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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

SEMPRE SÓ

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


Sempre caminhei só, por montes de silêncios, onde cada passo era uma batalha contra as pedras que me rasgavam os pés e a alma. 

Adoeci, tive medo, chorei, errei, caí mil vezes, e o chão não me amparou. Olhei em volta, procurei mãos estendidas, ecos de consolo, sombras de companhia, mas apenas encontrava a minha solidão.  Só ouvia o vento, que uivava na minha dor sem piedade, como se troçasse das minhas quedas.

Houve noites, em que a febre me queimava, e os ossos me doíam como se estivessem a ser partidos por dentro. Mesmo assim, ninguém veio. Chorei com o rosto voltado para o teto vazio, esperei que talvez o universo me respondesse com um gesto, uma presença, uma voz. Mas só o som do meu próprio coração insistia em bater, teimoso, como quem se recusa a desistir.

Errei, tropecei em mim, e mesmo quando o erro me pesava como correntes, ninguém me veio aliviar o fardo. Nas sombras mais densas, compreendi, que não havia plateia para os meus fracassos. 

Fiz da solidão uma armadura. Com as quedas, aprendi o impulso e o prazer da subida. 

 Hoje, olho para trás não com mágoa, mas com um estranho orgulho. Caminhei só, sangrei e chorei só, mas sempre saí inteira, da minha caminhada.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó - Uma Paixão Improvável.

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