| Horácio do Nascimento Esteves |
Começou a trabalhar na agricultura. Aos 15 anos trabalhou na floresta, ganhava cinco coroas por dia, tinha de as dar ao Pai e à Mãe. O horário era de sol a sol. Se chegasse atrasado só ganhava três quartos da jorna. Também trabalhou nas estradas.
Por fim arranjou uma junta de vacas e ficou agricultor para sempre. Cultivava batatas, centeio e trigo. O centeio comia-se dia a dia, o trigo nos dias de festa, nestes dias melhorava-se a comida, faziam canja, torravam-se galinhas na brasa e matava-se um carneiro, vitela os agricultores não a viam. O toucinho comia-se todos os dias, o de dantes era melhor do que o de agora.
O azeite não era muito, punha-se o dedo na ponta do azeiteiro para que não caísse em quantidade. Não se matavam cabritos, nem cordeiros, vendiam-se e rendiam bom dinheiro. Comiam carneiro. Eram sete irmãos, comiam todos do mesmo prato, muitas vezes o Pai e a Mãe não comiam para dar aos filhos. Não havia bifes. De manhã comiam pão untado com azeite e alho. Andaria na quarta classe quando conheceu a manteiga, a Cáritas é que trouxe às aldeias a fama da manteiga e do queijo, que era rectangular, cortavam-no às fatias, os ricos ficavam com ele.
O Verão era custoso, mas havia alegria, mesmo com fome andavam contentes e respeitavam uns e outros. Respeitava-se os Pais, os Avós, o Padre e a Senhora Professora.
O que o Pai mandasse era o que tinha de se fazer. No casamento só foram os padrinhos e o padre. Lembra-se de terem comido cabrito assado com batatas.
Vendiam vinho e castanhas. Arrancaram as vinhas, recebeu dinheiro para isso, agora tem oliveiras.
Está muita gente a voltar à aldeia porque na cidade não se governava. O agricultor descansa mais no Inverno, mas há sempre que fazer. Ele ainda se levanta às seis da manhã, cultiva batatas, cebolas, feijões e tomates.
| Idalina da Conceição da Fonte |
Viviam mal por falta de orientação paterna. Não frequentou a Escola.
Fazia manteiga do leite das vacas do patrão, uma semana para ele, outra semana para ela.
Na matança faziam caldo, bom arroz de couve, carne cozida, feijões e fígado. Não se lembra de fazer folar, bolos económicos sim.
O peixe mais consumido era o capatão e os peixes apanhados pelos irmãos.
Habitualmente cozinhava arroz de bacalhau e batatas com bacalhau. Se ao almoço tivesse dificuldades no arranjar de comer, cozinhava batatas com chouriço.
Os chouriços conservam-nos em banha metidos numa panela. Nasceu em S. Pedro dos Serracenos.
| Ilda da Conceição Gonçalves |
Nunca foi à Escola. Ficou sozinha muito nova, aos quatro anos. Foi paqueta desde pequenina. Andava de um lado para o outro.
Casou em Vila Nova, ela e o marido muito pobres, cada um a servir em cada casa.
Pagaram o vinho, comeram meio cordeiro e moletes de trigo. Foi a boda.
No Carnaval as mulheres vestiam-se de homens, os homens de mulheres, e sujavam as pessoas atirando-lhe farinha de lentilhas.
No Entrudo comia-se butelo e chouriço verde, na Páscoa folar e carne guisada.
As ovelhas velhas não se comiam, carneiro só para criação.
As pessoas doentes comiam caldinhos, um arrozinho ou puré, as crianças sopas de leite. Mamavam durante um ano.
| Ilda de Jesus Pereira |
Também faziam bolas de unto as quais se conservavam pelo ano fora, para se fazer a sopa de couve-galega no Verão, e tronchuda no Inverno. Rabas só se comiam no Natal, vinham da serra a troco de azeite.
A hortelã só se usava para fazer chás contra as dores de barriga. Nos Santos quem podia
comprava marrã, depois comia-se assada na brasa. Os figos punham-se na lareira e ficavam como assados.
O seu casamento foi muito pobre. A minha mãe não o fez, realizou-se em casa do meu irmão, na véspera uma vitela de um vizinho partiu uma perna, e então comprámos uma arroba para assar. Cozeu uma fornada de pão de trigo e comprou vinho porque tinha
conseguido guardar 100$00. Também comemos arroz de frango e económicos.
Teve seis filhos.
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