Só 35 anos depois da Revolução dos Cravos, a 25 de abril de 1974, é que uma mulher chegou a presidente de Câmara no distrito de Bragança.
Aconteceu em Alfândega da Fé e a médica Berta Nunes foi a protagonista, em 2009, depois de ter saído anteriormente derrotada das eleições de 2005. Ao Mensageiro, recorda as dificuldades por que passou.
“Vimos de uma sociedade em que o espaço público estava completamente entregue aos homens e até havia um ditado que dizia: mulher na casa e homem na praça. Ou seja, havia a mentalidade que a mulher devia estar em casa a cuidar da família e não tinha que estar a tomar posições no espaço público ou implicar-se com a possibilidade de tomar decisões que fossem importantes para a comunidade no seu todo e não só para a sua família”, recorda. A ex-autarca, que foi Secretária de Estado das Comunidades e deputada, lembra que “a mudança que aconteceu depois do 25 de Abril, graças também ao movimento das mulheres, que perceberam que era importante mudar esta situação, permitiu que as mulheres tomassem consciência que também tinham, se tivessem essa vontade, esse direito”, disse.
Berta Nunes recorda que já na adolescência fez parte de grupos feministas”. “Tinha bem claro na minha cabeça que às mulheres devem ser dadas todas as oportunidades desde que elas tenham mérito para isso ou desde que elas queiram chegar lá e por isso nunca me senti intimidada pelo facto de ser mulher e concorrer a qualquer cargo, fosse ele qual fosse”, frisou. Na verdade, só acabei por ter essa oportunidade e por ser solicitada a abraçar esse desafio porque o PS estava em dificuldades”, lembra, com um sorriso.
“Isso acontece com muitas mulheres, que são chamadas muitas vezes quando há dificuldades que os homens acham que não vão conseguir superar. E aí pronto, vamos deixar ir uma mulher porque se ela se estatelar, prova que elas de facto não têm capacidade”, atira, garantindo que “alguns homens pensam assim”. “Mas, na verdade, tive essa oportunidade porque as coisas e as pessoas do Partido Socialista me incentivaram muito a avançar, porque, por um lado, consideravam que eu tinha condições para ganhar e que tinha qualidades para exercer o cargo, mas também porque estávamos numa situação difícil. Porque se fosse numa situação fácil apareciam já homens que queriam passar à frente, disso não tenho a mínima dúvida”, sublinhou.
Berta Nunes não se deixou intimidar e avançou.
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