Quando se fala de um livro devem dar-se algumas indicações técnicas e eu vou começar por aí. «Maria Castanha – Outras Memórias» tem 310 páginas (com um caderno a cores), em formato 17 X 24 cm, ilustrado com 20 fotos, três mapas sobre a toponímia e brasões, dividido em 80 capítulos e subcapítulos e mais de 500 notas explicativas em rodapé, tal é o rigor com que se envolve a investigação e documentação. A capa e badanas são plasticizadas e cor mate. A capa reproduz uma castanheira com cerca de 200 anos e a contracapa um magusto no I Festival das Serranias na Soutosa (onde viveu Aquilino Ribeiro) – Moimenta da Beira.
O livro anterior, «Memórias da Maria Castanha» considerei-o um trabalho inacabado, que me deixou desassossegado e de consciência pesada e uma voz interior clamava no fundo da alma: - Tens de continuar!
«Continuar a registar memórias de há noventa, oitenta e setenta anos atrás, que é, como quem diz, saberes muito antigos e outros dos anos vinte, trinta, quarenta e cinquenta do século XX, sobretudo».
Depois, senti alguns estímulos. A. M. Pires Cabral, no prefácio do livro anterior pediu-me: «mando-lhe daqui os meus parabéns e o meu abraço de estímulo a que continue a estudar-nos».
Também Alberto Correia, Mordomo-mor da Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa, refere que «Esta é a sua imparável luta!... Mesmo que tão poucos agradeçam!... Que os tempos vão mal para a compreensão entre os homens»...
O José João Neto, dirigente associativo de Penela da Beira, disse-me cara a cara: «- o senhor doutor foi pioneiro a interessar-se pela castanha e castanheiro e despertou uma fileira adormecida. Só alguns anos depois é que apareceu a universidade. Sem o seu estudo e investigação a castanha não estaria tão divulgada e promovida».
Barroso da Fonte no posfácio diz-nos: «Aqui temos o símbolo perfeito de quem nasce, vive e quer deixar aos vindouros a máxima do ser humano: amar sem medida, aquilo que foi posto à frente dos olhos».
Por sua vez, o investigador galego, Fernández Ana-Magán, Director da empresa Hifas da Terra, refere no prefácio: «O profesor Lage adicou moi tempo a recolla de información etnográfica, escoitando as xentes, camiñando o longo da xeografia portuguesa e pagando do seu peto tanto movimiento, para que non se perda o coñecimento que pasou de país a fillos e que neste tempo pode quebrar polo abandono e fuxida de cara as ciudades destes poboadores. Somentes o amor a esta vella cultura do castañeiro, (…) xustifica tanto esforzó persoal (…)». «Os que defendemos a cultura do castiñeiro temos unha debeda con vostede polo amor que sepre pon neste inmenso traballo».
Como disse o muito ilustre Prof. jubilado, Jorge Paiva, é um livro de consulta, ou «de mesinha de cabeceira», para se irem lendo os temas que vamos procurando, como: saberes etnográficos do castanheiro, receitas com castanhas, doenças e pragas que afectam o souto, provérbios castanhícolas, jogos com castanhas, toponímia do castanheiro, expressões, vocabulário e variedades de castanhas (arroladas 229 variedades).
Quando se acaba um livro, muitas interrogações se nos colocam. Como vão reagir os leitores? O livro vai ter procura? Mas a minha decisão estava terminada: fechar-se este ciclo de investigação de trabalho árduo, solitário e dispendioso ao bolso do autor.
Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net
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