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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

... MEMÓRIAS DA ESTRADA

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Naquele tempo na minha aldeia não havia cerdeiros. Quer dizer, havia os cerdeiros da estrada que davam umas cerejas miudinhas, amargas, mas que sabiam como o mel. Os cerdeiros eram guardados avaramente pelos cantoneiros que assustavam a garotada: - Se vem o senhor diretor das estradas, quero ver! Dizia o bom do cantoneiro olhando, com um ar sinistro, para a última curva da estrada como quem vislumbra a figura medonha do diabo, ou de alguma alma penada. Nunca ninguém viu o senhor diretor das estradas, mas devia ser terrífico… talvez comesse criancinhas ao pequeno-almoço… ou sabe-se lá o que faria se apanhasse a garotada da aldeia a depenicar as cerejas da estrada.
Mas junho trazia o verão e o vermelho doce das cerejas. A tentação. E nos domingos à tarde, em que talvez o senhor diretor estivesse a descansar do seu árduo trabalho de guardar os cerdeiros, a garotada investia… trepando aos cerdeiros como quem conquista a última estrela do céu… a estrela do desejo… alguns tinham medo de subir… o senhor diretor podia andar por perto, escondido no meio do monte de giestas e estevas…
… deita-me uma galhica de cerejas! 
… quem está em cima come a mora… quem está em baixo estica a gola! 
Mas era só um modo de falar porque durante toda a tarde os galhos de cerejas… as mais doces do mundo iam caindo milagrosamente dos cerdeiros da estrada… tempos gloriosos.
… que saudades tenho do senhor diretor das estradas!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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