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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 16 de novembro de 2025

VIDA ESTRANHA

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

A vida tem sido como um carrocel, com cavalinhos de madeira que sobem e descem, sem som, montados por sombras sem nome, mas que teimam em rir e chorar em simultâneo. 

O tempo dança de costas, tropeça nos próprios passos, veste pijama ao meio-dia e terno às três da manhã. 

Os relógios? São peixes dourados que nadam em círculos dentro de taças de vinho. As árvores falam em dialetos, e oferecem frutos que cheiram a saudade.

Alguns colhem-nos com prazer; outros passam a correr, como se tivessem medo de virar raiz.

Nesta vida estranha, há uma ponte que liga o agora ao quase, mas que balança sempre que alguém a tenta atravessar de olhos abertos. Muitos preferem fechar as pálpebras e dar um passo no escuro — e, curiosamente, são esses que às vezes chegam do outro lado rindo com as mãos cheias de estrelas.

Os pássaros? Ah, esses voam para dentro do chão, cantam canções que só os distraídos conseguem ouvir. E os rios? Os rios correm para cima, desaguam num céu que nunca para de mudar de cor, como se testasse qual seria a roupa ideal para um encontro com o inesperado.

No centro de tudo, há uma bússola que gira sem parar, aponta para dentro, ou para lugar nenhum. Alguns pensam que ela está partida, outros juram que ela é a única coisa que funciona como deve.

Neste mundo que parece feito por um pintor sonâmbulo, todos dançam — às vezes com os pés, outras vezes com o coração. Sem roteiro, sem garantias, mas sempre com a estranha sensação de que, talvez, tudo esteja exatamente como não deveria estar.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó.

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