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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 25 de janeiro de 2026

51 anos…


 Faz hoje 51 anos que partiste.
E as saudades continuam. Intactas. Eternas.

Era um sábado.
25 de janeiro de 1975.

Fui logo de manhãzinha ver-te ao hospital. Perguntei-te se estavas bem, se podia ir fazer o jogo de futebol que estava marcado contra a equipa de Vinhais, para animar as festas da vila.
Olhaste para mim e disseste que sim… vai, filho.
Dei-te um beijo. Um último beijo, sem o saber.
E lá fui, com o resto da rapaziada, rumo a Vinhais.

Já no balneário, enquanto me equipava, entra o Raul.
O Raul Azeiteiro, assim lhe chamavam, porque além de mil e uma coisas, também vendia azeite. O Raul era grande amigo do meu Pai.

Ele não precisou de dizer uma única palavra.
A simples presença dele ali… atordoava.
Olhei-o nos olhos e perguntei apenas:
- O meu Pai morreu, não foi?

Sim. Tinha sido.
De outra forma, a presença do Raul ali, em Vinhais, não faria sentido.

Vamos…

Despi a parte do equipamento que já tinha vestido. A cabeça recusava-se a aceitar o que o coração já sabia. Da equipa, só me lembro do Germano, que me tinha feito o convite para o jogo. Não vi mais ninguém. Não me lembro de mais ninguém.

Entrei no velho Citroen branco do Raul, com a sua Mariazinha ao lado, e seguimos caminho para Bragança.

Foi tudo rápido demais…
Rápido demais para ter sido justo.
Ficou tanto por dizer. Tanta coisa por viver. Tantas palavras presas no tempo.

Um beijo, Pai.
Já tarda o dia de ir ter contigo.
Os 51 anos passaram a voar.

Tenho tantas coisas para te contar.
Tantas…

Tenho saudades tuas.

Janeiro de 2026
HM

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