quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Festival de Teatro - Alfândega da Fé


Projeções Cinematográficas | Março 2019 | BRAGANÇA

ASAE emite comunicado sobre as apreensões de carne e enchidos impróprios para consumo

A ASAE emitiu um comunicado depois da presidente da câmara de Mirandela ter pedido a demissão do inspector-geral.
Em comunicado, a ASAE refere que as ações de fiscalização, foram “distintas e autónomas, dirigidas a dois operadores económicos ilegais, combatendo-se igualmente a economia paralela”

Ainda informou que no dia 4 de Fevereiro, fez uma fiscalização “a um entreposto frigorífico que fornecia diversos tipos de operadores económicos retalhistas, tais como estabelecimentos de restauração, supermercados, talhos, entre outros, tendo sido apreendidas 12 toneladas de produtos, das quais cerca de 6,5 toneladas impróprias para consumo de carne congelada e refrigerada. Foi ainda determinada a suspensão do entreposto por falta de licenciamento e incumprimento de requisitos de higiene”, diz o mesmo comunicado.

A ASAE referiu que no dia 20 de Fevereiro, foi feita uma fiscalização que resultou na apreensão de 0,5 toneladas de carne “sem rastreabilidade (frangos e enchidos)”, dos quais 0,3 toneladas encontravam-se impróprias para consumo (frangos congelados).

As acções de fiscalização permitiram a retirada do circuito comercial de géneros alimentícios impróprios para consumo, culminando ainda com a suspensão de dois estabelecimentos ilegais.

Sobre o pedido de demissão, não foi feita nenhuma referência. 

Escrito por Brigantia

O Auditório Municipal de Mirandela foi palco para o debate de ideias sobre o turismo

Envelhecimento do Nordeste Transmontano pode ser combatido com a imigração, defende Francisco George

O antigo diretor-geral de Saúde, Francisco George, defendeu em Torre de Moncorvo, no decurso do seminário: “Envelhecer no distrito de Bragança: Que Respostas?”, que as questão relacionadas como o envelhecimento do território do Nordeste Transmontano e do país, “não só de agora”.
“Tudo isto é um processo longo e gradual, do qual já se estava à espera, e que foi construído por nós próprios. Foram os governos, com as suas políticas sociais, com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que deram contributos para vivermos e melhor e mais tempo”, concretizou o médico, especialista em saúde pública.
Segundo o especialista há cada vez mais indicies de envelhecimentos acentuados, e uma “fecundidade” baixa.

“As mulheres em idade fértil poderiam ter mais filhos. Em cada 10 mulheres [em idade fértil], nascem 13 crianças, quando o desejável, seriam no mínimo, 21 filhos, na maioria do sexo feminino, Este seria o número ideal para se continuar a assegurar a continuidade das gerações”, vincou o palestrante.

Francisco George garante que os políticos ou órgãos de soberania em Portugal sabem desta problemática, mas pouco está a ser feito, apesar de haver algumas soluções.

“A imigração poderia ser uma solução para resolver o problema demográfico do país. Isto é, para além de se estimular a natalidade, como fazem os países do norte da Europa, não podemos ter receito de receber imigrantes, como outros estados o fizeram. Podemos, incluir, sem nenhum receio, mais refugiados”, adiantou o médico.
Este seminário foi promovido pelo município de Torre de Moncorvo e pela GNR, juntou vários especialistas e autarcas, no decurso das comemorações do dia do Comando Territorial de Bragança, daquela força de segurança.

Por seu lado, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, frisou que o envelhecimento da população é um tema que preocupa os autarcas do país.
“Nós, cada vez mais, somos confrontados com os toque dos sinos das nossas vilas e aldeias, a anunciar mais um funeral e cada vez menos confrontados com o nascimento de uma criança. Para mantermos a população atual do país, precisamos da entrada de 50 mil imigrantes, todos os anos e durante mais de três décadas”, contabilizou o vice-presidente da CIM - Douro, Nuno Gonçalves.

Em jeito de conclusão, o também autarca de Torre de Moncorvo, disse que os territórios de baixa densidade, começam a pouco mais de 50 quilómetros do litoral.
“Este é um problema que tem de ser combatido. Não acredito que seja através de subsídios, mas de outras formas de apoio social ”, concluiu o autarca.

Francisco Pinto
in:mdb.pt

Previstas 175 largadas de parasitóide da vespa da galha do castanheiro no distrito em 2019

A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) tem previstas 175 largadas do parasitóide da vespa da galha do castanheiro este ano no distrito de Bragança.
De acordo com a subdiretora daquele organismo, Paula Carvalho, em declarações exclusivas ao Mensageiro de Bragança, haverá 156 largadas em Vinhais e 19 no concelho de Bragança.
Em causa está um pequeno inseto que se alimenta de uma das pragas mais temidas pelos produtores de castanha, a vespa da galha do castanheiro, que em Itália chegou a fazer encolher a produção em 80 por cento.
“Já estão praticamente definidos os locais. É feito um trabalho muito intenso que envolve as organizações de produtores, os municípios, que têm sido inexcedíveis. Já temos praticamente todos definidos os locais onde vão ser feitas todas as largadas em 2019. Sabemos exatamente onde vamos atuar. Penso que são à volta dos 800 a nível nacional”, garantiu Paula Carvalho.

AGR
in:mdb.pt

(Re)Floresta Mirandela - O projeto tem como objetivo plantar 120 árvores em 120 minutos

O terço na mão e o diabo no coração: o diário secreto do Padre Fontes

Na última sexta-feira 13 do ano, aqui fica a história de como um sacerdote aprendeu a dançar com o diabo. E de como o escreveu num diário secreto que tem desde os dez anos e agora mostrou.
Foto Gonçalo Delgado / Global Imagens

Quem pegar num mapa e percorrer com um dedo a linha da fronteira norte do país, encontra Vilar de Perdizes entre o lado transmontano do Gerês e a cidade de Chaves, numa região conhecida por Alto Barroso. A aldeia não tem mais de 200 almas, gente que até aos anos 1980 viveu do contrabando e hoje ganha sustento com o gado. É por isso habitual ter dificuldades a entrar no povoado ao fim da tarde: a hora do crepúsculo enche a única estrada de acesso a Vilar de bois de raça barrosã, que regressam à corte após um dia de pasto.

Mesmo no centro do lugar fica a casa de António Lourenço Fontes, padre. É edifício mais comprido do que largo, com paredes de granito e pequenas janelas quadradas por onde a luz entra sempre focada. Nas habitações transmontanas raramente o sol se mostra capaz de inundar um quarto inteiro - e a do Padre Fontes parece estar sempre mergulhada numa relativa penumbra. É aqui, nesta casa escura com paredes forradas de livros, que começa esta história.
Livros e mais livros. A casa do padre Fontes acolhe uma monumental biblioteca.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

À entrada está a biblioteca de temas religiosos. Estantes onde sobram bíblias e interpretações da bíblia, teses de teologia, relatos da vida dos santos. Dali acede-se à parte traseira da casa. No primeiro quarto está a secção de política, sociologia e uma parede toda dedicada a escritores e poetas transmontanos. No segundo estão os livros de botânica, etnologia e antropologia. Depois há uma porta de madeira que dá acesso a um antigo lagar de azeite, também ele forrado de prateleiras.


"Tenho aqui uma coisa que nunca mostrei a ninguém", diz o homem, enquanto galga um pequeno muro e procura com os dedos uma caixa. Lá dentro, pequenos cadernos gatafunhados com letra miúda, notas de pensamentos íntimos, relatos de tradições pagãs, escritos proibidos de contestação ao regime e à Igreja. O primeiro caderno é de 1950, ano em que Fontes entrou, tinha 10 anos, no seminário. "Isto é o meu diário. Mantive-o sempre comigo e mais ninguém. Talvez seja tempo de o partilhar."
O primeiro diário do Padre Fontes foi escrito em 1950, quando ele tinha dez anos. Foi quando entrou no seminário.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

Esta noite, em Montalegre, o padre Fontes presidirá à última sexta feira 13 de 2018 - e, tendo em conta que a próxima só acontecerá em setembro de 2019, tem consciência de que poderá ser a sua última. "Ainda estou para cá para durar, que os transmontanos são rijos. Mas ando um bocado parkinsónico, preciso de me reformar das festas", atira num gracejo.

O dia de azar é celebrado na vila desde 2002. Esgota hotéis e restaurantes, enche as ruas de gente para assistir a um espetáculo por onde desfilam artistas mascarados de bruxas e duendes. O ponto alto é o responso da queimada, proferido pelo Padre Fontes no castelo, em frente a um enorme caldeirão de ferro. Um texto do tempo em que português e galego eram uma única língua, e que ele descobriu numa aldeia espanhola próxima da fronteira, chamada Randim: "Vade retro Satanás, prás pedras cagadeiras. Lume de cadáveres ardentes, mutilados dos corpos indecentes, peidos de infernais cus. Forças do ar, terra, mar e lume, a vós requero esta chamada. Se é verdade que tendes mais poder que as humanas gentes, fazei que os espíritos ausentes compareçam a esta queimada."


Isto é o Padre Fontes, o homem de fé que goza na cara do diabo. Tornou-se figura nacional em 1982, quando organizou o primeiro Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes e convocou para o centro da aldeia todo o tipo de bruxos e cartomantes, videntes e leitores de mãos. A ousadia fê-lo entrar em guerra com o bispo de Vila Real, aquilo era um atentado à Igreja. "Mas isto são as crenças e as tradições do meu povo. As mezinhas, os responsos, o diabo. Negar as nossas tradições - o nosso paganismo, até - seria minorar uma cultura riquíssima, que para mais se está a perder."
António Lourenço Fontes nasceu em Cambezes do Rio, Montalegre, em 1940. E tornou-se no grande etnólogo da ruralidade portuguesa.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

Então diz-se etnólogo acima de tudo. Chamam-lhe rebelde e ele não o nega. Nos diários pessoais, aliás, está toda a narrativa da sua inquietação. Fontes contrariou sempre as leis da Igreja com que não concordava. Afrontou o salazarismo e encheu o peito contra a Guerra Colonial. Pesquisou o oculto para entender a crendice - "porque só ao entendê-la podia destruí-la." Pagou por isso o preço de o esconderem numa aldeia isolada do Alto Barroso. Mas ele ripostou, fez do fim do mundo o seu centro. Na terceira página do seu diário de 1957 escreveu esta frase que pode bem explicá-lo inteiro: "Trago comigo o terço na mão e o diabo no coração."

Tratado de audição das velhas
A entrada no seminário de Vila Real, aos 10 anos, foi gesto da própria vontade. "Nasci em Cambezes do Rio em 1940, mas sempre tive sede de conhecer o mundo. Nas circunstâncias em que vivia, uma família pobre de 12 irmãos, ir para padre era a única forma de alimentar a minha curiosidade." Nas férias, quando tornava a casa, sentava-se na cozinha a ouvir as histórias da mãe. E foi por isso que começou a escrever o seu diário.


"Ela recitava-me ladainhas para curar todos os males, misturas de ervas para tratar enfermidades, responsos para afastar os demónios. Fazia-o para que eu me aprendesse a proteger agora que tinha saído debaixo da saia dela. Eu escrevia tudo, tudo, tudo." Só muito mais tarde perceberia o tesouro que estava a receber nas mãos. Nesses cadernos de 1950 há orações para afastar bruxas, outras para desviar as alcateias, há mezinhas para curar dores de garganta, azares sucessivos e os dias de solidão - estes, por exemplo, resolvem-se fervendo um caldo de urze, mel e uma pedra apanhada à porta de casa.
o padre Fontes abre a caixa onde tinha escondido os seus diários da vista do mundo.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

Nos meses e anos seguintes estenderia a pesquisa às vizinhas, primeiro da sua aldeia, depois dos outros povoados isolados do Gerês. "Sentava-me a meio da tarde no terreiro com as velhas para ouvi-las contar o que sabiam. Ao início escrevia tudo, mas depois era tanta coisa que comecei a selecionar o que era mais valioso." No seminário, repetia aos companheiros o que tinha registado. Começou a correr nos corredores que o Fonte sabia curar males e a fama acabou por chegar aos ouvidos dos padres. "Levei reprimendas, fiquei de castigo muitas vezes por isso, mas nunca lhes fiz caso. O diário permanecia escondido debaixo de uma laje solta que tinha sob a cama. E esse nunca o apanharam.

A vida de Fontes era dupla. Durante a semana aprendia a ser padre, os sábados e domingos passava-os a ouvir lendas e a bailar nas festas. "Aos 17 anos, o reitor descobriu que eu tinha estado num bailarico e tinha dançado com uma rapariga a noite toda. Já me achavam meio estranho, então aquela foi a desculpa para me expulsarem." Não era bem o que tinha nos planos, mas ao sair do seminário decidiu agarrar numa mochila e cumprir um sonho antigo: ir a Sevilha.


Consigo não levava mais do que uma tenda, uma bíblia, uma muda de roupa e um tacho. "Apanhava boleia de alguns carros motorizados, mas sobretudo de carros de bois. Acampava onde calhava, conheci o meu país inteiro, em Espanha fui às touradas. Foi a maior aventura da minha vida." Há um caderno inteiro com os detalhes dessa viagem, onde estão colados bilhetes de entrada em museus, desenhos de paisagens, registos de despesas. "Quando voltei a Trás os Montes havia uma carta em casa. O seminário tinha decidido readmitir-me. Reuni com o reitor que me disse: 'Ficas, mas tens de virar a casaca.' Eu disse que sim, mas cá para mim pensei que a partir de agora havia de fazer as coisas à minha maneira."
O diário da viagem a Sevilha, depois de ser expulso do seminário, em 1957.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

A partir dessa altura o diário de António Lourenço Fontes tornou-se no ensaio para o jornal clandestino que haveria de escrever no Seminário. Chamava-se A Trama, era escrito à mão, e assinado por um desconhecido Marotus. Ali, Fontes convocava os colegas que se iam tornar padres a ouvirem o povo e as suas tradições, "porque cada velho que se extingue é uma biblioteca que morre." Gozava de caras com as incoerências do reitor, que apregoava a caridade e depois vivia faustosamente. Reivindicava a descida do preço das propinas e questionava a utilidade do voto de celibato. Os textos originais ainda estão ali e ele ri-se ao lê-los outra vez. Não olhava para eles há mais de 50 anos.

Fazia uma única cópia, que deixava à porta do quarto dos amigos - e estes depois rodavam-no por toda a gente. Ninguém sabia quem era Marotus. No dia em que os padres descobriram a primeira cópia de A Trama houve um inquérito para apurar a identidade do autor. Mas nunca deu frutos. Sereno, a ver o escândalo diante dos seus olhos, Fontes ria-se sozinho. Levava o terço na mão e o diabo no coração, sim.

Onde Judas perdeu as botas

Na véspera de ser ordenado, a 22 de junho de 1963, o reitor do Seminário de Vila Real disse-lhe que a cerimónia ia ser anulada. "Tinha-lhe constado que eu ia fazer uma festa na minha aldeia depois da missa nova e ele disse-me que não iria tornar padre quem só estava interessado em bailaricos." O rapaz exasperou, pois se era a primeira vez em mais de um século que a aldeia produzia um sacerdote. Ripostou: "Só se combate o diabo com a alegria." O superior olhou-o demoradamente e por fim acedeu. Aquele rapaz estranho iria mesmo tornar-se operário de Cristo.
O padre Fontes celebra todos os dias uma missa, às seis da tarde, na Igreja de Vilar de Perdizes.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

Nessa noite, António Lourenço Fontes escreveu no seu diário uma das mais inquietas páginas do registo: "O Amândio diz que me vão capar, e a verdade é que lá terei de fazer o voto de celibato. Nem sei bem o que vou fazer. É mais um proforma do que um compromisso jurado." Mesmo hoje, admite que teve várias namoradas depois de ser padre. E insiste as vezes que forem precisas que não faz qualquer sentido que os padres não se possam casar. "Amo menos a Deus se amar uma mulher também?" Ainda tem esperança que este Papa, Francisco, traga essa lufada de ar fresco à Igreja.

Logo depois de ordenado, foi - nas suas palavras - enviado para o desterro. "Mandaram-me para padre em Tourém, que era a aldeia mais isolada de Montalegre, mas também a mais autêntica." Recusava-se a vestir batina, o que acabaria por revelar-se bastante útil para ser aceite na comunidade. "Nessa altura, havia uma igreja protestante na aldeia, fundada por um militar espanhol que se tinha estabelecido ali. Andavam às turras com os católicos, mas tratei logo de acalmar os ânimos, eram todos filhos de Deus. Acabámos a celebrar a missa juntos, pronto."


Nos primeiros anos teve tempo de prosseguir a recolha de tradições, mas depois começou a sangria de rapazes. Os diários de 1967 a 1969 são de profunda reflexão política. "Estou farto destes senhores medievais que nos governam. Nunca seremos um país desenvolvido enquanto o povo sentir que está sempre em dívida com os poderosos", lê-se a 15 de março de 1968. No ano seguinte, a 12 de fevereiro: "O povo está a desenvolver uma tendência de desertar dos meios rurais. Pois se aqui só há fome e trabalho duro, que havemos de fazer? Emigram, fogem desta vida e fogem da guerra." Uma semana depois, a 19: "Porque raio andam estes rapazes a matar africanos que querem fazer da sua terra um país? Esta guerra tem de acabar e depressa. E esta ditadura o mesmo."
Fontes escrevia um jornal secreto para os soldados em África. Contra a guerra. Contra a ditadura.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

Transformava estes pensamentos em cartas, e enviava-as ao irmão, que estava em Moçambique, e a um par de rapazes de Tourém, que estavam em Angola e na Guiné. Assinava com o pseudónimo Ramiro Concha do Rio, nome que voltaria a usar anos mais tarde, quando abriu o jornal Notícias de Barroso. "Como iam num envelope da Igreja sabia que não seriam censuradas. E eles, lá em África, tinham instruções para lê-las em voz alta a um grupo de confiança uma única vez. E depois queimá-las." Por medo da PIDE, inventou um alfabeto secreto de linhas e pontos, com que começou a escrever os textos mais incendiários do diário. "E também fiz umas cartas com tinta invisível, feita de sumo de limão. Quando se aproximava do calor podia ler-se o que eu tinha escrito."

Rir na cara do diabo
Em 1971 os seus bons serviços foram recompensados. Para resolver a fome abundante na região tinha organizado cursos agrícolas, que obrigavam o Governo Civil a distribuir leite e farinha pelo povo. Tourém estava-lhe grata. "O bispo perguntou-me se queria ir para o Porto, mas numa cidade nada poderia fazer pelo povo. Pedi-lhe para ir para Vilar de Perdizes, que apesar de tudo estava menos isolada." E foi.


Os dados que tinha recolhido utilizava-os agora em peças de teatro, que escangalhavam as gentes da aldeia de riso. "Casamentos pagãos, tradições de bruxaria, todas essas coisas que o povo estava acostumado a temer." Dizia-se naquela altura que não se devia assobiar de noite que o som chamava o diabo. "Pois a primeira peça que fiz começava no meio do terreiro, à meia-noite, comigo a assobiar. Era a minha arma para aniquilar a crendice: gozar com ela."
"As coisas diabólicas só se destroem com alegria. Venha a festa."© Gonçalo Delgado / Global Imagens

No dia 27 de abril de 1974, António Lourenço Fontes escreveu no seu diário que tinha havido uma revolução em Lisboa e que lhe parecia que o país tinha finalmente condições para libertar-se do seu jugo medieval. "A primeira coisa a fazer é ensinar este povo a ler e a escrever. E ensinar-lhes os direitos que têm diante dos poderosos." Preces atendidas: meses depois entrava em marcha a campanha nacional contra o analfabetismo e desaguava em Vilar de Perdizes um grupo de professores de Lisboa. "Foram tempos extraordinários, esses."

Um ano depois, o Padre Fontes editou o primeiro volume de Etnografia Transmontana - Crenças e Tradições de Barroso. Três anos mais tarde, um segundo volume, também ele feito a partir da recolha que enchera as páginas do seu diário. Manuel Barros, professor de antropologia da Universidade do Porto convidou-o a vir apresentar o livro para uma plateia cheia. "Temos diante de nós o mais importante etnógrafo português depois do Abade de Baçal", disse então.


Foi por tudo isto que se lançou de cabeça a um novo escândalo, em 1982. Organizou o Congresso de Vilar de Perdizes ao mesmo tempo em que criou o jornal Notícias de Barroso. "Percebi que só o poder da imprensa, da opinião pública, me permitira enfrentar os poderes estabelecidos na Igreja e na política." No seu semanário dava conta das tradições pagãs, em retorno recebia cartas furiosas de padres e autarcas. Tem-nas todas guardadas. Um chorrilho de ameaças.
Padre Fontes segura uma máscara do diabo. É uma das muitas esculturas que guarda em casa.© Gonçalo Delgado / Global Imagens

António Lourenço Fontes nunca quis agradar ao poder, antes quis entender as suas gentes. E elas retribuem-lhe o louvor. É ele que preside à Sexta Feira 13. É seu o nome da sede do EcoMuseu de Barroso, em Montalegre. Tem honras de várias instituições galegas, quase nenhuma em Portugal. Em 2009 todos os deputados eleitos por Vila Real apresentaram ao presidente da república um pedido para que lhe fosse atribuída a Ordem de Mérito. Cavaco recusou.

Na sua casa em vilar de Perdizes, onde para além de livros e destes diários esquecidos há uma série de máscaras do diabo - que foi recolhendo nas suas viagens pelo mundo - Fontes agarra-se a uma e diz-lhe numa voz já velha, já pouca. "Tu a mim não me metes medo. A ti, Satanás, eu agarro pelos colhões."


(Publicado originalmente a 13 de julho de 2018)

Ricardo J. Rodrigues
Diário de Notícias

Queremos Educação

Oh meu rico S. João

Homem, por Luís Borges
Ao meu espírito, como aos de toda a gente, dá-lhes às vezes para fazer ventolas no passeio dominical. Sentida a guinada, desvio-me, como não pode deixar de ser. Ainda bem, se o imprevisto é consolador. Ir à Serra da Estrela e parar no caminho para o comes-e-bebes. O sol a derreter o vale apinhalado como a um caçoilo de resina. Odores bravios. Deixei os amigos a devorar futebóis na TV e esgueirei-me por uma caleja ladeirenta, bem acompanhado por um reguinho de água. De onde conheço este velho cuja sombra de castanheiro solitário me interrompe? E ali se fez o diálogo com fundo de águas em torcicolos rumorejantes.

– Era aí nesse buraco. A cascata fazia-se aí. Fazia-a eu. Eu e os outros.

Reparei no vão de uma escada de pedra, que se prolongava debaixo de uma varanda de madeira já carcomida. A calceta era recente, mas o fraguedo teimoso aflorava junto aos pardieiros.

– E já não se faz porquê?

As mãos dele regressavam na prata dos olhos. Os tempos eram outros. Outros? – perguntou ironicamente um pardal que pousava uma velha nuvem no beiral do silêncio que nos rodeava. A ruinha – disse-me – era uma estrumeira, do cima ao fundo. O estrume é necessário – sorriu por dentro. Mas, antes do S. João, a gente varria a merdice e ia roçar umas carradas de mato. O chão ficava como novo. E trazíamos também ramos de árvores para a cascata. O buraco limpava-se muito limpinho. Até luzia antes da luz. E trazíamos ainda um molhinho de ervas – alfazema, poejo. belas-luzes e amargaças – e outro mais ancho de rosmaninho e alecrim, aí está, para a fogueira. Que não era aqui, é o eras, mas num terreiro acolá, mete-se por aquela canelha – disseram as mãos.

– E a fogueira já não se faz porquê?

O cacaréu do tempo a cair, a partir-se, e o azeite a subir às palavras, mais leve do que elas.

– Durante uns anos a fio era eu e mais dois, que já morreram. Íamos por essas casas e juntávamos uns tostões. Para o azeite, para as grisetas, e para o papel de seda das lamparinas. Luminárias coloridas que se suspendiam de arames esticados sobre a viela. O padre, já sabia, tinha de emprestar o S. João, olha se não emprestas. E à tardinha, depois de o sino deitar ao vento as ave-marias, rapazes e raparigas iam em farrancho animado buscá-lo ao altar.

“Oh meu rico S. João, / a tua capela cheira a cravo, / cheira a rosa, cheira à flor de laranjeira”. E também: “Ai orvalhadas, orvalhadas” , etc. “Ai repapoila, repapoila”, por aí fora.

Oh meu rico S. João, a tua capela cheira a cravo, cheira a rosa, cheira à flor de laranjeira.

– E os rapazes e raparigas já não vão porquê?

O velho levantou-se do poial. De onde conheço eu este homem, este espelho incrustrado no fundo da memória, à entrada de cada túnel?

– Aqui é onde era a cascata. Ao fundo e aos lados, está a ver?, ramos de árvores, quase só pinheiro, pinheiro com pinhas, pois. E vinha de lá uma rampinha aos degraus para que toda a gente pudesse ver o efeito, ora aí está. Ao alto, o S. João mais o seu cordeirinho, em cima dum penedo entre jarras de flores. E água a correr por uma calha de madeira, desde aquele canto até este: sumia-se na estrumeira e lá ia com Deus pela rua abaixo. Aqui, vê?, era costume prender um anho, que ficava muito bem, mas, quando lhe dava para berrar, cuidado lá com ele, tínhamos de o levar ao dono, aí está.

– E a cascata já não se faz porquê?

O ouriço do tempo a abrir-se. No buraco cabiam mais coisas, muitas, a lua, estrelas, sonhos, anjinhos gorduchos, até brinquedos e ovos para o leilão. E no larguinho, a meio da canelha, saltava-se à fogueira. Que rico cheirinho te botavam as ervas, amigo! Metia-se cá dentro. E dançava-se. Gente rapioqueira. “ Estas é que são nas saias, / estas saias é que são. / São dançadas e bailadas / na noite de S. João “. E, às tantas, quando a gente não contava, podia aparecer uma rusga com bombos e ferrinhos. “ Fui ao S. João a Braga, / de Braga fui ao Bonfim / e vi tudo embadeirado / com bandeiras de cetim./ E há-de ser, há-de ser e há-de ser: / as raparigas é que hão-de vencer. “ Ora queriam vencer as raparigas ora os rapazes, já se vê.

– Olhe, eu nunca fui a Braga nem ao Bonfim, por falta daquilo com que se
compram os melões, aí está. Mas lá é que o S. João deve ser uma festa de truz. Melhor do que aqui, muito melhor.

– Melhor porquê?

– Ora por que há-de ser? Dinheiro, dinheirinho…

A resina da tarde acendia-se nos gestos daquele homem que talhava os mistérios da vida, as nostalgias da vida. O sol reduzido ao bruxuleio duma lamparina.

– O balão, pois, ah, o balão só o fazíamos subir lá pràs tantas, meia-noite, que era prò pessoal não arredar pé, aí está.

Quando acabou o futebol televisivo, os meus amigos foram-me descobrir com o simpático ancião, a beber junto de um pipo e a comer broa com coelho do monte, sabor a carqueja. Ganhámos, pá, ganhámos – conclamaram, arrotando a uma cerveja maluca. Mandei-os bugiar.




António Cabral
antoniocabral.com.pt

Boletim Republicano do Distrito de Bragança – em defesa do regime republicano

Na sequência da célebre mas efémera Monarquia do Norte, os republicanos de Bragança, uma vez derrotados os monárquicos, decidiram, no dia 2 de março de 1919, em sessão presidida pelo Governador Civil, constituir uma Comissão Política de Propaganda Republicana que ajudasse o Governador a escolher os melhores cidadãos para os lugares de responsabilidade política da administração pública e levasse os ideais republicanos às escolas e a todos os setores da sociedade bragançana. Essa Comissão teve a sua primeira reunião no dia seguinte, onde decidiram criar um boletim de propaganda dos ideais republicanos, intitulado Boletim Republicano do Distrito de Bragança, que, entre outros objetivos, destinava-se a publicar, em números sucessivos, a história dos acontecimentos políticos ocorridos no Distrito durante os meses de janeiro e fevereiro de 1919, de maneira a que a tradição transmitisse o conhecimento dos factos que políticos e militares que aí tiveram lugar.
Apesar das suas boas intenções, a vida do Boletim Republicano foi curtíssima, só se conhecendo o seu primeiro número.
Primeiro e único exemplar do Boletim Republicano, de março de 1919

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

NAU CATRINETA


Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar.
Ouvi agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava-se mais de ano e dia
Que iam na vetalta do mar.
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar!
Deitaram solas de molho
Para o outro dia jantar.
Mas, a sola era tão rija,
Que não a puderam tragar.
Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar.
Logo foi cair a sorte
No capitão-general.
- Sobe, sobe, marujinho,
Aquele mastro real.
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.
- Não vejo terras de Espanha
Nem praias de Portugal.
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.
- Acima, acima, gajeiro,
Acima ao topo real.
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal.
- Alvíssaras, capitão!
Meu capitão-general,
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal.
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar.
A mais formosa de todas
Estava no meio a chorar.
- Todas três são minhas filhas.
Oh! Quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo hei-de casar.
- A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.
- Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.
- Não quero vosso dinheiro,
Pois vos custou a ganhar.
- Dou-te o meu cavalo branco
Que nunca houve outro igual.
- Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.
- Dar-te-ei a Nau Catrineta
Para nela navegar.
- Não quero a Nau Catrineta
Que não a sei governar.
- Que queres tu, meu gajeiro.
Que alvíssaras te hei-de dar?
- Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar.
- Arrenego a ti, demónio,
Que me estavas a tentar.
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.
Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.
Deu um estoiro o demónio.
Aclamaram vento e mar,
E à noite, a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.

RECOLHA (1985) de Sebastião Agostinho Gonçalves, Gondesende – Bragança.

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

Escola Superior Agrária de Bragança com projectos de cooperação agropecuárias com a Guiné-Bissau

A ESA do Instituto Politécnico de Bragança realizou ontem um seminário e exposição para mostrar a implementação de vários projectos que ajudam a melhorar a produção pecuária, na área da avicultura e caprinocultura.
A Escola Superior Agrária de Bragança tem em curso um conjunto de projectos que visam dar aconselhamento agrícola e formação na Guiné Bissau para melhorar a produção pecuária, na área da avicultura e caprinocultura, como destacou Hélder Quintas, professor na ESA.

“Aquilo que nós pretendemos e aquilo que nós fizemos foi dar aconselhamento agrícola, pecuário e formação de pessoas a nível local, para tendo em atenção as particularidades das regiões onde nós intervimos, aproveitar as matérias-primas locais para melhorar os sistemas de produção quer pecuários, quer agrícolas, permitindo também um melhor abastecimento alimentar, assim como a segurança, num paradigma diferente que nós conhecemos”, contou Hélder Quintas.

Os projectos foram ontem apresentados no semanário «Cooperação Agro-pecuária com a Guiné-Bissau: passado, presente e futuro», fruto do trabalho de cooperação entre a ESA, o Instituto Marquês de Valle Flôr, como frisou João Monteiro, desta fundação.

“Inicialmente com um projecto de produção da gado bovino, nas zonas de leste da Guiné-Bissau, concretamente na região de Gabu e aí apoiamos uma associação de criadores a melhorar o efectivo, resolvemos alguns problemas do acesso à água, no acesso à alimentação, mas também na formação de técnicos sanitários. Então nós tivemos oportunidade de lançar os primeiros paraveterinários na região de Gabu. E mais concretamente de 2015 até hoje, temos vindo a trabalhar com enfoque animais de ciclo curto, nomeadamente nas galinhas mas também nas cabras, na região de Cacheu. Aí também já criamos 21 paraveterinários, 6 dos quais já estão a trabalhar com a direcção geral de pecuária da Guiné-Bissau”, contou João Monteiro.

Outro parceiro é Banco Mundial que está a financiar o curso de cuidados veterinários a 16 alunos, 7 do sexo feminino e 9 masculino, com a duração de 2 anos, e no valor de meio milhão de euros. O IPB foi o seleccionado, como referiu Regina Spencer, coordenadora da unidade de gestão do Banco Mundial.

“Seleccionámos o IPB pela qualidade da formação que são ministradas e pela relação que existe já com o país. Entretanto, se todos tiverem um bom aproveitamento queremos que sigam Medicina Veterinária, com a formação de 16 jovens quadros. Porque neste momento, a Guiné-Bissau tem um défice muito grande de técnicos formados. Há quase vinte anos que não se forma um médico veterinário. Neste momento, dos que temos no activo são que 3 vão para reforma, ficando 2 no activo. O Banco Mundial decidiu financiar a formação destes jovens quadros”, contou Regina Spencer.

No final do seminário foi inaugurada uma exposição fotográfica com 15 retratos da autoria de Gustavo Lopes Pereira e Hélder Quintas, que mostram a execução dos projectos. Também foi apresentado o Manuel Prático de Formação de Paraveterinários- Criação de Pequeno ruminantes na Guiné-Bissau.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

Ministra da Saúde anuncia verba para as obras do bloco operatório do Hospital de Bragança

A Ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou ontem na Assembleia da República verbas para as obras de ampliação e de modernização do bloco operatório do Hospital de Bragança.
“E dizer que hoje de manhã o secretário de estado já autorizou o investimento esperado para o bloco operatório do Hospital de Bragança”, anunciou Marta Temido.

Esta foi a resposta a Adão Silva, deputado do PSD na Assembleia da República eleito pelo círculo eleitoral de Bragança, sobre a falta de dinheiro para a conclusão das obras do serviço de internamento do hospital de Bragança, obras que ficaram paradas há mais de dois anos.

“Ou então, deixe-me falar da minha terra, de Bragança. As condições do serviço de internamento do hospital de Bragança? Estão verdadeiramente a necessitar de obras. O senhor secretário de Estado sabe disso e as obras estão paradas por causa de 300 mil euros. Ou então o bloco cirúrgico de Bragança que nunca mais é construído, reconstruído ou ampliado, porque falta dinheiro que foi prometido? E já agora, olhando para o país em geral, dizer que faltam médicos e profissionais de saúde, em Portalegre, Leiria e também em Bragança. Quando é que encontram uma solução para termos médicos no interior do país, para que haja uma igualdade de oportunidade para todos os cidadãos”, questionou Adão Silva.

A remodelação das obras de ampliação e de modernização do bloco cirúrgico já tinha sido anunciada pela tutela, no início de 2017, com uma intervenção, destinada à criação de um novo bloco operatório e de um laboratório de análises clínicas na Unidade Hospitalar de Bragança. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

Empresários chineses interessados no potencial da albufeira do Azibo

Empresários chineses e portugueses mostraram-se hoje interessados no potencial da albufeira do Azibo, distrito de Bragança, para desenvolver relações económicas através da exportação de produtos agroalimentares e a importação de tecnologia, desenvolvendo assim um mecanismo de "economia circular".
A iniciativa partiu da Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJECP), que hoje trouxe uma delegação empresarial chinesa ao Nordeste Transmontano, para conhecerem o potencial da albufeira do Azibo, no concelho de Macedo de Cavaleiros, alargando o interesse ao concelho vizinho de Mirandela, num conceito que assenta na "economia circular" que poderá ser implementado naquele território.

Em declarações à Lusa, Alberto Carvalho Neto, representante da AJEPC, disse que a ideia passa por exportar produtos agroalimentares e pecuários originários de Trás-os-Montes para a China, via Macau, e trazer para Portugal tecnologia de ponta que permita criar na albufeira do Azibo, uma central fotovoltaica para alimentar um sistema de regadio para aumentar a produção agrícola no território.

"Os produtos mais procurados na China são: o azeite, amêndoa, castanha e carne de porco em carcaça (...) Sendo que a parte relacionada com o fumeiro e derivados serão para comercializar em Macau e Hong Kong", indicou o também empresário.

Segundo Alberto Carvalho Neto, nos últimos dias estiveram em Trás-os-Montes, empresários chineses representantes de empresas como NamKwong, DTR e Taizhou que se mostraram interessados nos produtos originários do Nordeste Transmontano, onde o potencial de exportação pode chegar aos quatro milhões de euros.

"Estas empresas já compram produtos agroalimentares em Portugal, que totalizam cerca de quatro milhões de euros e estão interessados em duplicar o investimento e garantir que terão mais oferta com quantidade estável em Trás-os-Montes ", frisou aquele responsável.

No entanto, os empresários chineses olham para a albufeira do Azibo para poder construir um parque fotovoltaico flutuante, que aumentaria a eficiência de um perímetro de rega e assim alimentar de forma económica o sistema de bombagem e distribuição.

"Com este tipo de regadio, as pequenas empresas vão poder aumentar a sua produção de forma mais económica já que há aguas disponível em albufeiras como a do Azibo, só que não está a ser utilizada corretamente", vincou à Lusa o presidente da AJECP.

Outros dos projetos, que os empresários chineses tem em mente para a área de Macedo de Cavaleiros e Mirandela e que hoje foram dados a conhecer, passa pala construção de centrais de compostagem que vão utilizar o resíduos sólidos da região para os transformar em fertilizantes dos terrenos agrícolas.

A valorização e aproveitamento para rega das águas residuais provenientes das Estações de Tratamento, será outra das apostas para haver uma produção contínua dos produtos agrícolas que interessam ao mercado chinês.

"Há vontade dos chineses em fazer parecerias com os produtores nacionais, dada a qualidade dos nossos produtos, a fim de terem uma produção continua, e não sazonal", salientou Carvalho Neto.

Confrontado, com a realidade ambiental da área protegida do Azibo, para implantação deste tipo de projeto, o presidente da AJECP, disse que é preciso estabelecer diálogo com o Ministério do Ambiente e com as autarquias para se poderem ultrapassar alguns entraves.

"Não trouxermos desenvolvimento para Trás-os-Montes, podemos ficar a olhar, no futuro, apenas para a paisagem", observou aquele responsável.

Na primeira semana de março, o representante da AJECP, adiantou que vão chegar a Portugal mais três delegações empresariais chinesas, sendo que algumas delas também vão passar pelo território transmontano.

Agência Lusa

Fotógrafo brigantino em luta por uma viagem à Antártida

Pedro Rego, fotógrafo brigantino que se especializou em imagens de natureza, está a participar num concurso internacional cujo primeiro prémio é uma viagem à Antártida. O fator decisivo são os votos do público através da internet. A votação termina esta quinta-feira, dia 28.

“É um concurso internacional, que possibilita três prémios, sendo o primeiro uma passagem para a Antártida num dos barcos de expedição da empresa [que organiza o concurso]. É promovido pela Oceanwide Expeditions, uma empresa especializada em expedições ao Ártico e Antártida. Estão a comemorar 25 anos de existência e fizeram o concurso”, explicou ao Mensageiro.

De acordo com Pedro Rego, “o grande objetivo obviamente é o primeiro lugar”. “Pois isso iria possibilitar-me o voltar à Antártida e terminar o Documentário que iniciei no ano passado. Nessa altura, nos últimos 10 dias de expedição fiquei muito doente e não consegui captar convenientemente imagens. Este concurso dava-me a hipótese de voltar e mais que isso, a viagem é mesmo para a zona onde estive doente, seria perfeito”, frisou.

O objetivo continua a ser demonstrar os efeitos do aquecimento global e dos ecossistemas em perigo, depois de já ter viajado ao Pólo Norte e à savana africana.

Depois de semanas na primeira posição, nos últimos dias foi ultrapassado por uma canadiana.

Para votar no fotógrafo brigantino basta clicar AQUI.

AGR
in:mdb.pt

Autarca de Macedo e presidente da ACISMC preocupados com segurança da Zona Industrial de Macedo

Depois da onda de assaltos que causou prejuízos na noite da passada terça-feira em sete empresas instaladas na Zona Industrial de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, autarca macedense, mostrou-se preocupado com a situação e adiantou que estão a ponderar instalar um condomínio para reforçar a segurança daquele local:
“Da nossa parte existe uma preocupação que tínhamos já discutido, temos previsto um agendamento com os empresários, de forma a que possamos discutir a possibilidade de instalar um condomínio que acautele a segurança de toda a zona industrial.

Isso será uma primeira medida com a qual queremos avançar, tendo em conta a preocupação que tem sido manifestada para com esta situação.”

Preocupado mostrou-se também Paulo Moreira, presidente da Associação Comercial e Industrial de Serviços de Macedo, que também partilha da mesma opinião e, por isso, adiantou que vai pedir uma reunião com a autarquia:

“É uma situação que se repete ao longo de alguns tempos.

Uma das preocupações da nossa direção é arranjar uma forma de resolver algumas situações com os nossos sócios e com toda a indústria que está inserida naquela área.

Temos previsto marcar uma reunião com o presidente da câmara para esclarecer e apresentar as nossas ideias, de forma a que se corrijam muitos problemas e situações desagradáveis que têm vindo a ocorrer ao longo destes anos.

Os proprietários dos armazéns e das indústrias que estão lá instaladas têm que ter noção de que existe uma comissão ou segurança, que neste caso poderia surgir com a criação de um condomínio para gerir toda aquela área.”

As preocupações de Benjamim Rodrigues e Paulo Moreira sobre a segurança da Zona Industrial de Macedo de Cavaleiros que já tinha sido alvo de discussão em 2016 depois de uma onda de assaltos que prejudicou cinco empresas.

Escrito por ONDA LIVRE

Presidente de Mirandela pede demissão do inspector-geral da ASAE

Júlia Rodrigues convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa, para manifestar a sua indignação com uma conduta que classifica de “irresponsável” da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, ao comunicar informação incorrecta, que deixa no ar suspeitas sobre o setor da alheira, causando enormes prejuízos às empresas e cozinhas regionais que produzem o enchido ex-libris de Mirandela.
A autarca já tinha manifestado alguma insatisfação com a atuação da ASAE, no último natal, quando uma inspeção da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica decidiu suspender duas linhas de abate do matadouro do Cachão, precisamente na altura em que há mais abates e quando as obras no edifício, estavam agendadas para o mês seguinte.

Mas, a gota de água que fez transbordar o copo foi o recente comunicado da ASAE a dar conta da apreensão de 12,5 toneladas de produtos cárneos e seus derivados, com um dos locais a ser identificado como uma indústria de enchidos.

Júlia Rodrigues diz que se trata de uma comunicação leviana deixando no ar suspeitas infundadas sobre o setor da alheira:

“Quando falamos de uma indústria de enchidos, não nos estamos a referir a um local ilegal de produção. Uma indústria é uma empresa, uma fábrica que transforma produtos, enquanto que ao falar de uma cozinha ilegal estamos a referir-nos a outra dimensão com impacto diferente na notícia.

O que se quis fazer foi dar um impacto alarmista de duas ações que nada têm a ver uma com a outra, até porque uma foi no início do mês e a outra agora no final, e as duas juntas é que tinham o impacto das 12,5 toneladas e um prejuízo de 34 mil euros. Carne não tem nada a ver com enchidos e industria não tem nada a ver com o local ilegal de produção. Estou em crer que não será, certamente, um problema na região, a ASAE é que o está a criar onde não existe.

Nós estamos aqui para defender e para estar ao lado dos produtores e dizer à ASAE que tem de ter atenção às fileiras estratégicas.

Não têm de criar notícias alarmistas que põe em causa os setores de atividade que são fundamentais para o desenvolvimento e para a coesão territorial.”

Neste tipo de situações, Júlia Rodrigues entende que a ASAE não devia optar por comunicados políticos, mas antes prestar informações técnicas fidedignas

“Nestas situações, a ASAE deveria encerrar o estabelecimento e não fazer disso um comunicado político, o que não lhe compete fazer, mas sim prestar informações técnicas fidedignas, com a qualidade e os números adequados de quem presta um serviço público muito meritório, mas também muito responsável para todos os portugueses.”

A presidente do Município de Mirandela também estranha que esta ação tenha sido divulgada a uma semana da feira da alheira.

“Já é uma investigação de meses, segundo eles próprios dizem, e vem agora dizer isto às portas de uma feira que tem impacto na região e é, com toda a certeza, uma das maiores feiras gastronómicas da zona que atrai visitantes.

Não está em causa a qualidade dos produtos de Mirandela, mas sim a forma irresponsável como a ASAE coloca os produtos e os enchidos da região, que põe em causa o mercado que ,muitas vezes, é conseguido à custa de muito trabalho, investimento e postos de trabalho.”

A autarca recorda ainda outro episódio protagonizado pela ASAE, quando, em 2015, um caso de botulismo alimentar, que se confinou a uma empresa de Bragança, causou danos colaterais assinaláveis no setor da alheira, devido a falhas na comunicação da operação da ASAE.

Perante estes casos, Júlia Rodrigues sugere a demissão do inspetor-geral da ASAE

“Exigimos uma explicação do senhor inspetor geral da ASAE, ao mesmo tempo que, por condutas irresponsáveis que lesam a economia da região e do país, consideramos que é inadmissível esta irresponsabilidade. Por isso, pedimos a sua demissão, um vez que consideramos que uma autoridade de segurança alimentar e económica deve proteger os consumidores em vez de criar alarmismos.”

Júlia Rodrigues termina dizendo que estes casos estão a prejudicar uma fileira que representa um volume de negócios superior a 30 milhões de euros anuais, resultante das empresas produtoras, cozinhas regionais e lojas de vendas, que empregam cerca de 700 pessoas.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

Alegada rede de tráfico de droga na cadeia de Izeda vai a julgamento

O tribunal de Bragança decidiu levar a julgamento 22 arguidos por tráfico de droga na cadeia de Izeda.
A alegada rede, que incluía alguns reclusos, é acusada de introduzir droga naquele estabelecimento prisional do concelho de Bragança.

O Ministério Público considera que houve indícios de que de finais de 2015 a outubro de 2017, quatro arguidos, à data reclusos da cadeia de Izeda, “organizaram uma estrutura humana e logística, de que faziam parte outros reclusos e familiares”.

O objectivo era adquirir cannabis, heroína e cocaína no exterior, e introduzir esta droga no estabelecimento prisional para a comercializar.

Segundo o Ministério Público, o produto entrava no estabelecimento prisional por ocasião das visitas, levado por arguidas familiares dos reclusos ou com a colaboração de um arguido que desempenhava funções num balcão exterior ao estabelecimento prisional.

Os reclusos recebiam os pagamentos pelas vendas das drogas no interior da cadeia em contas bancárias tituladas por outras pessoas, seis delas arguidas no processo.

Os arguidos respondem por crimes de associação criminosa, tráfico, branqueamento de capitais e outras actividades ilícitas agravadas.

Dos 22 arguidos, três encontram-se em prisão preventiva e seis em obrigação de permanência na habitação.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

"Macedo de Cavaleiros - Na Rota do villar Esquecido"