quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Média de idades dos médicos de família no distrito preocupa Ordem dos Médicos

O presidente do conselho distrital de Bragança da Ordem dos médicos, defende que não há falta de médicos nos centros de saúde do distrito de Bragança, mas está preocupado com a média de idade dos clínicos. Uma preocupação manifestada por Marcelino Silva num debate em Bragança esta segunda-feira organizado pela secção regional do norte da ordem dos enfermeiros.
“Na região, na esmagadora maioria os centros de saúde têm cobertura de cuidados médicos, exceptuando casos pontuais. O problema dos cuidados de saúde primários é a idade avançada dos quadros médicos. 60 por cento dos quadros têm mais de 60 anos enquanto que nos hospitais o problema é muito pior porque aí há dificuldades sérias na captação de especialistas de algumas especialidades, os concursos ficam sempre desertos e isso gera problemas de cuidados à população. Pode haver problemas pontuais, mas na relação cuidados de saúde primários cuidados hospitalares os cuidados hospitalares estão piores”, sustenta o clínico.

Debater o estado da saúde e os cuidados prestados nesta área no nordeste transmontano foi o objectivo do debate organizado pela secção regional do norte da ordem dos enfermeiros.

Para além destes profissionais de saúde, a sessão, a primeira de um ciclo que vai percorrer as capitais de distrito do Norte, reuniu representantes da ordem dos médicos, da Administração Regional de Saúde do Norte e da Unidade Local de Saúde do Nordeste.

O objectivo é fazer chegar à tutela as preocupações, necessidades e fragilidades dos administradores da saúde para a melhoria do Serviço Nacional de Saúde.

O presidente da Secção regional do norte da ordem dos enfermeiros, João Paulo Carvalho, explica que é necessário avaliar concretamente e junto dos agentes locais os problemas e as carências nas unidades de saúde.

“Queremos de uma forma muito transparente falar dos problemas locais de cada distrito, mais do que a ordem dos enfermeiros vir dizer que faltam queremos ouvir os interlocutores locais dizerem o que necessitam. Em Portugal inventamos uma medida que é o “achómetro”, todos achamos coisas, mas o que queremos saber é a realidade”, esclarece.

A redução do horário de trabalho para as 35 horas veio agravar o problema da carência de enfermeiros, acredita João Paulo Carvalho

“As 35 horas não agravou a falta de enfermeiros, porque eles já faltavam. Mas se temos pessoas que trabalhavam 40 horas e depois passam a 35 horas pelo menos cinco horas por semana têm de ser entregues a outro enfermeiro e isso não acontece”, refere.

Ponciano Oliveira, membro do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde do Norte, também sustenta que a cobertura na região de médicos de família é elevada, e até superior à média nacional.

Quanto à melhor maneira de fixar médicos no interior, mais do que incentivos como o pagamento extraordinário de 1000 euros previstos, o responsável acredita que formar médicos localmente será a melhor forma de chegar a esse fim:

“Depende da perspectiva de cada médico, seguramente que se tiver um médico cá formado ele verá de forma diferente essa afirmação. Essa é uma das grandes apostas que temos feito: formar médicos localmente”, frisa.

Questões levantadas num debate em Bragança esta segunda-feira organizado pela secção regional do norte da ordem dos enfermeiros. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

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