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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 17 de maio de 2025

Igreja de Santo Estêvão, Espinhosela. Primeiro Mártir da Igreja

 Separada do Parâmio pelo rio Baceiro, a freguesia de Espinhosela ‘espalha-se’ pelas aldeias de Cova de Lua, Terroso e Vilarinho. Distante 13 km a Noroeste de Bragança, a aldeia-sede tem como património religioso a Igreja Matriz de Santo Estêvão, no «Bairro do Vale», e a Capela de Nossa Senhora do Rosário, no «Bairro do Outeiro». Hoje desaparecida, existiu ainda a Capela dedicada a São Caetano, ereta pelo Padre Belchior Leite de Azevedo, abade de Espinhosela, em finais do século XVII. Em 1703, a administração da Capela foi concedida aos Jesuítas de Bragança, com a premissa de uma missa diária pela alma do reverendo Belchior e a celebração de uma missa solene no dia de São Caetano. Com a extinção da Companhia de Jesus em 1759, a Capela entrou em estado de abandono, havendo o cuidado de transferir as imagens de Nossa Senhora da Conceição, de Santo António e de São Caetano para a Igreja Matriz, em 1789.



A área de implantação da freguesia é habitada desde a Idade do Ferro, identificando-se os castros na Fraga do Corvo e o de Casarelhos. Foreira régia, Espinhosela está documentada desde as Inquirições de D. Afonso III, em 1258, e nas de D. Dinis, no final do século XIII. Em 1320, este monarca taxou a Igreja de Santo Estêvão em 50 libras anuais, como contribuição para a guerra contra os mouros. A partir do século XV, a Igreja passou a pertencer à Casa de Bragança, cabendo ao respetivo Duque a apresentação do Abade. Pelas «Memórias Paroquiais», em 1758 tinha três altares: Altar-mor com Santo Estêvão; lateral do lado evangelho, com São Julião e São Brás; do lado da epístola, dedicado a Nossa Senhora da Conceição. Estava ainda em edificação um altar das Almas. A Igreja de Santo Estêvão é uma relíquia arquitetónica e decorativa. O frontispício tem alpendre a proteger o portal, de frontão recortado, encimado por óculo circular e empena em papo de rola, truncada pelo campanário. Este é de dupla sineira, com aletas adossadas às pilastras, coroado por Cruz trevolada, ladeada por pináculos bulbosos. O acesso ao campanário é feito a partir do coro-alto, por escadas de madeira. O interior, rebocado a azul, com óculo central no teto da nave, apresenta compartimento de batistério, com porta balaustrada e frontão de madeira com pináculos e Cruz torneada, e púlpito de varandim quadrangular, sobre mísula volutada. Insertos em vãos de volta perfeita, estão quatro altares laterais policromados tardo oitocentistas, de mesas paralelepipédicas.
Os primeiros retábulos, confrontantes, de moldura apilastrada a suportar o arco, contêm painel pintado alusivo às Almas, com data de 1889, no lado do evangelho, e vegetalista com imagem de São Caetano sobre mísula, no da epístola. Junto ao arco triunfal, os retábulos confrontantes são gémeos, datados de 1898, com colunas de fuste a remeter para o Barroco Joanino e os capitéis para o coríntio. São coroados por Cruz sobre pedestal, ladeada por volutas. O do lado da epístola acolhe em vitrina central a imagem de Nossa Senhora da Conceição e, o da epístola, tela pintada com Santa Luzia e … S. Julião? O arco triunfal, a permitir aceso ao presbitério, é um peculiar exemplar tardo-românico: “arquivolta de arco pleno moldurado e decorada com motivos geométricos e vegetais, tendo a pedra de fecho uma representação facial humana ladeada de temas zoomórficos, assente em pilastras decoradas com pontas de diamante e coluna cilíndrica, rematada por capitel e imposta ornados com idêntica gramática decorativa” (Paulo Amaral, SIPA, 1998). O retábulo-mor, de cor ocre e decoração dourada, é de três eixos, definidos por quatro colunas de fuste estriado e capitel de estilo coríntio. O eixo central expõe o Sagrado Coração de Jesus e os laterais Santo Estêvão (presente na Capela de Nossa Senhora do Rosário) e Santo António. A encimar as imagens constam três telas pintadas a contar episódios do protomártir Santo Estêvão. O tecto do presbitério está ‘forrado’ com nove painéis pintados com os quatro Evangelistas, o Apóstolo S. Tomé, Nossa Senhora do Rosário, o Orago Santo Estêvão, Santa Comba e S. Cipriano.

Susana Cipriano e Abílio Lousada

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