaram a morar situava-se junto ao palácio dos Pinto Cardoso, senhores do opulento morgadio de Santiago, uma casa que ainda hoje embeleza a antiga Praça intramuros da vila, classificada de monumento nacional, mais conhecida como o palácio dos Condes de Vinhais. No dizer de Grácia, “eram umas casas muito fermosas, em que viviam, que de uma banda a outra partiam com casas de“ Manuel Rodrigues e Jorge da Mesquita, cristãos-novos, irmãos entre si, parentes de Gabriel Pereira, que com ele foram presos.

Os primeiros tempos de vida do casal não seriam fáceis pois que ela se foi de volta a viver em Trancoso, dizendo alguns que o marido lhe dava maus tratos. Outros dizem que se foi por motivos de doença, derivada do clima de Mirandela e que foi curar-se na casa paterna. Facto é que por algum tempo ele assistia em Mirandela e ela em Trancoso. E terão mesmo planeado ir viver para Trancoso, pois que venderam a casa a André Cardoso Pinto, o que os citados parentes seus vizinhos lhe não perdoariam.

Depois, foi na Rua de Santo António, que estabeleceram morada. Era uma casa de sobrado, que ele comprara, 6 ou 7 anos atrás, a António Lopes,(8) cristão-novo, o Mourisquinho, de alcunha. No r/chão tinham a sua loja de fazendas, avaliando-se o recheio em 450 mil réis, quando foi preso.

Dizia-se mercador mas podemos também classifica-lo como industrial de moagem de pão, pois tinha uma azenha no rio Tua, junto a Chelas, equipada com 2 pedras de moer e que valia 150 mil réis. Tinha também diversas propriedades agrícolas para cultivo de cereais, além de uma vinha e uns olivais. Para o serviço de transporte de fazendas, especialmente para as feiras e para o trato das terras, tinha dois machos e com ele trabalhava de empregado um moço solteiro dos lados de Monforte Rio Livre.

Notas:
1 -ANDRADE e GUIMARÃES – Jacob (Francisco) Rodrigues Pereira Cidadão do Mundo, Sefardita e Trasmontano, ed. Lema d’Origem, Porto, 2014.

2 – IDEM – OS ISIDRO, a Epopeia de uma Família de Cristãos-Novos de Torre de Moncorvo, ed. Lema d’Origem, Porto, 2012

3 - TT/Chancelaria de D. Pedro II, lv. 32, f. 148v – Carta de Provedor dos Contos do Reino, dada em 29.11.1685, com o ordenado de 120 mil réis.

4 - Idem, lv.53,f.81v –Alvará para Manuel Pereira da Fonseca, hebreu de nação, ter um tostão por dia, dado em 20.12.1698. Idem, lv. 26, f. 66 – Documento de emprazamento de umas propriedades em Carvalhais ao licenciado Manuel Pereira da Fonseca, irmão do Dr. Francisco da Fonseca Henriques.

5 - Inq. Coimbra, Decretados, lv 71 (1640-1773).

6 - Inq. Coimbra, pº 2773, de Gabriel Pereira; pº 5289, de Grácia Mendes; pº 5659, de Violante Pereira; pº 6882, de Isabel Antónia; pº 6654, de Gaspar da Fonseca.

7 - ANDRADE e GUIMARÃES – O Dr. Francisco da Fonseca Henriques e a sua Família na Inquisição de Coimbra, in Brigantia, vol. XXVI, pp. 189-225, Bragança. 2006.

8 - Inq. Coimbra, pº 4258. António Lopes saiu no auto-da-fé de 9.7.1663. Faleceu em Mirandela em outubro de 1664. Morava na Rua da Ponte, junto à casa do morgado Luís Sequeira, construtor da capela de S. José.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

O CANTONEIRO DA NAVALHA CRIATIVA

Olá gentinha boa e amiga!

Já estamos a viver o mês de Setembro e as novenas da Sr.ª da Serra já começaram, este ano com temperaturas de Verão. O tio Adérito Pinela, de Sacoias (Bragança), que todos os anos vai de novena para a serra, disse-me que nunca se recorda de ter dormido sem lençóis nem cobertores na serra.

Na semana passada recebi a melhor ‘medalha’ em todos estes anos ao comando da família: ia eu a caminho da rádio e na Av. Sá Carneiro ouço duas senhoras que falavam do meu trabalho. Paro e olho para as duas para ver se as conhecia. Uma delas perguntou-me o que é que eu precisava… e mal comecei a falar, conheceram-me a voz e a tia Fátima Queijo, uma brigantina que nos liga da Suíça, agarrou-se a mim com muita emoção, a chorar, enquanto me dizia que a ninguém passa pela cabeça a companhia que a Família do Tio João faz a quem está no estrangeiro, porque se sentem em casa quando nos escutam.

Esta semana estiveram de aniversário Luís Ventura (60), de Caçarelhos (Vimioso); os gémeos Paulo e Duarte (34), irmãos do Marco de Estorãos (Valpaços); a tia Aldinha Vieira (75), de Bragança; Corina (47), de Grijó (Bragança); Denérida (67), de S. Julião de Palácios (Bragança); Francisco Pinto (95), de Valpaços; Gina (53), de Milhão e Cátia Beatriz (30), de Grijó (Bragança). Que tenham sempre saúde e muitos mais anos de vida.

Agora vamos conhecer melhor o nosso tio Eugénio Hipólito Medeiros (mais conhecido como Cantoneiro), de Nuzedo de Baixo, marido da nossa célebre tia Neves, que, com uma navalha, faz obras de arte.

Em que ano é que nasceu o amigo Eugénio?

Nasci em 1944, dia 10 de Janeiro.

E onde é que foi nascido e criado?

Em Vinhais, ao pé da ponte da Arranca, quem vai para Nunes, no moinho.

Até que idade lá viveu?

Olhe, até ir para a tropa. E depois de vir da tropa ainda lá estive um anito e depois casei-me e vim para Nuzedo de Baixo, que é a terra da minha esposa. Depois ainda estive no Cachão a trabalhar, mas tinha um requerimento feito para o que me aparecesse na câmara. Apareceu uma vaga para cantoneiro e eu vim.

Que idade tinha quando veio trabalhar como cantoneiro para a câmara?

Tinha 27 anos.

Quantos anos trabalhou como cantoneiro?

Trinta anos.

E no Cachão o que é que fazia?

Fazia cargas e descargas, eu e mais sete homens.

Durante esses trinta anos como cantoneiro onde é que trabalhou? Qual era o seu cantão?

Era de Nuzedo de Baixo até Vale das Fontes. Mas quando, às vezes, precisavam de cantoneiros noutros lados, as câmaras juntavam quatro ou cinco e íamos fazer os serviços para fora.

Especificamente qual era o seu trabalho como cantoneiro?

Era limpar valetas, cortar silvas…

Você também fazia parte daquele grupo de cantoneiros que eu me habituei a ver em criança, que quando passávamos por um cantoneiro ele acenava com a mão e nós todos contentes acenávamos-lhe também? É desse clube, não é?

Era, era…

E já conhecia carros que passavam à hora certa, o conheciam e apitavam?

Sim. Já conheciam e paravam. A GNR também parava e os militares falavam comigo.

Nunca teve nenhum acidente?

Graças a Deus que não.

Diga-me, na sua opinião, se agora as estradas estão melhores, com as máquinas de limpeza que há, do que quando vocês faziam o vosso trabalho?

Agora estão melhores porque está tudo alcatroado. Dantes tínhamos que limpar as valetas de terra e botávamos para a estrada para a brita não se arrancar.

Chegou a trabalhar com alcatrão?

Também ainda andei na estrada de Ousilhão até Vila Boa, na entrada de Romariz, na Maceira. Ainda fizemos uns bocados bons…

Nunca viveu em nenhuma casa, das famosas casas dos cantoneiros?

Não.

E o meu amigo reformou-se com que idade?

Reformei-me com sessenta anos, em 2004.

Desde essa altura o que é que faz?

Passo o tempo na horta e na vinha.

E como é que lhe deu para fazer essas bugigangas?

A primeira que fiz, ainda a tenho aqui na parede. Ia a passar, encontrei uma giesta e pensei: Parece uma cobra! Levei-a para casa e comecei a trabalhá-la. Depois disso comecei a fazer bengalas.

Alguma vez fez negócio disso?

Nunca vendi nada, mas as minhas obras estão espalhadas por todo o mundo. Faço porta-chaves, estatuetas e bengalas com “caras” de animais. As pessoas conhecidas, quando vão para Fátima ou outro lado, pedem-me e eu ofereço-lhes uma das minhas bengalas. As únicas ferramentas que utilizo são uma navalha de bolso e uma grosa. Para o pau das bengalas ficar direito utilizo também um ferro aquecido ao lume.

Tio João
in:jornalnordeste.com

Freixo do centro histórico de Freixo de Espada à Cinta é "Árvore de Interesse Público"

O freixo do centro histórico de Freixo de Espada à Cinta foi classificado como "Árvore de Interesse Público" pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

A árvore tem o nome de freixo de Duarte d'Armas, que foi quem representou, a mando do rei Manuel I, a cartografia de 56 castelos fronteiriços de Portugal. A classificação é mais-valia e um ponto de interesse turístico, como destaca Maria do Céu Quintas, presidente da câmara municipal de Freixo de Espada à Cinta. "Nós já somos ricos em património, agora somos mais um bocadinho, até temos um património vivo que é um freixo. Foi considerado de interesse público, não é qualquer terra que tem uma árvore classificada. Para nós é muito bom".

O pedido para a classificação foi feito ao ICNF e agora já conta com clones plantados, nomeadamente, o primeiro no Palácio de Belém, em Lisboa, adianta a autarca. "A história deste freixo começou tudo pelo pedido de uma classificação da árvore. Quando eu cheguei à câmara fizemos um pedido ao ICNF para a classificar já que era muito antiga. Passado uns tempos, além de termos o freixo tratado foram feitos os clones. o número um está no Palácio de Belém, em Lisboa".

O Freixo de Duarte d'Armas tem cerca de 550 anos. Para a zona histórica envolvente vão ser realizadas obras, nomeadamente à volta do cemitério e do castelo.

Escrito por Brigantia
Maria João Canadas

"Algures a Nordeste": II festival de dança contemporânea está quase aí

É já entre 8 e 29 de Setembro que o "Algures a Nordeste" volta a levar a dança contemporânea ao Teatro Municipal de Bragança.
O projecto junta os teatros de Bragança e Vila Real e, através da criação artística, trata-se de uma iniciativa que propõe promover o território e a cultura transmontana. Segundo palavras da directora do Teatro Municipal de Bragança, Helena Genésio, este é um acontecimento que gera dinâmica e desperta a curiosidade. "Apresentamos um festival de dança contemporânea, isto por si só é um acontecimento que gera dinâmicas e provoca fluxos de público. Sendo uma oferta muito maior que a procura, despoleta a curiosidade e atenção. Queremos com isto marcar a reentré cultural de Trás-os-Montes", explicou.

O projecto, que se estreou no ano passado, apresenta novamente uma programação ecléctica no domínio da dança contemporânea portuguesa. "Vamos apresentar este ano seis companhias distintas. Começamos com a companhia Paulo Ribeiro, já dia 8, depois uma coreografia do Victor Hugo Pontes, já dia 14, a companhia Olga Roriz, Vortice Dance, a companhia de dança de Almada e o Quorum Ballet".

Os espectáculos, para todas as idades e a decorrer em ambos os teatros transmontanos, contam com entrada gratuita. O grande objectivo passa por trazer o grande público para a dança contemporânea. "Este já é o segundo ano que realizamos o festival e todos estes espectáculos têm entrada livre mas não é essa a questão que nos move e que acho que vá fazer a diferença. O que é verdade é que no ano passado com o mesmo festival tivemos uma taxa de ocupação muito superior às expectativas", referiu.

Um trabalho conjunto pela arte em Trás-os-Montes que, durante quase um mês, convida todos a uma ida ao teatro e que conta com o apoio do programa Norte 2020.

Escrito por Brigantia
Carina Alves

Distrito de Bragança é dos que regista menos mortes nas estradas

O distrito de Bragança é um dos distritos com menos mortes nas estradas.
Foram registadas 4 mortes, entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto, no distrito.

Este ano já foram registados 86.290 desastres, mais 1440 do que no mesmo período do ano passado.

Os acidentes rodoviários já provocaram 329 mortos, com menos vítimas mortais e menos feridos graves do que em igual período do ano passado.

Entre os distritos com menos mortes está Portalegre com 3 mortos, e Viana do Castelo com 5. O distrito líder da lista com mais mortes é Setúbal, com 52, seguido do Porto com 34 e de Lisboa com 30.

Os dados foram anunciados ontem pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e dizem respeito às vítimas mortais cujo óbito ocorreu no local do acidente ou durante o transporte para o hospital.

Escrito por Brigantia

Santulhão recebeu mais uma edição do Festival de Música Tradicional e Celta que contou com centenas de festivaleiros, num ambiente familiar

Governo atribui quase 2 ME a projetos de reabilitação de regadios em Bragança

O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural aprovou mais 14 projetos de reabilitação de regadios em Bragança, beneficiando 900 pequenos agricultores com um investimento público de quase dois milhões de euros, foi hoje anunciado.
"Estes projetos representam mais um investimento do Governo no desenvolvimento rural e na valorização do interior, criando mais e melhores condições para a fixação das populações e para o crescimento da pequena agricultura familiar", disse, em comunicado, o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos.

De acordo com o governante, este novo pacote "faz parte de um projeto mais amplo de valorização dos territórios e da atividade agrícola, tornando-a mais produtiva e mais competitiva, nomeadamente, através do uso mais eficiente de água".

Capoulas Santos referiu ainda que os projetos aprovados constituem a recuperação de estruturas "degradadas, nas quais não foi feito qualquer investimento de melhoria ao longo de décadas", destacando que é "urgente promover o uso eficiente do recurso água e a constituição de reservas para enfrentar tempos de escassez, pelo que este investimento é plenamente justificado e vai ao encontro dos anseios dos pequenos agricultores".

Estes projetos, que abrangem os concelhos de Bragança, Mirandela e Vimioso, inserem-se no âmbito do Programa Nacional de regadios, que prevê um investimento global de 534 milhões de euros até 2022, na criação de mais de 49 mil hectares de regadio e na reabilitação de 41 mil hectares, que vão criar 10.500 postos de trabalho permanentes.

Em 20 de agosto, o Ministério da Agricultura anunciou a atribuição de 6,35 milhões de euros a 59 projetos de regadio que abrangem uma área superior a 1.800 hectares e 32 concelhos do norte e centro.

Num comunicado enviado nessa altura, o Ministério indicou que são abrangidos os distritos de Viana do Castelo (Arcos de Valdevez, Valença, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Melgaço), Braga (Terras do Bouro, Barcelos, Vila Verde, Amares e Celorico de Basto), Porto (Baião e Penafiel), Aveiro (Vale de Cambra, Águeda, Anadia e Albergaria-a-Velha), Viseu (Cinfães, São Pedro do Sul, Vila Nova de Paiva e Castro Daire), Guarda (Guarda e Celorico da Beira), Castelo Branco (Sertã, Fundão, Proença-a-Nova) e Coimbra (Penela, Góis, Oliveira do Hospital, Vila Nova de Poiares e Lousã).

Agência Lusa

Bragança. Descarga elétrica durante trovoada faz um ferido

A vítima apresenta uma queimadura nas costas e sinais vitais alterados.
Um homem de 62 anos ficou ferido durante uma trovoada em Vilarinho, Bragança, vítima de uma descarga elétrica num posto de transformação (PT) de eletricidade que atingiu também vários animais na exploração pecuária onde se encontrava.

O acidente ocorreu por volta das 17h00 de ontem, quando a zona era atingida por uma trovoada, com os relâmpagos a caírem no posto de transformação da EDP, que se encontra junto de várias casas da aldeia e da exploração pecuária.

À Lusa, Pedro Fernandes, filho da vítima, explicou que uma descarga elétrica do PT "projetou o pai e os animais", nomeadamente 17 cabeças de gado bovino da raça Mirandesa.

De acordo com Pedro Fernandes, o pai não terá conseguido chamar assistência médica, porque "falharam os telefones", e conduziu até ao hospital de Bragança, onde cerca das 20h30 se encontrava no serviço de Urgência a realizar exames.

A vítima apresenta uma queimadura nas costas e sinais vitais alterados, de acordo com o relato feito pelo filho.

Os animais vão ser observados na terça-feira por um veterinário para analisar o seu estado de saúde, concretamente de algumas vacas que estavam prenhas.

Agência Lusa

DISCORRENDO SOBRE COTAS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Que a mulher em nada é inferior ao homem, é opinião que ninguém contesta. Em certos casos, talvez, lhe seja superior.
Que cada um é senhor do seu corpo – seja homem ou mulher, – é, igualmente, verdade incontestável, ainda que existam limites. Não me refiro à Moral; mas à Medicina, a fim de se evitarem sérios problemas de saúde: - físicos e psíquicos.
Mas, pode-se pensar (devido a irrefletidas atitudes,) que há quem pretenda: guerra de sexos: - feminino contra o masculino; como se fossem antagónicos.
Eu sei que não é assim, já que um, completa o outro.
Depois da exacerbada “ luta de classes”, luta tão querida dos partidos socialistas, que resultou numa maior justiça social, no século XX; surge, agora, nova “ guerra”: a “guerra” das cotas.
Pretende-se, com isso, proteger: raças, religiões e o sexo feminino; olvidando, que as cotas, em geral, são deprimentes para os beneficiários – mesmo não sendo verdade, e sei que o não é, – leva a pensar que se está, v.g.: na Universidade, não por mérito, mas devido à cor da pele, ou por ser filho, por exemplo: de emigrante ou estrangeiro.
Todavia, o emprego de cotas, torna-se ainda mais burlesco, quando alguém é preferido, devido ao sexo, para ocupar cargos no parlamento ou certos lugares cimeiros da nação.
Para governar, com rigor e justiça, deve-se escolher sempre os mais competentes: já que se trata de cargos de responsabilidade extrema, que obrigam a legislar e estabelecer diretrizes, que podem beneficiar ou prejudicar, milhões de cidadãos indefesos.
No entanto, parece, a escolha, não se basear na competência, ou pelo menos só nisso, mas na igualdade: tantos homens, tantas mulheres.
Ao conversar com amigo, sobre vantagens e malefícios das cotas, este saiu-se com uma muito boa:
- “Olha cá!: tu sabes que há mais moças que rapazes no ensino superior, já que elas são mais estudiosas e – como dizem: “ Há sete mulheres para um homem”. Como estamos na moda das cotas, por que não criar uma, para entrarem na Faculdade, mais rapazes que meninas?”
Fiquei atónito; mas refletindo melhor, conclui: a ideia é aproveitável, já que se pretende, em tudo, a igualdade: - tantos homens, tantas mulheres…


Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Burros contra as alterações climáticas

A AEPGA alia-se ao projecto submetido a concurso por um dos nossos sócios, António Eloy, ao Orçamento Participativo de Portugal. Sob o título “Burros contra as alterações climáticas” é proposta uma campanha de comunicação e sensibilização que advoga uma mudança de paradigma na velocidade a que conduzimos os nossos automovéis e no uso pouco sustentado que fazemos deste veículo poluente.

Com efeito, as alterações climáticas constituem um dos problemas ambientais mais prementes da actualidade.Inadvertidamente todos nós contribuímos para o agravamento do problema através da emissão de dióxido de carbono e de outros gases nocivos que provocam o aquecimento global, sempre que nos deslocamos em veículos movidos a combustíveis fósseis.

Esta campanha irá utilizar a imagem simbólica do Burro, que no imaginário colectivo se relaciona com os conceitos positivos de tranquilidade e tempo, evocando a necessidade de nos deslocarmos de forma colectiva e segura.

Sem pressas sigamos o ritmo dos Burros, que lentamente nos mostram o caminho para um Futuro sustentável.

Encontro de Troca de Sementes e Plantas | PORTELA - Bragança

O cartaz de cinema do mês de setembro para Vila Flor

Cartaz Cinema - Setembro 2018 - MOGADOURO