Em declarações à TSF, Margarida Balseiro Lopes sublinhou ainda que é "fundamental" garantir a transmissão de saberes às novas gerações, para a "valorização" dos artesãos e artesãs. O objetivo, explicou, é que os produtos, "profundamente ligados ao território e às comunidades", possam constituir um "fator de distinção", tanto a nível nacional como a nível internacional.
"A portaria que hoje entra em consulta pública e vai estar nos próximos dez dias, em outubro, vai permitir que artesãos, artesãs, municípios, CCDR, instituições de ensino e de investigação e demais entidades culturais possam fazer parte de uma rede que existe no território, mas está muito dispersa e precisa também de apoios públicos que, sem existência de uma rede, tornava difícil, precisamente, a definição de políticas públicas", justificou.
A governante não adiantou, contudo, o valor dos apoios que será atribuído aos artesãos. É certo, porém, que não será igual para todos, podendo variar entre 500 e 400 mil euros anuais, no caso de feiras ou exposições.
Margarida Balseiro Lopes destaca a aposta na formação profissional e nos apoios à certificação, mas também à criação de canais de comercialização.
"Sabemos que é uma dificuldade até a questão da escala, sabemos que existe também uma grande preocupação com a internacionalização destes produtos produzidos precisamente pelos nossos artesãos e pelas nossas artesãs, a relação com as escolas, o desenvolvimento de serviços de mediação cultural e de serviços educativos para permitir que as nossas crianças possam também o mais precocemente possível ter contato com as artes e ofícios tradicionais", admite, apontando a "grande diversidade" de áreas dentro das artes e ofícios tradicionais, que até ao presente "não tinham apoio público".
Em outubro, serão, então, abertas as inscrições para aderir à Rede Portuguesa Saber Fazer. À semelhança do que acontece com outras já criadas, é previsto que sejam lançados avisos através deste canal.
"Um dos exemplos que eu gosto de dar é a Rede Teatro e Cineteatros, por exemplo, a Rede portuguesa de Arte Contemporânea. Eram redes que, em primeiro lugar, foram criadas e, sendo criadas, nós depois podemos lançar avisos para que possamos ter apoios financeiros precisamente para estas entidades", adensa.
Uma "mais-valia" para o setor
Cesarina Conceição, da Associação de Artesãos do Entroncamento e Médio Tejo, confessa à TSF que vê neste novo instrumento uma "mais-valia", uma vez que tem a expectativa de que funcione como uma "rede nacional de cooperação entre artesãos e outros profissionais do setor, entidades públicas e privadas, instituições de ensino, municípios e agentes culturais".
"Em vez de ser uma coisa através de subsídios exteriores, passa a ser uma do nosso Governo. Desde a pandemia, houve muita gente que se agarrou às artes. Como muita gente começou a ficar em casa e outros perderam o emprego, houve muita gente que se agarrou ao artesanato para estar entretida. Também já há muita gente a deixar, mas há muita gente que continuou. Há muita variedade de artes em Portugal. Há muita variedade e há muita gente que é cinco estrelas a trabalhar, faz trabalhos incríveis", assinala.
Ainda assim, permanecem dúvidas quanto à forma como devem ser feitos os pedidos de apoio financeiro: "Não sabemos se, por exemplo, eu, como associação, terei de pedir através do município ou se terei que pedir diretamente ao Governo."
E assegura que a "carência de apoios" é uma realidade do setor. No caso da Associação de Artesãos do Entroncamento e Médio Tejo, fundada a 25 de fevereiro de 2025, ainda não foi possível estabelecer-se numa sede própria. Em "guerra" para encontrar uma solução, Cesarina Conceição já pediu uma reunião ao presidente da câmara do Entroncamento para agilizar o processo.
"Como tivemos de pôr uma morada, metemos a morada de uma das fundadoras. Já organizei vários exemplos com o Centro Cultural, [e o município] cedeu um espaço; nessa parte, tudo ok, mas há carência, há carências de apoios", nota.

.webp)
.webp)

Sem comentários:
Enviar um comentário