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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A LINHA DO TUA — QUANDO O COMBOIO AINDA LIGAVA O NORDESTE TRANSMONTANO AO MUNDO

 Há memórias que doem porque são nossas. A linha do Tua é uma delas. Neste excerto de “Horizontes da Memória” (1997), o professor José Hermano Saraiva visita Mirandela e recorda o tempo — não assim tão distante — em que o comboio cruzava o Nordeste Transmontano inteiro, levando vida, escola, trabalho, histórias e futuro pelos vales profundos do Tua.
Mirandela era ponto de encontro e pulsação. Dos jardins ao metro, dos estudantes à estação de Romeu, dos carris antigos ao comboio turístico, tudo revelava um território que respirava ferrovia. Hoje, ao ver estas imagens, percebemos quanto perdemos… e quanto ainda guardamos cá dentro.

O Tua não era só um caminho de ferro. Era o fio que unia as nossas terras.

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐝𝐞 𝐌𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐍𝐚𝐭𝐚𝐥 𝟐𝟎𝟐𝟓

 O 𝐌𝐮𝐧𝐢𝐜𝐢́𝐩𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬, em parceria com 𝐚 𝐀𝐬𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐂𝐨𝐦𝐞𝐫𝐜𝐢𝐚𝐥, 𝐈𝐧𝐝𝐮𝐬𝐭𝐫𝐢𝐚𝐥 𝐞 𝐒𝐞𝐫𝐯𝐢𝐜̧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜𝐞𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐯𝐚𝐥𝐞𝐢𝐫𝐨𝐬 (ACISMC), promove o 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐝𝐞 𝐌𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐍𝐚𝐭𝐚𝐥 𝟐𝟎𝟐𝟓, desafiando todos os comerciantes do concelho, sócios ou não da ACISMC, a participarem.

O concurso decorrerá de 𝟏𝟏 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓 𝐚 𝟎𝟐 𝐝𝐞 𝐣𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔 e pretende ser mais um incentivo à 𝐝𝐢𝐧𝐚𝐦𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐞́𝐫𝐜𝐢𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐝𝐢𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥.

As 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 podem ser feitas até 𝟎𝟗 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨.

Os 𝐩𝐫𝐞́𝐦𝐢𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫𝐚̃𝐨 𝐚𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢́𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐯𝐚𝐥𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐚𝐬, que poderão ser utilizados no comércio local (lojas aderentes ao concurso), contribuindo assim para o impulso da 𝐞𝐜𝐨𝐧𝐨𝐦𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨.

𝑷𝒂𝒓𝒕𝒊𝒄𝒊𝒑𝒆, 𝒅𝒆𝒄𝒐𝒓𝒆 𝒂 𝒔𝒖𝒂 𝒎𝒐𝒏𝒕𝒓𝒂!  🎄

Mais informações AQUI.

De 5 a 8 de fevereiro de 2026, Vinhais acolhe milhares de visitantes para celebrar a sua tradição maior. A 46.ª Feira do Fumeiro é um dos maiores eventos gastronómicos da região norte de Portugal, reconhecido pela excelência do Fumeiro de Vinhais e pela promoção dos produtos regionais.

Bruno Sendas o artista brigantino que está a deslumbrar no The Voice

 Subir ao palco do The Voice Portugal, programa da RTP, foi a concretização de um sonho para Bruno Sendas, um jovem professor de música, natural de Bragança, que se está a lançar no mundo artístico através do concurso. “Não é só porque é o maior palco da televisão portuguesa, mas também era um sonho. Era um sonho de criança. Quando era mais novo ao domingo à noite, juntava-me com os meus amigos e o meu irmão para ver o The Voice”, contou o jovem ao Mensageiro.


O concurso ainda está a decorrer e não se sabe o desfecho, mas Bruno Sendas acredita que a experiência valerá a pena. “Mesmo que não acabe é uma boa experiência. É incrível. Desta experiência tirarei muita coisa, tanto a nível profissional como pessoal. Tenho conhecido tanta gente interessante. Está a ser uma experiência do outro mundo”, sublinhou.

Participar no programa exige-lhe grande esforço, porque as gravações decorem em Lisboa e Bruno trabalha e vive no Porto. “Não é fácil conciliar tudo, mas vou tentando. É muito duro, mas é uma dureza boa. Há muitos ensaios e muita gravação e tudo em Lisboa”, explicou.

O empenho e a transposição das dificuldades, dão-lhe força para prosseguir, até porque lhe permitem a maior divulgação do seu trabalho. “Já tenho músicas nas redes sociais e lançadas no Spotify no YouTube, mas o programa é sempre uma boa forma de mostrar e dar a conhecer o meu trabalho a mais gente através da televisão. Não só na região de Bragança, como como também ao resto do país”, adiantou.

Bruno deu os primeiros passos nas artes no Conservatório de Música e de Dança de Bragança, onde estudou até ao 12º ano. “Neste momento sou professor de música, portanto, a música faz-se completamente parte da minha vida, a 100%”, admitiu.

Trás-os-Montes está sempre no seu coração. “Eu sou de Bragança, nascido e criado, mas vim para o Porto estudar, há coisa de quatro anos, e fiquei cá a trabalhar. Vivo cá durante a semana e ao fim de semana costumo ir a Bragança, a não ser que tenha aqui alguma coisa para fazer”, explicou.

A participação no The Voice é também uma forma de “começar a cimentar uma carreira musical no panorama musical português e quem sabe internacional”, confessa o músico. “Gosto de música e adoro ser professor, mas o objetivo futuro será, mesmo, uma carreira e pisar palcos por este país fora e no mundo”, acrescentou.

Bruno Sendas já tinha concorrido várias vezes ao concurso, mas esta foi a primeira em que foi selecionado. “É muito difícil. Principalmente não tendo nascido numa cidade grande e com renome musical. Bragança é o melhor sítio para se viver e é a minha cidade preferida. Será sempre a minha cidade, mas claro que há muito menos oportunidades do que no Porto, em Coimbra ou Lisboa”, reconheceu.

Glória Lopes

Brumadentro – Parte I

Por: Paula Freire
(Colaboradora do Memórias...e outras coisas...)


 Félix Vagamundos conduzira durante horas, talvez dias, não sabia ao certo. Sabia apenas que vinha em fuga. Fugia da vida que lhe fora ficando cada vez mais apertada. Sem nenhum destino marcado, mas cansado de muito, andava à procura do tempo, da paz e do rumo que lhe escapavam por entre os dedos.

A verdade é que se perdera. E agora, ali estava ele, num lugar que não imaginava que existisse. Sem GPS que o explicasse, sem uma lógica que o justificasse, a aldeia, situada no cimo de um planalto e envolvida por uma penumbra invernosa, apareceu-lhe depois de uma curva apertada.

À beira da estrada, a placa de madeira, torta como se ali tivesse sido posta por alguém que não dava grande importância a nomes, anunciava: Brumadentro.

Decidiu continuar a pé com a ideia de que a friagem do ar pudesse arrefecer-lhe todos os pensamentos, por resolver, que lhe davam a volta à cabeça. 

A aldeia tinha somente duas ruas. A Rua Direita que, inexplicavelmente, virava para a esquerda. E a Rua Esquerda que, curiosamente, terminava no mesmo ponto onde começava. Se não fosse um erro de construção seria, porventura, uma advertência? Será que andamos tanto para acabar sempre no mesmo lugar? As pessoas habituaram-se a isso, refletiu Félix Vagamundos. 

E não deixou que a aldeia decidisse por ele. Avançou devagar, hesitante, pela Rua Direita. Uma rua deserta, larga e calada, embrulhada numa neblina densa, com terra molhada e pedras que pareciam gastas por muitas histórias que por lá tivessem passado.

As janelas das casas, com cortinas que abanavam como se o vento as soprasse, observavam-no com aquela desconfiança que os lugares remotos, por vezes, nos reservam.

Félix Vagamundos sorriu para si. Que sítio bizarro! Afigurou-se-lhe que, naquele local isolado, até a realidade já teria perdido o norte… 

Parou no centro da rua e olhou em volta. Sentiu o aroma familiar de pão quente a esgueirar-se por uma porta entreaberta. Lá dentro, a padeira, de avental branco, amassava a massa com mãos pesadas.

Levantou os olhos quando ele entrou e fez um movimento semelhante a um aceno de boas-vindas.

— Perdeu-se, não foi? — perguntou-lhe, sem cerimónias.

Ele sorriu, acanhado.

— Acho que sim. Não sei como vim aqui parar.

Ela encolheu os ombros num gesto de descrença.

— Pois, ninguém sabe, meu querido. A verdade é que só descobrimos onde estamos quando deixamos de correr. Correr por correr, que seja atrás de nós próprios para ver se, com jeitinho, chegamos mesmo a algum lado.

Tirou dois pães de um cesto, pousado em cima do balcão, e ofereceu-lhos:

— Vejo que tem fome. São para si. Fique com estes sonhos em forma de pão… Leve-os consigo e atente para que, desta vez, não embolorem.

Félix Vagamundos, espantado com o presente e com a afirmação da padeira, quis agradecer mas nada lhe saiu.

Quem saiu foi ele, da padaria, com os pães na mão e uma estranha impressão de ter acabado de ser alvo de um gracejo urdido pelo universo.

Continuou a caminhar. Minutos depois, ao virar numa esquina, deu de caras com uma pequena barbearia. Ah, o salão nobre da aldeia! Entre mexericos, muito palavrório, cabelos cortados e bigodes aparados, há sempre respostas para tudo. Talvez lá encontrasse quem conseguisse esclarecer as suas dúvidas. 

Afinal, estava vazia de gente. Só o barbeiro o viu entrar, ao mesmo tempo que afiava, energicamente, uma tesoura.

Apontou-lhe o cadeirão giratório em frente ao espelho.

— Ora então diga-me, caro senhor, quer cortar o quê? 

— Nada. Não vim para cortar cabelo ou barba — respondeu-lhe o outro, um pouco apreensivo com a interpelação.

O barbeiro levantou uma sobrancelha e deu um leve toque nas costas da cadeira.

— Ninguém vem ao que pensa que vem. Sente-se. Sabe que metade dos problemas do mundo nasce porque não paramos um minuto para escutar?

Félix Vagamundos obedeceu, ligeiramente intimidado.

— Perdi-me enquanto viajava. Esperava que soubesse dizer-me qual a direção que devo tomar para regressar a casa — elucidou.

— Oh, uma necessidade séria! E legítima, claro — ironizou o barbeiro. — Não se preocupe, também sou especialista em aparar dúvidas. 

E começou a passar-lhe a mão pelo cabelo. Analisava Félix Vagamundos como se este fosse um enigma filosófico.

— A tesoura corta, mas o pensamento também — proferiu, por fim. — Diga-me lá uma coisa… quando foi a última vez que olhou para o espelho e gostou do que viu?

A pergunta inesperada teve pontaria certeira. Vacilante na resposta a dar, ele engoliu em seco e não retrucou.

O barbeiro sorriu, zombeteiro, como se já estivesse à espera daquele silêncio.

— Então, o cabelo ou a indecisão, meu amigo?... Vá lá, siga em frente. Esta nossa aldeia não gosta de quem mente para dentro de si.

— Não sei — titubeou Félix Vagamundos.

— Pois devia saber.

Por cima da cabeça intocada, a tesoura, nas mãos do barbeiro, fez um clic no ar como se fosse um ponto final.

Aquele obsequiou-o com um conselho:

— Repare, o espelho não nos engana… A vida não fica perfeita porque mudamos de lugar. Ela melhora quando alteramos a rota. Quer chegar a casa? Troque o seu modo de olhar.

Félix Vagamundos retomou o caminho com a sensação de ter levado um murro no pensamento. Para aquietar o espírito optou, nesse momento, por seguir pela Rua Esquerda. Acelerou o andamento com o vento a soprar-lhe, vagaroso, sobre o rosto como a querer serenar-lhe a perturbação interior.

Mas uma dúzia de passadas à frente e ainda não recomposto, ouviu um assobio. Aproximou-se dele um homem alto e magro, vestido de farda e com um saco ao ombro. 

— A pressa é inimiga da alma… e olhe que a alma precisa de sossego para saber quem é — observou, entregando-lhe um envelope. 

Em seguida, baixou a voz e continuou, em jeito de confidência.

— O senhor tem cara de quem devia ter recebido isto há muitos anos.

O outro piscou os olhos, confuso, e o carteiro clarificou.

— Coisas que se esquecem e que o tempo entrega atrasadas. Sabe como é.

Não, ele não sabia. Ainda estava a tentar compreender todo aquele cenário inusitado e misterioso.

— Desculpe, eu ando perdido e só queria mesmo que alguém me explicasse qual o percurso de regresso a casa — aventurou-se, mais uma vez Félix Vagamundos, impaciente.

Mas o carteiro apenas declarou, apontando para a vereda à frente deles:

— Ninguém se perde, meu bom amigo. As pessoas só adiam. E quem adia, corre o risco de chegar sempre ao mesmo lugar. Como esta rua, por exemplo.

E afastou-se, sem mais explicações.

Félix Vagamundos ficou parado no chão a imaginar que devia ter caído, desamparado, numa qualquer realidade paralela. Pensou no encontro metafísico com aquelas figuras caricatas e ocorreu-lhe, com um arrepio, que todos pareciam estar a aguardá-lo e que aquela aldeia atípica sabia mais sobre ele do que ele próprio.

Subitamente apercebeu-se, ao fundo, onde as duas ruas quase se tocavam, de uma luz quente e acolhedora a tremer. Talvez um convite a chamá-lo. Caminhou, decidido, até lá. Deparou-se com uma casa de madeira com telhado baixo. Por cima da porta, o nome de batismo: Chalé dos Filosofemas.


Nota

Ouso fazer aqui, caro leitor, um breve intervalo sobre os motivos porque trouxe Brumadentro até ao seu olhar. Se tiver curiosidade em conhecer o que Félix Vagamundos encontrou e, sem o saber, veio a todos lembrar-nos, regresse quando se sentir preparado. Estarei ao seu lado na próxima parte.

Paula Freire


Paula Freire
- Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside atualmente em Vila Nova de Gaia, Portugal.
Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas do Desenvolvimento Pessoal e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada.
Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna e com o coração em Trás-os-Montes pelo elo matrimonial, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias.
O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora das imagens de capa de duas obras lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021, “Cultura Sem Fronteiras” (coletânea de literatura e artes) e “Nunca é Tarde” (poesia), e da obra solidária “Anima Verbi” (coletânea de prosa e poesia) editada pela Comendadoria Templária D. João IV de Vila Viçosa, em 2023. Prefaciadora dos romances “Amor Pecador”, de Tchiza (Mar Morto Editora, Angola, 2021), “As Lágrimas da Poesia”, de Tchiza (Katongonoxi HQ, Angola, 2023), “Amar Perdidamente”, de Mary Foles (Punto Rojo Libros, 2023) e das obras poéticas “Pedaços de Mim”, de Reis Silva (Editora Imagem e Publicações, 2021) e “Grito de Mulher”, de Maria Fernanda Moreira (Editora Imagem e Publicações, 2023). Autora dos livros de poesia: Lírio: Flor-de-Lis (Editora Imagem e Publicações, 2022) e As Dúvidas da Existência - na heteronímia de nós (Farol Lusitano Editora, 2024, em coautoria com Rui Fonseca).
Em setembro de 2022, a convite da Casa da Beira Alta, realizou, na cidade do Porto, uma exposição de fotografia sob o título: "Um Outono no Feminino: de Amor e de Ser Mulher".
Atualmente, é colaboradora regular do blogue "Memórias... e outras coisas..."- Bragança e da Revista Vicejar (Brasil).
Há alguns anos, descobriu-se no seu amor pela arte da fotografia onde, de forma autodidata, aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza.

𝟑 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 - 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐚𝐬 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐃𝐞𝐟𝐢𝐜𝐢ê𝐧𝐜𝐢𝐚

 𝐓𝐞𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓: Promover sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para avançar no progresso social

Este tema reforça o compromisso assumido na Segunda Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social: o progresso só é possível quando todos os cidadãos têm oportunidades iguais e fazem parte da construção do futuro coletivo.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através da Resolução 47/3, a 18 de dezembro de 1992.

🌟 A magia do Natal está a chegar a Alfândega da Fé!

 Esta sexta feira, 5 de dezembro, participe na Abertura da ALDEIA NATAL.🎄

Este ano com muitas novidades e um MUNDO ENCANTADO no LAGAR D'EL REI 🎅

Consulte a Agenda completa AQUI.

FEIRA IBÉRICA DE ARTES E SABORES 2025, "ESTÃO TODOS CONVIDADOS..."

Assembleia Municipal cria comissão permanente para a saúde

 A primeira sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Mirandela aprovou, na passada sexta-feira, a constituição de uma Comissão Permanente para Acompanhamento do setor da Saúde, proposta pelo Presidente da Assembleia Municipal.


Luís Guimarães adianta que “em tempos existia, mas sem regulamento, sem suporte eficaz para funcionar e já tinha ideia de dar continuidade a uma comissão dessa natureza, mas confesso que não era para já”, admite.

No entanto, alega ter ficado sensibilizado com a sugestão avançada pelo líder da bancada AD, José Silvano, na tomada de posse dos membros da Assembleia Municipal, para que o órgão autárquico pudesse ter capacidade reivindicativa para pressionar a reabertura da Urgência de Cirurgia Geral (UCG) do Hospital de Mirandela. “Perante a sugestão da bancada da AD nesse assunto, refleti e entendi que se há essa vontade tão grande de fazer alguma coisa no nosso setor da saúde, com esta comissão teremos muitas mais possibilidades de atingir alguns objetivos”, acrescenta.

O presidente da Assembleia Municipal, eleito pelo PS, entende que uma comissão permanente pode ter um papel importante. Porque “temos representantes que, de uma forma muito mais legítima, podem ir às entidades respetivas, ou seja, à ULS, à ministra, apresentar os nossos problemas e fazermos as nossas reivindicações. De outra forma, nós ficávamos praticamente anulados, como aconteceu no passado”, explica Luís Guimarães.

Uma decisão recebida com “satisfação” por parte de José Silvano. “Não pedi uma comissão permanente, pedi apenas uma comissão que até fosse eventual até conseguir, ou não, o objetivo de a urgência poder reabrir. O Sr. Presidente, na altura, dizia que isso não podia ser, agora ainda bem que reconheceu que pode ser e até foi mais longe, criou uma permanente e durante o tempo que for necessário”, diz.

O antigo presidente da Câmara de Mirandela não tem dúvidas que esta comissão pode ter um papel decisivo na capacidade reivindicativa junto da ULS do Nordeste e da própria Ministra da Saúde para que a reabertura da UCG encerrada, em outubro de 2023, venha a ser uma realidade. “Penso que no fim do ano, pode ou não pode mudar a ULS, e é preciso ter logo uma reunião com a ULS nessa altura e com a Ministra, porque já a vi em outros sítios, resolver estes problemas pontuais, porque a urgência de Mirandela não é difícil de resolver se a ministra estiver de acordo em financiar um cirurgião, para estar ali no tempo permanente, ou fazer um acordo com os privados sobre essa matéria, ou ela própria arranjar, nós temos de ter a urgência médico-cirúrgica aberta”, reafirma.

E José Silvano espera que a reabertura daquela valência aconteça no prazo de um ano. “Se não conseguirmos, também dizemos aos mirandelenses, que não se consegue, o Governo não consegue fazer isto, e nós não podemos estar satisfeitos com o Governo que não satisfaz isto e daqui a um ano vou-me embora disto”, assegura.

Para aquele que foi o presidente do Município de Mirandela durante 16 anos, não há dúvidas que a administração da ULS do Nordeste “tem prejudicado imenso a população mirandelense, porque se houvesse boa vontade, podíamos ter cá um cirurgião a tempo inteiro e ter a urgência de cirurgia geral a funcionar”, conclui.

A nova Comissão vai integrar representantes de todas as forças políticas e movimentos independentes eleitos para aquele órgão autárquico nas eleições de 12 de outubro.

Esta Comissão, aprovada por unanimidade, vai reunir, pelo menos, três vezes por ano.

Fernando Pires

UMA PAIXÃO IMPROVÁVEL - Novo Livro da Colaboradora do Blogue, Maria da Conceição Marques

 Há livros que não se abrem apenas com as mãos, mas com a alma. “Uma Paixão Improvável” é um desses caminhos raros, onde Maria e João deixam de ser apenas personagens e passam a ser espelhos , fragmentos de tudo o que tememos sentir e tudo o que desejamos viver.

Ler este romance é como caminhar num campo ao amanhecer: a névoa ainda presente, escondendo o que virá, mas prometendo algo que pulsa logo além do visível. Maria é a semente que resiste ao inverno. João é a chuva que chega quando menos se espera. Juntos, eles não formam apenas um encontro, mas uma estação inteira que se reinventa.

Este livro é um convite a reencontrar o que a pressa do mundo tenta apagar: a ternura, o risco, a coragem suave de acreditar numa emoção que nos atravessa mesmo antes de a compreendermos. É ler com o corpo inteiro, porque Maria e João não nos contam uma história, fazem-nos senti-la.

M.C.M (São Marques)

𝑩𝒓𝒂𝒈𝒂𝒏𝒄̧𝒂, 𝑻𝒆𝒓𝒓𝒂 𝑵𝒂𝒕𝒂𝒍 𝒆 𝒅𝒆 𝑺𝒐𝒏𝒉𝒐𝒔 ✨🎅

 Consulte AQUI o Programa.

Dádiva de Sangue decorre hoje na sede da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros

 Decorre hoje, entre as 10 e as 17 horas, na Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros a Dádiva de Sangue para o Instituto Português do Sangue.


O presidente da Junta de Freguesia de Macedo de Cavaleiros, David Vaz, 
explica que esta ação pretende dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em seguimento do mandato anterior:

Para ser dador, é preciso ter mais de 18 anos, pesar mais de 50 quilos, tomar o pequeno-almoço, apresentar um documento de identificação e manter uma boa hidratação antes e depois da dádiva.

O presidente da Junta de Freguesia reforça que doar sangue é um gesto simples que pode salvar vidas e apela à participação da comunidade.

De referir que de acordo com o relatório do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), de novembro deste ano, Portugal registou em 2024 mais uma redução do número de dadores, contabilizando menos dez mil em relação a 2017, e aproximando-se de níveis muito próximos do período pré-pandemia.

Cátia Barreira

“Árvore do Imaginário” pretende levar presentes de Natal a crianças carenciadas

 No âmbito da terceira edição da “Árvore do Imaginário” pode ajudar as crianças mais carenciadas do concelho de Macedo de Cavaleiros.


A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal e pretende, com a ajuda dos macedenses, distribuir presentes a crianças carenciadas neste Natal.

Segundo a vereadora da Área Social da autarquia, Cristina Pires, a atividade arrancou ontem e convida a população a oferecer presentes às famílias que mais precisam:

As crianças identificadas pertencem a famílias sinalizadas pelos presidentes das juntas de freguesia, pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social.

Consiste numa árvore, que se encontra no pátio do edifício da Câmara Municipal, onde as pessoas recolhem um envelope e depois compram um presente adequado à idade indicada no mesmo. Posteriormente basta entregá-lo nos serviços sociais da autarquia:

A “Árvore do Imaginário” pretende garantir que nenhuma criança do concelho de Macedo de Cavaleiros fique sem presente este Natal, fortalecendo o espírito solidário da comunidade. A distribuição dos presentes decorre entre os dias 22 e 23 de dezembro.

Cátia Barreira

Município planta 800 oliveiras para proteção contra incêndios na zona industrial

 O município de Mogadouro plantou 800 oliveiras na periferia da zona industrial para proteger a infraestrutura contra incêndios rurais e, ao mesmo tempo, poder produzir azeite para as cantinas da autarquia.


O presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel (PSD), disse que há uma obrigação legal de proteger os perímetros industriais com espécie de flora autóctone resiliente aos incêndios rurais, e como a oliveira tem essas características foi a opção tomada.

“Esta plantação está prevista na lei para a criação de áreas verdes nos perímetros industriais para evitar incêndios rurais, e como esta infraestrutura tem uma área de mato e pinhal a circundá-la, considerámos a plantação de 800 oliveiras por serem resilientes ao fogo, e a terra foi trabalhada funcionando como zona tampão”, vincou o autarca do distrito de Bragança.

Segundo António Pimentel, o município dispõe de cerca de quatro hectares de olival e o azeite que aqui será produzido servirá para abastecer as cantinas municipais.

“Temos cerca de quatro hectares de olival novos a que juntam oliveiras centenárias que também são propriedade do município, na zona dos Lagos do rio Sabor, junto à ponte Meirinhos/Sardão. Daqui vamos produzir azeite de qualidade para abastecer as cantinas do município, havendo, assim, um duplo aproveitamento de recursos”, explicou.

O projeto foi integralmente suportado financeiramente pelo município de Mogadouro e está inserido na terceira fase de alargamento da zona industrial de Mogadouro, onde foram investidos cerca de 50 mil euros para aquisição das oliveiras e na preparação do terreno.

O autarca de Mogadouro não coloca de lado a criação de uma marca de azeite com a chancela do município e integrada no projeto “Origem: Mogadouro”.

Francisco Pinto

Macedo de Cavaleiros regista mais um assalto

 Esta é a 10ª ocorrência em Macedo de Cavaleiros, desde o dia 20 de novembro


Foi assaltada mais uma casa, no concelho de Macedo de Cavaleiros, desta vez na aldeia de Brinço.

De acordo com fonte da GNR, o major oficial de relações públicas de Bragança, Hernâni Martins, contou que ainda não foi possível apurar os prejuízos porque a proprietária da habitação reside fora do distrito. Noutra habitação, em Sezulfe,  registou-se a tentativa de assalto, mas não chegou a verificar-se, tendo ficado apenas com os prejuízos na porta da moradia.

Recordamos que esta vaga de assaltos teve início no dia 20 do mês passado. Já foram contabilizadas 11 ocorrências, dez em Macedo de Cavaleiros, e uma no concelho de Bragança, em Frieira.

Nesse âmbito, o Município de Macedo de Cavaleiros publicou, recentemente na sua página social de Facebook, que está articular com as autoridades locais no sentido de se “inteirar da situação e acompanhar de perto o trabalho que está a ser desenvolvido”. 

Escrito por Rádio OndaLivre (CIR)

Os Tartufos – um povo da Ibéria Ocidental

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Há cerca de 2000 anos, Júlio César terá, pretensamente, afirmado: «Há, nos confins da Ibéria, um povo que não se governa, nem se deixa governar». Esse povo, com muita miscelânea pelo meio, evoluiu, entretanto. Hoje, é dominado pelos intocáveis Tartufos.

E lembrei-me dos Tartufos por causa de uma magnífica comédia do génio Molière, que há mais de 300 anos, criou... «Tartuffe»... Os Tartufos assumiram completamente as rédeas do Poder, e dos Poderes. São elitistas, vivem num sistema de castas onde só coabitam e falam com outros Tartufos. Esfaqueiam-se uns aos outros, gritam, se necessário for, para imporem a sua posição, criam «lobbies» com outros Tartufos, e tão rapidamente são aliados de Tartufos com os quais gritaram, chegando ao cúmulo do insulto barato, como rapidamente os voltam a afastar, em sanguinários jogos de bastidores. E o Povo gosta, sempre é mais barato do que ir ao teatro, e o sangue é real…

Os Tartufos são, habitualmente, uma casta que tem imensas dificuldades para obter um 10 no Ensino Secundário. «Chumbam» algumas vezes, mas lá vão fazendo o percurso, chegando ao final do ano lectivo com a conquista de terem transitado de ano com «duas negas». Entretanto, chegou a «democratização do ensino». E, anormalmente, vulgarizaram-se os «cursos superiores» nos quais se tornou possível a sua frequência apresentando como candidatura uma média de acesso negativa. Se para esses, ainda assim, não for possível, multiplicaram-se, que nem cogumelos, as instituições para as quais o critério maior de entrada são as notas… da carteira. 

Os Tartufos conseguiram, com isso, ombrear, nos serviços públicos, com os não-Tartufos (que, no sector privado, o galo canta de outra maneira – a não ser que sejam filhos do dono…). Os não-Tartufos, aqueles que, «estupidamente se esfolam» para ter médias que demonstrem as suas capacidades para frequentar as melhores universidades do país e do estrangeiro, passaram a ser suplantados, em concursos públicos, pelos Tartufos. 

Para exemplificar, recorro a um caso particular. Numa determinada área, nas consideradas quatro melhores instituições do país, três em Lisboa e uma no Porto, hoje não se «entra» com média inferior a 17,5. Aliás, no último ingresso, numa delas, o último colocado «entrou» com média de 17,8… Nessa mesma determinada área, outras instituições há em que a média de entrada anda pelos 11,5/12. Outras havendo em que a nota mínima de entrada é a já referida «nota da carteira»… Conheço muito bem quem conheça (muito bem), as três realidades. E os níveis de exigência são abruptamente diferentes. Aliás, o corpo docente é abruptamente diferente... 

Os Tartufos, que se «viam à nora» para ter um 10 no Secundário, não frequentam as tais de quatro melhores instituições do país. Mas podem frequentar as outras… Há uns tempos, falei com um estudante proveniente dos PALOP, que sabia ter «entrado» numa dessas quatro instituições mas que, entretanto, tinha mudado para outra. E perguntei-lhe porquê… Alegou que o custo de vida era muito mais favorável na cidade da instituição para a qual tinha mudado. Contrapus que, em termos de currículo e prestígio, e ele bem o sabia, era muito diferente. Retorquiu ele que isso lhe era indiferente, porque quando regressasse ao seu país, seria «Dótô» na mesma, independentemente do local onde tinha obtido o «canudo». Pensativo fiquei perante a resposta, limitando-me a dizer-lhe que não precisaria de regressar ao seu país, porque em Portugal já se estava a passar o mesmo… 

Portugal está tomado pelos Tartufos. Aqueles que são capazes de cometer os «sete pecados mortais», penitenciando-se com a «confissão» e a «comunhão», recusando-se, terminantemente, a cometer o «oitavo pecado mortal». Esse, é ler. Por isso, anormalmente, poderão, até pegar num livro de dez em dez anos, por norma não passando, porém, da décima página. Mas rapidamente se transformam em doutorados em qualquer assunto, só por lerem uma página da Wikipédia… 

Os Tartufos são extremamente indelicados e agressivos perante o conhecimento. Apesar de o tentarem esconder, sofrem sintomas severos de gnosiofobia. Na presença do conhecimento, que lhes possa abalar o estatuto ou abafar o brilho que julgam possuir, entram em pânico, sendo a amígdala cerebral activada, elevando o cortisol e a adrenalina a impensáveis níveis. E partem, de imediato, para a agressão verbal, escondendo o seu medo atrás da sobranceria e do pedantismo, ou recorrendo a fórmulas básicas aprendidas enquanto assistem à «casa dos segredos» ou a qualquer «peixeirada futebolística», no canal do costume. 

E os não-Tartufos, remetidos ao seu secundário papel na «Tartufiânia», o país onde imperam os Tartufos, ou se enclausuram cometendo o «oitavo pecado mortal», passando a padecer de sintomas de agorafobia, ou «tartufobia», ou procuram ser resilientes, ganhando consciência de que ainda resistem muitos não-Tartufos, e que, um dia, as «dinastias filipinas dos Tartufos» serão substituídas por uma qualquer «dinastia dos não-Tartufos». Assim aconteceu há 385 anos, após 60 anos de «tartufices filipinas». Que se repita a História…


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

𝗕𝗿𝗶𝗴𝗮𝗻𝘁𝗶𝗻𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗮𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗼 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗼 𝗲 𝗻𝗼 𝘁𝘂𝗿𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗰𝗼𝗻𝗾𝘂𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀 𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀

 O concelho de Bragança voltou a ser reconhecido em várias áreas, com distinções que colocam atletas e património local em destaque. A TáBô Team, composta por Flávio Gomes (Touças) e Cristiano Fernandes, conquistou o título de Campeões Nacionais de Trial 4x4, na Classe de Super Proto, reforçando o prestígio brigantino no todo-o-terreno.
Também a Grande Rota dos Moinhos e Lameiros (GR-298), na União das Freguesias de Aveleda e Rio de Onor, foi eleita “Trilho mais Popular de Castela e Leão 2025” pela FDMESCYL, distinção que valoriza a relevância natural e turística da região.

A estes prémios soma-se o desempenho da Essence BJJ no Campeonato Nacional Open de Jiu-Jitsu 2025, alcançando vários pódios entre atletas de diferentes categorias, demonstrando o crescimento e a qualidade da modalidade no concelho.

A Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira destacou o mérito e a importância destas conquistas para a valorização do território.

𝗩𝗲𝗺 𝗮í 𝗮 𝗩𝗶𝗹𝗮 𝗙´𝗟𝗶𝘇 𝗡𝗮𝘁𝗮𝗹 ‘𝟮𝟱!

Dois heróis com «sangue bragançano» na Guerra da Restauração

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Ontem, festejou-se a Restauração da Independência. No entanto, a mesma só seria efectivada mais de 27 anos depois, com a assinatura do Tratado de Lisboa, quando, finalmente, Espanha reconheceu a legitimidade dos direitos da Casa de Bragança à Coroa Portuguesa, dando fim à Guerra da Restauração. Por curiosidade, um tratado no qual, entre os seis signatários, pelo lado português, estavam dois «Bragançãos»: o Duque de Cadaval e o Marquês de Marialva! Como venho afirmando, mais de metade da História de Portugal não seria a mesma sem «sangue bragançano». Não sei é se isso interessa muito…

Na referida Guerra da Restauração, ninguém nos diz isso, também houve muito «sangue bragançano». Nomeadamente o dos incógnitos bragançanos que lutaram pelos direitos da pátria, muitos deles tendo perecido nas refregas permanentes com «nuestros hermanos», que nessa época pouco tinham de «hermanos»… Uma guerra que teve características muito peculiares na região trasmontana, a fazer relembrar os fossados de medievais épocas. Ou seja, ora agora te invadimos nós, destruindo e pilhando aldeias, ora somos nós invadidos, como represália sofrendo semelhantes consequências. Embora também tenha havido uns cercos pelo Pantoja a castelos da região. E lá nasceria um «ódio figadal» para com os tais de «nuestros hermanos», bem ilustrado no «de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento»…

Tendo havido duas figuras que se destacaram, de forma particular e no que concerne ao distrito de Bragança, na Guerra da Restauração. Eram irmãos, seriam, em tempos distintos, Governadores das Armas de Trás-os-Montes. E tinham «sangue bragançano»! De alguma forma, já tinha trazido aqui os seus ancestrais, particularmente a bragançana que lhes transmitiu os genes bragançanos: uma digna Senhora da estirpe dos «de Morais». O primeiro deles foi D. Luís Álvares de Távora, Conde de São João da Pesqueira, e que seria o 1º Marquês de Távora. Era descendente dos Senhores de Mogadouro e da tal dama «de Morais». Enquanto nosso Governador das Armas, assumiu papel preponderante nas acções levadas a cabo na região, especialmente pelas incursões agressivas que fazia a território espanhol. A sua fama foi de tal ordem, que até foi criada a expressão «Cala-te, ladrão, que vem aí o Conde de S. João!», especialmente quando as mães pretendiam acalmar os filhos e não queriam que eles chorassem. Coitados dos catraios… O «Conde de São João» era o «Sarronco» dessa época… 

No entanto, a incursão mais profunda a território espanhol seria levada a cabo, pouco tempo antes da assinatura do referido Tratado de Lisboa, pelo seu irmão, D. Francisco de Távora, que a partir da nossa região, e a mando do seu irmão, aí tomou mais de uma centena de povoações, tornando-as tributárias do Reino de Portugal! Esta figura, que seria o 1º Conde de Alvor, tendo sido, igualmente, Governador de Angola e Vice-Rei da Índia, antes de ser nomeado, numa fase posterior, Governador das Armas de Trás-os-Montes, e que, tal como o irmão, “azare du caralhitchas’e”, também carregava «genes bragançanos»!

E “prontus’e”… Lá vou trazendo por aqui, ao sabor das circunstâncias, algumas figuras e acontecimentos que a História de Portugal, centrada em Lisboa e no eixo litoral, não nos expõe. Talvez para persistirmos no princípio de que «somos pequeninos», tudo se passou sempre muito longe daqui, «lá para baixo». Todavia, os nossos antepassados também contribuíram, e de que maneira, quer dando o corpo às balas, quer com elevados contributos monetários, para hoje não sermos súbditos de «Su Majestad». O que, sendo discutível, e dado o panorama do ostracismo a que somos votados, não sei se não seria melhor… “Se calha”, tal como a «Puebla», já teríamos «Alta Velocidad»… “C’mu quera, pur’i”… 

Pelo que consta nos manuais de História e nos programas de Ensino dessa mesma História, a sensação que fica é que… por terras bragançanas não temos História. Perante o que aqui venho, humildemente, expondo, imaginem lá caso tivéssemos… “Pode sêre q’alguém le pegue”…

(Foros: 1º Marquês de Távora e 1º Conde de Alvor)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

1 de Dezembro de 2025 APONTAMENTOS - Stª Comba de Rossas - Foto de Grupo.