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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Juntas de Freguesia em protesto contra o Orçamento de Estado

 A União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança, é uma das que se vai associar às medidas de protesto da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), que convocou o encerramento dos serviços das juntas para 4 de novembro, em contestação à proposta de Orçamento do Estado para 2027.


O presidente da União das Freguesias e representante da ANAFRE no distrito, Telmo Afonso, manifesta concordância com a posição do Conselho Diretivo da associação e anuncia a adesão às medidas propostas, “na defesa dos interesses das freguesias e das populações que representamos”.

A decisão da ANAFRE foi tomada numa reunião em Pombal, a 12 de outubro. A associação considera que as propostas apresentadas ao Governo não foram atendidas e acusa o executivo de não cumprir o acordo político assinado em janeiro.

Para Telmo Afonso, antigo militante do PSD que se desfiliou no início deste ano do partido do Governo, a evolução dos custos demonstra a urgência de rever o financiamento das freguesias. O autarca compara o salário mínimo nacional de 2018, ano em que indica ter iniciado funções, com o de 2026: passou de 580 para 920 euros, um aumento de cerca de 58%. No mesmo período, refere, o Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) cresceu apenas cerca de 38%.

“Esta diferença traduz-se numa pressão crescente sobre os orçamentos das freguesias”, afirma, apontando o aumento dos encargos com pessoal, dos custos de funcionamento, da manutenção dos espaços públicos e da prestação de serviços essenciais.

O autarca alerta que atualizações do FFF na ordem dos 5%, sem acompanhar a evolução dos custos e das responsabilidades, podem comprometer o equilíbrio financeiro das juntas, deixando as receitas correntes de ser suficientes para cobrir as despesas correntes.

“Não estamos perante uma questão meramente contabilística. Estamos a falar da capacidade das freguesias para responder às necessidades das suas populações, manter a qualidade dos serviços públicos de proximidade e cumprir as responsabilidades que lhes são atribuídas”, sublinha.

Telmo Afonso considera, contudo, que o problema não é exclusivo de um Governo ou de uma força política. “É uma dificuldade que se tem vindo a acumular ao longo de vários anos e que exige uma resposta estrutural, responsável e duradoura, independentemente de quem governa”, sustenta.

Entre as reivindicações da ANAFRE está o reforço do FFF, através do aumento da sua base de cálculo de 2,5% para 3,5% da média da receita de IRS, IRC e IVA. A associação pretende também o financiamento de um eleito a tempo inteiro em todas as juntas ou, em alternativa, de dois eleitos a meio tempo.

As propostas, apresentadas ao Governo a 22 de julho, incluem ainda a atualização das transferências para as freguesias de Lisboa, para compensar os aumentos salariais, e o reconhecimento do direito legal de preferência das juntas na aquisição de imóveis no seu território, sempre que legalmente admissível.

Além do encerramento dos serviços a 4 de novembro, a ANAFRE decidiu pedir reuniões urgentes aos grupos parlamentares e ao primeiro-ministro, solicitando, neste último encontro, a presença do ministro das Finanças. Estão igualmente previstas quatro reuniões descentralizadas com as freguesias e a adoção de outras formas de luta, caso as reivindicações não sejam atendidas. A associação mantém-se disponível para negociar.

Telmo Afonso defende, por seu lado, um financiamento “justo, estável e proporcional” às exigências do poder local.

“As freguesias não podem continuar a assumir mais responsabilidades com recursos que não acompanham, de forma adequada, o aumento dos custos”, conclui.

António G. Rodrigues

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