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(Henrique Martins)
COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
quinta-feira, 3 de agosto de 2023
Castelo de Pinela deixou de ser apenas lenda
Agora, as lendas do antigo castelo mouro ganham contornos de alguma realidade, pois as escavações arqueológicas ali efetuadas, a pedido da junta de freguesia, em 2020 e no mês de julho, permitiram chegar à certeza de que ali houve, de facto, uma fortificação. E que a sua origem remonta à quase cinco mil anos, no período do Calcolítico.
“Os vestígios arqueológicos, aquilo que temos vindo a detetar desde 2020 é que houve, da facto, aqui uma ocupação medieval, que se caracteriza, do ponto de vista arqueológico, pela presença de derrubes de estruturas. São pedras com argamassa de cal. Houve uma verdadeira demolição em torno desta elevação rochosa.
Através desses níveis, descartámos a possibilidade de serem mais antigos, pois a utilização de cal é indicadora do período medieval.
Depois, acompanhando esses derrubes, há um espólio arqueológico de cerâmicas domésticas, tipicamente medievais, a par de outros elementos como pontas de seta e pontas de lanças medievais. Tudo em ferro. Isso é a face mais visível da ocupação que aqui existiu.
Estamos a falar de um período entre os séculos IX, X, até finais do XII”, contou o arqueólogo José Luís Sendas, brigantino de gema, ao Mensageiro, que acompanhou os últimos dias de trabalhos ali realizados.
José Sendas conta que “os vestígios mais antigos” existentes neste sítio arqueológico “remontam à transição do Calcolítico para a idade do Bronze”.
“Temos um conjunto de cerâmicas que estão descontextualizadas, o que evidencia que essa ocupação mais antiga poderia ter-se estabelecido também na elevação rochosa, porque esses vestígios acompanham o derrube do castelo. E isso é o marco inicial da ocupação do sítio”, aponta.
MANUEL DESCOBRIU A PAIXÃO DE PRODUZIR RÉPLICAS DE VEÍCULOS E IMÓVENS DESDE JOVEM
Mais tarde voltou a cair na tentação que perdura até aos dias de hoje.
E é no pequeno estúdio de sua casa, na aldeia de Palácios, em Bragança, que cria todo o seu artesanato.
Museu do Abade de Baçal acolhe instalação do escultor Alberto Carneiro
“Esta exposição convida o visitante a participar num diálogo entre dois objetos aparentemente distantes, para a sua fruição sensível: um trilho de debulhar cereais, objeto agrícola do final do séc. XIX e um objeto artístico concebido pelo artista Alberto Carneiro entre 1973/76”, explica o diretor do MAB, Jorge Costa.
“Esta obra foi criada e recriada como um envolvimento espacial de modo a que, mais do que vê-la, a possamos sentir. Trata-se de perceber um jogo de sensações, ocorridas entre o plano físico e o mental, para experimentar a sua dimensão estética”, acrescenta o mesmo responsável.
A instalação convida o visitante a imergir no cenário. Estará patente até ao final de novembro.
“Para Carneiro, e também para nós, no labor rural e no trabalho artístico ocorrem fenómenos de proximidade. Cada um promoverá sementeiras e colheitas, como atravessará novos campos percetivos e afetivos, igualmente valiosos.
Este jogo estende-se agora à experimentação de cada um no seu próprio tempo e sensibilidade. Este encontro expande, assim, os campos simbólicos aos planos das sensações, sem recorrer a uma bipolaridade discursiva, à cisão ou à fusão de mundos, mas presentifica uma questão que nos faz pensar. As searas do nosso tempo, onde estarão?”, questiona Jorge Costa.
Depois do MAB, a instalação segue para Santo Tirso, para o Centro de Arte Alberto Carneiro.
“Foi uma ideia que partiu do Jorge Costa, de podermos, em parceria, produzir uma das mais significativas esculturas de Alberto Carneiro, que primeiro terá lugar no Museu do Abade de Baçal e depois passará para Santo Tirso, onde ficará quatro meses”, explicou ao Mensageiro Álvaro Moreira, diretor do Centro de Arte Alberto Carneiro.
Nessa altura, haverá, também, a apresentação do catálogo, “que também será trabalho conjunto com MAB”. “Será apresentado ainda um filme de Joaquim Pavão que aborda estas questões nucleares da peça de Alberto Carneiro”, explicou o mesmo responsável.
𝐏𝐚𝐬𝐬𝐞𝐢𝐨 𝐏𝐞𝐝𝐞𝐬𝐭𝐫𝐞 𝐧𝐨 𝐏𝐥𝐚𝐧𝐚𝐥𝐭𝐨 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞̂𝐬: 𝐌𝐢𝐫𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐨𝐮𝐫𝐨 - 𝐍𝐚𝐬𝐨
Aventura, emoção, animação e muita adrenalina são alguns dos ingredientes que vai encontrar no passeio pedestre no Planalto Mirandês a realizar no próximo dia 3 de setembro.
A história, a cultura e a tradição vão marcar presença ao longo dos 15 km de percurso entre Miranda do Douro e o Santuário de Nossa Senhora do Naso. Para além disso, os participantes vão ter a oportunidade única de desfrutar de uma das mais belas paisagens do Planalto Mirandês.
✍ Inscrições até ao dia 1 de setembro - 𝐏𝐨𝐬𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐓𝐮𝐫𝐢𝐬𝐦𝐨 | 𝐁𝐚𝐥𝐜𝐚̃𝐨 𝐔́𝐧𝐢𝐜𝐨 | 𝐉𝐮𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐅𝐫𝐞𝐠𝐮𝐞𝐬𝐢𝐚
📲 Saiba mais AQUI.
Enchente no festival da Lombada leva a autarquia a prometer maior envolvimento na organização
Este ano, a tradicional segada manual do cereal durou pouco mais de meia hora. “Havia muitos ajudantes. No próximo ano temos de semear mais”, brincava Raul Tomé, professor e um dos elementos da organização deste festival, o mais antigo do género no distrito de Bragança, pois já se realiza há 26 anos.
“É uma edição muito participada, com muita juventude. Um dos objetivos da associação é dar a conhecer e preservar as nossas tradições”, frisou Raúl Tomé.
Depois de segado o cereal, apanharam-se os molhos para o carro puxado por uma burra até à eira, onde à tarde se fez a malha.
Este ano, a palha será utilizada numa instalação artística no Museu do Abade de Baçal (a partir desta sexta-feira), onde ficará até novembro, altura em que seguirá para o museu Alberto Carneiro, em Santo Tirso.
Para o próximo ano, a organização pensa regressar ao tradicional malho.
Altino Pires, presidente da União de Freguesias de São Julião e Deilão, sublinha que este festival já conquistou um espaço próprio. “Isto é o festival mais antigo do distrito nestes moldes. Só isso já é uma marca”, sublinha.
Mas pede mais apoios para poder crescer.
“Este festival tem duas componentes. A do ciclo do pão. E a outra parte, musical. Vamos tendo grupos locais mas precisávamos de alavancar, trazer mais grupos, o que tem custos e não há verbas para isso. Precisávamos de mais investimento nessa vertente. Passará pela junta e provavelmente pelo município e pelo poder central”, frisou.
Do lado do Município, o presidente, Hernâni Dias, admite mais envolvimento, sobretudo “na promoção”. “A forma de fazer crescer o festival é envolvermo-nos mais no que tem a ver com a promoção”, sublinhou.
“O número crescente de pessoas significa que há cada vez mais interessados nesta atividade. Se tivermos esta iniciativa como sendo uma experiência agradável para quem cá vem, não só pelo convívio mas, sobretudo, na atividade principal, que é a experiência de alguém que não conhece e pode experimentar cortando o cereal. E isso pode ser vendido como uma experiência, como são as vindimas ou a apanha da castanha. Será mais um produto turístico que poderemos explorar. Se calhar ainda temos mais para fazer a esse nível. Tentar fazer com que este festival seja de âmbito mais abrangente e não tão localizado nesta aldeia”, disse.
Candidaturas a subsídios agrícolas aumentaram 75 por cento em 2023
“A nível nacional regista-se um atraso. Há pouco tempo mais de 60% da área agrícola estava por candidatar.
O prazo foi prorrogado 15 dias e termina esta terça-feira. Julgo que a nível nacional o panorama seja para uma diminuição generalizada das candidaturas”, explicou Jorge Nascimento, coordenador da Associação de Agricultores de Trás-os-Montes (AATM), que tem representação em oito concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real e Guarda.
As culturas tradicionais como a amêndoa, olival e a vinha são as que maior interesse despertam para investimento. “Tem havido uma espécie de retrocesso por parte de alguns jovens, que saíram para estudar e agora com formação superior estão a regressar, porque o mercado de trabalho está estrangulado. Os pais já têm áreas com explorações ativas e aproveitam para se instalar como jovens agricultores”, referiu Jorge Nascimento.
Na zona do Baixo Sabor o amendoal é a cultura com mais investimento. “É a cultura mais procurada e mais instalada, devido às condições climáticas e como não é muito trabalhosa, tal como o olival, atrai”, acrescentou o responsável.
Festas de Vinhais deixam hotelaria lotada neste mês de Agosto
Ao longo dos próximos dias há muito para aproveitar e, segundo o presidente da câmara, Luís Fernandes, o comércio, a restauração e o alojamento agradecem a dinâmica que se cria neste mês.
“Pretende mexer com a toda a economia local, quer da vila, quer do concelho. Temos mais gente, não só gente do concelho e que nesta altura regressa, mas também turismo que cada vez cresce mais. As casas de turismo rural, o hotel e o parque biológico estão cheios durante este fim-de-semana e isso é uma coisa importante para o concelho”, adiantou.
Hoje há Festa do Emigrante e amanhã e sábado decorre a concentração motard dos Javalis do Asfalto, que conta com a banda Táxi, no segundo dia de festa. No dia 12 há Festa da Juventude, no dia 14 há um espectáculo com Pedro Mafama e no dia 15 a Banda Norte FN.
“Estamos a falar de um mês que no nosso concelho e no nosso território mais gente tem. O que queremos é dinamizar e fazer com que seja um mês diferente”, destacou.
Hoje, em Bragança, também há Festa do Emigrante. O Parque do Eixo Atlântico acolhe Delfim Júnior e Ympério Show. Joel Liberato, da organização, disse que a ideia é tornar a festa cada vez melhor.
“As pessoas podem esperar uma grande noite. Será melhor que o ano passado, de certeza. Temos a ideia de que para o ano será incluída na festa da cidade, no dia 17 de Agosto”, referiu.
Esta é a terceira edição da Festa do Emigrante de Bragança. É organizada pela Associação de Emigrantes Transmontanos.
Quatro manueis (conto)
Negando-se às cargas pesadas dos bâtiments ou até mesmo ao mais leve ofício de concierge, o tributo do duro para a reconstrução do hexágono revestia-se porém de suma importância: não sei por que ironia do destino, tinha-se feito sócio de uma casa de meninas no pigalle. E como a mais velha profissão, por responder a apelos profundos e urgentes no homem, retribui menos mal aos que a promovem, o duro, um dos mais necessitados antes de partir, fez-se rico em pouco tempo. Década e meia depois tudo nele se opunha já aos que nunca haviam saído e se arrastavam no rame-rame e no marasmo do costume, o tempo estagnado, o universo resumido àqueles dez quilómetros quadrados.
Trazia novidade e animação ao povo, é o que é, por isso habituámo-nos a esperar aquele homem todos os agostos. E com efeito aí por princípios do mês lá aparecia ele sem falta para a festa do quinze, empertigado ao volante de renaults e peugeots último modelo, novinhos em folha. Alto, forte, encafuado em trajos amaricados acabadinhos de comprar nos grands boulevards, voz rouca de corvo, aparelho cravado na numa das orelhas, irrequieta boina de cabedal. A extravagância maior residia contudo em duas fabulosas fiadas de dentes de ouro do melhor quilate que por si dariam ideias a qualquer cineasta de terror e deixavam a ganapada indecisa entre o medo e o fascínio.
Não mais que por isto a presença do duro já daria nas vistas de sobejo. Mas ele juntava-lhe aquele gargalhar de zombaria, estrondoso, metálico que sempre o anunciava e de bónus, ensaiado ao pormenor, oferecia ainda generosamente todo um espalhafato de pantomina com que entretinha quem dele se aproximava. Uma maneira muito própria de se evidenciar e fazer o manguito à antiga pobreza, ainda bem visível na maioria dos que se tinham deixado ficar na parvónia.
A verdade é que ali naquele tempo a vida era ingrata. Ganhar o pão com o suor do rosto quase não passava por metáfora. A gente, pouco mais do que em farrapos, arrastava uma existência acabrunhada, a mourejar sob um sol desumano entre segadas, acarrejas, hortas, malhas. Mas ao olhar o ilustre e próspero filho da terra, em quem se remirava, podia levantar por breves instantes a cabeça sem estar a matutar no pesado jugo do cachaço. A sua figura dizia-lhes haver outros mundos para lá de alcaniças, do outro lado da serra, e fazia erguer a imaginação de ser possível um dia atirar com aquele castigo para trás das costas.
Nessas escapadelas de verão nunca vinha sozinho. Fazia-se sempre acompanhar de uma das suas demoiselles, no princípio diferente de ano para ano, bem entendido, não tivesse ele muito onde escolher, e que ao lado das locais era como se tivessem acabado de chegar de outro planeta. Estas, cobertas dos pés à cabeça, tirando cara e mãos, indumentária invariavelmente a dar para o escuro não sendo viúvas e de negro carregado se o fossem. As francesas (oh as francesas!), o vivo retrato do inimigo! O menos mau era a língua bárbara em que se exprimiam, cheia de exclamações ateatradas e estranhos érres a vibrar desde o fundo da garganta.
Cores berrantes, calças justas à coxa (mulheres de calças, nossa senhora!...), amplos decotes, cabelos curtos, unhas e lábios espintarraçados de vermelho intenso. Como nunca nada é tão mau que não possa piorar, escândalo dos escândalos, as francines e as lucetes ousavam tomar banhos de sol nos lameiros da canal e banhar-se no poço fundo do ribeiro em trajos menores, quase como deus as trouxera ao mundo. Arrelia suprema: por mais que as pudicas mulheres de balfrades ripostassem referindo-se a elas com o nome das festas, o resultado era mais ou menos como pretender desconsiderar um trolha chamando-lhe trolha.
Se o duro se oferecia de bom grado como entretimento, nem por isso deixava de o apreciar. Além do mais, para quem se habituara à animação irrequieta e permanente da cidade-luz, um mês inteiro num buraco pasmado entre montes ressequidos onde nada de criativo acontecia consumia-o de tédio a ele e às concubinas, impondo-se por isso inventar maneiras de matar o tempo.
Foi assim que um belo dia (e por bem anos que conte nunca o tempo seria capaz de apagar de mim esta memória), logo no princípio de mais uma descida ô porrrrrtiugal, o duro pegou em dois pacotes de caramelos de chocolate recheado envoltos em pratas de todas as cores, adquiridos na melhor confiserie de la madeleine. Veio subindo desde as casas de baixo, onde tinha construído vivenda à mãe e à irmã (dura velha e dura nova), e passou na pracica por casa do morais, o maior proprietário do sítio, de quem agora se achava igual.
— Á morais, anda daí se te queres rir!
O parceiro não apreciava pouco a pândega, e na companhia deste deu uma volta completa ao casario, guloseimas empunhadas no braço direito, erguido bem ao alto, anunciando no seu inconfundível falar de caverna:
— Ulhai, garótos, binde cá que bus bou a dar arrebuçados do bôs que trouche de paris. Ópois num dígueis que num bus abijei.
Nós rebuçados não conhecíamos se não os que o tio manuel tantagão vendia na taberna, uma dúzia à croa: açúcar com corante verde dentro de papel baço esverdeado, rijos como cornos. A propaganda do emigrante e a vista das doçarias em tons de arco-íris trouxeram aos nossos olhos desconsolados mais brilho do que os invólucros delas, pelo que na ronda não lhe foi difícil juntar uma boa dúzia de miúdos, entre os quais eu. Desembocou o giro festivo no largo do mané, mais conhecido por barreiro, ao lado de um tanque em cantaria onde as bestas e as crias, dias inteiros pelo termo, vinham matar a sede. A bica corria sempre, formando um lamaçal em frente disperso por vários metros.
O duro começou então lentamente a abrir o primeiro embrulho. Galhofavam agora entre dentes ele e o morais. A arder em desejo, já víamos a mão alva e mimosa do proxeneta estendendo para nós os apetecidos lambiscos e estes a derreterem-se em prazer no fundo da boca. Bruticos, como se diz no palavrear de balfrades. Para nosso espanto, os primeiros dois ou três foram atirados diretamente bem lá para o meio do lodo, o mesmo acontecendo aos poucos com todos os outros, até não restar nem um único no fundo dos pacotes. Adivinha-se que para chegar aos pequenos e cobiçados troféus nos tenhamos engalfinhado como animais durante um bom quarto de hora e que no final fizéssemos figura de verdadeiros labregos.
Junto com as de alguns outros mirones, as risadas alarves da dupla quase se podiam ouvir do Vimioso, a cinco léguas de distância e a cena, assim como o episódio completo, seria digna de uma daquelas fitas em que ettore scola expõe a mais crua realidade humana. Quanto a mim, entre cotoveladas e quedas de focinho lá apanhei um ou dois a custo, sem prejuízo de ter apanhado forte e feio da minha mãe quando cheguei a casa, o mesmo se dando com quase todos os outros.
Aí por meados da década de oitenta, mais coisa menos coisa, após mais uma dessas vacances em balfrades o duro regressava ao seu país de adoção. Nos anos de velhice por fim fiel à mesma, levava ao lado a sua madame. Entre Valladolid e burgos o mais certo é que o sono ou o cansaço o tenham traído. Saiu da estrada e foram cair aos trambolhões nuns barrancos esconsos cercados de mato espesso.
O último embate projetou-os com violência para fora do carro, pondo um fim abrupto e triste aos seus dias neste mundo. Alguém que andava por perto se deu conta, certamente a mesma pessoa que duas horas depois ligou para a esquadra próxima. Passou tempo ainda antes que as autoridades dessem com eles. Quando por fim um dos guardilhas avistou o corpo inanimado de um homem prostrado sobre arbustos alertou à distância os companheiros:
— Aquí, aquí está el hombre!
Aproximou-se um pouco mais e passados segundos não conteve o espanto:
— Pero que le paso a este que no tiene ni un solo diente?
Levaram-nos. Os cadáveres estiveram dois dias depositados na morgue de Palência sem que ninguém viesse reclamá-los, enquanto decorriam averiguações. Entre pormenores técnicos de circunstância podia ler-se no relatório do médico legista relativo ao corpo do duro: “todos los dientes extraídos post mortem, probablemente con la ayuda de un objeto tipo tenazas”.
Vestígios de armas medievais contam história de assalto ao castelo de Pinela
“Temos muitas pontas de seta, de virote e de lança. Houve aqui alguma escaramuça e essas armas ficaram por aqui”, explicou José Sendas ao Mensageiro, que acompanhou os últimos dias das escavações ali realizadas, em julho (ver peça na página anterior).
Depois de um primeiro estudo realizado em 2020, em julho realizaram-se sondagens no local onde, em tempos, se ergueu o Castelo de Pinela ou Castelo de Alfenim, pois o local vai ser alvo de uma intervenção para a instalação de uma plataforma interpretativa e de uma rota pedestre.
“Os trabalhos que estamos a executar têm a ver com a implementação do projeto da Rota das Raízes. Pretende-se a instalação de uma plataforma de observação das ruínas arqueológicas e da paisagem.
São sondagens de avaliação nas zonas onde está prevista a colocação das sapatas que vão sustentar essa estrutura”, explicou o arqueólogo brigantino.
No local ainda é possível vislumbrar vestígios de uma muralha primitiva, “construída algures entre os séculos III e I antes de Cristo (aC)” e antes de os romanos chegarem a esta região, bem como vestígios de uma construção em pedra, num perímetro interior, junto à elevação rochosa que ali avista a paisagem circundante.
Entre as ruínas, os arqueólogos identificaram também alguma cal e uma área pintada a vermelho ocre, “quer seria uma zona mais nobre”.
“Aqui não há vestígios de romanização. Não temos qualquer vestígio que indique que este castro foi romanizado, o que deixa entender que algures na transição da era, quando se estabelece o império romano, este sítio terá sido abandonado.
Até ao Século X, quando foi construído o castelo de Alfenim ou Alvelina. É assim que é referido na documentação medieval. Há uma pequena referência indireta. São pessoas, no âmbito das inquirições de 1256, que vêm testemunhar sobre as suas posses, e para as justificar, falam de um D. Galego, que tinha o castelo de Alfenim, nesta localização (apontada pelo Abade de Baçal). Ainda na memória dessas pessoas há a capitalidade deste sítio como sendo a cabeça de terra desta região, que agora corresponde ao concelho de Bragança. Isso é anterior ao foral de Bragança, de 1187”, conta José Luís Sendas.
Terá sido nesse processo que, aparentemente, o castelo foi trocado e que passa para o poder régio, que deu terrenos noutra zona, mais a sul, a D. Galego.
“É nessa altura que este castelo foi abandonado e propositadamente demolido, talvez até para erradicar da paisagem esses símbolos nacionais, pois estamos numa época de tentativa de estabilização das fronteiras de Bragança e do reino.
A fronteira vai para Bragança, que não seria despovoada mas um sítio suficientemente apelativo para ser uma cidade. E que vai mobilizar tanto as gentes de Castro de Avelãs e concentrar o poder, com a construção do castelo”, explica ainda.
Também foi identificada a base de uma muralha, do lado nascente, virada para a aldeia de Pinela.
“Há até o relato do Abade de Baçal de haver ruínas e uma cisterna. Atualmente não exista nenhuma evidência que se assemelhe a uma estrutura de cisterna. Relativamente à planta, já fizemos levantamentos tridimensionais e conseguimos ter um modelo detalhado do castelo. A análise de eventuais entalhes poderia permitir avançar pelo menos alguns limites da construção que existiu”, explica.
Contudo, “não é fácil distinguir o que é natural do que é ação humana mas a verdade é que mais escavações arqueológicas vão aportar novos dados que vão completando o puzzle”.
Testes como o de radio-carbono (que permite aferir a idade de elementos biológicos), o estudo dos pólenes ali encontrados, que permitira perceber como era o clima na região há mil anos ou mesmo o estudo dos ossos de animais ali encontrados, que serviriam de alimento a quem ocupou o local, poderia trazer um outro olhar sobre a região que viria a ser Bragança e os seus habitantes.
“Não há muitos sítios com este enquadramento histórico. Primeiro, porque não existe. É um sítio enigmático, que no concelho de Bragança não tem paralelo.
Permite perceber como era o território de Bragança, como estava organizado. Este é um sítio estratégico do ponto de vista militar e de defesa. Do ponto de vista da habitabilidade já é mais difícil”, frisa José Sendas.
Para já, o projeto da junta de Freguesia de Pinela pretende aproximar o espaço dos visitantes.
“Este projeto surge no âmbito de uma candidatura que submetemos à Corane, a Rota das Raízes da Cerâmica, e que pretende criar um percurso pedestre e uma plataforma interpretativa do que seria o castelo de Pinela. Associada a esta candidatura está, também, o melhoramento das valências atuais do centro interpretativo da cerâmica, com a inclusão de um Espaço Artesão e de um Espaço Coworking.
Tendo em conta que foram realizadas várias escavações ao longo dos últimos anos, a nossa ideia é criar um espaço de visitação para poder ver o espólio que se vai encontrando”, explica o presidente da junta, Alex Rodrigues.
O autarca frisa que “a possibilidade de atrair visitantes foi uma das maiores razões” para submeter a candidatura e “criar aqui um polo de atração, aumentar o número de visitantes da freguesia, valorizar um espaço que é muito importante” para os habitantes de Pinela.
“A verdade é que havia muitas dúvidas, muita gente pensava que era só um monte de fragas. Esta situação sempre nos intrigou e logo que tivemos oportunidade de criar condições de conhecer melhor o espaço, apercebemo-nos que, pelos achados arqueológicos que surgiram, este espaço teve, além de outras utilidades, foi ocupado várias vezes.
Estamos a tentar perceber o que aconteceu ao castelo de Pinela. Temos evidência do que resta das muralhas e porque hoje não temos castelo”, conclui.
Homem detido por tráfico de droga numa operação de fiscalização da GNR na fronteira de Miranda do Douro
A GNR mandou parar um veículo que acabava de entrar no país. No decorrer da fiscalização, o homem atirou para fora do carro um embrulho, com cerca de 40 doses de haxixe, mas acabou por ser encontrado pelos militares. Além da droga, a Guarda apreendeu ainda um telemóvel.
Depois de presente a primeiro interrogatório, foi-lhe aplicada a medida de coacção de Termo de Identidade e Residência.
Politécnico de Bragança e Lusorecursos vão promover cursos técnicos no Alto Tâmega
As entidades "visam estabelecer mecanismos de cooperação no âmbito de lecionação de Cursos Técnicos Superiores Profissionais (doravante CTeSPs) nas áreas de Educação Ambiental e de Prospeção Mineral e Geotécnica do Instituto Politécnico de Bragança", pode ler-se num documento a que a Lusa teve hoje acesso.
A Lusorecursos Portugal Lithium pretende explorar uma mina de lítio em Montalegre (distrito de Vila Real).
No âmbito das obrigações previstas pelas partes num protocolo hoje acordado entre as partes, o IPB fica responsável por "colocar em funcionamento na região do Alto Tâmega os CTeSPs de Educação Ambiental e de Prospeção Mineira e Geotécnica, salvaguardada a existência de um mínimo de 20 candidatos por curso", bem como "informar a Lusorecursos das fases de candidaturas e inscrições nos referidos CTeSPs".
Quanto à empresa, terá como obrigações "divulgar os CTeSPs", "facilitar e colaborar na inscrição dos seus trabalhadores" nos cursos e "garantir a empregabilidade de, no mínimo, 80% dos formandos que terminem os CTeSPs identificados no período mínimo correspondente à duração do plano de estudos".
A Lusorecursos terá também de "colaborar na lecionação de unidades curriculares dos referidos CTeSPs, através dos seus técnicos especializados, em termos a definir mediante adenda" ao protocolo.
O acordo é válido por dois anos, "renovando-se automaticamente por iguais períodos, salvo prévia comunicação em contrário de qualquer das partes outorgantes", e poderá "ser modificado, no todo ou em parte, ou revogado, sempre por comum acordo entre os outorgantes".
O projeto reformulado da mina de lítio que a empresa Lusorecursos quer explorar em Montalegre, que visa minimizar e compensar os impactos ambientais previsíveis, recebeu 308 contributos no âmbito da consulta pública, segundo o portal Participa.
A modificação do projeto “Concessão de Exploração de Depósitos Minerais de Lítio e Minerais - Romano", em Montalegre, no distrito de Vila Real, esteve em consulta pública entre 27 de junho e 24 de julho.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse em fevereiro que a Lusorecursos Portugal Lithium tinha até seis meses para apresentar os elementos reformulados do projeto para aquela mina de lítio.
A informação da APA foi divulgada depois de a empresa ter dito que foi notificada sobre um “parecer favorável” ao projeto que prevê uma exploração mista, a céu aberto e subterrânea, bem como ao complexo de anexos mineiros (CAM), que inclui a refinaria, lavaria, edifícios administrativos, especificando que o que foi chumbada foi a localização deste complexo devido à presença de uma alcateia de lobo-ibérico.
No dia 24 de julho, a associação ambientalista Zero alertou que, no projeto da mina de lítio em Montalegre, o lobo-ibérico “será descartável”, defendendo que o conjunto de medidas de compensação preconizadas “não passam de promessas” em muitos pontos.
No dia 21, também a presidente da Câmara de Montalegre, Fátima Fernandes, assumiu uma posição de um “não claro e inequívoco” à exploração de lítio no concelho, classificando o projeto como “danoso”.
quarta-feira, 2 de agosto de 2023
Valpaços - 34 anos desde a ação de protesto realizada em Veiga de Lila
Há trinta e quatro anos o povo de Veiga de Lila, Fonte Mercê, Água Revés e de várias outras aldeias do Concelho de Valpaços insurgiu-se contra as plantações de eucaliptos na sua terra. Recordando essa efeméride e de forma a assinalar esta data tão simbólica, a Câmara Municipal de Valpaços, a Junta de Freguesia de Veiga de Lila e a IRIS - Associação Nacional de Ambiente, organizaram um evento-convívio, com projeção de um filme sobre a ação de protesto realizada em 1989.
Agressividade
Muitos preceitos religiosos partem desse pressuposto, a que chamam pecado, e o conceito de salvação não é mais que a salvação da nossa malvadez que, curiosamente, e embora não pareça, provoca tanto dano em quem a sofre como em quem a faz. Nem sequer é de espantar que sejamos maus para os outros, quando a ciência da mente nos diz que também podemos fazer grandes patifarias a nós próprios. O masoquismo é isso mesmo, a pulsão de agredir voltada para dentro, fenómeno tão poderoso quanto vulgarizado. É provável que a única maneira de não sermos agressivos ou, melhor, de o sermos menos, é ter consciência de que o podemos ser. É provável que um paz-de-alma tenha aprendido a conhecer e dominar os seus impulsos e um desordeiro não.
A agressividade e a violência que dela decorre existem, são factos com que temos que lidar. Mesmo que quiséssemos ignorá-las, aí estão os jornais, as televisões e agora a internet para nos lembrar os seus muitos graus e formas. Ainda bem que se divulgam para que se possam condenar. Diminuir o valor da violência ou ignorá-la é tão indesculpável quanto ela própria. Mas há que desconfiar. Estamos envolvidos por um nevoeiro mental que entre outras coisas nos leva a ver o mundo a preto e branco, passar ao lado das nuances da realidade, excluir o incerto e o duvidoso que estão em toda a parte: as pessoas ou são boas ou são más, virtuosas ou viciosas, vítimas ou agressoras. Mas por que não as duas coisas? Por que razão não podemos ter um anjo num ombro e um demónio noutro?
Isto por um lado. Por outro, os meios de comunicação estão pouco interessados na verdade, na objetividade e na reflexão sobre elas. Tendo em conta que a realidade é complexa e ambígua, colocam-se entre nós e ela (por isso se chamam media) fazendo o favor de no-la interpretar. À primeira vista pode parecer simpático, e de certo modo é. O problema surge quando a filtram de forma simplista e no-la dão em espetáculo para causar impacto, o que hoje em dia é a regra, e em vez de informados somos desinformados.
O número de mulheres maltratadas ou mortas às mãos de homens inseguros, ciumentos, ressabiados é trágico para todos os efeitos. Nem que fosse só uma já o era. Por acaso, na nossa espécie (ao contrário de outras) o macho é geralmente mais forte do que a fêmea, podendo servir-se dessa superioridade para arrear na parceira quando a vida não lhe corre bem. Mas, sempre que o arcaboiço lho permite, a mulher pode também ser agressora. Em sete por cento dos casos, segundo as estatísticas, não sendo difícil calcular que o número peque por defeito se pensarmos que muitos desgraçados que as chupam se calem por vergonha.
Depois não se trata só de espancar ou assassinar. É do senso comum que a violência psicológica pode ser tão ou mais destrutiva do que a física. Acontece que neste campo as forças entre os sexos se apresentam bastante mais equilibradas, se é que não se pode considerar que a mulher leva vantagem. Muitas vezes, no recato das vidas caseiras, ela exerce um poder real através da astúcia, da intriga e da manipulação; presta um culto continuado a conflitos, dificuldades, complicações, e não costuma ser escassa quando se trata de esgrimir o impropério.
Suponho por isso que nalguns casos de violência doméstica a comunicação social nos dá a conhecer apenas a ponta visível de um icebergue. Um produto em cuja manufatura participaram ativamente dois artífices. O resultado de uma guerra em que cada combatente lutou com as suas armas. O desfecho infeliz de um drama em que dois protagonistas agiram e se condicionaram e não existiria se uma das partes, qualquer delas, negasse o seu contributo ou, uma vez iniciado, arranjasse forma de se distanciar.
Campo de Trabalho Internacional (CTI) "Embaixadores da Natureza"
Organizado pela associação Associartecine, em colaboração com a AEPGA e com o apoio do Instituto Português da Juventude (IPDJ), este campo de trabalho irá realizar-se em pleno Parque Natural do Montesinho, na aldeia de Vilarinho, concelho de Bragança.
Neste CTI, as principais atividades que os jovens voluntários de diferentes nacionalidades irão desenvolver são:
- melhoria dos percursos naturais do Parque Natural de Montesinho, com limpezas de caminhos, instalação de sinalética de orientação e informação ao longo de percursos pedestres; construções de mesas de piquenique e limpeza e recolha de lixo dos ribeiros;
- melhoria da coexistência entre as atividades rurais e a vida selvagem, com a instalação de vedações que protejam as culturas agrícolas dos danos causados pelos animais silvestres;
- outras atividades de trabalho comunitário, segundo as necessidades indicadas pela a comunidade local.
Não percas esta oportunidade de participares gratuitamente nesta iniciativa! Inscreve-te AQUI.
Mural em Miranda do Douro recorda dois bombeiros mortos há 10 anos a combater um fogo
A cerimónia foi presidida pela secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, à qual se associaram ainda o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Duarte da Costa e o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, entre outros individualidades civis e militares e bombeiros em geral.
Durante a homenagem a António Ferreira, que na altura do acidente tinha 45 anos, e Daniel Falcão, de 25 anos, foi descerrado um mural de homenagem a “estes heróis”, como foram descritos ao longo dos sucessivos discursos da tarde de hoje.
“Esta foi sem dúvida, uma cerimónia pesada, mas importante e carregada de simbolismo, que mantém viva a memória daqueles que tudo deram, nomeadamente o que tinham de mais precioso, que foi a própria vida, ao serviço de uma causa”, disse Patrícia Gaspar.
Este incêndio que ocorreu em 01 de agosto de 2023, em Cicouro, uma aldeia raiana de Miranda do Douro, obrigou a repensar a atuação dos bombeiros com novas formações na área da segurança e dos equipamentos de proteção individual dos bombeiros.
“Os anos de 2013 e 2017 foram muito trágicos para o sistema de combate a incêndios florestais”, vincou a governante, que deixou ainda uma mensagem “de precaução para os bombeiros”.
“Peço a todos que nunca se esqueçam de que o risco existe. Temos de mitigar este risco para garantir que estes episódios aconteçam o menos possível”, destacou a governante.
O comandante dos bombeiros de Miranda do Douro, Luís Martins, disse de forma emotiva que este episódio marcou a sua história de vida, porque nunca se percebeu como tudo se desenrolou.
“Naquela altura era comandante há dois anos, conhecia bem os bombeiros falecidos [António Ferreira e Daniel Falcão], cresci com eles e foi muito complicado viver toda esta situação. Mas todos os anos lembrámos este nossos camaradas. Nunca percebemos como tudo aconteceu, mesmo com a análise de peritos”, relatou Luís Martins.
Já a presidente da Câmara de Miranda do Douro, Helena Barril, explicou que este foi um dia carregado de simbolismo e que os bombeiros falecidos no combate às chamas ficam assim imortalizados num memorial colocado em frente ao quartel de Miranda do Douro.
Os operacionais da corporação dos bombeiros de Miranda do Douro foram surpreendidos numa mudança brusca de vento e ficaram encurralados no meio do fogo, entre Cicouro e São Martinho de Angueira, junto à fronteira com Espanha, contou à agência Lusa à data (01 de agosto de 2013) o comandante Luís Martins.
As chamas destruíram também o veículo do dispositivo de combate a incêndios florestais em que quatro bombeiros se deslocavam.
𝐌𝐞𝐦𝐨𝐫𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐁𝐈𝐃𝐀 𝐏𝐎𝐑 𝐁𝐈𝐃𝐀 / 𝐕𝐈𝐃𝐀 𝐏𝐎𝐑 𝐕𝐈𝐃𝐀
No primeiro plano, ao centro, estão dois bombeiros que se destacam e é a partir deles que se desenrola a composição e a paisagem. No total são 4 os bombeiros como os pontos cardeais, cada um deles está virado para um ponto cardeal para que nunca se percam e cheguem sempre a todo o lado.
As representações da terra, água, ar e ainda que de forma indireta o fogo, são os campos de ação e os 4 elementos com os quais tem de lutar/lidar.
A família que é a corporação dos bombeiros está representada com a presença da andorinha e da cegonha que também simbolizam a destreza e resistência bruta, a capacidade de adaptação e protetora que têm, assim como o renascer e o viver.
O cão de gado transmontano calmo, dócil e atento, protege, guarda e dá o alerta em caso de perigo.
A forma circular que envolve a composição é a aurora, porque é em Miranda do Douro que o sol nasce primeiro em Portugal. E o que está para lá desta forma , está para lá dos limites territoriais (nacionais e internacionais) e humanos que os bombeiros sempre alcançam e percorrem.
O lema Bida por Bida / Vida por Vida também está presente como uma referência dos valores que os bombeiros representam.






















