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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 2 de março de 2026

AS RUGAS DA MINHA MÃE

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Há homens que veem nas rugas defeitos físicos, como se a pele fosse porcelana partida, como se o rosto devesse permanecer liso, intocado, imune às tempestades da vida.

As rugas não são defeitos físicos, são rios finos que a vida escavou devagar, com as unhas da dor e os dedos do esforço. Cada sulco guarda o peso de madrugadas mal dormidas, de trabalhos que vergam as costas e endurecem as mãos, de contas feitas à luz fraca da esperança. São trilhos por onde passaram preocupações silenciosas, decisões difíceis, responsabilidades que não couberam nos bolsos.

Há rugas que nasceram do sol ardente no rosto de quem trabalhou ao ar livre. Outras vieram das noites longas, onde o cansaço se sentava ao lado e o sono se esquecia de aparecer. Algumas têm o sal das lágrimas, desgostos guardados atrás de um olhar firme.

E, no entanto, também há rugas que são margens de sorrisos repetidos. Marcas deixadas por gargalhadas partilhadas, por histórias contadas à mesa, por abraços apertados que demoraram mais do que o tempo permitia. 

As rugas são a caligrafia da resistência. São a assinatura de quem não desistiu. Não são defeitos físicos; são medalhas, gravadas na pele.

Quem chama defeito às rugas talvez nunca tenha aprendido a ler. Porque um rosto marcado, é um livro aberto, escrito com suor, lágrimas, coragem e amor.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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