Mais de 401 mil pessoas, dos diferentes continentes, visitaram o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), desde a sua abertura ao público, há exatamente 30 anos, revelou o presidente da Fundação Côa Parque.
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| © Lusa |
Em entrevista à agência Lusa, João Paulo Sousa, que preside a fundação, disse que, desde a criação do PAVC e da sua abertura ao público, em 10 de agosto de 1996, até julho deste ano, este santuário da arte rupestre mobilizou 401.387 visitantes, vindos de vários pontos do globo.
De acordo com João Paulo Sousa, há vontade de dilatar este número, que considera muito satisfatório, apesar de algumas contingências.
"O Vale do Côa é um processo inacabado, com algumas limitações, como é caso dos recursos humanos e da época do ano. Não podemos trabalhar os 12 meses. Nos primeiros meses do ano nem sempre as gravuras estão acessíveis à visitação, devido às condições climatéricas e eventuais cheias no rio Côa. Já no verão, as temperaturas são altíssimas neste território, rondando por vezes os 50 graus", explicou o responsável.
Segundo João Paulo Sousa, o processo de visita ao PAVC teve, desde 2010, uma majoração com a abertura do Museu do Côa e a colaboração de operadores particulares que organizam visitas a este espaço. Ao mesmo tempo não se têm verificado quebras, apesar dos problemas que afetam o mundo. Pelo contrário. Por exemplo: este ano já se verifica um aumento de 8% do número de vistantes, em relação aos mesmos meses de 2025.
Questionado sobre a logística que envolve as visitas aos núcleos de arte rupestre do PAVC, uma das grandes preocupações passa pela substituição das viaturas todo o terreno que estão a serviço e que têm quase tantos anos como o próprio Parque.
"O conforto e seguranças das viaturas são uma preocupação. Segue-se um processo de tramitação para ultrapassar burocracias para a aquisição de cinco novas viaturas para o transporte dos visitantes aos vários sítios de arte rupestre do PAVC e que estão orçadas em 400 mil euros", disse João Paulo Sousa.
No campo da investigação científica, que nos últimos anos têm revelado novas e importantes descobertas no Vale do Côa, João Paulo Sousa alertou que, na última década, a Fundação Côa Parque perdeu cinco dos oito arqueólogos que estavam ao serviço e a tutela foi informada desta situação.
"No decorrer deste ano, vai ser elaborado um protocolo com o instituto público Património Cultural, no montante de 150 mil euros, para aquisição de prestação de serviços de pelo menos um ou dois arqueólogos, durante um período de dois anos. Não é a solução ideal, mas vamos tentar colmatar, porque sabemos que a investigação, preservação e divulgação são fundamentais para o PAVC", sublinhou.
Na área da investigação, há cada vez mais parcerias com universidades e institutos politécnicos da região, somando-se atualmente 20 bolseiros a trabalhar no Côa.
"Só desta forma, no último ano, foi possível descobrir 60 novas gravuras em diferentes locais do Parque Arqueológico", vincou João Paulo Sousa.
Outras das preocupações passa pela segurança do Museu e do património classificado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que é feita com a 'prata da casa'.
"Estamos a sinalizar essa preocupação, para evitar atos de vandalismo e incêndios. [A segurança] é feita com recurso aos nossos assistentes operacionais, e dentro do nosso orçamento não temos verbas suficientes para uma cobertura mais plena. É preciso darmos uma atenção especial ao Côa, porque não estamos a falar de um vale qualquer. Estamos a preservar a maior biblioteca da arte rupestre do mundo", defendeu.
Questionado pela Lusa se a interioridade pesa no Vale do Côa, João Paulo Sousa foi perentório e contrapôs: "Não é esse problema", pois "há uma proximidade com a Secretaria de Estada da Cultura para com a Fundação Côa Parque".
"A questão não se reflete na interioridade do Vale do Côa. O que está a falhar é a questão dos estatutos e falta de autonomia financeira da fundação que gere o PAVC e o Museu do Côa. As pessoas querem fazer, mas o sistema não deixa", indicou.
Segundo o responsável pela Fundação Côa Parque, há novos dados em relação às descobertas no Vale Côa, estando a descoberto 1615 painéis distribuídos por 104 sítios arqueológicos com motivos rupestres do Paleolítico Superior numa área que corresponde a 200 quilómetros quadrados, que é o total da área ocupada pelo PAVC.
O primeiro sítio colocado a descoberto aconteceu em 1995, na Cardina - Salto do Boi, que veio demonstrar uma ocupação do Paleolítico Superior, com 25.000 anos.
Mais recentemente, em 2025, foram descobertas novas gravuras desta feita com 26.000 anos.
Em 2020, foi posto a descoberto o maior auroque do mundo picotado na rocha do sítio do Fariseu com mais de três metros de comprimento, também do Paleolítico Superior.
Em 2018, foi comprovada a presença do homem de Neandertal (350.000 a 35.000 a.C.), no sito da Cardina - Salto do Boi.
As descobertas no Vale do Côa acabaram por suspender da construção da barragem do Côa, que foi decretada em 17 de janeiro de 1996, acompanhada pelo pedido de elaboração de um relatório sobre o valor patrimonial e arqueológico da região pela UNESCO, que permitisse ao Governo uma decisão definitiva e fundamentada sobre o projeto hidroelétrico.
Em julho de 1997, o conjunto arqueológico do Vale do Côa foi classificado como monumento nacional e, em dezembro de 1998, foi inscrito na lista de património mundial da UNESCO.


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