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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Governo defende regras para acabar com apanha indiscriminada de cogumelos silvestres

O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Vieira, defendeu  em Mogadouro que é preciso criar regras para acabar com a apanha indiscriminada de cogumelos silvestres e ao mesmo tempo criar valor económico no setor.
"Sugiro que seja criada uma associação de produtores e apanhadores de cogumelos silvestres e apresentada uma candidatura ao Plano de Desenvolvimento Rural para assegurar apoios à constituição deste tipo de organismo que permita a regulamentação do setor", defendeu.
"Com a criação de mecanismo haverá outra forma de comercializar um produto e trazer retorno económico para as regiões. Os nossos vizinhos espanhóis estão-se a aproveitar da desorganização do setor em Portugal, para fazer negócio", indicou o governante.
Luís Viera falava à margem da inauguração de uma fabrica de transformação de produtos lácteos instala na Zona Industriai de Mogadouro.

Francisco Pinto
in:mdb.pt

Alunos de Erasmus + descobriram Turismo Inteligente em Montesinho

Cerca de 35 alunos e dez professores de cinco países europeus estiveram uma semana em Bragança a refletir sobre Turismo Inteligente e a procurar soluções que possam ser implementadas no Parque Natural de Montesinho.
A visita decorreu no final de outubro e insere-se no programa Erasmus +, que no Nordeste Transmontano tem sido desenvolvido no Agrupamento Miguel Torga, em Bragança, com a coordenação de Margarida Marques.
Durante uma semana, alunos portugueses, suecos, italianos, gregos e alemães passearam pelo Parque Natural, reuniram com alguns dos seus responsáveis e deram ideias para projetos de Turismo Inteligente, tendo por base a noção de sustentabilidade.

AGR
in:mdb.pt

Halloween em Vilar de Perdizes foi a maior celebração de sempre

Foi por todos considerada a mais bem conseguida celebração de Halloween em Vilar de Perdizes. Uma jornada fantástica que fomentou a economia local e reforçou a imagem turística do concelho.
Foram centenas de pessoas em torno do singular. Caraterizadas a rigor, viveram uma noite mágica que teve como ponto alto o cortejo embruxado, seguido de um espetáculo que culminou com a queimada esconjurada pelo padre Fontes.

A celebração de Halloween na conhecida aldeia do misticismo, em Vilar de Perdizes, contou este ano com a maior participação de sempre. A noite agradável atraiu centenas de pessoas que se deliciaram com os jantares embruxados preparados pelos restaurantes.

No cortejo embruxado, verdadeiramente assustador, os participantes viveram situações inesperadas com a presença de personagens ocultas, à luz de velas, que provocaram muitos percalços e sustos. Porém, o destaque foi para o espetáculo, protagonizado pelos artistas Queiman e Andrea Pousa, que homenageou o mentor desta festa, o conhecido padre Fontes. A animação ficou a cargo do grupo de musica tradicional Enraizarte e pela companhia de teatro Filandorra.

Opinião de:
David Teixeira | Vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre
«Voltou a cumprir-se a tradição em Vilar de Perdizes. Esta festa, que iniciou com o Congresso de Medicina Popular, tem vindo a afirmar-se. É uma “Sexta 13” num lugar diferente, numa aldeia assombrada, com grande potencial para crescer. Precisa de um maior envolvimento das pessoas da aldeia. O percurso assombrado faz a diferença e precisa de mais dinamismo porque atrai centenas de pessoas. O espetáculo no palco foi um grande momento de homenagem ao padre Fontes pelo bruxo Queiman e pela Andreia Pousa. Foi um momento bonito e mais do que merecido porque o padre Fontes é o embaixador da nossa terra. Uma palavra de agradecimento a toda esta organização e aos funcionários da Câmara, à companhia de teatro Filandorra, ao padre Fontes e a toda a população de Vilar de Perdizes.

Padre Fontes | Mentor do evento
«Pareceu-me o melhor evento de sempre por várias razões: pela presença do Queiman e da Pousa, pela divulgação que foi feita, pela colaboração da associação e do município, pela presença da companhia de teatro Filandorra. Afastamos todas as bruxas más de Vilar de Perdizes e só deixamos as boas».

Umbelina Moura | Vice-presidente da Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes
«Este ano as expetativas foram largamente ultrapassadas. Esteve mesmo muita gente. O espetáculo correu muito bem e, por isso, só podíamos estar radiantes. Apostamos em mais animação e tivemos o nosso espaço com comida que teve muita adesão e completou o serviço dos restaurantes».

Bruxo Queiman | Ator
«Estou surpreendido. Foi a primeira vez que vi aqui tanta gente. Este ano apresentamos um momento especial, de forma a render homenagem ao padre Fontes, pela bondade e pelo seu desempenho na transmissão da cultura do Barroso. Foi um prazer estar aqui».

Andrea Pousa | Atriz
«Não esperava ver tanta gente. Foi um prazer celebrar esta noite. Correu tudo muito bem, com um ambiente fantástico. Espero repetir no próximo ano».

David Carvalho | Diretor da Companhia de Teatro Filandorra
«Coube-nos fazer o Deus Larouco com a sua corte. Começamos a arrastar multidões no cortejo embruxado pelas ruas desta aldeia. Isto está no bom caminho porque a adesão continua em grande escala. Na companhia do padre Fontes queremos continuar a celebrar as “bruxas à portuguesa” em Vilar de Perdizes».

in:diariodetrasosmontes.com

FEIRAS DE VAIDADES

Pregar no deserto foi sorte que acompanhou profetas, nesta nossa civilização, longos milénios hesitante entre semear a solidariedade ou, pelo contrário, manter a selva predatória, sempre com renovadas ameaças, a ressurgir do sangue derramado na disputa de míseras migalhas do tempo.
Dificilmente haverá espectáculo mais penoso do que presenciar dois miseráveis a esgadanharem-se por uma côdea bolorenta, que pode matar quem lhe ferrar os dentes.
Visionários, alguns profetas foram desprezados, objecto de chacotas seculares, até que os tempos lhes deram razão. Mas, então, já nada havia que pudesse aconchegar arrependimentos, condenando comunidades, povos e nações ao verdadeiro nada.
Na tradição democrática europeia, os órgãos de comunicação social, sem presunção de profetizar, partilham a responsabilidade cívica de contribuir para trazer à praça pública as grandes questões que se colocam no exercício da cidadania. Por isso, o jornalismo nacional nos legou contributos de reflexão e propostas ponderosas de condução dos destinos nacionais e regionais, ao longo de décadas, mesmo quando poderes anti democráticos se instalaram sobre a generalizada demissão dos portugueses.
No entanto, tais contributos raramente foram tidos em conta pelos responsáveis políticos, muitas vezes com consequências nefastas para gerações sucessivas.
A lucidez e a serenidade também não têm encontrado terreno fértil entre os protagonistas da região, apesar de repetidos apelos para a identificação de opções comuns, de objectivos profícuos para todos os concelhos, em vez de insanas divisões.
Continuamos a ver aprofundar clivagens, a propósito de actividades fundamentais para a economia regional. Não podemos, assim, disfarçar o espanto por sentirmos que não há forma de que se aprenda a lição.
Nos últimos quinze dias realizaram-se dois certames relacionados com a castanha, o produto mais notável da Terra Fria transmontana. Depois de grande festa em Vinhais, o presidente do município de Bragança veio proclamar que o seu concelho reivindica tornar-se a capital da castanha, o que foi entendido como o retomar de uma guerra sem sentido, depois do que aconteceu com a instalação de dois matadouros, que mutuamente se inviabilizam e de escaramuças a pretexto dos recordes do Guiness, o maior assador do mundo versus o maior pote do universo.
O certame de Bragança, designado Norcaça, Norpesca & Norcastanha, já é, também ele, o resultado de outras guerras fratricidas, que condenaram à morte uma feira regional de caça, depois do município de Macedo de Cavaleiros ter marchado, entusiasticamente, contra os encontros venatórios em Bragança, pulverizando iniciativas no tempo e no espaço, com resultados que as reduziram à quase insignificância.
Apesar de ouvidos moucos, as palavras não são necessariamente loucas. A região está num estado de debilidade que não permite, se quisermos sobreviver, alimentar disputas. Não há mais tempo para feiras de vaidades. Encontrem formas de cooperar para que todos os nordestinos possam conhecer dias de serenidade, mesmo de esperança, em vez de nos empurrarem alegremente para as novas arenas, onde se celebra o silenciamento dos inocentes.


Por Teófilo Vaz
Jornal Nordeste

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Arte urbana 'invade' concelhos de Trás-os-Montes

A arte urbana invadiu alguns concelhos de Trás-os-Montes.
Em Alfândega Fé, por exemplo, um artista nacional reproduziu em grafiti as artes associadas ao queijo e cortiça.

Crianças tiram-me do sério!

Todos os que têm filhos já experimentaram aquela expressão: "esta criança tira-me do sério!". Mas, como vários pediatras e psicólogos já comprovaram, são os adultos que já estão fora do sério pelas suas próprias frustrações, pressões, medos, mágoas ou preocupações e, normalmente, descarregam nos filhos alguma da raiva contida "como bombas prestes a explodir", conforme refere a psicanalista brasileira Luzinete Carvalho num dos seus artigos sobre a relação dos pais com os filhos.

Fazendo mea culpa em algumas situações, chego a pensar que a nossa vida apressada, com prazos para cumprir e horários padronizados, nos faz esquecer que as crianças têm outro ritmo, outro tempo, outra atitude, a atitude normal de um ser humano em desenvolvimento. E sair do sério não é a melhor forma de ensinar a viver neste Mundo acelerado, principalmente quando explodimos com quem é mais frágil e indefeso e que, acima de tudo, assume uma retaliação da nossa parte como o fim do Mundo.

Não quer dizer que, de vez em quando, não seja preciso uma reprimenda, mas antes de a dar, é necessário refletir se a nossa atitude mais impulsiva tem por detrás outras razões da vida, como contas para pagar ou problemas a nível profissional ou emocional que não estejam diretamente ligados aos filhos.

Dou comigo a pensar que é necessária "uma preciosa tranquilidade mental" para desfrutar da companhia das crianças, até porque os filhos, na verdade, necessitam de muito pouco para se sentirem bem com os adultos. Chama-se tempo de qualidade e, por vezes, não o temos. Como naquela vez que iniciamos uma brincadeira e o telemóvel toca e nos esquecemos completamente da sua presença.

A psicanalista resume muito bem aquilo que sentimos: "As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrimos que somos, ou estamos, incapazes de realizar mesmo as coisas mais simples".

A verdade é que, quando estamos com eles, precisamos de voltar a ser a criança que um dia fomos. Não quer dizer que as situações tensas vão desaparecer. Elas existem em todas as famílias, o que difere é a forma de lidar com elas sem nos tirar do sério.

António José Gouveia
EDITOR-EXECUTIVO
Jornal de Notícias

Hoje há rojões para o lanche...

"A Gestão do Solo e a Doença da Tinta do Castanheiro" é o tema do seminário que integra a Feira da Castanha de Corujas, marcada para o próximo fim-de-semana.

San Martinico

Comparece no dia 13 de Novembro na festa de "San Martinico" prova o vinho e come umas castanhas, num dos locais emblemáticos do concelho.
"A capela de São Martinico fica situada no termo de Paradela, quase nos limites com Aldeia Nova. Por isso, a festa é/era feita pelas duas aldeias. Está implantada num pequeno prado baldio que é também uma encruzilhada de caminhos, ainda no Planalto, mas já quase no início das Arribas do Douro.
É uma capelinha tão pequena que mal lá caberão duas ou três pessoas em simultâneo, e talvez daí venha o nome que lhe dão, colocando o santo no diminutivo, o que é coisa pouco usual."

Pedaços do Nordeste no Céu de Lisboa

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Em conversa amena com um velho amigo, veio à baila o editorial que o diretor do Jornal Nordeste, onde ambos cronicamos, publicou a 11 de outubro de 2016. Feito a propósito da notícia da festa de inauguração do novo MAAT, na capital, glorificando a rica EDP cuja parte significativa da energia que vende é produzida na bacia do Douro não se vislumbrando por cá grande coisa, como contrapartida. A poderosa Fundação dirigida e financiada pela elétrica nacional construiu um vistoso museu na capital engrandecendo, é certo, todo o país, mas, de maneira especial, a cidade ribeirinha do Tejo.
Teófilo Vaz afirma ainda que também nos cabe a nós exigir que os recursos que nos são sequestrados sejam devidamente valorizados. Sendo verdade que as barragens durienses e dos seus afluentes são fontes de riqueza e desenvolvimento, também é verdade que a maior valia vai para as grandes urbes cujo bem estar se faz à custa de privações nordestinas. Para que haja ar condicionado confortável, iluminação suficiente, força-motriz adequada na indústria e nos transportes públicos, programas lúdicos, telecomunicações e tantas outras regalias providenciadas em abundância e com comodidade aos alfacinhas e a todos os que os visitam, milhares de nordestinos tiveram de abdicar de incontável número de oliveiras, amendoeiras e outras árvores, de muitas praias fluviais e de uma incomensurável grandeza de paisagem perdida para sempre. Em boa verdade muito do encanto lisboeta faz-se com pesadas contribuições do interior. Uma enorme fatia do seu céu, é composto de pedaços arrancados ao firmamento nordestino.
É natural esperar que os sacrifícios sejam devidamente valorizados e recompensados.
Não será, concerteza, para responder ao excelente editorial do Diretor do Jornal Nordeste, nem tão-pouco com a rapidez que se deseja, muito menos no valor merecido, mas houve notícia recente da implementação de alguns projetos marcantes integradas no largo pacote das medidas compensatórias com que a EDP se comprometeu.
Um texto do Jornal Público de 15 de outubro do ano corrente (2016) deu conta da concessão da exploração turística da albufeira do Tua e de parte da linha férrea sobrevivente, em exclusivo,  ao empresário duriense, Mário Ferreira. Não terá sido fácil, garante o empreendedor. Tal acordo só foi concretizado depois de a EDP ter sido “obrigada” a fazer vultuosos investimentos para que o empreendimento fosse sustentável. Segundo o dono da Douro Azul a elétrica teve, na prática, de duplicar o seu investimento inicial de dez milhões de euros para tornar o projeto apetecível.
O Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo anunciou recentemente um projeto turístico, embora sem se revelar os valores envolvidos, que vai catapultar a região do Baixo Sabor para um patamar cimeiro na oferta turística de qualidade. Trata-se do Sabor Lake Resort um conceito inovador de exploração da albufeira, com base em casas flutuantes que percorrerão os diferentes lagos que a barragem criou em Moncorvo, Mogadouro e Alfândega.


José Mário Leite, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

ALBERTO FERNANDES: IN MEMORIAM

Amicus est alter ego, dizia Pitágoras, na linha de Marcial, Cícero, Séneca, Horácio, Santo Agostinho, Montaigne, D. Francisco de Portugal e tantos mais. Ressinto, pungente, este «outro eu» da amizade, na manhã de quinta-feira, 27 de Outubro, em que vai a enterrar Alberto Fernandes: é uma injustiça; e, se eu desejava estar com Henriqueta, Maria João e Maria Henrique, o mínimo que posso fazer é lembrá-lo, num entendimento de 45 anos.
Entrávamos na juventude, com um pé na insatisfação. Arguto, modulando ironias num sorriso, Alberto respondia aos nossos fervores com uma reserva de quem pisava o chão (vindo de família numerosa), e, mais do que a página que nunca deixou de o acompanhar, sentia a desigualdade social como tarefa urgente a vencer.
Assim, já na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se formou, o pós-25 de Abril fê-lo radical de Esquerda – contra certa Esquerda, e a Direita que, em contra-manifestação, o levou ao hospital e à prisão. Sucederam derivas entre Portugal e França, empregos menores que a coragem suportou: quando vivíamos no Bairro Alto, o autocarro madrugador apavorava-o. Descansávamos num filme e nas intermináveis conversas sobre literatura, Lisboa fora.
  Foi quando, vencendo essa visceral reserva, consegui estreá-lo em volume. Acácio Trigo e eu já tínhamos publicado; não ele, nem Victor Rodrigues, que ambos seleccionei sob o título “Março” e “As primeiras mãos”, resultando Março ou as primeiras mãos, assinado pelo quatro. Celebrámos estes versos com jantar na Rua de São Marçal, em 28 de Março de 1981. Em breve, teríamos outro fogacho: Bico d’Obra, uma editora de vida curta. Era maneira de trazer à boa mesa – até à dor de Alberto não poder beber o tinto Cistus, produção de família – amigos como João Manuel Neto Jacob, Hélia Correia, Rui Ferreira e Sousa e Victor Rodrigues, com este vivendo também sob o mesmo tecto, pouco depois. 
Ora, o leitor de clássicos (ainda neste Verão, lia os clássicos antigos), cada vez mais avesso aos génios do dia, era um narrador nato. Sendo o nosso melhor contador de histórias (era um prazer escutá-lo), por mais que eu insistisse, não se dignava dá-las ao prelo. Alguma publiquei em jornal ou revista, todavia, nos anos 80 e 90; e, animado por José Carrapatoso – com quem esteve largos anos nos destinos da Escola Secundária Miguel Torga –, de ambos recebi material notável, e a resposta que Alberto reiterava: «Não vale a pena…» Tenho aqui Farruco e outros contos, do melhor que a prosa de cor transmontana nos oferece: «Dá-se o caso que ao Antero de tal forma lhe tolheu a razão, já pouca, a primeira vez que conheceu mulher, que o caso foi falado por muita distância de povos com brado de milagre ou coisa inexplicável pelo humano entendimento. Assim foi, de facto, lembro-me como se fosse hoje, e ainda não formei juízo, depois de tanto tempo decorrido, sobre tal assunto de pasmar. Mas eu conto, ciente que não haverá nenhum de vós que, sucinto ou por largo, não tenha dele tido notícia.»
Recordo a tarde de 25 de Dezembro de 2001, após o funeral de um irmão do Marcolino Cepeda, também dilecto Amigo: dei uma volta com o Alberto, que trazia Maria João e Maria Henrique – aquela, séria e inteligente no seu sorriso bom; esta, já convivial, malandra («Pai, não inventes!»), ambas significando um futuro que é a grande obra de Alberto e Henriqueta.
Henriqueta pedia outra demora. Resumo-a numa palavra: grandeza. Alberto deveu-lhe a vida, no meio de tanto sofrimento dele, e sacrifício dela. Só assim o pudemos ter connosco – embora um pouco menos do que seria justo.
Às onze da manhã desta quinta-feira, deixo uma lágrima pelo meu Amigo.




Ernesto Rodrigues
in:jornalnordeste.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - FRANCISCO RODRIGUES FERREIRA (C. 1692 – DEPOIS DE 1749)

Era um dos 12 filhos (5 rapazes e 7 raparigas) de Pedro Cardoso e Esperança Rodrigues. O irmão Gabriel casou na família de Luísa Bernarda, a matriarca dos Raba; a irmã Luísa com o Dr. Gabriel Ledesma; a Isabel com Tomé de Leão e a Maria foi casar em Vinhais com Diogo Ferreira. (1) Ligavam-se assim os Ferreira a uma boa parte da “nação marrana” de Bragança.
E “entre as pessoas da nação, Francisco Ferreira era o melhor reputado” – no dizer do Fidalgo Francisco Xavier de Sousa. O próprio assumia essa condição destacada, provando que tinha amizade com gente da maior nobreza do Reino, como o Conde de S. Vicente ou o trinchante mor do reino D. José de Vasconcelos e Sousa. E até “ia pousar a casa de António de Brito Távora”, pai do inquisidor Manuel Varejão de Távora.
Terá nascido em Bragança, por 1692. E contava 22 anos quando foi preso pela inquisição de Coimbra, em Novembro de 1714. (2) Saiu em 28 de julho de 1718, não sendo presente a qualquer auto de fé. Aliás, esses foram anos terríveis para os marranos de Bragança que, manifestamente entupiram aquele tribunal. Disso nos dá notícia o próprio Francisco Ferreira:
- Naquele tempo foram presos e apresentados todos os cristãos-novos de Bragança.
Francisco e os irmãos dedicavam-se ao fabrico e comércio de sedas. E ele seria o mais expedito e já então acrescentava ao “curriculum” de “torcedor de seda” o de “homem de negócio”. E a sua vida desenrolava-se entre Bragança e Lisboa conduzindo cargas de seda que ali vendia.
António Dias Pereira, (3) um mercador brigantino que às vezes o acompanhava diria que ele “foi sempre homem de negócios graves (…) e pela sua verdade e inteireza adquiriu cabedais grossos”. 
Terreno propício para investidores de “capitais grossos” era a arrematação de rendas. E esse foi o caminho seguido pelo rendeiro e contratador Francisco Ferreira que "adquiriu grande crédito e cabedal, com o que se fez conhecido em todo este reino e foi em todos os anos até 1745 à cidade de Lisboa, aonde não só se achava nas arrematações das comendas vagas das três ordens militares, mas ainda em vários tribunais como são a Junta dos 3 Estados, a Casa de Bragança, o Conselho da Fazenda e casas de fidalgos particulares aonde arrematavam publicamente vários negócios". Citemos alguns dos negócios que Francisco trouxe arrematados:
As comendas de S. Miguel de Poiares e a de Algoso, que eram da Ordem de Malta.
A comenda de Santo André de Ousilhão, da Ordem de Cristo.
A comenda de Santalha, que era do Conde de Salzedas e a de Santa Marinha da Carregosa, do tenente-coronel Francisco José Sarmento.
A comenda de Torgueda e os foros de Margaride que eram dos religiosos do convento de Belém.
O assento (fornecimento de géneros às tropas) de Trás-os-Montes, certamente o contrato mais vultuoso.
Sendo preso segunda vez pela inquisição, em 20 de Abril de 1747, (4) Francisco Ferreira inventariou os seguintes bens:
Umas casas na Rua Direita da cidade de Bragança, na esquina da Travessa do Corpo da Guarda, que valiam 300 mil réis.
Na mesma Travessa outras duas casas avaliadas em 200 mil réis.
Mais 2 moradas de casas junto à cadeia que valeriam 100 mil réis.
Uma casa na Rua dos Oleiros arrendada por 8.500 réis/ano.
Outra casa, pequena, na Rua do Paço, arrendada por 4.000 réis/ano.
Uma casa, um celeiro e uma adega, na aldeia de Edral que valeriam 200 mil réis.
Na aldeia de Santalha outra casa avaliada em 100 mil réis.
No sítio da Candaira, Bragança, era proprietário de uma vinha que valia 200 mil réis.
Na aldeia de Sobreiró de Baixo tinha metade de um alambique de aguardente e respetivas instalações, valendo a sua parte 240 mil réis.
Devemos esclarecer que nessa altura eram já falecidos os 3 irmãos que ficaram solteiros e ele vivia com duas irmãs igualmente solteiras, tal como ele próprio. Do ponto de vista formal, aqueles bens pertenceriam aos três, o que até convinha, no caso de a inquisição ordenar o seu confisco.
Falámos no assento de Trás-os-Montes. Vejamos, a propósito a quantidade de cereal que lhe foi arrolado à data da prisão:
Em Ousilhão tinha 4 000 alqueires; em Santalha 2 500; em Vimioso 1 500; em casa de Pascoal Ramos 350; na de José de Sá 300.
Não falaremos de débitos e créditos, que eram muitos e avultados, naturalmente, nem dos muitos contos de réis envolvidos nos contratos. Diremos que ele tinha ainda outros diversos negócios, como a exportação de vinhos para o Norte da Europa.
Que culpas lhe imputaram para o prender? Fundamentalmente duas: participar em “reuniões de sinagoga” em casa de seu cunhado Ledesma e fazer enterrar seus dois irmãos amortalhados à maneira judaica e em terra virgem, na igreja de S. Vicente.
Foram muitas e gradas as testemunhas de acusação e muitas mais e de superior categoria as testemunhas de defesa: cavaleiros fidalgos professos da Ordem de Cristo, quantidade de padres, familiares do santo ofício… o próprio comissário da inquisição em Bragança, condutor das averiguações para o processo, deixaria nele o seu próprio testemunho:
- Do réu Francisco Rodrigues Ferreira conheço por falar com ele muitas vezes, assim nesta cidade como em Lisboa e outras partes e nunca lhe vi fazer coisa alguma que tivesse laivos de cerimónia judaica.
Francisco Ferreira defendeu-se dizendo que estava fora de Bragança quando dos funerais referidos pelo que não tinha qualquer responsabilidade nas mortalhas e nos enterros. Além de que, no falado enterro de um dos irmãos estiveram presentes 7 padres e 2 comissários do santo ofício e nenhum deles viu qualquer cerimónia judaica. E desafiou os inquisidores a que mandassem abrir a sepultura. Se o seu irmão foi a enterrar “com uma granacha de seda com bocais de veludo a modo de desembargador”, então a seda devia estar lá intacta, pois se não corrompe facilmente…
Porém, o mais significativo do processo inquisitorial de Francisco Ferreira, como aliás, de outros cristãos-novos brigantinos da mesma época, é a luta política e as questões sociais que abalaram a cidade de Bragança naqueles anos.
Nos anos de 1730 o rei D. João V instituiu o monopólio da venda do sabão “industrial”. Em Trás-os-Montes o monopólio foi entregue a João Evangelista de Morais Sarmento e o ramo da comarca de Bragança ficou em mãos de uma sociedade constituída por Francisco Xavier da Veiga Cabral, governador de armas da província de Trás-os-Montes, Lázaro Jorge de Figueiredo Sarmento, alcaide-mor de Bragança e Roque de Sousa Pimentel, comissário regional da inquisição – todos três ligados por estreitos laços familiares.
Tal monopólio fazia aumentar os preços e prejudicava principalmente os fabricantes de seda, cristãos-novos na grande maioria. Estes promoveram muitas iniciativas tentando impedir a instalação de tal monopólio. Uma delas foi uma grande manifestação em 5 de Maio de 1731 a que aderiu quase todo o povo da cidade, (5) inclusivamente as freiras dos dois conventos que seguiram na cabeça da manifestação. Os manifestantes só pararam quando atiraram pelas muralhas o sabão do monopólio que estava armazenado no castelo.
Outra iniciativa foi uma exposição enviada à Corte e que terá sido escrita por André Lopes dos Santos, irmão da “matriarca” dos Raba. Para além do preço, queixavam-se os fabricantes de seda que o sabão do monopólio não era tão bom como o sabão que eles usavam, importado de Castela. E conseguirem que o “governo” de Lisboa se decidisse por uma prova real, lavando-se a seda com os dois tipos de sabão, na presença de um desembargador da Relação que julgaria o caso e cada uma das partes nomearia o seu representante. A experiência foi feita. Os fabricantes de seda venceram a causa. E o homem que os representou na foi exatamente o nosso biografado.
Escusado será dizer que os homens da nobreza e da governança da terra não ficaram parados, antes mudaram de tática e escolheram o tribunal da inquisição como palco de luta política, para ele canalizando quantidade de denúncias de judaísmo. E assim se explica que, nos anos que se seguiram, entre 1747 e 1752, pelo menos 128 marranos de Bragança fossem arrastados, em vagas sucessivas para as cadeias da inquisição. Como aconteceu com Francisco Rodrigues Ferreira.

NOTAS e BIBLIOGRAFIA:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 6977, 1699. Diogo Ferreira faleceu no cárcere.
2-IDEM, pº 8558, de Francisco Rodrigues Ferreira.
3-IDEM, Coimbra, pº 6304, de 1716: pº 6304-1, de 1743, de António Dias Pereira.
4-IDEM, inq. Lisboa, pº 8558-1.
5-ALVES, Francisco Manuel – Memórias Arqueológico Históricas do Distrito de Bragança, tomo II, p. 258.

Por António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Duas lendas do Concelho de Vila Flor

Lenda da Fonte das Bestas

Em Vila Flor é voz corrente que, escutando bem na bica da fonte de S. Sebastião, chamada Fonte das Bestas(70), se ouvem, por horas mortas, os lamentos duma moura, que se crê formosa como a espuma do mar ou as estrelas do céu. Ora cheguemse para cá.
Era uma vez um rapaz de Lodões que costumava vir à vila amiudadas vezes e, quando passava pela fonte de S. Sebastião, curvava-se sobre a tigelinha de ferro para matar a sede, até porque se dizia ser aquela água boa para fazer bom estômago. Uma noite, regressando da feira dos 15, cheio de calor, sentou-se na beira dos tanques da fonte (...) e, ao dar a meia noite no relógio da torre, levantou-se e foi debruçar-se para beber uns goles de água, antes de seguir viagem para a sua aldeia.
De repente, estremeceu. Lá de dentro do cano pareceu-lhe ouvir uma voz conchichada. Com as fontes a latejar, a respiração suspensa, apurou o ouvido, Não havia engano. Uma voz maviosa com harpejos celestes, segredava-lhe carinhosamente, com acento estrangeiro:
– O teu amor sou eu. Vem buscar-me. Salva-me e eu te darei o carinho com que sonhas, meu nobre redentor.
O rapaz ficou desorientado, quis arrombar a porta da mina e ir lá dentro buscar a donzela que assim lhe falava. Mas um tropel de butes na calçada fê-lo pegar no casaco e desandar caminho fora. Nos dias que se seguiram, o único pensamento que o dominava era o segredinho da fonte.
Magicou, magicou, e, uma noite, munido duma alavanca de ferro subiu a costa do Vale da Cal e chegou à fonte, doze badaladas batidas. Seguro de que o lugar estava deserto, estoirou a lingueta da fechadura e, cautelosamente, internou-se na frescura da mina, chamando pela sua moura. Mais uma chamada, alguns ruídos surdos... e o silêncio.
Ao amanhecer, algumas raparigas que passavam ali, vendo a mina arrombada aproximaram-se e olharam lá para dentro. O pobre rapaz jazia morto em plena mina, com o rosto imerso no veio de água. Infortunado jovem, que assim desposou a sua
moura, encantada há mil anos.

(70) É assim chamada por nela se dessedentarem os animais, e, segundo a tradição, foi edificada sobre as ruínas de uma velha fonte árabe (informação dada ao autor pelo professor Artur Manuel Pires, de Vila Flor)

Fonte: ADÃO, Cabral – Flores do Rio Azul, Setúbal, Edição da Tipografia Simões, 1953, pp-123-125

A moura das Fragas do Rugido

Na aldeia de Assares, do concelho de Vila Flor, há umas fragas que são conhecidas pelas "Fragas do Rugido", e dizem os mais antigos que há lá uma moura encantada na figura de uma grande cobra.
Perto daquelas fragas havia antigamente uns tanques onde as mulheres iam lavar a roupa. Certo dia uma mulher da aldeia, quando estava a lavar, ouviu nas suas costas o ruído de uma grande cobra a rastejar, vinda das fragas. E tão aflita ficou que abandonou a roupa e fugiu para casa. À noite contou ao marido. Este, no entanto, não deu importância ao sucedido. E disse:
– Só pode ser uma cobra como outra qualquer. Vai mas é lá buscar a roupa, que às tantas ainda ta roubam!
No dia seguinte, a mulher voltou ao local para apanhar a roupa, e, quando estava a chegar lá, voltou a ouvir o mesmo ruído, logo cuidando que era a mesma cobra que ali estaria. Por isso, apenas pensou em pegar na roupa e ir-se embora. Qual não foi, porém, o seu espanto quando, ao pegar na roupa, encontrou dez reais numa beira dos tanques.
Chegou a casa com eles e contou ao marido. E este o que pensou foi que só podia ser dinheiro que tinha ido na roupa de alguma mulher que lá fora lavar antes.
Disse-lhe, por isso, para lá ir com o dinheiro no dia seguinte, pois alguém poderia andar à procura dele.
A mulher voltou lá. E ao passar junto das fragas voltou a ouvir o mesmo ruído.
A seguir olhou para o tanque e, na mesma pedra, lá estavam outros dez reais. Ficou toda contente e, ao pegar neles, aparece-lhe então uma grande cobra, que tinha cabelos negros e compridos, e que lhe disse:
– Sou uma mulher como tu, e fui encantada ainda no berço. Se quiseres, podes desencantar-me. Só tens de vir todos os dias aqui, onde encontrarás sempre dez reais.
E depois, haverá um dia, dia de S. João, em que me deixarás subir por ti acima até poder beijar-te. Ficarei então livre, e tu serás uma mulher rica. Mas não poderás nunca dizer a ninguém este segredo.
A mulher foi para casa e disse ao marido que tinha devolvido o dinheiro à dona, nada contando sobre o encontro que teve. Nos dias seguintes passou a andar feliz, com boas roupas e muito luxo, e sempre a esconder ao marido a proveniência do dinheiro.
A dada altura o marido começou a desconfiar da mulher, julgando que ela teria algum amante que lhe andava a dar aqueles luxos. E pediu-lhe explicações.
Ela então não teve outro remédio se não confessar ao marido que andava a receber dinheiro por conta da ajuda que prometera dar à moura encantada. E no dia seguinte foram lá os dois, esperando encontrar os reais do costume. Só que desta vez já lá não havia dinheiro nenhum. E ouviram então uma voz chorosa de mulher, que soava entre as fragas, dizendo:
– Ah, sua maldita, que me dobraste o encanto!
E nunca mais apareceu. Nem ela nem os reais. A mulher deixou de ter direito a eles porque não cumpriu a sua parte no acordo, que era guardar segredo. Ficou, no entanto, mais descansada pois ganhou a confiança do marido.
Depois foram gastando os reais que ainda tinham, e, acabados os reais, ficaram de novo pobres. E assim continuam.

Fonte: Inf.: Maria Luís Gonçalves, 89 anos; rec.: Assares, Vila Flor, 2001.

Mouros Míticos em Trás-os-Montes – contributos para um estudo dos mouros no imaginário rural a partir de textos da literatura popular de tradição oral.

Alexandre Parafita

Linha do Tua: Mudar o futuro é possível, com um novo plano nacional ferroviário, mas “tem que partir também dos autarcas” locais

Na recente passagem por Trás-os-Montes, Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, defendeu o investimento na ferrovia como sendo “estruturante para o país”, e aproveitou para lembrar que, até ao final do ano, o Governo tem que apresentar um novo plano nacional ferroviário.
Foto: Filipe Esperança
Filipe Esperança, coordenador do Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT), mostra-se confiante numa possível mudança. Mas lembra que a vontade de investir tem que partir não só do governo central, como também dos autarcas locais.

“Nós acreditamos que pode acontecer. Queremos acreditar, acima de tudo, que os autarcas e o Governo, estão a olhar de uma forma diferente para o transporte ferroviário.

Se olharmos para a tendência europeia, atualmente em países como França, Alemanha ou Espanha, já aqui ao lado, estão completamente à nossa frente. Investem imenso na ferrovia. Têm cidades com menos densidade população do que algumas das nossas, mas que são servidas pela ferrovia.

Queremos ver esse plano em funcionamento, queremos que ele seja implementado. Acreditamos nele. Mas, deixamos a mensagem que não pode só partir do Governo e das forças políticas, e também dos autarcas. Ou seja, quem está no terreno, quem está à frente das cidades, tem que ter a mentalidade aberta para aceitar o caminho de ferro e permitir o seu regresso.”

Alguma incerteza quanto ao que vai ser a mobilidade no Vale do Tua, recentemente concessionada a um privado, continua a preocupar o Movimento Cívico. A recente desclassificação do troço é, acrescenta Filipe Esperança, um “afastar de responsabilidades” por parte do Governo.

“Honestamente, estamos inseguros nestas questões que estão a rondar o Plano de Mobilidade do Vale do Tua. Primeiro, porque a Linha do Tua foi recentemente desclassificada, como sabemos e como já foi noticiado. Assumimos essa decisão como errada, pouco premeditada e injusta para com a região.

Já vimos desclassificar corredores ferroviários por não terem passageiros, condições ou serviços. Mas nunca vimos desclassificar uma linha pública nacional, que até vai voltar a ter serviço ferroviários, público e turístico. É neste enquadramento que está atualmente a Linha do Tua. E não conseguimos entender esta desclassificar imposto pelo Governo. Trata-se de um afastar de responsabilidades.

Neste momento, está tudo em aberto, mas estamos um pouco apreensivos.”

Catarina Martins defendeu, nas primeiras Jornadas Parlamentares do partido que decorreram na região, que é necessário “pensar nas pessoas” para mudar o ciclo da política em Portugal.

Filipe Esperança, que frisa o carácter apartidário do MCLT, congratula-se com o facto de o BE ter mostrado interesse por esta matéria, numa fase em que o “esquecimento político para com as acessibilidades” permanece.

“Aquilo que gostava de ver em 2017, pessoalmente e em nome do MCLT, era que as populações voltassem a ter um serviço público, de todos, e, de puder ser, moderno.

Continua a haver algum esquecimento para com a região, para com as pequenas acessibilidades. Não me estou a referir a autoestradas megalómanas nem a carreiras aéreas.  Estou a falar, sim, das pequenas ligações regionais, nas aldeias, que estão cada vez mais desertas, desde que os comboios partiram. Autocarros, há poucos ou nenhuns.

É muito importante o que fez o BE, e era muito bom que os outros partidos políticos seguissem o exemplo, olhando para a região desta forma. Ou seja, que olhassem para a região desta forma. Que pensassem no futuro, que a ferrovia pode ser uma possibilidade para esta gente mais isolada. Estas pequenas ligações regiões podem ser tão ou mais importantes do que uma autoestrada ou uma carreira aérea.”

Recorde-se que fará no final deste mês de novembro um ano que o Partido Ecologista os Verdes conseguiu aprovar, por maioria de esquerda, a proposta para a criação de um plano nacional ferroviário. Uma medida que tinha anteriormente sido chumbada no Governo de Pedro Passos Coelho.

Escrito por ONDA LIVRE

Carro despista-se e acaba em buraco

Dois feridos ligeiros, um homem e uma mulher, são o resultado de um aparatoso despiste esta noite, na Estrada Nacional 316, na direção Macedo de Cavaleiros-Vinhais, entre a aldeia de Espadanedo e Zoio. O alerta foi dado poucos minutos depois das 22h, por populares que circulavam atrás do acidentado.
O carro precipitou-se para um desnível, numa zona com uma curva apertada. O veículo saiu da via, capotou, e ficou imobilizado num buraco. A vegetação existente terá atenuado o impacto.

O carro transportava ainda uma outra mulher, que não sofreu qualquer tipo de ferimento. As vítimas serão residentes em Lisboa,  e estarão na casa dos 70 anos.

Para o local chegaram a estar mobilizados 11 operacionais e 4 meios terrestres, entre eles o veículo de desencarceramento dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros. Os feridos foram transportados ao Hospital de Bragança.

Escrito por ONDA LIVRE

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Conversas com (bom) Ambiente - MÓS

Festa da 'Cabra de do Canhoto' volta a iluminar o céu de Cidões

Em Cidões, uma aldeia do concelho de Vinhais, Bragança, há uma tradição Celta que nos últimos anos tem angariado milhares de seguidores. Por lá acredita-se que basta comer da cabra e aquecer-se ao canhoto para ter um ano de sorte.
Esta festa simboliza a chegada da estação escura e marca o arranque das festividades de inverno no concelho.


Museu Militar de Bragança já teve mais de um milhão de visitantes

O Museu Militar de Bragança é tutelado pelo Exército português e desde a sua abertura já recebeu mais de um milhão e meio de visitas.
Situa-se na torre de menagem do castelo da cidade, que conserva ainda os traços originais e apresenta um espólio dedicado à evolução do armamento em portugal.


Fomos saber como andam os preparativos para o feriado de 1 de novembro e a já tradicional visita ao cemitério, por Macedo de Cavaleiros

Forestis recomenda Programa Mobilizador da Floresta

Associação Florestal de Portugal pretende apoiar os detentores de 97 por cento da floresta portuguesa a “Gerir, Defender e Certificar” a gestão sustentável da floresta nacional, até "para a inverter o ciclo vicioso e dispendioso de incêndios".
A Associação Florestal de Portugal – Forestis defende que o Apoio ao Associativismo Florestal seja um eixo prioritário da anunciada Reforma das Florestas, a ser realizada pelo governo. De tal forma que veio a semana passada propor o Programa Mobilizador da floresta privada e comunitária com o objetivo de “apoiar os detentores de 97 por cento (%) da floresta nacional a Gerir, Defender, e Certificar a gestão sustentável da floresta portuguesa enquanto bem público importante para todos os portugueses”.  Esta proposta surge no quadro da Reforma da Florestas, que o governo abordou  no Conselho de Ministros realizado na passada quinta-feira, dia 27 de outubro, tendo sido enviada ao Primeiro-Ministro, Jorge Costa, com conhecimento aos ministérios envolvidos no Grupo de Trabalho Interministerial para as Florestas.

A Forestis, que agrega 31 associações florestais  sub-regionais e 17 mil proprietários e gestores de áreas comunitárias, entende que sem os detentores de 97% da floresta apoiados e mobilizados, nenhuma política florestal terá sucesso porque “só estes podem operar no terreno a alteração do paradigma do ordenamento e gestão florestal, tão importante para o país”.

Por isso, a Associação Florestal de Portugal propôs ao Governo um Programa Mobilizador da floresta privada e comunitária, sob a forma de Contratos-Programa, plurianuais e com duração de 5 anos, financiado pelo Fundo Florestal Permanente, a celebrar  pelo Estado e as Associações Florestais que estão no terreno, que permita apoiar a mobilização dos proprietários para se associarem em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), elaborarem o cadastro das suas propriedades florestais, implementarem a gestão e medidas de defesa da floresta contra incêndios ou a certificarem a gestão sustentável da floresta minifundiária e dos produtos florestais, essenciais para industria florestal exportadora.

“Esta proposta é consensual, está em linha com os objetivos do programa do Governo, que prevê a reforma do setor Florestal através do apoio ao Associativismo Florestal e às ZIF, bem como os da  Estratégia Nacional para as Florestas (2015) ou as recomendações do Estudo Prospetivo do Setor Florestal, publicado em 2014  pela Associação para a competitividade da fileira florestal. Todos estes documentos estratégicos defendem um papel central do associativismo florestal para a necessária alteração estrutural da floresta portuguesa”, manifestou a direção da Forestis, que acrescenta, “já para não falar na Lei de bases de 1996, que  prevê  a Promoção da gestão do património florestal nacional, através do ordenamento das explorações florestais e da dinamização e apoio ao associativismo, que infelizmente está ainda por concretizar”.

“Até o Programa para o Desenvolvimento do Interior, recentemente apresentado, chama a atenção para a “importância de aumentar as áreas abrangidas por zonas de intervenção florestal”, sublinha a direção da Forestis, até porque tem sido um “território  com maiores dificuldades estruturais na floresta e que tem sido menos apoiado”.

A Associação Florestal de Portugal lançou, assim, o desafio ao Governo de assumir na política florestal nacional o Associativismo Florestal como uma via para a concretização da política pública para as florestas, propondo um apoio “claro e sustentável no tempo às Associações Florestais que estão no terreno” e sugerindo como referência o setor agrícola “onde o Estado transferiu muitas funções e consequentes apoios para Confederações e Associações agrícolas apoiarem os seus agricultores”.

Apesar das suas dificuldades estruturais, a Floresta tem um saldo da balança comercial positivo, na ordem dos 2500 milhões de euros, que poderia, segundo a Forestis, dobrar em 20 anos, “se houvesse um forte compromisso do Governo e de todos os partidos políticos no apoio ao setor e, em particular, ao associativismo dos proprietários florestais”.

O Programa Mobilizador da floresta privada e comunitária  proposto ao Governo é, na opinião da  Forestis, “essencial para a inverter o ciclo vicioso e dispendioso de incêndios, que só em combate custou, este ano, ao país, cerca 150 milhões de euros e para interromper a perda de floresta ao ritmo de 10 mil hectares/ano, a diminuição, em 20 anos, de 17 milhões m3 de madeira essencial para a industria de base florestal, bem como a perda de postos de trabalho no setor. Segundo estudos setoriais, entre 1995 e 2011, passamos de 225 mil para 65939 empregos no setor florestal, ou seja, uma perda de 150 mil postos de trabalho”.

Em relação ao financiamento deste Programa Mobilizador para Floresta, a direção da Forestis, destaca que o que está em causa, “em termos de financeiros, é muito modesto, representando menos de 10% do que se gasta todos os anos no combate a incêndios, com a vantagem de ser um investimento reprodutivo com que se pretende construir com os proprietários, e não contra eles, uma floresta mais organizada, resiliente e produtiva, criando economia e emprego, sobretudo nas áreas rurais, e melhorando o ambiente e a qualidade de vida de todos os portugueses”.

Se não houver recetividade para acomodar este Programa na Reforma das Florestas, a Forestis teme que “a rede de técnicos florestais, presente nas associações, seja desestruturada nos próximos três anos” e, se assim for, avisa que o país “ficará sem resposta no terreno para os proprietários florestais e desmobilizar-se-iam centenas de dirigentes voluntários que lideram estas associações, levando-as à extinção no médio prazo”.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com