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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O Aleph de Pedrouços

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Tivesse Borges (o escritor ou o seu alter-ego) rumado a Pedrouços, na zona ribeirinha de vetusta Lisboa, em vez de se dirigir à rua Garay do bairro Constituición, em Buenos Aires; tivesse procurado a antiga Lota do Peixe da APL, em lugar da residência da falecida Beatriz Viterbo; indagasse por soluções inovadoras para doenças oncológicas e neurodegenerativas ao invés de esquadrinhar a correspondência secreta da mulher amada, com o seu primo Carlos Daneri; espreitasse para o interior do enorme barracão, à beira-Tejo em detrimento do porão por baixo das escadas da sala de jantar… e teria descoberto um outro espaço, não tão minúsculo como o existente na moradia argentina, nem sequer, tão extenso e universal, mas igualmente fascinante, seguramente entusiasmante e, o que não é de somenos, mais útil e promissor.

Inexoravelmente mais real!

E, por isso mesmo, mais estimulador, a carecer de desenvolvimento, investigação, entrega, partilha, investimento e genialidade.

O prodigioso autor sul-americano, com quem partilho a ancestralidade (os seus avós são de Torre de Moncorvo, tal como os meus) vislumbrou no mágico e diminuto lugar, todos os pontos do universo, todas as imagens da realidade todo o conhecimento, toda a história e toda geografia da humanidade. Quiçá estiveram acessíveis, nessa fantástica visão, os tratados, as teses e as respostas às interrogações científicas que já pairam no antigo mercado do peixe lisboeta, bem como as suas antíteses… tal como descrito na sua, igualmente imaginosa, Biblioteca de Babel e, por isso mesmo, absolutamente inúteis. Porém, se de pouco serve o infindável repositório… o conceito inerente à sua criação, a mistura fantasiosa das várias fontes de conhecimento e a sua concentração num lugar único, visitável, é altamente recomendável se transposto do universo quimérico da literatura para a realidade do mundo da investigação, da prática médica, da inovação tecnológica e da valorização da propriedade industrial e intelectual.

Um lugar desses, sonhado e planeado ao longo de vários anos, está a nascer num dos edifícios erigidos, há décadas, para apoio das atividades piscatórias, onde, já hoje, se pesquisam e desenvolvem novas e inovadoras metodologias de tratamento de doenças oncológicas e neurológicas. No armazém, conhecido pelos vários utentes por “Warehouse”, fruto de um investimento aprovado e financiado pelo PRR, vão ser instalados dois novos Institutos de Investigação ligados e patrocinados pela Universidade Nova e pela Universidade Católica. Haverá, também, espaço para o acolhimento de várias empresas tecnologicamente avançadas e com capacidade evidente de transformar em produtos clínicos as evidências ali trazidas à luz do dia.

A partir de janeiro de 2027, existirão, no mesmo lugar, com excecionais condições de cooperação e obtenção de benefícios recíprocos, vários grupos de investigação, várias equipas médicas, vários técnicos laboratoriais, várias plataformas tecnológicas, vários recursos informáticos e de Inteligência Artificial, bem como várias empresas de vanguarda nos domínios das terapias de tratamento de doentes com cancro e com doenças neurodegenerativas.

Um Aleph verdadeiro, real e útil!


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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