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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Campeonato Nacional de Motocross regressa a Carrazeda de Ansiães

Doze anos depois, as provas do campeonato nacional de Motocross regressam ao crossódromo de Carrazeda de Ansiães.
No fim de semana de 15 a 17 de junho, o motocross junta-se à quinta concentração Motard de Carrazeda.
Este ano, a câmara colabora nesta organização conjunta do Clube Douro Aventura e do Motoclube de Carrazeda, no que se espera ser uma grade festa das motas.

“Acima de tudo julgo que se criaram sinergias entre os dois clubes. Promovemos, assim, um evento com mais impacto e mais atractivo”, refere o autarca João Gonçalves.

Joaquim Sousa, presidente do Motoclube de Carrazeda, entende que juntar a concentração motard e o campeonato nacional de motocross no mesmo fim de semana é “uma mais-valia para as duas organizações e para o concelho”.

Nuno Martins, presidente do Clube Douro Aventura, também entende que o motocross “pode ter mais público”, agora que as provas nacionais regressam a Carrazeda. Uma ambição de longa data finalmente concretizada.

E Rodrigo Castro, da Comissão de Motocross da Federação de Motociclismo de Portugal, acredita que a prova de Carrazeda poderá ter muito interesse, dado que será a última do campeonato deste ano.

“Haverá alguns títulos que vão ser decididos em Carrazeda e logo traz mais interesse”.

Como se prevê uma grande afluência de pessoas no fim de semana do regresso dos nacionais de motocross a Carrazeda e da quinta concentração motard, a Câmara promove um concerto com a banda NOIDZ que terá entrada gratuita para quem quiser ir ver.

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

Na Alemanha a ensinar Português

Cristina Sabino é aventureira por natureza e sendo uma professora apaixonada pelo que faz decidiu concorrer para todo o lado, quando dizemos todo o lado, Cristina concorreu um pouco para todo mundo. Foi seleccionada e há já mais de uma década que ensina português na Alemanha. Por ironia do destino foi parar ao país onde tinha nascido e onde viveu até aos seis anos de idade. A Raízes esteve à conversa com a transmontana.

Uma vida a ensinar português
Cristina Sabino é a transmontana que nos conta a sua história pelo mundo, neste caso pela Alemanha, onde nasceu e por ironia do destino acabou por em 2005 regressar para dar aulas de Português.

Foi nos anos 70 que os pais de Cristina saíram da aldeia de Rebordelo, no concelho de Vinhais e rumaram até à Alemanha à procura de uma vida melhor. Foi já por lá que nasceu Cristina, precisamente em Bonn. “Nesses tempos a maioria dos emigrantes saiam do seu país à procura de trabalho e de melhorar as suas condições de vida, mas com a intenção de regressarem um dia. Como eu ouvi tantas vezes a minha mãe “Não há nada como o nosso cantinho!”, ela referia-se a Portugal, mas mais especificamente a Trás-os-Montes”, conta Cristina.

Tinham seis anos quando regressou a Portugal, era algo habitual os emigrantes mandarem os filhos nesta idade antes de entrar para a escola, segundo a transmontana. “Fui para Portugal, devido à escola e porque os tempos eram outros e os emigrantes nessa altura não tinham o mesmo apoio que há na actualidade, juntamente com a barreira da língua, muitos mandavam os seus filhos para Portugal, quando atingiam a idade de escolaridade ou nem sequer os levavam para o estrangeiro e entregavam os seus filhos a familiares”, explica Cristina que veio viver com uma tia para Coimbra, durante uns anos até que se mudou para Trás-os-Montes. Os pais acabaram por ficar mais uns anos pela Alemanha. “A minha mãe entretanto ficou grávida da minha irmã e os planos foram alterados pelas circunstâncias da vida”, refere Cristina.

Decidiu ser professora
No regresso à região Cristina estudou em Vinhais e mais tarde em Bragança onde se formou em ensino, entretanto já estava a trabalhar como professora contratada e andava sempre de cidade em cidade de Norte a Sul do país. “Como tinha de concorrer todos os anos, candidatava-me a todos os concursos para professores, até que fui colocada na Alemanha. Primeiro estive em Hamburgo e no ano seguinte em Darmstadt onde permaneço até hoje”, conta e acrescenta que por “ironia do destino, apesar de ter concorrido para outros países, viria parar à Alemanha”.

A maneira como os alemães veem Portugal deixa a professora satisfeita. “É algo que me deixa orgulhosa, os alemães têm boas referências nossas, pois somos um povo que se integra com alguma facilidade e também muito acolhedor. E temos vários exemplos de comunidades muito bem integradas, quer na Alemanha ou noutro país”, explica.

O desafio de ensinar português lá fora
Segundo Cristina o interesse na língua portuguesa tem vindo a aumentar.  “Claro que não tanto quanto desejaria, pois na minha opinião a nossa língua e a sua divulgação são a nossa maior riqueza”, refere. É já desde 2005 que Cristina ensina português na Alemanha, o sue trabalho está mais direccionado às comunidades portuguesas e aos seus descendentes. “Trabalho numa comunidade onde tenho alunos descendentes de terceira e quarta geração de emigrantes, onde a aprendizagem da Língua Portuguesa continua a ser o vinculo com Portugal”, explica a docente que também dá aulas em escolas públicas alemãs. “Dou um curso de português como extracurricular, os alunos são avaliados não de forma quantitativa mas qualitativa. Os meus alunos são a maioria descendentes de portugueses, mas também tenho alunos de outras nacionalidades ou de ambas. Os de outras nacionalidades costumam achar a nossa língua difícil”, explica.

Cristina acaba por matar algumas saudades de Portugal diariamente quando contacta com as várias comunidades portuguesas onde trabalha. Já pensou em regressar às raízes. “Tive sempre intenção de regressar, quando saí de Portugal era só para ser por um ano. E já lá vão alguns. Neste momento para ser sincera não sei, deixo tudo em aberto, já que a vida as vezes insiste em tomar o seu rumo”, diz Cristina.

Apesar de gostar de viver fora confessa que preferia viver em Portugal. “Portugal é perfeito”, concluí com os olhos a brilhar.

Por Joana Martins Gonçalves
Revista Raízes

Alfândega da Fé atrai investimento de três empresas brasileiras

Três empresas brasileiras poderão vir a instalar-se em Alfandega da Fé. Os contactos resultam de uma missão empresarial de uma delegação alfandeguense à Câmara do Comércio Portuguesa de São Paulo.
Uma das empresas, do sector têxtil, visitará já domingo a vila de Alfândega, adiantou Berta Nunes, a autarca local.

“Tivemos três empresas a assinar um acordo de intenções de investimento no evento oficial, são empresas com as quais já tínhamos vindo a trabalhar, anteriormente, dia 5 vem cá a empresa com que estamos a trabalhar há mais tempo, a têxtil, mas sabemos que é um trabalho que exige persistência e acompanhamento e consideramos que temos mesmo de trazer emprego e investimento para os concelhos do interior”, referiu.

Quanto à exportação de produtos transmontanos para o Brasil, a autarca diz que o caminho já está consolidado, nomeadamente no caso do vinho e azeite, mas ainda pode haver espaço para vender a amêndoa da região no país da América do Sul.

A autarca de Alfândega da Fé participou na última semana num evento de promoção da região com o objectivo de divulgar os produtos transmontanos e promover a atracção de investimentos para o concelho, em conjunto com a Rota do Azeite e a AlfandegaTur. 

Escrito por Brigantia
Foto: Município Alfândega da Fé
Olga Telo Cordeiro

O TRABALHO E A DIGNIDADE HUMANA

A nossa relação com o trabalho não anda longe da que mantemos com o pecado original que o primeiro livro da Bíblia carregou com tons de tragédia irremediável, renovada a cada geração chegada a este mundo para se confrontar com um horizonte de má sorte de que só se libertará para além da dor, depois de muito suor e lágrimas.
Quando a pobre Eva e o seu Adão foram expulsos do jardim das delícias ficaram a saber que a sua vida dependeria do esforço quotidiano, gastando e massacrando o corpo para redimir a alma.
Assim se foi entendendo o trabalho durante milénios, dando-lhe estatuto de pena complementar, sacrificial, mesmo degradante, que deveria encarar-se com a resignação que só a esperança na eternidade poderia suportar.
Mas, ao arrepio do texto, alguns foram encontrando penas mais leves, quando não verdadeiras graças, que os tornaram eleitos, libertando-os para a suavidade e o remanso de novíssimos paraísos.
Assim se construíram sociedades em que as minorias que controlavam as gestão da força impuseram a milhões não somente a própria subsistência, mas também a produção de excedentes para seu proveito. Daí a convicção, que prevalece, de que ter é a condição para ser realmente livre, digno, respeitável, poderoso e temido.
Desta forma a condenação primordial tornou-se produtora das condições que a perpetuaram na história da humanidade. Foram tempos longos de sociedades que consolidaram a opressão, a desigualdade e a exploração desenfreada, modelo que nos habituámos a designar esclavagista e veio até à porta das construções frágeis que são as democracias modernas.
Nalguns momentos marcantes do percurso histórico houve notícia de episódios dignificantes, como terá sido o caso de Spartacus, quase no fim da república romana, a liderar uma revolta de escravos ou, já em pleno império, quando Jesus de Nazaré terá feito vibrantes proclamações de equidade. Muito mais tarde, no trágico século XIV, sabemos de revoltas em nome da justiça e da igualdade, mas só no século XIX se deram os primeiros passos no entendimento do trabalho com um contributo inalienável de cada um e de todos para a construção de uma sociedade verdadeiramente humana.
Desde então foi deixando de ser encarado como uma condenação para se tornar numa virtude redentora, um acto fundamental de solidariedade, condição para se possam construir sociedades realmente democráticas.
Só nesse ontem, um mesmo agora da longa viagem do homem no tempo, se puseram em prática direitos que se celebram hoje, neste primeiro dia de Maio, apesar de continuarmos a conviver com a manutenção de autêntica escravatura, de servidão e de exploração inqualificável em várias latitudes e longitudes do planeta.
Na realidade, a natureza humana não muda da noite para o dia. Por isso a construção do mundo não tem conhecido rompantes de renovação irreversíveis, donde se poderá concluir que a civilização é tarefa hercúlea, provavelmente infindável, que requer o empenhamento e a boa fé de todos, para que se possa esperar um futuro de dignidade.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

Orçamento deficitário do município de Macedo sobe para valores menos negativos

O orçamento do município de Macedo de Cavaleiros para 2018 foi revisto e, aos 4,6 milhões de euros negativos aprovados em dezembro, foram reduzidos cerca de 780 mil euros.
Essa revisão foi aprovada na última reunião de Assembleia Municipal com 32 votos a favor, 18 contra e 11 abstenções, sendo que da bancada do PSD apenas dois votos foram favoráveis.

Benjamim Rodrigues, autarca de Macedo, lamentou a votação por parte da bancada da direita:

“Lamento muito a votação dos deputados da ala direita.

Não têm noção do que o chumbo deste orçamento teria significado. Isso levaria a que não pudéssemos executar as candidaturas que temos quase no valor de 10 milhões de euros. Esta posição não mostra que queiram lutar por Macedo.

O município só pode fazer obra e dar sequência aos projetos candidatados se tivermos o orçamento aprovado, caso contrário entraríamos em gestão.”

Carlos Carneiro, representante da bancada do PSD, afirma que a direita mantém a posição que teve em dezembro aquando da votação do orçamento originário, visto que, apesar da redução, este ainda se mantém com valores negativos, não respeitando o princípio do equilíbrio financeiro, explica:

“O grupo parlamentar o PSD manteve nesta votação de revisão do orçamento a posição que havia assumido aquando da votação do originário. Censuramos este desequilíbrio orçamental desde o início por consideramos ser ilegal.

Contrariamente ao afirmado pelo Sr. Presidente, o PSD não votou contra a implementação dos projetos de investimento, até porque consideramos estruturantes e essenciais para o desenvolvimento do concelho de Macedo. Consideramos sim que este orçamento só continua desequilibrado porque o atual executivo assim quer e podem proceder ao seu equilíbrio quando entenderem. Não achamos concebível que, quer no orçamento inicial quer nesta revisão, sejam contemplados investimentos que depois não apresentam cobertura financeira para a sua execução.” 

Esta foi a primeira revisão feita ao orçamento do município de Macedo de Cavaleiros, que com este abate conseguiu descer o défice para cerca de 3 milhões e 900 mil euros.

Entre os projetos previsto no orçamento agora revisto destacam-se a requalificação do Bairro São Francisco, a constituição da equipa de combate ao insucesso escolar, a EIP e a criação da Ciclovia Intermunicipal que vai agora ser posta a concurso.

Escrito por ONDA LIVRE

Rede que furtava e viciava viaturas começou a ser julgada em Bragança

O Tribunal de Bragança começou a julgar na passada quinta-feira uma alegada rede que se dedicava a furtar e a desmantelar carrinhas em vários concelhos de Trás-os-Montes.
Doze homens, com idades entre os 34 e os 65 anos, sentam-se no banco dos réus acusados de crimes de furto qualificado, danos e posse de arma ilegal.
Os arguidos, 11 portugueses e um homem de Leste, são suspeitos de pertencerem a uma rede que furtava carrinhas algumas das quais eram posteriormente desmanteladas e as suas peças vendidas.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Mãe d' Água Cup: Torneio de Futebol Infantil e Solidário

CUMPRIMENTOS

Minha gente, como tendes passado? Essa saúde? As andorinhas já se instalaram em força? Este ano promete, oxalá cheguemos ao castanho sem nos andarmos a queixar da falta de água. E se, ao contrário do ano passado, nos pudesse trazer já uns belos punhados de cerejas cairia que nem ginjas. Viva a Primavera e toda a cor e renovação que ela nos traz. Viva a luz radiosa do sol que é uma coisa que deixa sempre os portugueses particularmente bem-dispostos e com vontade de procurar uma esplanada para matar a sede. E viva Abril por todas as coisas que nos tem permitido construir. 
Hoje dedico-me principalmente a esta última parte, a do viva Abril. O 25 de Abril é pouco mais do que uma efeméride e uma efeméride é uma data meio perdida no tempo como quando um primo afastado faz anos e nós às vezes lhe damos os parabéns, outras não, e a vida continua sem por isso mudar um centímetro sequer. Aquela cerimónia com a Assembleia cheia de cravos, uns eventos ou exposições meias despercebidas pelas bibliotecas do país, um ou outro post no facebook sem grande emoção, pouco mais. 
O pessoal conta aquela do se fosse hoje a revolução tinha começado numa qualquer rede social, depois uns faziam likes outros não, nas ruas montes de fotos com bonequinhos e orelhinhas de coelho… Vão faltando palavras e imaginação para assinalar a data. O episódio repete-se ano após ano e acaba por perder a piada. Salva-se o feriado e com sorte uma ponte pelo meio. 
Estava a ler um artigo sobre os filmes censurados antes do 25 de Abril e era do género “este não porque tem pornografia” (um beijo), este não porque “os portugueses não vão conseguir interpretar” (essa cambada de burros, os professores bem lhes carregam mas nem assim eles aprendem), este nem pensar porque “sugere um amor entre duas mulheres” e isso coloca “severamente em causa a moral de uma sociedade conservadora” (estamos aqui estamos a fazer paradas gay em Bragança, uma sem vergonhice pegada). Bem, é ridículo de mais para ser verdade, mas foi-o mesmo durante tanto tempo. Depois há aquelas pessoas que dizem à boca cheia que dantes é que era bom. Não havia sequer direito de reunião, de associação ou livre expressão, mas essas pessoas desbocadas por natureza iriam conseguir certamente encontrar alguma forma de serem felizes. No entanto, em vez do orgulho em espalhar aos sete ventos “a minha filha é formada”, anunciariam com o mesmo brilho nos olhos “a minha filha sabe ler e escrever, foi até à 3ª classe”. 
O céu é o limite para ela e para a sua geração. Depois há os que insistem em salientar que falta cumprir Abril. 
Como se Abril viesse com uma missão encomendada tipo agente dos Serviços de Informação ou fosse aquele senhor da Nazaré que veio cá para nos salvar. Por acaso não estava a falar do americano do surf, mas do que andava por cima das águas sem precisar de prancha. Também se escreveu há uns tempos que faltava cumprir-se Portugal e Portugal, que eu tenha reparado, ainda não se cumpriu por aí além. Quanto muito vai-se cumprindo aos soluços e aos solavancos. A não ser que o cumprimento fosse ganhar o Europeu e a Eurovisão e pronto, está feito. Se calhar tenho andado um pouco distraído. Por isso não sei porque é que Abril carrega esse peso. Abril simplesmente abriu as portas como um porteiro de discoteca… Não, ao contrário, como um guarda abre as portas da saída da prisão. Agora faz o que quiseres, é contigo. 
E não fez pouco, deixem-me que vos diga, tendo em conta o estado em que a coisa estava. Vai, cai, levanta-te, mas sê feliz. Pelo menos tenta. Abril e o próprio Portugal, as duas únicas coisas eternamente por cumprir neste país. Não sei porquê esta constante ideia de algo inacabado ou imperfeito. Está bom mas falta-lhe um pouco mais de sal, eu gosto dos ovos mexidos mas dispenso a alheira, eu não lhe punha tanta cebola, para mim é um carioca de limão. Bem, não vale a pena porque afinal faz parte. Faz parte desta coisa de ser português e quanto a isso... É verdade, três, o défice. Também nos falta sempre cumprir o défice. Não há volta a dar. Quatro, o código da estrada. Também está sempre mal cumprido. Bem, é melhor parar por aqui. Abril trouxe liberdade. Só isso já é razão para um grande “viva”. Abril trouxe pelo menos outro paradigma para fazer as coisas. E sobretudo trouxe Europa, modernidade, desenvolvimento, mudança. É admirável como um país tão confrangedoramente atrasado a todos os níveis consegue após 40 anos desenvolver-se ou aprovar leis que estão na vanguarda do mais progressista que se legisla no mundo. Portugal vai-se cumprindo à sua maneira e, apesar da caminhada ser sempre longa e espinhosa, tem hoje razões de sobra para estar feliz. Eu vivo num país onde cabe 20% da população mundial, mas em que nenhum cidadão tem liberdade sequer suficiente para escrever abertamente um artigo tão perdido no mundo e inofensivo como o que acabo de escrever. Em que nenhum cidadão pode ter pelo menos a ilusão de que pode decidir o futuro do seu país através de um voto. Em que grande parte dos direitos fundamentais do meu país são aqui meras quimeras por sonhar. Eu dou valor. 
Viva Abril e viva a liberdade. Sempre!


Manuel João Pires
in:jornalnordeste.com

Município de Mirandela vai estabelecer contrato de comodato para ficar com a estação da CP

A presidente da câmara de Mirandela revela que o executivo decidiu não comprar a antiga estação da CP nem os terrenos envolventes, mas antes assegurar esse imóvel emblemático através de um contrato de comodato com a CP e a Infraestruturas de Portugal (IP), ficando a requalificação a cargo da autarquia.



Fernando Pires
in:mdb.pt

... DE TRADIÇÃO EM TRADIÇÃO...

Feira de Moncorvo Louça do Felgar Junho 1949
Foto: Santos Junior
Recorda a D. Maria Antónia, que já conta 101 primaveras, os tempos onde, através da porta deste forno comunitário majestoso, eram cozidas as peças moldadas pela sua mãe, e outras louceiras a laborar neste ofício, na freguesia de Pinela. Com saudade, ainda vislumbra de madrugada o seu pai carregando a mula com pratos, panelas, cântaros, cantarinhas, púcaros e barrinhões rumo à Feira da Torre Dona Chama que dista em cerca de 46km.

A utilidade da louça era de tal ordem que, na década de 1950, encontravam-se em atividade centros oleiros nas aldeias de Vila Boa de Carçãozinho, Paredes e principalmente Pinela.  Nesta última, existiam seis louceiras (D. Maria Carolina Caravela, D. Eufêmia de Jesus, D. Laura Caravela, D. Encarnação dos Anjos, D. Felicidade Afonso e D. Maria de Cândida Afonso).  Além das lides da casa, estas Mulheres ainda regavam as suas hortas e ajudavam os seus maridos quantas vezes o fosse necessário. A olaria colmatava os poucos tempos livres, e permitia contribuir para o equilíbrio financeiro destas famílias que vendiam as suas produções nos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Vinhais, Vimioso e Mirandela.

Na década de 1970, o distrito de Bragança já só conta com dois centros oleiros. O primeiro no Felgar (Moncorvo) e o segundo, em Pinela (Bragança).

Em 1980, esta Tradição já só subsiste, no concelho de Bragança, através da D. Maria de Cândida Afonso conhecida como “pichorra”. O seu legado cumula agora com o de todas as louceiras, mulheres das suas casas, e Mães partidas para a Jerusalém Celeste.

Um estereótipo onde, entre a pobreza e o sacrifício, sobressaem a resistência e resiliência, aliado ao amor pela criação, pelo desejo de ser útil, e de servir destas mulheres transmontanas.

Foram com mãos duras, firmes, mas com toque macio, que se moldaram utensílios e autênticas peças de arte utilitárias. Nesse entretanto, foi com o “jeito” e paciência que estas mulheres aproveitavam para voar nos seus sonhos e mergulhavam nos seus pensamentos mais íntimos, enquanto os seus corações exprimiam, através das suas mãos, as vontades do subconsciente.

Com abril em caminho e maio a chegar, recordamos este passado com a mesma saudade que a D. Maria Antónia pois como ela, vimos a Tradição transmutar em tradição. A modernidade transformou o barro em porcelana, os carros de bois em automóveis, a produção artesanal em indústria mecanizada, automatizada e sujeita a um mercado cada vez mais globalizado e de massa.

Com abril em caminho e maio a chegar, vislumbramos a célebre Feira das Cantarinhas. Um certame secular que contribuiu e contribui, ainda hoje, para o desenvolvimento económico do Concelho de Bragança. Se outrora as louceiras escoavam nelas as suas produções para fins utilitários, assistimos hoje à transmutação desta cantarinha para um artefacto decorativo com profundo significado cultural e emocional.

A Tradição transmuta em tradição através das mãos da última oleira (D. Julieta Alves) da freguesia de Pinela que, através da sabedoria transmitida pelas suas antepassadas, mantém viva a chama das suas memórias, honrando o compromisso de perdurar a mestria deste ofício em via de extinção. Felizmente, este ano, não faltarão na feira as tradicionais cantarinhas.

Dir-me-ão que a tradição já não é o que era. Pois bem, não será preferível vê-la transmutar do que extinguir-se? - Eu prefiro.

Entendo ser dever dos Municípios, das Juntas e Uniões de Freguesias e principalmente das populações valorizar, proteger e procurar ser o recetáculo da Tradição sob pena desta sumir juntamente com as memórias dos nossos antepassados. Se uma das grandes questões existenciais assenta sobre o facto de nos questionarmos donde vimos, não descuremos o facto de sabermos quem fomos e, consequentemente, quem somos.                                            
Com abril a caminho e maio a chegar, o dia da Mãe na esquina espreita. Com ele, e para todas as Mães que, como as louceiras de outrora moldaram com Amor e educação retratada pelas suas mãos gastas, firmes mas ao mesmo tempo macias, os seus filhos. Ousemos dirigir-lhes um profundo agradecimento e reconhecimento, onde quer que estejam, pelo verdadeiro significado da palavra: Mãe.


Alex Rodrigues
in:jornalnordeste.com

Bibliografia:
- Francisco Manuel Alves – Memórias Arqueológico-históricas do distrito de Bragança, 1938.
- Belarmino Afonso – A cerâmica artesanal no distrito de Bragança, sua diversidade e extinção global, 1982.
- Artes e tradições do nordeste – Exposição (Catálogo), Mirandela, 1987.

Nós, Transmontanos, Sefarditas e Marranos - JOÃO OLIVEIRA (RELAXADO EM ESTÁTUA EM 1694-10-17)

O comissário Bartolomeu Gomes da Cruz procurou nos livros paroquiais de Carção o assento de batismo de João Oliveira, mas não encontrou. Foi à cadeia de Bragança onde estava presa Ana de Oliveira, (1) sua irmã, e esta lhe disse que João nascera por 1657, “em um lugar junto à vila de Mansilha de las Mulas, termo de Leão - Castela”, onde seus pais viveram alguns anos, no tempo da guerra da Restauração. Dele ficou ainda o seu retrato físico: “alto de corpo, grosso, cara morena, grande, redonda, olhos correspondentes a ela, cabelo negro, crespo e curto”. E ficou a memória de ter sido o único cristão-novo de Carção relaxado em estátua, no auto da fé celebrado em Coimbra em 17.10.1694.

António de Oliveira, e Catarina de Leão foram seus pais. O casal residiu em Izeda (2) e a família repartia-se ainda por Vimioso, Carção e Argozelo, indo, mais tarde, aumentar a emigração para Castela. De regresso à pátria, António Oliveira fixou-se em Carção, onde foi “obrigado do açougue”.
Em Carção se criou o pequeno João Oliveira que depois casou com Catarina Lopes ou Pires e ali assentou morada, dedicando-se à criação de sirgo e fabrico de seda. E tinha também uma criação de sirgo na aldeia de S. Martinho do Peso, termo da vila de Penas Roias, atualmente do concelho de Mogadouro, onde assistia às temporadas, especialmente no verão, acaso por ali haver maior abundância de alimentos.

Na sequência das denúncias de celebração “pública” do Kipur em Carção, nos anos de 1688 e 1689, bem como das noticiadas “missas” judaicas celebradas pelo seu primo Domingos, também João Oliveira e Catarina Pires, sua mulher, foram mandados prender pela inquisição de Coimbra, em 21.5.1691. A ordem foi dada ao comissário da inquisição Bartolomeu Gomes da Cruz que dessa honrosa missão encarregou o padre Ciríaco Annes, da vizinha aldeia de Santulhão. (3)
Planeou o padre Ciríaco proceder às referidas prisões na igreja, no decurso da missa do domingo, 17 de junho. Prendeu apenas a mulher, já que ele não estava. Disse-lhe aquela que João tinha ido buscar folha de amoreira para os bichos, mas que à tarde regressaria a casa. Não esperou o abade. Meteu-se a caminho da vila de Algoso e ali, deixou a prisioneira, entregue ao juiz de fora. Meteu-se depois a caminho, em busca de João. Foi encontrá-lo no caminho entre Algoso e Campo de Víboras, em sítio “ermo e despovoado”. Vinha conduzindo uma égua carregada com sacos de folha de amoreira.
Astuto, o abade cumprimentou-o e pediu que fosse indicar-lhe o caminho para a aldeia de Matela. Anuiu o criador de sirgo, certamente a custo, pois tinha de voltar para trás. Andaram a distância de um tiro de pistola e João, depois de apalpar os bolsos, disse que perdera o lenço e que tinha de voltar atrás a procurá-lo. Aceitou o padre, tentando nele inspirar confiança. Porém… breve topou que Oliveira se distanciava e não voltaria. Antes cortou as cordas da carga e deixou cair os sacos de folha, montando a égua e pondo-se em fuga pelo monte. Espicaçou o padre a sua égua, em perseguição do fugitivo, que apanhou. Envolveram-se então em luta feroz, corpo a corpo.
A história foi contada com todo o colorido pelo próprio padre e repetida por seus amigos e correligionários como o padre da vila de Algoso. Saboreiem um pouco da sua prosa:
- Tanto que viu que o dito padre se vinha chegando a ele, puxou da espada, requerendo-lhe que se fosse embora, que o deixasse; e com esta deliberação se apeou o dito padre puxando de uma catana que trazia e investiu e estiveram por espaço de meia hora brigando, tirando-lhe muitas estocadas (…) e lhe tirou a espada da mão e tratou de o prender com umas cordas, de pés e mãos, para melhor segurança… (4)
Devia ser forçudo e destemido o abade. Ou teria o Oliveira algum escrúpulo em o trespassar à espada? Facto é que, estando o padre a atar-lhe as mãos e os pés, João Oliveira ripou de uma navalha e “com ela lhe deu duas facadas, uma por baixo da teta esquerda, e penetrante, de sorte que por ela saía a respiração e outra da mesma parte, junto ao quadril; e vendo-se ele dito padre mortalmente ferido…”
Terminou a luta com o Oliveira a deixar no sítio o chapéu, a casaca, a espada e a sua bainha, enquanto o padre pegava na dita espada e, com a mula pela rédea, incapaz de montar, e se dirigia para a estrada. Logo apareceu um homem de Campo de Víboras, com um jumento carregado com duas “saqueadas” de pão que ali deixou para montar o abade no jumento e levá-lo à vila de Algoso onde foi assistido por um cirurgião, pois “vinha todo extravasado de sangue” – no dizer do pároco de Algoso.
Obviamente que de tudo se fez mais tarde um inquérito, com o padre Ciríaco a fazer uma descrição dramática dizendo que apenas queria “um confessor para se confessar e dispor de sua consciência por entender que poucas horas tinha de vida”. João Oliveira, por seu turno, foi visto passar pelo sítio da Fonte do Ladrão, picando a égua e dizendo: “anda égua dum cabrão, para me livrares desta ocasião”. Ali foi conhecido por uma tal Reyna que andava segando para Domingos Vaz, a quem contou que “o conhecera muito bem, indo a cavalo em uma égua vermelha, sem capa, nem chapéu, nem espada (…) e lhe disse que ia para Sendim”. Na verdade não tomou o caminho de Sendim mas o de Uva e Palaçoulo, onde o avistaram também, internando-se depois em Castela.
Claro que a inquisição sempre foi muito generosa para os seus fiéis servidores e, por isso, logo que a notícia do caso chegou a Coimbra ordenaram os inquisidores ao comissário Bartolomeu da Cruz (5) “que da parte desta mesa o busque, significando-lhe o nosso sentimento e mandando-lhe acudir com os cirurgiões mais peritos e médicos necessários e medicamentos que uns e outros lhe receitarem e o familiar Manuel Cardoso de Matos (6) concorra com o dinheiro necessário e a seu tempo mandaremos satisfazer o que se houver gastado”. Em resposta, diria o padre Ciríaco que “beijava os pés de Vossas Senhorias pela honra que lhe deram e que se achava já muito melhorado e livre de perigo e a ferida quase sã; e oferecendo-lhe todo o dinheiro que quisesse para satisfazer aos cirurgiões e mais gasto, o não quis aceitar”.
E pouco mais temos a dizer sobre o consequente processo instaurado a João de Oliveira, pelo tribunal do santo ofício de Coimbra, concluído com a sua condenação à morte, queimando-se a sua “estátua”. Logicamente, a “bandeira” com o seu retrato foi pendurada na igreja da terra de sua morada e seria a única que ali ficou depois do célebre roubo dos sambenitos de Carção, de acordo com o testemunho de Maria Cordeira, dizendo:
- Eram muitos, chegavam da parte da epístola até ao altar de Santo António e da outra parte ainda estava um que era de João de Oliveira que queimaram em estátua, que foi o que deu as facadas no padre Ciríaco de Santulhão e foi este que mais tempo ficou na parede da igreja, pois não tinha parentes no lugar. (7)
Notas:
1-Certamente que Ana de Oliveira estava na cadeia de Bragança à espera que se organizasse a leva de prisioneiros para Coimbra. ANTT, inq. Coimbra, pº 1244, de Ana de Oliveira.
2-Em Izeda viviam também os pais de Domingos Oliveira, que foi relaxado, conhecido como o “rabi de Carção”. – NORDESTE, Jornal nº 1117, de 10.4.2018. Catarina de Leão apresentou-se voluntariamente na inquisição de Coimbra em 30.9.1667 – ANTT, inq. Coimbra, pº 6421, de Catarina de Leão. ANDRADE e GUIMARÃES – Carção Capital do Marranismo  - Associação Cultural dos Almocreves de Carção, Associação CARAmigo, Junta de Freguesia de Carção e Câmara Municipal de Vimioso, 2008.
3-IDEM, pº 2173, de Catarina Pires, a Lebrata, de alcunha. Saiu condenada em confisco de bens, cárcere e hábito perpétuo, no auto da fé de 17.10.1694.
4-IDEM, pº 9411, de João de Oliveira.
5-Bartolomeu Gomes da Cruz era natural de Caminha, reitor da colegiada da igreja de Santa Maria de Bragança. Foi-lhe passada carta de comissário do santo ofício em 1689 – ANTT, Habilitações, mç. 2 doc. 51.
6-Manuel Cardoso de Matos, boticário, morador em Miranda do Douro, casado com Maria Rodrigues, obteve carta de familiar do santo ofício em 1676 – ANTT, Habilitações, mç. 27, doc. 623.
7-IDEM, pº 7503, de Tomás Lopes.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

Lista A vai impugnar as eleições do GDB marcadas para esta quinta-feira

O Grupo Desportivo de Bragança vai hoje a votos mas a lista A, liderada por Batista Jerónimo, vai impugnar as eleições. A decisão foi anunciada numa carta aberta, dirigida ao presidente da mesa da assembleia geral do clube, face às ilegalidades apontadas pelo candidato na admissão dos cerca de 500 novos sócios e durante todo o processo da campanha eleitoral.
No documento a lista de A anuncia que “o acto eleitoral será impugnado judicialmente” e equaciona também a “apresentação de uma queixa-crime” no Ministério Público “pela eventual prática de crimes na actuação do Presidente da Assembleia-Geral e dos membros da Comissão Eleitoral”.
Esta é a decisão da lista A depois de ter reunido, na passada segunda-feira, com a Comissão Eleitoral, onde apresentou um documento com várias queixas relativas à forma como foram admitidos novos sócios.
Nesse documento é referido que, após a leitura da Acta 3/2018 da direcção, “é impossível verificar a identidade das pessoas, se houve pagamento de valores, como sendo a joia e a quota do mês”.
Está escrito também que se trata de situações que “não passam de artimanhas eleitorais” e que “podem consubstanciar a prática de ilegalidades e crimes”.
Batista Jerónimo informou que após a reunião de segunda-feira, a comissão eleitoral ficou de analisar o documento e emitir um parecer sobre o mesmo esta quarta-feira. No entanto, não foi dada qualquer resposta em tempo útil o que levou a lista A a enviar uma carta aberta ao presidente da mesa da assembleia-geral do GDB.
Neste novo documento, emitido ontem, a lista A aponta, novamente, as supostas ilegalidades e que “as eleições no Grupo Desportivo de Bragança não foram regularmente convocadas” por considerar que “o processo eleitoral não está a respeitar o procedimento previsto no Regulamento Eleitoral do clube no que respeita à convocatória, à apresentação de listas, ao prazo para a campanha eleitoral e ao prazo para a afixação dos cadernos eleitorais”.
No final do documento é pedido ao presidente da mesa da assembleia-geral para reconsiderar a realização das eleições de forma a “verificar as listas, os cadernos eleitorais para que as eleições se realizem na legalidade”.
Batista Jerónimo concorre com Milton Roque, que lidera a lista B.
Milton Roque demarca-se de toda a polémica e aponta para “um caminho transparente”.
As eleições do GDB realizam-se esta quinta-feira, no Auditório Paulo Quintela, entre as 18h00 e as 22h00.

Escrito por Brigantia
Susana Madureira

quarta-feira, 2 de maio de 2018

“JÁ TENHO A HORTA POSTA!”

Olá familiazinha!
Já entrámos em mais um mês de 31. É o quinto do ano e tempo de puxar bem pelo lombo. Além disso, Maio é o mês das flores e dedicado a Maria.
A Primavera já nos trouxe o Verão e no fim-de-semana passado, voltou a trazer o Inverno. Por isso também se voltou a fazer cinza.
Recordam-se de vos falar na Ana Beatriz, de cinco anos? Depois da operação, o nódulo foi extraído e parece que tudo voltou à normalidade. Entretanto tem falado para o programa, para mostrar a sua gratidão a todos quantos pediram por ela. Quem também nos deu conta da sua preocupação foi o nosso tio Sebastião José Eira Velha, de Cernadela (Macedo de Cavaleiros), visto que a sua neta, de 24 anos, está entre a vida e a morte, depois de ter sofrido um enfarte. Claro que a nossa família não se esquecerá dela nas suas orações e oxalá que em breve vos possa dar boas notícias.
Na passada semana, além do nosso tio Francisco Gomes, de Santalha (Vinhais), que comemorou um século de vida, também estiveram de parabéns a tia Maria Vieira (66), de Seixo de Ansiães (Carrazeda de Ansiães); o tio Fernando Correia (77), de Zava (Mogadouro); a tia Maria Lúcia (60), de Pinelo (Vimioso); o tio Óscar (40), de Couto de Ervededo (Chaves); a tia Sofia Machado Castro (56), de Sendim (Miranda do Douro); o tio Gualter, de Agrochão (Vinhais); a tia Justina Ferreira (81), de Grijó de Parada (Bragança) e, por fim, o filho da tia Maria da Perna Gorda, de Castelãos (Macedo de Cavaleiros), que veio ao mundo há 44 anos, à hora e no dia da revolução dos cravos. Parabéns a todos e que continuem a festejar a vida connosco.
Neste número vamos falar das “hortas postas” e homenagear o nosso tio centenário e também relembraremos as tradições do primeiro dia de Maio, que ainda se mantêm em algumas das nossas localidades.

“Já tenho a horta posta!”. Foi com esta afirmação que o tio Fernando, de Martim (Murça), nos brindou num dos nossos programa radiofónicos, referindo-se ao facto de já ter a sua horta plantada. Eu que nunca tinha ouvido tal expressão, perguntei-lhe com o que é que estava posta a horta, ao que ele me respondeu com batatas, cebolas, cenouras, feijões, alhos, tomates, pepinos, pimentos, etc. Em consequência desta participação, apareceu logo o tio João Santos, da Torre de Dona Chama (Mirandela), a dizer-nos que já tinha a horta posta e muito bem posta, com alcachofras, batatas quase a arrancar, ervilhas, favas, cebolas, repolhos, coentros e morangos. Também houve quem nos dissesse que a horta é “a fábrica de fazer a sopa”, porque sabem o que colhem e comem.
A tia Micas, de Santalha (Vinhais), na sexta-feira, dia 27 de Abril, disse-nos: “hoje temos festa em Santalha, porque um filho desta terra que nunca de cá saiu, chega aos 100 anos de vida. É o tio Francisco Gomes, que ainda está aqui para as curvas.” Mais um que chegou à lista de ouro dos seculares que temos vindo a homenagear nesta página, porque não é para todos, mas para aqueles que lá chegam. Uma tradição do primeiro dia de Maio são as maias, que na região de Bragança surgem associadas às castanhas, como atesta o provérbio “Quem não come castanhas no 1.º de Maio, monta-o o burro”. Segundo a tradição, Maio é o mês dos burros e o ritual tem como objectivo esconjurar os maus espíritos (o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro»). Por outro lado, “burro”, é também o nome que se dá, em certas localidades de Trás-os-Montes, a uma espécie de aranha, popularmente designada por “aranhola”, bichinho que ataca as palheiras. Por isso se dizia, no concelho de Bragança, que se deviam colocar as “maias” – neste caso simbolizadas não por flores, mas por castanhas – nos currais e nos celeiros.
Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, algumas localidades, especialmente de Mirandela e Valpaços, colocam à porta ou nas janelas de casa ramalhetes de giestas amarelas, também conhecidas por maias por florirem em Maio. Essa tradição dizem que é para não entrar a fome e lembrarem o tempo da fuga de Jesus para o Egipto. Noutras terras colocam maias no ferrolho da porta para serem protegidos das doenças e dos espíritos maus.

TIO JOÃO
in:jornalnordeste.com

Marcha Pelo Direito a Habitar os Territórios Raianos

Na sequência das propostas apresentadas na Assembleia da RIONOR pelos associados agricultores do Parque Natural de Montesinho e perante a falta de respostas por parte do Governo, estamos a organizar a Marcha Pelo Direito a Habitar os Territórios Raianos, com a qual pretendemos dar voz aos explorados agricultores que aguentam calados com os prejuízos com as secas e com os animais selvagens, enquanto outros arrecadam os lucros com a caça furtiva, e pretendemos ainda forçar os governos centrais a criar infraestruturas que estabeleçam comunicações de pessoas e bens entre os dois lados da fronteira.
É urgente também acabar com o cinismo dos políticos, que são os grandes responsáveis por a atual situação, na medida em que ao longo de décadas têm desenvolvido os grandes centros urbanos à custa do empobrecimento e abandono das regiões transfronteiriças. A prová-lo temos a recente denúncia feita pelos autarcas transmontanos do desvio de 220 milhões da U. E. para obras em Lisboa e no Porto e que se destinavam ao desenvolvimento das zonas desfavorecidas.

Queremos fazer do dia 4 de maio, Feira das Cantarinhas, um grande momento festivo de alegria e de afirmação do direito a Habitar os Territórios Raianos. De trator ou de furgoneta, de moto ou de trotinete, não faltes à grande Marcha do dia 4 pelo DIREITO A HABITAR OS TERRITÓRIOS RAIANOS.

Como diz o nosso lema: “Se não fores tu a lutar pelos teus direitos, quem o fará por ti?”. Vem juntar-te à nossa força!

A concentração terá lugar na Rotunda dos Carvoeiros em Bragança a partir das 14H e os manifestantes seguirão em tratores e noutros veículos motorizados em marcha lenta pela Av. Cidade De Zamora, Rua Emídio Navarro, entrada no Cruzamento entre o BPI e Caixa Geral de Depósitos, Av. João da Cruz, Cruzamento junto ao Tribunal, Av. Sá Carneiro, Inversão na Rotunda dos Serviços Sociais do IPB, Av. Sá Carneiro, Rua Dr. José Damasceno de Campos, Rua Alexandre Herculano, Rotunda da Flor da Ponte, Serviços Florestais (Sede do Parque Natural de Montesinho), onde representantes da RIONOR e dos Agricultores farão a entrega das Resoluções / Recomendações dos Conselhos Raianos sobre as Áreas Protegidas e a proposta de Criação do Conselho de Avaliação da Gestão dos Parques Naturais. Na dispersão segue-se pela Av. Santa Apolónia e Sá Carneiro, ou Rua Alexandre Herculano, Rua Dr. José Damasceno de Campos e novamente Av. Sá Carneiro.

Rionor
Non-Governmental Organization (NGO)
A associação REDE IBÉRICA OCIDENTAL PARA UMA NOVA ORDENAÇÃO RAIANA - RIONOR - tem na sua génese uma conferência realizada na aldeia transmontana de Varge dedicada ao tema “O que podes fazer por Trás-os-Montes”, em 2014.

SEF deteve, em Mirandela, dois indivíduos estrangeiros envolvidos em vários processos judiciais

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) deteve em Mirandela dois cidadãos estrangeiros, sendo um deles procurado pelo crime de homicídio na forma tentada, recaindo sobre ele um Mandado de Detenção Europeu.
O SEF informou hoje que no decorrer de uma operação de trânsito em Mirandela, o Centro de Cooperação Policial e Aduaneira de Quintanilha daquela polícia foi contactado, “para a identificação dos cidadãos estrangeiros” e apurou que eram “cidadãos em situação de permanência irregular em Portugal, estando envolvidos em vários processos judiciais e de afastamento do país”.

Os detidos foram presentes ao Tribunal de Miranda do Douro, onde foi determinada “a entrega à guarda do SEF, para efeitos de afastamento do país, sem prejuízo da decisão do Tribunal de Vila Pouca de Aguiar, onde será ouvido o cidadão sobre o qual impende o Mandado de Detenção Europeu”.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)

WORKSHOP "Segurança na Agricultura" - 10 maio 2018 | 14h30 - Biblioteca Municipal

A Senhora que apareceu em Vilas Boas

Dizem que no monte onde está o Santuário da Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas, existiu um povoado fortificado da segunda idade do ferro. A capela da Senhora da Assunção, em Vilas Boas data do século século XVI. Conta-se que caiu no abandono e que foi um facto extraordinário que lhe deu de novo vida.

Alexandre Parafita conta no seu livro “Portugal Antigo Moderno” que em 4 de Setembro de 1673, uma menina de Vilas Boas que se chamava Maria, de 10 anos de idade, filha de Jacome Trigo, estava a lavar num ribeiro contíguo à vila. De repente apareceu-lhe uma mulher de surpreendente beleza que a chamou, lançou-lhe a bênção, levou-a a uma ribanceira próxima, da qual brotou no momento uma fonte de água. Enquanto lhe molhava a cabeça dizia :

– Estás sã do mal que padecias, mas a sesão [sezão] que tiveste na Sexta-Feira te há-de repetir ainda hoje; vai pois para tua casa e depressa, para que te não dê no caminho.

Disse-lhe mais:

– Lembras-te de quando ias defronte da minha Casa, na Portela de Vale Formoso, e eu peguei em ti sem o saberes, livrando-te de perderes a vida em um despenhadeiro, indo em teu seguimento João Lopes e Affonso Trigo que te levou nos braços para casa? Eu sou a Virgem da Assunção. Vai e diz aos teus vizinhos que jejuem a primeira Sexta-Feira e concertem a minha casa, porque eu não cessarei de interceder por vós todos…

Passado uns dias a menina estava com os seus pais numa eira a limpar pão quando a mesma senhora voltou a aparecer e lhe que fosse à sua capela. A menina de 10 anos assim fez e foi. A meio da ladeira do monte encontrou a de novo a senhora e  viu a capela com as portas fechadas e toda cheia de luzes. A mulher reaparece com uma cruz de  que deu a Maria e disse:

– Vai à vila recomendar de novo a todos que não se esqueçam do jejum, e dá-lhe a beijar esta cruz.

Assim fez, percorreu a povoação dando esta a beijar a cruz a todos e recomendando-lhes o jejum.

No dia seguinte, mais precisamente uma  Sexta-Feira, 8 de Setembro, dia da Natividade da Senhora, foi a menina repor a cruz no sítio de onde a tinha trazido. A mesma senhora reapareceu e pediu  que todos os Sábados fosse vê-la à sua capela. Maria cumpriu.

A história foi-se espalhando e avivou-se a fé com a Virgem da Assunção nos povos de Vila Flor e não só. De dia para dia o Santuário da Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas começou a ganhar uma enorme afluência de fiéis.

Assim é nos dias de hoje, no Verão vários peregrinos de localidades vizinhas ruma a pé os caminhos que conduzem ao cabeço, para participarem na festa.

Um local com um miradouro de cortar a respiração que todos deviam visitar, agora já conhecem a sua história …

Revista Raízes

Bragança pode vir a ter secção do Conselho Internacional de Dança da UNESCO

Bragança poderá vir a ser a sede de uma secção do Conselho Internacional de Dança (CID) da UNESCO. O departamento tem actualmente uma secção em Lisboa, mas a segunda pode vir a ser instalada em Bragança.
A possibilidade foi levantada, durante a celebração do Dia Mundial da Dança na capital de distrito. A presidente da secção de Lisboa deste conselho da UNESCO, Ana Kohler, gostaria que Bragança fosse uma das cidades a receber outra secção. “Espero que o país fique cheio de representações de todo o universo da dança e uma secção pode ser em Bragança”. O assunto “está a ser falado, tudo tem o seu tempo e procedimentos mas a sementinha está plantada”, adiantou.

O autarca de Bragança, Hernâni Dias, garantiu a disponibilidade do município para apoiar a iniciativa e “para com a UNESCO trabalhar nesse sentido”.

O presidente do município espera que esta secção possa ajudar Bragança a tornar-se numa referência nacional ao nível da dança. “Seria positivo na medida em que possibilitaria “trazer outro tipo de eventos para Bragança e a partir desse momento haver condições para a cidade receber eventos de referência a nível mundial”.

As conversações para a criação desta secção do Conselho Internacional de Dança (CID) da UNESCO já começaram. 

Escrito por Brigantia

União Geral dos Trabalhadores de Bragança assinalou o dia do Trabalhador com reivindicação de aumento do salário minímo

Em Bragança o dia do trabalhador foi assinalado pela União Geral dos Sindicatos de Bragança, que organizou um comício e arruada pela cidade.
José Freire, dirigente da união de sindicatos, destacou ontem que salário mínimo de 650 euros e semana de 35 horas para todos os trabalhadores são algumas das exigências que marcaram o 1.º de Maio deste ano. “A sociedade precisa de algumas alterações, lutamos pela recuperação de direitos que nos foram retirados por um vencimento mínimo digno de 650 euros, por 25 dias de férias, que já tivemos e que haja mais igualdade entre o público e privados, não vamos parar enquanto não tivermos 35 horas de trabalho para todos”, destacou.

O dirigente sindical acredita que os trabalhadores no interior devem ter mais apoios para se manterem nos territórios mais despovoados.

Já o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, no dia do trabalhador, também defendeu a redução do IRC à taxa de 0% durante um período inicial de três anos para garantir a atracão de empresas para o interior.

Segundo o líder da UGT, a taxa seria depois aumentada gradualmente para outros níveis. A proposta da redução do IRC teria como contrapartida a criação de empregos e a contratação ser feita sem termo. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

Novas medidas do Programa de Coesão Territorial podem passar pela redução de impostos para o interior

O Programa Nacional de Coesão Territorial vai ter novas medidas, que podem passar pela redução de impostos para o interior.
Ainda sem avançar quais as novas medidas que serão apresentadas em Junho pelo governo, o coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, João Paulo Catarino adiantou ontem, na passagem por Alfandega da Fé, que para além da 164 medidas, o programa vai ser aperfeiçoado e intensificado com novas propostas centradas no apoio ao emprego, mas também na fiscalidade.

“Ainda não posso falar delas porque não estão aprovadas, mas têm a ver com a criação de emprego dos benefícios e incentivos para criação de emprego, que já existem mas a ideia é ampliá-los e há a questão fiscal e eventualmente a questão das portagens” destacou.

O coordenador da Unidade de Missão para a Valorização do Interior participou ontem nas comemorações do dia do trabalhador, em Alfândega da Fé. E porque o emprego é considerado um dos principais problemas da região, a autarca de Alfândega Berta Nunes disse que acredita que com a descentralização e transferência de verbas para os municípios será possível empregar mais gente no território.

“Vamos ter aqui um reforço no emprego público, não só pela regularização dos precários, mas também pela transferência de competências que esperamos venham para as autarquias”, referiu, destacando no entanto que o mais importante é “trazer empresas e investimento privado”.

Ainda em matéria de emprego a câmara prepara-se para já para regularizar a situação de 40 precários.

Partido Socialista comemorou ontem o 1.º de Maio com um lanche convívio, em Alfândega da Fé. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro