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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

OBRAS NO ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE BRAGANÇA PERTURBAM VIZINHOS

 O Estabelecimento Prisional de Bragança está em obras há dois anos mas há quem não compreenda o que está a ser feito.
Manuel Henrique reside nas imediações da cadeia e não entende que projecto está a ser seguido, considerando que os anexos, recentemente construídos, não correspondem com as características urbanísticas da cidade. “Já construíram quatro ou cinco anexos, fora o corpo principal, que foi aumentado significativamente. Acho esquisito as construções anexas que estão a fazer e estranhei a volumetria que deram ao espaço principal”, explicou. 

Em Fevereiro de 2016 a câmara de Bragança havia anunciado a realização de um projecto de intervenção naquele estabelecimento, que, contudo, não contemplava a instalação de aquecimento, apesar das reclamações dos reclusos nesse sentido. Ainda assim, as obras, conforme o projecto em causa, passariam pela ampliação do estabelecimento dotando-o com mais duas salas, para garantir a ocupação dos reclusos e também o melhoramento de condições no exterior. 

Na altura, o presidente da câmara, Hernâni Dias, explicou que o projecto, que rondava os 700 mil euros, fora remetido à tutela para financiamento. Precisamente um ano depois, o projecto que a câmara tinha “oferecido” acabou por ficar na gaveta. De passagem por Bragança, o responsável pela Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais descartou este projecto e referiu que o estabelecimento prisional iria sofrer obras, mas o mais provável era que se tratasse de pequenas intervenções e não de um projecto ambicioso, tal como pretendiam a autarquia e o director do estabelecimento. “Não sei se serão as obras ideais, porque o ideal não existe”, garantiu, em 2017, Celso Manata, à Rádio Brigantia. Em resposta, o autarca de Bragança salientou que as necessidades da cadeia iriam muito além de pequenas reparações. 

Contactada pelo Jornal Nordeste, a Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais não prestou, até agora, qualquer declaração. Apesar de tudo, apurou-se que as obras avançaram e não se ficaram pelos pequenos ajustes como havia dito Celso Manata. Em 2018 a Secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro esteve de visita às obras na cadeia. No ano seguinte, também a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, visitou a empreitada. Nas duas vezes verificou-se que as obras eram de alargamento, de melhoria das celas, de renovação do espaço de visitas, de criação de outro pátio de recreio e de construção de um quarto de visitas íntimas para os reclusos. “Acho estranho que a câmara deixe fazer aquilo assim, sem ter um projecto, sem nada, porque não me parece que aquilo tenha projecto algum”, afirmou Manuel Henrique, que salientou não entender porque estão a ser feitas “ampliações enormes” quando “a cadeia de Izeda tem centenas de milhares de metros quadrados subaproveitados e onde se gastaram milhares de euros”. 

O morador, à semelhança do que diz serem as preocupações dos vizinhos, mostrou-se ainda receoso com o facto de esta empreitada poder trazer mais reclusos para Bragança. “Não percebo como continuam a usar esta prisão no meio da cidade, parece que alguém tem interesse em que se mantenha aqui”, finalizou. 

Uma fonte próxima da câmara de Bragança referiu que o projecto do município, que cumpria todas as normas legais, não se terá realizado devido à falta de financiamento. Adiantou ainda que, desta forma, as obras, “bem ou mal feitas”, serão da responsabilidade do estabelecimento prisional e da tutela.

Jornalista: Carina Alves/Ângela Pais

As MoviCantaBebé regressam ao MAB

 As MoviCantaBebé regressam ao MAB no próximo sábado com a sessão «Senta e Sente» Música Com Bebés e Papás ás 11 horas.

Toda a informação AQUI.

Cinco homens detidos por caça ilegal no concelho de Mirandela

 A GNR deteve, em flagrante delito, cinco homens, com idades compreendidas entre os 33 e 63 anos, por caça ilegal, na localidade de Rego de Vide, concelho de Mirandela.
Os suspeitos terão instalado um sistema de captura de aves, conseguindo capturar 17 pintassilgos, uma espécie que não pode ser caçada.

As autoridades apreenderam cinco aparelhos ultra-som, dez gaiolas, várias ferramentas e objectos de apoio à actividade de captura e material informático. As 17 aves foram libertadas e devolvidas ao habitat natural. 

Os detidos foram constituídos arguidos por crime contra a preservação de fauna e das espécies cinegéticas e os factos foram remetidos ao Tribunal Judicial de Mirandela.

Escrito por Brigantia

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - OS LEDESMA - FAMÍLIA E MOBILIDADE: O DR. GABRIEL RODRIGUES LEDESMA

 
Voltemos à cidade do Porto, a casa de António Ledesma que, ficando viúvo de Beatriz Nunes, casou em segundas núpcias com Maria Ferreira de Carvalho, de uma família dividida por Coimbra e Porto, mesclada de cristãos-novos e velhos. Antónia Carvalha, irmã de Maria Ferreira, viveu em Coimbra, casada com António Mascarenhas e tinham 2 filhas freiras e um filho, chamado Manuel Mascarenhas, prebendeiro da universidade. 
Todos foram presos pela inquisição, acabando Manuel Mascarenhas por ser relaxado à justiça secular no auto- -da-fé de 14.6.1671. Catarina Ferreira de Carvalho era outra irmã de Maria Ferreira. Estava casada com Diogo Cardoso Pereira, natural de Torre de Moncorvo, escrivão dos agravos da Relação do Porto. De entre os seus filhos (4 rapazes e 3 raparigas), uma referência para o filho Gaspar Pereira de Carvalho que, em 1662 contava 24 anos e se mantinha solteiro, morador em Lisboa, na Rua das Mudas, depois de uma viagem e estágio comercial de 4 meses no Brasil, com dois de seus irmãos. 
No Porto começara a vida profissional como escrivão dos órfãos e em Lisboa estivera ao serviço do sargento-mor do Regimento de Cavalaria de D. João V, Henrique Henriques de Miranda, familiar do santo ofício, entrando depois para a Casa dos Viscondes de Ponte de Lima. Certamente receando ser preso pela inquisição, tomou a iniciativa de se apresentar, ao final de Julho de 1662. A última notícia que dele temos é de Junho de 1689, altura em que a inquisição decidiu ajustar novas contas com ele mas não o conseguiu porque ele se encontrava ausente, morando em França.  
Um dos filhos de António Ledesma e Maria Ferreira chamou-se Gaspar Rodrigues Ledesma, o Galego, de alcunha. Nasceu no Porto, por 1650 e foi morador em Bragança, dedicando-se à tecelagem de sedas. Casou com Clara Gonçalves e, enviuvando, casou segunda vez com Maria de Castro. Ambas lhe deram filhos e ele e as mulheres e os filhos, todos conheceram as cadeias da inquisição. Terá falecido por 1745, conforme declaração feita em 12.2.1749, pelo Dr. Francisco Furtado Mendonça perante os inquisidores de Coimbra: - Haverá 27 anos, em casa de Gaspar Rodrigues Ledesma, tecelão de sedas, casado com Maria de Castro, falecido, e se declararam até à data em que faleceu, haverá 3 ou 4 anos.
Gabriel Rodrigues Ledesma foi um dos filhos de Gaspar Ledesma e Clara Gonçalves. Nascido em 28.11.1684, ter-se-á criado em casa do tio materno, Manuel Rodrigues, o Clérigo de alcunha, morador em Carragosa, junto a Bragança. Formado em medicina pela universidade de Coimbra, Gabriel foi médico do partido da câmara e do hospital militar. Homem de elevado estatuto social e muito pretendido, em termos de contrato nupcial,  casou por 1707, com Angélica da Silva, filha de Miguel da Silva, tratante e rendeiro. Filho de mãe solteira, Miguel da Silva nasceu fora do casamento, em Macedo de Cavaleiros, mas não foi abandonado pelo pai, morador em Bragança, que lhe deu o nome, o educou e o casou naquela cidade, com Brites de Sória. Trata-se de uma família abonada de bens e prestigiada entre a gente da nação brigantina. 
O pai de Miguel pertencia à elitista classe dos contratadores, um irmão e um cunhado eram prateiros em Castela e um terceiro irmão, João da Silva Morais, era escrivão do judicial e notas de Bragança enquanto a irmã, Micaela de Morais, estava casada com o contratador Fernando da Fonseca Chaves, natural de Bragança, morador em Lisboa. Todos eles foram processados pela inquisição, pelo ano de 1713. 
Ao contrário da restante família e também do seu marido, Angélica da Silva não foi levada nessa vaga de prisões, ficando em Bragança com suas 3 crianças, ainda pequenas: Gaspar, Perpétua e Rosa. Em 1716, porém, resolveu apresentar-se voluntariamente em Coimbra. Ouvida a sua confissão, foi mandada regressar a Bragança, ficando em aberto o seu processo, que só foi concluído depois que a ré faleceu em Bragança, em 17.3.1719, e foi enterrada na igreja de S. João Batista.  Ficando viúvo, o Dr. Gabriel Rodrigues Ledesma casou novamente, com Luísa Josefa Henriques, filha de Pedro Cardoso, de Vinhais e Esperança Rodrigues, de Bragança. Luísa tinha 11 irmãos, entre eles, Francisco Rodrigues Ferreira, que foi preso pela inquisição de Coimbra em 1714 e segunda vez em 1747. E é do seu processo que retiramos a seguinte acusação feita por Domingos Pires, cristão-velho, 36 anos, solteiro, tecelão de sedas, em 23.9.1740, perante o comissário Roque de Sousa Pimentel: - Disse que sabe por ver que alguns cristãos-novos desta cidade se ajuntam à noite, uns em casa dos outros, porque na rua aonde ele testemunha mora, viu que vão para casa do médico Gabriel Rodrigues Ledesma, morador na mesma rua, António Rodrigues Ferreira e seu irmão Francisco Rodrigues Ferreira, cunhados do mesmo médico, e o seu genro António Novais da Costa e o bacharel António Mendes Borges, moradores na mesma rua, e Pedro de Castro Lafaya, cerieiro, e seu filho Gaspar, moradores na Rua Direita, e Francisco Mendes Furtado e sua mulher, e Beatriz de Castro, viúva de Henrique Rodrigues Gabriel, alferes de ordenanças, e sua filha Luísa casada com Gabriel Rodrigues Ferreira Cardoso, e Beatriz Lopes, viúva do Cunha e seu filho Manuel, e João Rodrigues Ledesma, o Galego, de alcunha, irmão do mesmo médico, e sua mulher Francisca Rosa. E os dias em que fazem o dito ajuntamento é nas sextas-feiras e sábados, pelas 8 para as 9 horas da noite, e que as cerimónias que fazem não sabe, porém que assistiu em casa do dito médico por tempo de um ano e viu que cerram as portas e não admitem cristão-velho algum e ainda os próprios criados mandavam para fora de casa ou para a loja.  
Esta denúncia deixa-nos adivinhar um pouco da ambiência religiosa da “nação judaica” de Bragança onde a casa do Dr. Gabriel Ledesma funcionava como verdadeira sinagoga e onde não faltava gente que viajava para o estrangeiro a fim de se circuncidar, como vimos ao falar de António Manuel de Lima que, para o efeito, se deslocou propositadamente a Londres. Ser circuncidado e cumprir o Kipur são condições essenciais para ser judeu e assim o entendiam os judeus brigantinos do tempo da inquisição. E é impressionante a forma como em Bragança se guardava o Kipur. 
Dizem os testemunhos que, na Rua Direita, havia uns 150 tornos e nenhum deles trabalhava em dia de Kipur. Mas veja- -se, em concreto o depoimento do padre Bento Rodrigues, referindo-se ao Kipur de 1746: - Caiu o tal dia 24 de Setembro em um sábado, em que pelo reportório, se contavam 10 dias da lua e observou que os cristãos-novos desta cidade guardam por Santo o tal dia; e a razão da sua afirmativa é porque tratando quase todos os cristãos-novos desta cidade em teares de seda, naquele tal dia não trabalharam neles, porque correndo ele testemunha a cidade pelas 7 da manhã, 8 e 10 e pelas 2 e 4 horas da tarde, não viu trabalhar nos teares cristão-novo algum, antes sim os viu estar conversando uns com os outros.  
Impressionante também como a gente da nação de Bragança praticava ritos e cerimónias judaicas, nomeadamente no que respeita ao enterramento dos defuntos. Vejamos apenas um apontamento sobre o enterro de um cunhado de Gabriel Ledesma, conforme testemunhou João Pires, familiar da inquisição: - Aos seus defuntos, ainda que levem hábito de S. Francisco, entende ele testemunha, por desprezo ou para enganar os católicos, pois todos, por baixo, levam mortalhas de pano de linho, novas e ainda por cima do mesmo hábito, como ouviu dizer fora enterrado Manuel Rodrigues Ferreira, falecido há poucos dias, que levava uma granacha de seda, com bocais de veludo por cima do hábito de S. Francisco, a modo de Desembargador; e que todos levam barrete branco de pano de linho; e enterram-se os mais deles em covas profundas, em terra virgem, e para isso elegem sepulturas na igreja de S. Vicente, por não ser paroquial e se sepultarem lá poucos cristãos-velhos, sendo certo que nesta igreja lhe custa a sepultura uma moeda de ouro (4.800 réis) para cima e na paróquia só 500 réis.  
Mas se para ser judeu eles consideravam essencial ser circuncidado e guardar o Kipur, isso não esgotava a prática religiosa da gente da nação de Bragança. Antes pelo contrário, a leitura dos processos da inquisição revelam uma infinidade de ritos e cerimónias que marcavam a prática da lei mosaica, como era o caso da celebração do Sabat, dos jejuns do Purim, do thanis, do primogénito, do capitão, ou das cerimónias que cumpriam quando aconteciam grandes calamidades, ligadas a fenómenos atmosféricos como os incêndios e as chuvas. 
Um pouco ao acaso abrimos o processo de uma mulher solteira, de 31 anos, natural de Bragança e moradora em Lisboa, e deparamos com a confissão seguinte: - Disse (…) que guardavam os sábados de trabalho como dias santos vestindo camisa lavada na sexta-feira à noite; não comiam carne de porco, coelho, lebre, peixe de pele, sangue, nem sebo 9 dias antes que fizessem o jejum do dia grande, da rainha Ester, da sentença, do incêndio, e das grandes águas turvas…

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Palombar convidada pelo ICNF a integrar Comissão Técnica de Normalização de Gestão Florestal Sustentável

 A Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural foi convidada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), enquanto organismo de normalização setorial, a integrar a Comissão Técnica de Normalização de Gestão Florestal Sustentável (CT 145).
Freixo (Fraxinus angustifolia). Fotografia Uliana de Castro
Esta comissão, onde participam várias entidades públicas e privadas, tem como principal objetivo a elaboração, acompanhamento e revisão de uma norma portuguesa específica de gestão florestal, incluindo os princípios, critérios e indicadores estabelecidos por reconhecidos esquemas de certificação florestal internacionais, que, atendendo à especificidade da floresta portuguesa, permita a sua certificação.

A Norma Portuguesa para a Gestão Florestal Sustentável é elaborada com base no contributo dos grupos de trabalho que integram esta comissão técnica definida para o efeito, a qual desenvolve o referencial normativo nacional com base nas trademarks do Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC).

No âmbito da CT 145, a Palombar participa atualmente na Subcomissão 2 (SC2), cujo objetivo será rever a atual Norma Portuguesa (NP) 4406 - "Sistemas de Gestão Florestal Sustentável, Aplicação dos critérios pan-europeus para a gestão florestal sustentável".

Esta Norma Portuguesa integra os requisitos do PEFC, sendo que o trabalho da SC2 será promover a transposição para a realidade portuguesa dos mais recentes standards internacionais do PEFC, produzindo uma NP 4406 mais robusta e melhorada.

A Palombar colabora, assim, na revisão da Norma Portuguesa 4406, procurando contribuir com a sua experiência e trabalho desenvolvido em contexto florestal no interior do país.

Proteção Civil de Bragança defende controlo sanitário na fronteira com Espanha

 O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Bragança, Francisco Guimarães, defendeu o controlo sanitário na fronteira com Espanha para deteção de possíveis casos de covid-19 que sejam "importados" de outros países europeus.
"Não queremos que as fronteiras sejam fechadas, mas antes que haja um controlo sanitário para quem entra e sai em Portugal, para a deteção de possíveis infeções provocadas pelo novo coronavírus. Esta, de resto é uma pretensão dos 12 concelhos do distrito de Bragança que integram a comissão", indicou aquele responsável.

Segundo o responsável, os números apresentados pelas entidades espanholas começam a ser uma preocupação do lado português e a Comissão Distrital de Proteção Civil de Bragança deixou a garantia de que está atenta.

"A Espanha está com uma média de infetados muito alta, o que está a preocupar toda a nossa região e o país e poderemos sofrer com esse aumento de casos", observou Francisco Guimarães.

Neste sentido foi deliberado pela Comissão Distrital de Proteção Civil de Bragança, a reativação dos centros covid-19 naqueles concelhos onde foram "encerrados".

"Esta medida serve para dar resposta a eventuais surtos que surjam e assim podermos responder às solicitações nesta matéria", vincou o também autarca de Mogadouro, que é um concelho fronteiriço.

O responsável pela Proteção Civil no Distrito de Bragança recomendou que todos os cidadãos deste território que foram para países estrangeiros como Espanha ou França, para trabalhos sazonais como a apanha da maçã ou vindimas, ao entrarem em Portugal tenham cuidados profiláticos.

"Peçam ajuda os municípios, médicos de família e outras entidades para serem testados e não estejam em contacto com a comunidade sem primeiro perceberem se estão ou não infetados", observou Francisco Guimarães.

O responsável mostrou-se ciente de que a Unidade de Saúde Publica (USP) do distrito de Bragança está aberta a ajudar a resolver a este tipo de situações.

Na Europa, o maior número de vítimas mortais regista-se no Reino Unido (42.445 mortos, mais de 530 mil casos), seguindo-se Itália (36.030 mortos, mais de 330 mil casos), França (32.299 mortos, mais de 624 mil casos) e Espanha (32.486 mortos, mais de 825 mil casos).

Portugal contabiliza 2.032 mortos em 80.312 casos de infeção.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

TASCA do ZÉ TUGA (Bragança/PORTUGAL) Apresentação do LIVRO: "COZINHA com MEMÓRIA!..." 2020

Concurso de Fotografia | De Olhos na Igualdade

 

Edição de verão dos Mercados dos Produtos da Terra termina com balanço positivo

 Terminam com um balanço positivo os Mercados dos Produtos da Terra. Uma iniciativa que decorria aos domingos, desde o mês de junho, na Praia da Ribeira, na Albufeira do Azibo, e no Mercado Municipal, em Macedo de Cavaleiros.
Benjamim Rodrigues, autarca macedense, realça a grande adesão dos produtores locais:

“Posso dizer que foi uma excelente iniciativa e que o Gabinete de Empreendedorismo e Desenvolvimento Rural esteve muito bem na organização. Conseguimos que houvesse uma boa adesão dos produtores locais e tivemos produtos de qualidade a ser vendidos.

Houve um feedback muito positivo por partes dos cidadãos e dos visitantes que também fizeram compras nesses mercados.” 

Entretanto, já são conhecidas as datas do Mercado Produtos da Terra edição outono/inverno. O mercado realizar-se-á no Parque Municipal de Exposições de Macedo de Cavaleiros (dentro das naves) nos dias 18 de Outubro, 15 de Novembro e 20 de Dezembro.

Um evento organizado pela Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços.

Escrito por ONDA LIVRE

Sector dos bares do concelho de Bragança vai criar cocktails com produtos endógenos

 Alguns produtos endógenos podem originar uma bebida que reúna os sabores regionais mais marcantes: esta é a conclusão da I Conferência Cocktails de Montanha, que aconteceu na sexta-feira, em Bragança.
O objectivo foi contribuir para a reinvenção da oferta do sector dos bares e similares. Fernando Salvador, mentor do projecto, considerou que a cocktailaria está pouco explorada na região e é preciso apostar mais na área.

“Surgiu-nos a ideia de lançarmos umas jornadas para encontrar aquilo que será uma carta de princípios e que vai definir o que são cocktails de Montanha. O turista aprecia muito o cocktail e a nossa região tem muito défice nesse tipo de serviços”, referiu.

A conferência aconteceu no seguimento da “Cocktail Week”, um projecto criado no ano passado para formar os profissionais da área e ajudá-los a diversificar a oferta. A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Bragança está associada às duas iniciativas. Maria João Rodrigues, presidente da entidade, também acredita que se deve insistir na formação.

Márcio Carocho, um dos participantes na conferência, trabalha no Centro de Investigação de Montanha, no Instituto Politécnico de Bragança. O investigador considera que se pode apostar na área através da ciência.

“Mostrar que há uma vertente diferenciadora devido às plantas endémicas que temos e que pode ser muito interessante para dinamizar a região”, afirmou.

Na conferência estiveram representados vários produtos identitários da região, nomeadamente o mel do Parque Natural de Montesinho, a castanha e os frutos secos.

Escrito por Brigantia
Foto: Município de Bragança
Jornalista: Carina Alves

Empresa brigantina considerada prestadora de serviços editoriais do ano

 Uma empresa sediada no Brigantia Ecopark foi vencedora do prémio Portugal Prestige Award 2020/2021 e foi considerado o prestador de serviços editoriais do ano.
A Ready to Pub faz consultoria científica de publicações, como artigos ou teses de mestrado e doutoramento, desde 2017. Ajuda na publicação do artigo, quer na tradução técnico científica, na selecção das revistas mais adequadas, e com a carta de apresentação e submissão do próprio artigo.

O prémio atribuído por uma entidade inglesa (corporate livewire) avaliou 100 mil empresas portuguesas e distinguiu nesta área a Ready to Pub, explicou Ricardo Malheiro.

O fundador desta empresa valoriza o facto de o prémio internacional traduzir mais independência.

“O que muita gente acha é que como é uma empresa portuguesa, se calhar, o serviço pode não ser assim tão eficiente ou eficaz como se fosse uma empresa americana ou britânica. E as vezes têm um bocado de reticência em contratar os nossos serviços por causa disso. E este prémio, ainda por cima vindo de fora, é bom para nós”, referiu.

A ideia para este serviço surgiu em 2014 quando o antigo investigador do Instituto Politécnico de Bragança participou numa academia internacional de Verão em empreendedorismo e depois de ter enfrentado dificuldades quando fez a sua própria tese de doutoramento.

Ricardo Malheiro dedicou-se à consultoria da publicação com um serviço integrado e mais completo do que a oferta no mercado.

A empresa Brigantina Ready to Pub a ser reconhecida internacionalmente como prestador de serviços editoriais do ano.

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Metade do IRS que cabe ao município de Miranda aplicado na recuperação de caminhos rurais

 No próximo ano, metade da participação variável no IRS do município de Miranda do Douro vai ser atribuída às juntas de freguesia para a recuperação dos caminhos rurais.
Assim, 2,5% dos 5% pertencentes à autarquia vão ser utilizados para investir nos caminhos e apoiar os agricultores das aldeias, segundo o presidente da câmara, Artur Nunes.

“Os caminhos rurais são muito utilizados e é uma forma de os manter e de dar uma nova consistência de acessibilidade aos terrenos. Achamos que é uma forma de apoiar os agricultores e as pessoas que vivem e residem em cada uma das nossas freguesias e as pessoas que produzem e tratam das suas terras”, disse.

A quantia que sobrar dos 2,5% para a reabilitação dos caminhos, será aplicada na comparticipação de medicamentos. O objectivo é colmatar as necessidades sociais dos munícipes.

Os restantes 2,5% da participação variável no IRS ficarão retidos no município de Miranda do Douro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Operação “Censos Sénior” identifica idosos em situação vulnerável ao longo do mês de outubro

 Durante o mês de outubro, a GNR está no terreno a identificar a população idosa que vive sozinha, isolada, ou ambos.


Trata-se da operação “Censos Sénior 2020” da qual faz parte um conjunto de ações de sensibilização, junto da população idosa ou em situação vulnerável, sozinhos e/ou isolados. Para isso, vão ser feitos contactos pessoais, alertando para a adoção de comportamentos de segurança, de forma a reduzir o risco de se tornarem vítima de crimes, tanto de situações de violência, como burlas, furtos e prevenir comportamentos de risco associados ao consumo de álcool, bem como medidas preventivas da propagação da Covid-19.

Vão ainda ser divulgados dois programas, o “Apoio 65 – Idosos em Segurança” e o “Residência Segura” que vão permitir elaborar um mapa para georreferenciação das residências que aderirem, de forma a tornar mas eficazes as ações de patrulhamento e vigilância dos militares da GNR.

O ano passado, a Operação “Censos Sénior” permitiu sinalizar 41.868 idosos que vivem sozinhos e/ou isolados, ou em situação vulnerável, sendo que as situações de maior vulnerabilidade foram reportadas às entidades competentes para acompanhamento futuro.

A operação começou em 2011 e tem vindo a atualizar a base de dados geográfica então criada.

Escrito por ONDA LIVRE

Presidente da ULS do Nordeste garante que são feitos testes todos os dias

 O presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, Carlos Vaz, garantiu hoje que esta entidade faz todos os dias testes ao novo coronavírus, rejeitando as críticas do autarca de Bragança à demora dos resultados.
O presidente da Câmara, Hernâni Dias, criticou hoje a morosidade dos resultados que atribuiu à ULS do Nordeste e ao facto de os laboratórios funcionarem apenas três dias por semana.

O responsável pela ULS do Nordeste, Carlos Vaz, garantiu hoje à Lusa que esta entidade faz “testes todos os dias para todo o distrito de Bragança com resultados em 24 horas” e que se houve erros ou problemas na comunicação de resultados não são responsabilidade dos laboratórios públicos.

Carlos Vaz afirmou que a ULS tem respondido a todas as solicitações e que quem decide os rastreios e quem tem que ser testado é a Saúde Pública, que, apesar de ser um departamento desta unidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tem autonomia e depende diretamente da Direção-Geral da Saúde.

Carlos Vaz indicou que, quando há um surto, ou um aumento do número de testes, é pedida, como desde o início da pandemia covid-19, a colaboração do Hospital de São João do Porto, que também fornece os resultados em 24 horas.

O presidente deu como exemplo o dia de sexta-feira, em que a ULS processou 90 testes e mandou 150 para o São João, sendo que os resultados já foram todos comunicados.

O Instituto Politécnico de Bragança é outras das entidades que processa testes na região, mas apenas os relativos aos lares de idosos, no âmbito de um protocolo celebrado com a Segurança Social.

O presidente da ULS do Nordeste adiantou ainda que a capacidade de testagem vai ser “triplicada” com a instalação de novos laboratórios que vão permitir realizar diariamente mais 200 testes a juntar aos cerca de cem atuais.

O reforço será feito nos três hospitais da região (Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros) e algum equipamento já se encontra no hospital de Bragança.

Carlos Vaz explicou à Lusa que foi necessário realizar obras, que “começaram há 15 dias e devem estar concluídas durante a próxima semana”. Será também necessário “preparar os técnicos” que vão trabalhar com o novo material.

O responsável perspetiva que “dentro de 15 dias” o equipamento estará operacional e anunciou que para os meses de outubro e novembro está prevista a chegada de mais material do género para reforço da capacidade.

O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, anunciou que vai pedir uma reunião de emergência à ULS do Nordeste para discutir as questões relacionadas com os testes ao novo coranavírus na região.

Hernâni Dias tem assumido nos últimos dias a coordenação do surto nos lares da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, onde uma funcionária testou positivo a 23 de setembro e uma semana depois começaram a ser feitos testes a trabalhadores e utentes, com um balanço fechado hoje de 100 idosos infetados e 15 funcionários, entre 310 testados.

Nos próximos dias deverão ser realizados mais quase 700 testes nas restantes valências desta que é a maior instituição social do distrito de Bragança, e que além da estrutura residencial para idosos tem também uma Unidade de Cuidados Continuados, O Centro de Educação Especial e três infantários e uma escola básica, com mais de 300 crianças.

O presidente da Câmara de Bragança exigiu hoje que a Saúde trabalhe mais rápido nos testes, afirmando que “não se admite” que com os atuais números da pandemia, os laboratórios da região estejam “a trabalhar apenas à segunda, à quarta e à sexta-feira”.

O autarca, que é também o responsável municipal pela Proteção Civil, enfatizou que poderá haver situações em que a comunicação dos resultados demore “quatro dias”, o que para o autarca pode significar “estar de forma absolutamente negligente a permitir que a doença se propague”.

O presidente da Câmara disse também ter conhecimento de que a ULS do Nordeste tem “máquinas completamente paradas, sem qualquer utilidade, à espera de um espaço adequado para poderem começar a laborar” para reforçar a capacidade de testagem.

Os casos de infeção pelo novo coronavírus dispararam no distrito de Bragança para mais de 800, com um total de 29 mortes associadas à covid-19, depois de durante quase quatro meses, desde maio, o número de óbitos se manter em 24.

Gimonde

 A aldeia de Gimonde fica localizada na orla do Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, a pouco mais de meia-dúzia de quilómetros desta cidade.


Inserida na região da Terra Fria Transmontana, Gimonde é uma terra genuína onde as pessoas sabem receber como, aliás, é característico das gentes de Trás-os-Montes – sei do que falo, pois conheço algumas famílias transmontanas e sei a “festa” que é ir a casa delas… 

A aldeia está inserida num vale bastante próspero onde convergem três rios: o rio Onor, o rio Igrejas e o rio Frio que, por sua vez, vão confluir no rio Sabor. Gimonde brinda-nos com magníficas paisagens, com riqueza patrimonial e com bons restaurantes, alguns conhecidos a nível nacional.

Sabe-se que a região é povoada desde tempos remotos. Existem vestígios de um castro antigo – conhecido como castro de Arrabalde –, onde foram encontrados sinais de um povoado fortificado, localizado num cabeço de xisto sobranceiro ao rio Sabor. Calcula-se que, na época Romana, este povoado se terá estendido para fora da muralha. São inúmeros os achados do tempo da ocupação Romana que comprovam a sua presença na região, entre eles um marco miliário do século III. Outra indicação, bem visível, da sua presença por aqui é a Ponte Romana de Gimonde, também conhecida, entre os locais, como “Ponte Velha”.


Mas o ideal para conhecer a aldeia é estacionar o carro e percorrer as suas ruas. Deixe o carro junto à N218, num pequeno largo com recuperadas e vistosas casas tradicionais, onde existe um dos afamados restaurantes. Não pense em ir já meter os pés debaixo da mesa e dê antes uma volta a pé pelas ruas da aldeia. Visite a igreja de Gimonde, igreja de Nossa Senhora da Assunção. Um templo muito simples e belo, que fica estrategicamente no ponto mais alto da aldeia com uma vista privilegiada sobre toda a localidade. Não consegui saber ao certo a data da construção da primitiva igreja, mas há referências a esta igreja em 1320 / 1321, no “Catálogo de todas as Igrejas, Comendas e Mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarves”. É provável que a igreja tenha sido restaurada e ficado com o aspecto actual durante o século XVIII.


Dada a volta pelas ruas do centro da aldeia, é provável que termine junto ao rio Onor e à ponte Romana. A Ponte Romana de Gimonde está classificada como “imóvel de interesse público” e fica junto a uma outra, bem mais recente, datada do século XIX, que agora a substitui na circulação rodoviária. A ponte Romana estaria integrada numa via importante na época, a denominada “Via XVII” que ligava Bracara Augusta (Braga), Aquae Flaviae (Chaves) e Asturica Augusta (Astorga, em Espanha). A bonita ponte de seis arcos, originalmente seria construída em xisto (matéria prima existente na zona) argamassado com barro. Ao longo do tempo a ponte sofreu sucessivas recuperações até ter o aspecto actual em cantaria de xisto.

Entre as duas pontes, podemos atravessar o rio saltitando entre as poldras ali instaladas que permitem uma travessia apeada… Eu tentei, mas achei melhor voltar pela ponte novamente… A travessia pelas poldras não é tarefa fácil, pois a distância entre pedras não é tão curta quanto possa parecer e requer alguma atenção e equilíbrio. 

Junto ao rio e ao parque de festas existe a famosa torre em ferro com um ninho de cegonha, outro ex-libris da aldeia. O enquadramento paisagístico junta à ponte romanda e às poldras é lindíssimo e certamente que irá fazer aqui muitas fotografias. 

Do outro lado do rio, um pouco retiradas do centro da aldeia, ficam as capelas de Santo António e de Santa Colombina.

Não deixe de passar na padaria (à face da N218) e pedir o famoso Pão de Gimonde. Ao que parece, ali ainda seguem as receitas e métodos antigos, que terão começado no forno comunitário da aldeia. Hoje é uma indústria de panificação moderna mas que respeita as tradições ancestrais com a cozedura em forno a lenha e usando levedura natural. Prove o Pão de Gimonde, o Pão de Figo (com nozes e passas) ou o Pão de Castanha.

Gimonde é uma das mais características aldeias do distrito de Bragança. Uma aldeia que deve ser visitada todo o ano, pelo contacto com a natureza e pela famosa gastronomia da região, onde se destacam a posta e os fumeiros. Porta de entrada para o Parque Natural de Montesinho, Gimonde é uma aldeia pitoresca, de pessoas simples e genuínas. É uma aldeia sossegada, num ambiente bucólico e de grande beleza. «



João Pais - Blog: Linha da Terra

VIVA A REPÚBLICA!

 

sábado, 3 de outubro de 2020

O RECEIO DE OPINAR

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...") 

Antes de me aposentar, prestei serviço em empresa, que possuía e possui, milhares de trabalhadores.
Convivi apenas com pouco mais de uma ou duas dezenas. Contudo admirava-me, que em épocas eleitorais, quando se perguntava a opinião sobre os candidatos, esquivavam-se, declarando receosos:
- “ Eu cá, voto na maioria, no que vai à frente, segundo a mass-media.”
Admirava-me da atónita resposta. Vivíamos, já em plena democracia, (seria?); e em democracia, cada qual, não se deve inibir de ter opinião. Hoje, compreendo – a idade dá-nos sabedoria, – que para vir à praça publica, e dizer, em letra de forma, o que se pensa, requer coragem – muita coragem.
Principalmente, para quem não possui protecção de poderoso, que acuda quando se é retaliado.
Eu sei, infelizmente, que muitas vezes, os dirigentes são escolhidos pelas suas ideologias, e que costumam beneficiar correligionários, e afastar os que não são da sua “ capela”. Eu sei…
Em Congresso de Sociologia, realizado em Coimbra, no início do século, o sociólogo, Manuel Villaverde Cabral, defendeu a tese: que dois terços dos inqueridos, num estudo realizado em Portugal, sentiam receio de exprimirem opinião sobre governantes.
Não é, portanto, de espantar, que humildes trabalhadores, não cobertos pelo “ guarda-chuva” do partido, sintam medo de serem marginalizados de futuras benesses, pelas suas ideologias.
Compreende-se, que quem vive do trabalho, ande com o “credo” na boca, para não sofrer represália, como eu sofri, por não ter cor politica.
O medo dos “poderosos”, é muito antigo. Desde tempos ancestrais, sempre houve receio dos dirigentes. Basta ler o Livro de Ester 8:17, para se verificar isso: “ Os povos da terra, se fizeram judeus; porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles”
Esse “temor” fez que muitos monarquistas se rendessem à república e que acérrimos partidários do Estado-Novo, se refugiassem em partidos de esquerda.
Fizeram-se esquerdistas, do mesmo modo que no tempo de Ester se “ fizeram” judeus.
A frase do antigo Presidente do Município de Penalva do Castelo: “ Quem está com o Governo, come; quem não está cheira”, parece estar – e sempre estará, – actual. Aqui e em toda a parte.

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Qual a importância do dialeto Caipirês para o Brasil?

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas) 

A necessidade da defesa das chamadas línguas ou dialetos minoritários tornaram-se uma evidência, para um número de pessoas cada vez maior. É imperativo registrá-los, visando a preservar uma parte indispensável do património cultural da humanidade. Daí que todo o processo de defesa e promoção da língua ou dialeto deva ser encarado como uma exigência de cidadania da mais alta importância; que não tem apenas uma dimensão regional, mas nacional e até internacional. 
A diversidade linguística e cultural é uma riqueza para o Brasil, e faz parte da nossa identidade. Aceitando a verdade histórica e sociológica, o Brasil deve apresentar-se como um país que desenvolveu um dialeto, o Caipirês, que é entendido em quase sua totalidade, e integrar essa referência nos programas das escolas, dando a conhecer a todos os cidadãos a existência do dialeto caipira, sua origem e características. A democracia linguística é um elemento importante da democracia em geral, pelo respeito à diversidade. Devemos exigir que o Estado, em nível nacional e/ou local, concretize os compromissos que assumiu em lei, nos mais diversos domínios. 
Além de dignidade dos seus falantes, os dialetos regionais são também um problema ecológico, entendido em sentido amplo, que a todos deve preocupar. Pela língua se exprimem culturas, tradições, saberes e modos de viver, que são essenciais ao equilíbrio das sociedades e ao bem estar dos cidadãos. 
Se o Caipirês desaparecer ninguém ganha nada com isso, mas o Brasil, os brasileiros, dentre estes os caipiras, ficam ainda mais pobres; e tristes. Para os caipiras em todos os estados do Brasil, em particular nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, o Caipirês e a cultura caipira assumem-se também como um importante valor económico, que devemos levar em conta. Nessas regiões está havendo, neste século XXI, uma profunda depressão económica e um acelerado processo de desertificação, mormente quando grandes usinas arrendam fazendas, antigas produtoras de café, para a plantação de cana-de-açúcar e laranja, (em sua maioria), fazendo com que os caipiras que viveram lá por alguns séculos migrassem para as cidades e passassem a assistir a mecanização moderna das lavouras, com máquinas que dispensam algumas centenas e até milhares de trabalhadores braçais. 
Com esse deslocamento dos caipiras, do campo para as cidades, agrava-se a situação econômica desses migrantes, assim como se agravam os problemas sociais e econômicos das cidades; só ganham aqueles que se tornaram donos de terra por herança, que se beneficiam recebendo polpudas somas, sem terem que fazer nada e sem as responsabilidades que tinham quando contratavam colonos. A Cultura brasileira também perde, com a falta de importância dada ao Caipirês; muito do folclore brasileiro, seja ele herdados dos colonizadores portugueses ou absorvidos dos povos autóctones, africanos ou europeus de outras plagas aqui foram “tropicalizados”; pode-se assim dizer! Pelo fato de falarem o Caipirês, os caipiras não são menos brasileiros que os outros, como demonstrado em sua história; nem nunca quiseram ser outra coisa senão serem brasileiros! Hoje, os caipiras que vivem nas cidades continuam a falar do mesmo modo que falavam quando viviam no campo e a sua afirmação do Caipirês não implica a negação do Português. Defender, promover e desenvolver o dialeto caipira é um dever de cidadania que se impõe, a cada um dos brasileiros.

N.A.= este texto faz parte do prólogo do meu "Dicionário de Caipirês", que tento publicar há mais de dez anos!

Antônio Carlos Affonso dos Santos
– ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

Festas Centenárias de S. Bento - BRAGANÇA

 

Conhecer Portugal: O Nordeste Transmontano

 No dia 30 de Outubro teremos a oportunidade e o privilégio de assistir a uma palestra em directo com nosso guia nordestino Luís Costa com o tema “Existe uma Identidade Nordestina?”

Em cerca de 30 minutos, o Luís irá abordar a evolução sociocultural do Nordeste Transmontano, abordando as influências históricas da região, as quais definem a sua Identidade, Cultura Material e Imaterial.

Luís Costa
Licenciado em Educação Física e Animação Social, actualmente a frequentar o Mestrado em Marketing Turístico. Nascido e criado no Nordeste Transmontano, apaixonado pela sua Região, cresceu dentro da cultura e tradições nordestinas com tudo que esses diferentes universos têm de original e único.
Organiza oferta turística na região, formata e faz gestão de produto turístico, organiza eventos Turísticos, entre outros. Desenvolve este trabalho desde 2009 em diferentes temáticas, tendo sempre como base desse trabalho a identidade e os aspectos socioculturais da região.
Cultura: “Tudo que fica depois de tudo que se esqueceu!”

Até breve!

Créditos da imagem da capa do evento: Paulo Nunes dos Santos (@pdossantos)